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O Segredo do Ruivo Perfeito – HENNA + Entrevista com Iara Henna

24.07.17

Quer saber o segredo para o ruivo dos sonhos? Aquele ruivo Marina Ruy Barbosa, de um jeito natural, sem química e que ainda recupera os fios danificados? Parece sonho mas é real: Henna! Vem que eu te conto o segredo pro ruivo natural mais lindo do mundo!

Se você ainda é nova na saga ruiva, te aconselho a dar uma lida primeiro nesse post, em que expliquei um pouco sobre a transição dos fios virgens para a tintura e neste em que indiquei um tonalizante maravilhoso para as ruivinhas. A primeira coisa que você precisa ter para começar a usar a henna é: certeza. Certeza de que quer realmente ser ruiva – pro resto do vida – ou pelo menos, por um bom tempo. Isso porquê a henna não desbota (esse é um dos motivos do meu eterno amor por ela) e se você jogar uma tinta por cima vai manchar todo o seu cabelo. Então antes de tudo, faça essa escolha, pois depois dela, para sair do ruivo você vai precisar esperar o cabelo crescer e ir cortando – ou tentar alguma das receitas que sugerem no grupo de Henna do Facebook. Nesse post vou contar minha experiência e sanar algumas duvidas com a expert das hennas: Iara – a maravilhosa que vende a melhor henna do mundo! Mas também te aconselho ler esse post da Aninha, o manual da henna.

Primeira coisa, a henna pega em cabelos virgens e escuros mas não aparece e nem faz diferença na cor – a não ser que ele seja bem claro – então o primeiro passo é pintar o cabelo (no meu caso a raiz) que está virgem. Para quem já é ruiva com tinta não precisa dessa parte, apenas espere o ruivo desbotar bastante e depois aplique a henna (foi assim que fiz na primeira hennada). Para deixar a raiz clara usamos uma tinta loira; recentemente recebi o Loiro Acinzentado da Magic Color e resolvi testar, gostei bastante da tinta – não tem um cheiro muito forte e a cor fixou muito bem.

Segunda coisa, a henna vem em pó e precisa ser preparada, para isso existe várias receitas (variações na quantidade de água versus quantidade de pó da henna) e outros componentes que podem ser utilizados ou substituídos (ex: há quem goste de misturar vinagre ou limão para liberar mais pigmentos e há quem goste de usar alguns temperos como colorau para intensificar um tom, no caso, um tom mais alaranjado) mas uma coisa é certa: água morna (enquanto seu dedo conseguir ficar dentro da chaleira – depois de tirar a chaleira do fogo, claro) + henna. Para misturar os dois você deve utilizar uma colher de pau ou plástico –  nunca metal – eu uso o próprio pincel para a tinta. A misturinha a princípio, tem uma cor verde, mas conforme ela vai liberando pigmento vai ficando mais amarronzada. Essa mistura deve ficar descansando por um tempo, e, enquanto isso você deve ficar de olho para ver quanto de pigmento ela liberou – pegue um pouco da henna e coloque um pingo na palma da mão, deixe por alguns segundos e depois retire – deve ficar uma manchinha de um laranja marca texto, assim que a henna estiver pronta – se a mancha ficou fraquinha, a henna precisa descansar mais. É importante não deixar a henna sob luz artificial, lembre sempre de colocar um pano por cima para que ela fique no escuro. Para deixar um laranja um tiquinho mais avermelhado eu uso outra plantinha que a Iara vende, o Red Kamala, e estou amando! Ele deve ser acrescido à mistura após ela já ter liberado pigmento e o resultado é divino! ♥ Nos primeiros dias após hennar, a cor é de um laranja bem gritante, mas aos poucos ele vai oxidando e ficando uma cor menos radioativa e mais natureba ;)


Primeira foto: Henna já preparada, descansada e pronta para passar nos cabelos – e adicionando Red Kamala. Segunda foto: Passando a tinta da Magic Color no cabelo e na sobrancelha.

A henna não desbota devido a lawsona, a molécula que pinta os cabelos. Isso acontece pois a molécula de lawsona se liga à queratina do cabelo (que envolve o núcleo do fio) e resulta em uma cor única para cada pessoa. Depois de lavar os cabelos apenas com shampoo, você aplica a henna. Eu faço assim: pinto a raiz de loiro e quando vou retirar a tinta já entro no chuveiro, depois aplico a henna e me enxugo, após descansar com a henna no cabelo, tomo outro banho. É muito importante usar luvas quando for aplicar a henna – isso porque ela vai tingir de laranja até sua alma – e depois de aplicada usar uma touca – ou um saco plástico de mercado, pois se ela estiver bem liquida ela vai escorrer bastante. Te aconselho a não usar roupas durante todo esse processo pois corre o risco de manchar. Depois de tirar a henna você vai sentir o cabelo meio duro e áspero, isso porquê ele está reconstruído, já que a henna se incorporou ao fio, repondo massa e deixando-o mais grosso. Por isso é essencial que você use uma máscara hidratante e vá as poucos penteando e tirando os nós que estiverem no caminho. Não se assuste com a bagunça que ficará no box – a água laranja vai sair, tenha fé, e seu cabelo tá ruivo e perfeito, tenha fé again.

 

Primeira foto: depois de pintar a raiz com tinta da Magic Color. Segunda foto: henna descansando na cabeça e na sobrancelha.



Agora tenho certeza que você tem mais dúvidas ainda, por isso preparei uma entrevista com a Iara Henna a respeito das dúvidas mais crúeis sobre a henna :)

Samira: Qual a sua história com a henna?

Iara Henna: Conheci a henna através de um companheiro muito querido que vendia desde os idos da década de 80 lá no Rio, em Ipanema. Quando ele faleceu as clientes enlouqueceram. Muitas eram alérgicas. Fui “intimada” a continuar a vender. Eu não conhecia muito sobre a henna e tive que estudar muito em sites estrangeiros e livros indianos. Google academics também foi uma ferramenta valiosa. Só havia um fornecedor no rio. Então entrei em contato com quase uma centena de fornecedores do mundo inteiro. Experimentei henna de pelo menos uma dezena deles. E descobri que o que chegava aqui era henna da pior qualidade. Atualmente tenho dois fornecedores indianos de partes geográficas bem diferentes da Índia para poder trazer sempre a melhor henna para o Brasil.

 

S: Conte-nos um pouco sobre a planta henna, como é o processo desde o plantio até o pózinho que conhecemos?

I: A Henna só crescerá bem onde as temperaturas mínimas permaneçam acima de 11 graus Celsius. Esta planta tolera o calor extremo e longos períodos de secas. Ela cresce selvagem perto dos oásis dos desertos!! Não precisa de solos ricos nem de muita água. A colheita não é muito fácil visto que primeiro se colhe as folhas mais novas e só depois todo o resto. Essas folhas e poucos galhinhos passam por uma limpeza e vão para uma primeira moagem. A minha henna passa por três moagens até fica finíssima. Chamam de triple-sifted. Depois é acondicionada em embalagens plástica e, esta, é colocada em uma segunda embalagem laminada para impedir que incida qualquer tipo de luz no pó.

 

S: O que pode ser misturado à receita da henna e quais as consequências de cada componente?

I: A agua morna é excelente e prática. Mas se vc tiver tempo use limão e deixe a henna descansando 24 horas (esse tempo vai depender da temperatura ambiente). Libera mais moléculas de pigmento por ser um processo mais lento do que através do calor. Se misturar colorau ou páprica o tom vai ficar mais avermelhado. Se misturar açafrão, mais laranjinha. Mas tenha em mente que esses temperos saem nas primeiras lavagens.

 

S: A henna pode ser deixada sob o sol? E sob luz artificial?

I: O pó de henna pode sim. Mas deve-se sempre deixar o pó que não for usado na embalagem original. Mas a henna já preparada não aconselho porque a parte que tiver mais contato com o calor do sol vai liberar o pigmento mais rápido. O ideal é sempre colocar para descansar em local escuro porque o calor ou o ácido agirá uniformemente sobre toda a mistura.

 

S: Por que não se deve usar colher de metal para mexer a henna?

I: A henna é uma planta cheia de idiossincrasias. E essa é uma delas. Na Índia dizem que o metal pode enrijecer a parede celular impedindo de haver a liberação do pigmento. Conheço meninas que usam um mixer para misturar a henna. Elas dizem não sentir diferença. Mas como na Índia eles já fazem sem usar metal há mais de 3.000 anos… prefiro seguir o conselho deles.

 

S: Além do ruivo existem outras cores de henna ou outras plantas que deixem o cabelos de outra cor e sem desbotar?

I: Não existe outras cores de henna. O pigmento da henna é laranja. Mas outras plantas podem ser adicionadas à henna. Se não quiser o ruivo acobreado e sim mais puxado pro chocolate misture Amla na sua receita. Ela corta o cobre da henna. Se quiser castanho, misture outra plantinha chamada Índigo e crie vários tons de castanho. Mas se preferir um preto intenso, azulado, use o Índigo puro logo após hennar os cabelos. Mas se gostar do ruivo mas quiser um tom puxado para o vinho misture Red Kamala. Se quiser super vinho, beterraba, use Red Kamala puro. Mas atenção: apenas a henna não desbota. As outras plantas irão desbotar com as lavagens.

 

S: O que é BAQ e qual sua importância na henna?

I: BAQ – Body Art Quality. Henna BAQ é o melhor 10% de henna e é reservado principalmente para a arte corporal, o Mehendi. 100% pó de folhas secas e jovens de Lawsonia Inermis. Henna para Mehendi deve ter um maior teor de corante e o mais fino peneirar, para que os artistas possam fazer padrões finos com tatuagens de longa duração. E deve ser cultivada também em solo extremamente limpo. Por tudo isto é a melhor henna para usarmos nos cabelos. Plantações de henna variam através das regiões de cultivo e variam de época para época. Alguns anos têm excelentes colheitas de henna, e alguns anos têm más colheitas de henna (por isso tenho fornecedores de partes diferentes da Índia).

 

S: Quais os poderes medicinais da henna? E de outras plantas que colorem os cabelos?

I: Não vou entrar em detalhes porque tanto a henna como as outras plantas citadas aqui são usadas como medicamento na Ayurveda – Medicina Indiana e por isso só podem ser usadas para este fim se forem receitadas por um médico (uso interno).

 

S: Quando usamos a henna no cabelo desfrutamos desses poderes medicinais?

I: Ah sim!!! Mas para uso externo capilar quase todas, exceto o Índigo e o Red Kamala, tratam várias afecções do couro cabeludo como seborreia, alopecia, escabiose, pediculose, entre outras.

 

S: A henna funciona em cabelos que já sejam ruivos naturais? E em grisalhos?

I: Em ruivos naturais pode escurecer um ou dois tons. Mas vai depender principalmente do tempo que a henna fica em contato com os cabelos. Em grisalhos funciona bem mas a partir da segunda aplicação que pode ser feita no mesmo dia. Como os grisalhos não tem mais a melanina é a própria henna que vai se ajudar.

 

S: Como fazer um banho de brilho? Tonalizantes como o Garota Veneno pegam nos cabelos com henna?

I: Em geral as meninas usam a henna congelada com bastante creme. Isso mesmo! O que sobrar da sua mistura vc congela e pode usar até 6 meses depois. Quanto ao tonalizantes claro que pegam e tem muitas meninas que usam. A henna é compatível com qualquer tipo de produto químico.

Para comprar a Henna Iara (essa que eu uso) clique aqui e para comprar o Red Kamala (tom mais avermelhado com a henna) clique aqui. E para saber mais sobre o mundo das hennas acesse o Blog da Iara Henna

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Textos

Amigo, ainda me sobraram dedos para te contar.

23.07.17

Texto de dia do amigo - amigo ainda se conta nos dedos. Amigo, ainda me sobraram dedos para te contar - por Samira OliveiraQuem nunca ouviu aquela célebre frase: “Amigo se conta nos dedos” que atire a primeira pedra. Mas tanta repercussão desse tão estranho ditado, parece carregar uma certa tristeza e misticismo, quase como se ela fosse uma lenda. Mas hoje amigo, não é dia pra se se remoer ditados – hoje eu apenas queria que você soubesse de algumas coisas sobre a nossa amizade…

Mesmo com essas ruas cheias, com esse pão caro e com a liberdade pequena eu ainda guardo em mim as nossa mais lindas memórias. Mesmo com a tristeza diária e com o sufoco da vida, saiba, ainda há um espaço em mim para te guardar. Amigos? Tive vários, tive muitos, certamente não caberiam nos meus dedos – justamente porquê nunca fui muito de fazer contas e muito menos de controlar. Pra mim, essa famosa frase/ditado nunca dará certo, definitivamente eu não sei manter contato – e mesmo assim, mesmo com essa minha difícil lábia e essa minha mania estranha de deixar pra depois as mensagens de amigos, saiba, ainda guardo você no meu coração. E mesmo com o número limitado de dedos, eu ainda tenho os dedos dos pés e os do coração – esse que afinal, insiste em sair correndo sempre que eu me afasto de você, quer sair do peito e procurar outro dono, outro que saiba manter uma amizade.

Mas sabe amigo, mesmo com esse ar escasso, essa falta de cor, essa correria alucinógena; mesmo com esse cambaleante andar sozinho, esse respiro difícil, essa vida que teima eu não passar – mesmo assim amigo, mesmo assim eu ainda arranjo um tempo para te guardar. Não apenas no lugar onde – em tese – ficaria o coração, mas também na mente, nas pernas de correr para sua companhia, nos braços que saúdam os seus e nas lágrimas – por que não? – que um dia talvez chorássemos juntos.

Sabe, mesmo com a solidão fria eu ainda lembro de como costumávamos rir e aquecer nossas tardes. Mesmo com o espaço diminuto de caracteres e com o contato reduzido aos chats – mesmo assim, eu ainda sinto sua falta, ainda quero sua voz, ainda preciso te ouvir. Preciso e tenho aquela necessidade meio dramática, de me sentar frente à frente, e te ouvir sobre a moça que te deixou, sobre as rasteiras que você levou e sobre a ressaca que te apagou. Ainda hoje, tanto tempo depois, ainda hoje, ainda consigo lembrar de você amigo que estudou comigo – que deixou o meu inferno pessoal menos insuportável – e que me deixou fazer parte da sua pequena história de vida. Amigo de escola: eu ainda gostaria, de talvez um dia mais, conversar com você entre os intervalos das aulas – e jogar aquela conversa fácil e fora, aquela sobre sonhos e sobre coisas supérfluas aquelas mesmas onde o beliscão da vida ainda não tinha nos fisgado – onde a realidade ainda não tinha vindo para nos gritar e nem a vida para nos agarrar.

Amigo de vida, de faculdade, de rua, de cursinho, de trabalho, de academia. Amigo de ontem, amigo de hoje (ainda tem?), amigo que virá. Eu só queria poder dar um stop na carreira para poder te ajudar com a sua; fazer meu computador pifar para poder te ajudar com o seu; fazer minha vida acabar para te salvar da sua agonia. Amigo, amigo, eu sempre sentirei saudades tuas. Hoje mais que nunca, hoje mais que ontem, eu queria apenas estar contigo. Já que não posso, que fiquei um singelo e amável “parabéns”: ainda me sobraram dedos para te contar. 

Mirando-se no espelho.
Porque escolhi ser professora.
Quando o adeus é o melhor do “Era uma vez”
Literatura

Entrevista com Ray Tavares escritora de “Os 12 Signos de Valentina”

14.07.17
Entrevista com Ray Tavares escritora de "Os 12 Signos de Valentina"

Entrevistinha fofa com a autora mais diva do universo: Ray Tavares; a autora de “Os 12 Signos de Valentina” editado pela Galera Record. Uma moça idealista, agradável, indecisa – como toda boa pessoa que tem algo de gêmeos no mapa astral; amante de leitura e escrita (será que ela me aceita como melhor amiga?), ruiva (olha ai, mais 1 ponto pra essa amizade) e considera os signos de água os melhores para namorar (bem…Eu sou de escorpião tá? Tô aceitando amizades hehe).

Samira Oliveira: Conte-nos um pouco sobre você, quem é Raissa Tavares?

Ray Tavares: essa pergunta é engraçada, e eu sempre dou uma resposta diferente toda vez que me perguntam, porque eu sou diferente dependendo do dia, da hora, do momento… se você tivesse me perguntado isso ontem, eu te diria que sou empreendedora, responsável, hoje, posso te dizer que sou um pouco preguiçosa. Mas, no geral, tem três características minhas que nunca mudaram ao longo da vida: sou criativa, idealista e impulsiva. Todas as minhas ações se baseiam nesse tripé! De maneira mais didática, meu nome é Raissa Carolina Tavares Jacobucci, tenho 24 anos, sou formada em Gestão de Políticas Públicas pela USP, sou ariana com ascendência em gêmeos e lua em áries, trabalho com consultoria e auditoria de impostos e escrevo desde os meus 13 aninhos de idade.

S: Vi que você já viajou bastante, isso te ajuda a ter novas ideias para os livros?

R: Sim! Eu amo viajar, se eu tivesse grana, eu só faria isso. Quem precisa de carro, roupa, mansão, champanhe e mordomo quando a gente pode ficar hospedado numa cabana no meio do deserto de Marrocos e viver uma experiência única!? As minhas viagens me inspiram, mas, mais do que isso, me dão bagagem para criar personagens plurais, diferentes, de culturas diferentes, histórias diferentes.

S: Onde você aprendeu tanto sobre astrologia? Tiveram alguns livros e sites decisivos para esse aprendizado?

R: Minha mãe ama astrologia, então o conhecimento básico e a paixão pelo tema passou de mãe para filha. Mas eu me aprofundei bastante através de livros e portais sobre o assunto. Tem MUITO conteúdo maravilhoso e gratuito na internet sobre astrologia – quem se interessa, não pode perder tempo!

 

S: Há quantos anos você escreve e como começou seu amor pela escrita?

R: Eu escrevi a minha primeira fanfic aos 13 anos, mas acho que o amor pela escrita partiu do meu amor pela leitura, e esse é muito antigo. Eu lembro de ainda não saber ler e pedir para a minha mãe e para as minhas tias lerem os Gibis da Turma da Mônica para mim – eu NEM SABIA ler e já amava a leitura! A minha avó contava muitas histórias para mim também, e eu sempre gostei do sentimento de poder entrar em outros mundos e histórias só com o poder da mente. Acho que a escrita foi uma evolução natural disso.

S: Como funciona seu processo criativo?

R: Eu não tenho um “processo”. Tem dias que eu sento na frente do pc e escrevo 20 páginas sem parar. Tem dias que eu não consigo nem escrever uma linha. A minha inspiração é muito assimétrica. Quando eu estou afim, senta que lá vem história, quando eu não estou, prefiro fazer qualquer coisa à escrever.

Quando você ama o que faz, as pessoas percebem isso.

S: Qual dos seus personagens você namoraria?

R: Eu namoraria o Andrei, obviamente. E o Oliver de Hacker. São meus dois crushs literários de minha autoria!

S: Na sua opinião, o que foi necessário para o sucesso de “Os 12 Signos de Valentina”?

R: A dedicação que eu depositei na história e a divulgação das pessoas que gostaram da Isadora – foi uma mistura de eu não deixar a peteca cair e continuar escrevendo, divulgando, criando mais conteúdo, espalhando a história pela internet, mesmo nos momentos mais difíceis, e os meus leitores maravilhosos que nunca me deixaram desistir.

S: Qual(is) conselho(os) você daria para quem está começando a escrever?

R: Escreva sobre o que te fascina, não sobre o que está na moda. Escreva com o coração, escreva porque a ideia de passar um dia sem escrever te faz mal, escreva porque você quer que o mundo conheça aquela história. Quando você ama o que faz, as pessoas percebem isso.

S: Qual signo você acha melhor para namorar? E para ter uma amizade?

R:Os signos de água são bons namorados, fieis, apaixonados, dedicados – câncer e peixes, principalmente. Para uma amizade, sagitarianos e aquarianos são incríveis e vão te fazer viver experiências muito muito muito doidas.

S: Você costuma construir seus personagens à imagem de pessoas que você conhece?

R: Não 100% – gosto de colocar características físicas e emocionais de amigos e familiares em personagens, mas nunca criei um igualzinho a alguém que eu conheço.

…eu sou diferente dependendo do dia, da hora, do momento… se você tivesse me perguntado isso ontem, eu te diria que sou empreendedora, responsável, hoje, posso te dizer que sou um pouco preguiçosa.

S: Nos conte sobre seus livros anteriores, fanfics e leitores lá do comecinho, como eles foram conhecendo suas histórias?

R: Eu comecei escrevendo fanfics da banda McFLY – hospedava as minhas histórias no Fanfic Addiction e passava horas e mais horas conversando sobre fanfics na tag do site. Foi lá que comecei a criar uma relação maravilhosa com os meus leitores, nos tornamos amigos mesmo, e a cada dia aparecia um novo para somar no bonde. Depois do FFADD, migrei para o FFOBS, depois do FFOBS criei o Clube das Autoras com amigas escritoras, o CDA acabou, fundamos o Universo Paralelo e, finalmente, já com uns bons 8/9 anos de estrada, entrei para o Wattpad. Tenho leitoras lá do FFADD e tenho leitoras que me conheceram pelo Wattpad, e posso dizer que tem sido uma viagem maravilhosa! As minhas histórias estão todas disponíveis no Wattpad e são, em ordem de idade: Gossip Boys, Noiei, Nuts!, Hacker, Bola na Rede, Os 12 Signos de Valentina, Carta aos Astros e Travessia.

S: Quais livros você está escrevendo no momento? Você já tem planos para a próxima publicação física?

R: Eu não paro quieta, né? No momento, estou escrevendo Carta aos Astros, spin-off de Os 12 Signos de Valentina, Travessia, uma distopia muito doida, Sexologia, em parceria com a Má Marche, estou reescrevendo Gossip Boys, minha primeira fanfic, e comecei a estruturas o livro novo, que vai se chama Rainha da Friendzone.

 
Se você gostou da linda Ray fique de olho aqui no Dezoito em Ponto, que logo logo posto a resenha de “Os 12 Signos de Valentina! Para ver mais entrevistas clique aqui e se você é a louca dos livros clique aqui para ver resenhas e um vasto conteúdo literário do Blog
"Os 12 Signos de Valentina" de Raissa Tavares pela editora Record| Resenha por Samira Oliveira para o DEZOITOEMPONTO.COM
Literatura Angolana – ONDJAKI “Os Transparentes”| Desdobramentos da Política e do Imaginário
“Só Animais os Salvam” – Resenha| A verdade que não ousamos ver
Mãe Sem Manual – Rita Lisauskas| Lançamento da Editora Belas Letras
Literatura

Literatura Angolana – ONDJAKI “Os Transparentes”| Desdobramentos da Política e do Imaginário

12.07.17

Literatura Angolana - ONDJAKI "Os Transparentes"| Desdobramentos da Política e do Imaginário - Análise Literária feita por Samira Oliveira para o trabalho final de Literatura Africana I da USP

Este semestre fiz a matéria Literatura Africana I (Angola) e minha análise para o trabalho final foi sobre o livro “Os Transparentes” de Ondjaki. Ao invés de uma resenha, desta vez vou postar uma análise – com menos spoilers possível –  espero que vocês gostem e, possam aprender tanto quanto eu, um pouco mais sobre a literatura angolana.

A obra de Ondjaki se insere no quadro da literatura angolana pós-independência – e só assim poderia ser, pois o escritor nasceu apenas dois anos após a independência do país, acontecida em 11 de novembro de 1975 –, com publicações feitas no começo do século XXI.  Afirmar isto não significa dizer que sua escrita desconsidera a produção literária anterior (do período de 1940 a 1975), colonial ou de “pré-independência”. De acordo com Cláudia Neves:

Ondjaki não rompe com a tradição literária angolana: em seus livros, podemos observar o mesmo compromisso com a construção da identidade nacional que é uma das características da literatura angolana(p. 25).

E seria mesmo difícil uma ruptura total; Após a independência, a população angolana tinha de pensar nos caminhos a seguir e construir, de fato, uma identidade nacional. Além disso e como reflexo dos tempos passados, os movimentos que lutaram pela libertação de Angola – MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), apoiado pela URSS e por Cuba, FNLA (Frente Nacional para a Libertação de Angola) e Unita (União Nacional para a Independência de Angola), ajudados pelos Estados Unidos, pela França e pela África do Sul, por influência dos EUA –, ainda na época de transição de colônia portuguesa para nação independente, deram início em um conflito entre si, por não conseguirem estabelecer um projeto político comum para o país, que se desenrolou na guerra civil, com um fim apenas em 2002. O MPLA acabou assumindo o poder, de forma reconhecida pela então Organização da Unidade Africana (OUA), após derrotar o FNLA e a Unita com o apoio das tropas cubanas. Porém, enfrentou muitas dificuldades, entre elas, uma economia destruída em função do “colapso da autoridade portuguesa, a perda de vidas e a desordem provocada pela guerra civil, bem como o êxodo da maior parte da população europeia até finais de 1975” (WHEELER E PÉLISSIER, 2009, p. 362) e crises internas, que levou a uma tentativa de golpe de Estado em 1977. Com esforços diplomáticos internacionais para dar fim ao conflito – através do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) – como por exemplo, o reconhecimento do governo de Angola em 1993 pelos Estados Unidos e com a morte de Jonas Savimbi, líder da Unita, em 2002 – antes disso, no final da década de 1970, a FNLA já havia se dissolvido. Tais acontecimentos históricos de Angola não podem ser ignorados pois eles perpassam e vivem na escrita de Ondjaki, que “apresenta-se como um universo particular, mescla de um mundo em que ocorreram colonizações, disputas de poderes, guerras, lutas, desejo de liberdade, utopias socialistas, poesia, infâncias, árvores, mais-velhos, histórias e estórias”. É a luz dessa mescla que tentaremos uma interpretação de “Os Transparentes” no presente trabalho.

Literatura Angolana - ONDJAKI "Os Transparentes"| Desdobramentos da Política e do Imaginário - Análise Literária feita por Samira Oliveira para o trabalho final de Literatura Africana I da USP

Apesar de direcionarmos a análise para uma relação entre o interno e o externo, entre a literatura e a política, há outros pontos de relevâncias que merecem a devida atenção. Entre eles, alguns aspectos mais técnicos como é o caso da escrita sem letra maiúsculas e com escassos recursos de pontuação. Essa característica torna a leitura mais próxima da oralidade e da linguagem da cidade, que acompanha o ritmo desta – rápida e incessante – e, igualmente, para se aproximar do gênero literário relacionado à cidade por excelência, que é a crônica. “Os Transparentes” tem como principal personagem o prédio, que já nas primeiras páginas sofre uma antropomorfização e atua no espaço desta obra como metáfora de algo muito maior, a própria Angola. Este microcosmos abriga pessoas de variados tipos e poder aquisitivo, indo do jornalista PedroPausado, que tem uma melhor condição econômica, a outros simples trabalhadores.

Nota-se também a interação entre duas forças absolutas: a água e o fogo. O fogo aparece primeiro, mas em passagens específicas: no começo e no fim da narrativa. Já a água acompanha a maioria das cenas em que o prédio aparece, e mais que isso, a água que escorre pelas paredes do primeiro andar tem um certo poder.

a água acontecia por corredores invisíveis, molhava os seus pés sobre sandálias gastas, primeiro sentiu uma tontura, uma tontura ao contrário, não era a cabeça que rodopiava, eram os pés que pareciam querer ensaiar minúsculos passos de dança (p.25)

Em “A anatomia da crítica” de Northrop Frye a água e fogo são elementos explicitados que se digladiam e que carregam um simbolismo mais extenso do que o aparente. No plano anagógico, o homem contém a natureza, e suas cidades e jardins já não são pequenos arranhões na superfície da terra mas as formas de um universo humano. Por isso, no simbolismo apocalíptico não podemos confinar o homem a seus dois elementos naturais (a terra e o ar) e, passando de um plano a outro, o simbolismo deve – como Tamino na Flauta Mágica – transpor os ordálios do fogo e da água. O simbolismo poético habitualmente põe o fogo exatamente acima da vida do homem neste mundo e a água exatamente abaixo dela (p. 146).

O mundo do fogo é um mundo de demônios malignos como os fógos-fátuos, ou espíritos irrompidos do inferno, e surge neste mundo sob a forma do auto-de-fé como se mencionou, ou das cidades em chamas como Sodoma. Contrasta com o fogo do purgatório ou purificador, como o forno ardente em Daniel. O mundo da água é a água da morte, amiúde identificada com o sangue derramado, como na Paixão e na figura simbólica da História, em Dante, e acima de tudo “o mar insondável, salgado, apartador”, que absorve todos os rios deste mundo, mas desaparece no apocalipse em favor de uma circulação de água doce. (FRYE, 2014, p. 151).

Também é notável como o fogo e a água surgem cercado de temáticas sexuais, seja na ocasião da água do prédio e seus efeitos de excitação, seja na passagem no final do livro, com o fogo que destrói a cidade:

beijaram-se de bocas abertas, desajeitadas, estreando nos seus ventres um fogo que assim se autorizava a chegar.(p.384)

E em seguida, o derradeiro acontecimento:

o fogo/ começou num curto-circuito (…)

E ainda pode carregar o significado de fogo purificador, de modo que a destruição da cidade também simbolizasse um recomeço. Recomeço esse que pode ser pensado em relação à descoberta de petróleo em Luanda que trouxe uma certa ideia de progresso e fez com que a população pensasse em uma nova realidade para si. Na narrativa, a massa (a população) não está ciente da situação, escondida ao máximo pelas pessoas poderosas, havia somente uma desconfiança por parte dos moradores do prédio e do jornalista sobre a escavação do petróleo. Ao descobrirem, alguns se perdem ao imaginar o que ganhariam com isso. A melhoria na vida do povo, no entanto, não aconteceu; o que poderia ser uma reviravolta na questão socioeconômica – tão desigual – de Luanda acabou em lucro apenas para os poderosos, para a classe exploradora (a burguesia).

Literatura Angolana - ONDJAKI "Os Transparentes"| Desdobramentos da Política e do Imaginário - Análise Literária feita por Samira Oliveira para o trabalho final de Literatura Africana I da USP

A exceção de personagens mais complexas como é o caso, por exemplo, de Odonato e Amarelinha, as personagens são planas e estão sempre em uma mesma situação já esperada pelo leitor, não apresentando grandes reviravoltas. A exemplo disso, o Carteiro, que passa a narrativa toda aguentando o destrato de muitos a quem ele tenta entregar suas cartas solicitando uma motorizada e, ao final, em uma postura mais ativa, observa o fogo consumir – quase que magicamente, visto que ele havia desejado a atuação de uma força superior – o lixo que o impedia de chegar até sua casa pelo caminho recorrente. Além disso, o narrador conserva uma posição mais distante destas personagens, aproveitando apenas o que os outros falam sobre ela. Em contrapartida, outros personagens recebem uma atenção do leitor em posição de narrador onisciente. É nome das personagens que classifica sua função, como o VendedorDeConchas, ou que pontua sua ideologia social – o Esquerdista – e até mesmo carrega em si a crítica social – DomCristalino –, aproximando-se outra vez da oralidade, por ignorar o nome de batismo destas personagens e incorporar a elas o nome pelo qual ela é conhecida, seja pela sua função, seja por uma crítica mais velada. Os nomes DestaVez e DaOutra causam certa comicidade, pois se tratando de indivíduos que buscam tirar proveito das mais variadas situações pelas quais passam os mais humildes, ao tentar extorquir e chantagear, elevando seus títulos e seus encargos e até mesmo “aturando” uma situação dita “incorreta” desta vez porquê da outra a situação se complicará

–sempre se pode falar de “quanto”, meus amigos, estamos em Luanda. (p.332)

A crítica a governança é visível em passagens e figuras como a de DomCristalino e sua ambição em privatizar a água ou na do Ministro e do Assessor, que solicitam a DestaVez e DaOutra que busquem os mais diversos feriados de todos os países para os introduzir no calendário de Angola, o que também demostra como eles não bendizem as guerras que lutaram e ganharam, tendo de usar de “solidariedade” para com outras culturas, mas, para além disso, a ideia de que se deve trabalhar cada vez menos enquanto que o desenvolvimento real fique para um futuro incerto. Estas questões mostram a transparência, a invisibilidade, do povo para o governo – de modo a justificar o título “Os Transparentes” – e ficam bem claras nas seguintes passagens:

– Há controvérsias, meus amigos… nas primeiras entrevistas ele falou dos cuidados, dos riscos, das potenciais consequências, agora já ninguém o ouve… o sistema já deve ter dado um jeito, agora é só falar nas vantagens, já inauguraram nova empresa de distribuição de águas… onde é que já se viu!… águas privatizadas…(p. 236)

e

[…] porque somos globalmente corruptos, aqui a cidade vai ser furada, a água vai ser privatizada, o petróleo vai ser sugado sob as nossas casas, os nossos narizes, e as nossas dignidades… enquanto os políticos fingem que são políticos… enquanto o povo dorme… enquanto o pobre dorme… (p. 237).

Literatura Angolana - ONDJAKI "Os Transparentes"| Desdobramentos da Política e do Imaginário - Análise Literária feita por Samira Oliveira para o trabalho final de Literatura Africana I da USP

“A miséria da África não tem causas naturais. Ela é um legado da escravidão, da dominação colonial e, mais recentemente, do jogo entre as superpotências durante a Guerra Fria” É o que afirma José Arbex Jr e o que podemos encontrar entranhado na obra de Ondjaki ao denunciar a invisibilidade da população diante de outras preocupações do governo. A questão colonial não foi realmente superada, a independência aconteceu, mas os países africanos se mantiveram ligados a outras potências, no caso de Angola através dos próprios movimentos que lutaram por sua libertação. O que deveria ser o momento de construir e pensar no rumo a ser tomado como nação independente virou um conflito entre esses movimentos – movimentos que se tornaram partidos, entre eles o MPLA, apoiado pela URSS e Cuba, que esteve à frente do governo Angolano depois da independência e passou por diversas crises, entre elas uma tentativa de golpe de Estado – e uma guerra que chegou até a população. A chance de uma melhoria na economia – quebrada em função da guerra – com a descoberta do petróleo não aconteceu. A invisibilidade da opinião popular nesse assunto foi substituída pelo interesse internacional em explorar esse recurso. No livro, o Partido governador sucumbe aos interesses da extração do petróleo, autorizando que ele seja retirado do subsolo e espalham fogos de artifícios que seriam soltos com o final da escavação.

o fogo

começou num curto-circuito no coração do LargoDaMaianga, onde já se haviam instalado muitos quilos de explosivos que mais tarde, programados, fariam o prometido espetáculo de fogos de artifício que o Partido pagara e promovera. (p.348)

O que acontece, no entanto, é que há um curto-circuito que gera um incêndio e, o que dominou a imaginação da população, como uma alternativa para a construção de uma nova vida, torna-se destruição ou, numa perspectiva mais otimista, em um recomeço, não mais ligado aos interesses alheios. Entretanto, a obra de Ondjaki é uma mescla de temas e não trata só sobre a história política de seu país. No que diz respeito a tradição cultural, alguns aspectos vistos inadvertidamente como “realismo mágico” são melhor interpretados como realidade carregada de simbolismo. A exemplo disso, a Kianda, a sereia africana, entidade que habita os lagos e mares e que cuida da água. No trecho “é marginal nova com prédios construídos em areias dragadas sem pedir licença à Kianda” (p. 237) é notável a importância dada a esta entidade que permeia o pensamento angolano como força viva e atuante. Outro aspecto cultural interessante é a cerimônia fúnebre que dura de três a sete dias (para as pessoas mais ricas) e que, caso não haja a celebração, a alma vira um Cazumbi a vagar entre os vivos. O cadáver de CienteDoGrã ter ficado cada vez mais pesado ao chegar na casa do pai foi encarado como feitiço com uma naturalidade que só existe por já estar incluído há tempos no imaginário da população. Ainda a respeito do “inexistente” realismo mágico, há o acontecimento do eclipse que, após a morte da Senhora Ideologia, foi cancelado, fazendo com que inúmeros cientistas internacionais junto de todo o povo ficassem surpresos. Este cancelamento busca mostrar a força do governo que supera as barreiras do possível e representa a força deste.

Literatura Angolana - ONDJAKI "Os Transparentes"| Desdobramentos da Política e do Imaginário - Análise Literária feita por Samira Oliveira para o trabalho final de Literatura Africana I da USP

BIBLIOGRAFIA

FRYE, N. Anatomia da crítica: quatro ensaios. São Paulo: É Realizações, 2014.

JÚNIOR, J. A. Capítulo. Guerra fria: O Estado terrorista. São Paulo: Moderna, 2005.

NASCIMENTO, M. J.; SILVA, H. C.; SILVA, N. B. Os Transparentes: Ondjaki na visão do materialismo histórico dialético. Cadernos Imbondeiro, João Pessoa, v. 3, n. 2, 2014.

NEVES, C. C.; Ondjaki e os “Anos 80”: ficção, infância e memória em AvóDezanove e o segredo soviético.  2015. 143 f. Dissertação (mestrado em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo. 2015.

ONDJAKI. Os Transparentes. Companhia da Letras, 2013

ROCHA, J. V. As margens da experiência: Os miúdos e os mais-velhos na narrativa de Ondjaki. 2013. 140 f. Dissertação (mestrado em Teoria Literária). Departamento de Língua e Literaturas Estrangeiras, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. 2013.

WHEELER, D.; PÉLISSIER, R. História de Angola. Lisboa: Tinta da China, 2009.

Análise feita junto á minha amiga MAYARA FELICIANO PALMA
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Literatura

“Só Animais os Salvam” – Resenha| A verdade que não ousamos ver

09.07.17

Livro "Só Animais os Salvam" da DarkSide resenhado por Samira Oliveira (Blog Dezoito em Ponto)

“Só os Animais os Salvam” é um livro da DarkSide escrito por Ceridwen Dovey e narrado por animais, mais precisamente, pela alma deles. Com uma emoção sincera, e profundamente o que chamamos de “humano”, a obra consegue nos levar aos mais elevados sentimentos e nos convida a presenciar a vida e a morte de célebres (e outros nem tanto) animais. Com objetivo de homenagear alguns cânones literários que escreveram sobre animais, a autora por vezes transcreve e parafraseia escritos destes homens elevados. Entre os que tiveram sua obra homenageada em “Só Animai os Salvam” estão: Franz Kafka, Thomas Man, Leo Tolstói, Virginia Wolf, José Saramago, entre outros, que foram aquecendo mais ainda o coração.

E o que chamamos de humano? De amor, de amor sincero, o que chamamos de pico da inteligência, do mais evoluído ser, da consciência suprema, da mais alta sapiência. O que chamamos de animal, o que somos, além de animais?  Algumas questões como estas me foram sendo levantadas ao longo da leitura; detectei muito de biológico, é visível que a autora fez uma boa pesquisa sobre a fisiologia e costumes sociais dos animais com que ela trabalhou. Também notei uma louvável questão de gênero levantada ao longo dos variados contos (ou mais correto, fábulas?!); em alguns momentos, como é o caso da alma de Tartaruga, que ao viver com um eremita que a considerava como macho, aceitou para si essa verdade, e só se descobriu como fêmea ao mudar de dona – na verdade, ao ser recebida pelos pensamentos da nova dona:

Livro "Só Animais os Salvam" da DarkSide resenhado por Samira Oliveira (Blog Dezoito em Ponto)

Até conhecer a condessa Alexandra, eu não havia pensado muito sobre meu próprio gênero. Na verdade, pelas décadas que vivi com Oleg, ele acreditou que eu era macho (o gênero das tartarugas é algo difícil de decifrar), equívoco que encorajei para meu próprio entretenimento… (p.118)

Sua consciência como “mulher” só foi aflorada quando a condessa Alexandra passou a ler em voz alta – para si e para a tartaruga – uma das pioneiras autoras feminista, Elizabeth Cady Stanton. Essa qualidade foi reforçada, quando a tartaruga foi dada de presente para Virginia Wolf enquanto esta escrevia “Flush: memórias de um cão” inspirado na relação entre Elizabeth Stanton e seu cão, narrado pela perspectiva deste.

Ao ler este conto pensei ter notado referências ao relacionamento entre Virginia e Vita Sackville-West, sua amante, e indiretamente – ao notar o grupo de Bloomsbury, ver surgir outras mulheres essenciais na vida de Virginia e na construção de sua literatura feminista. Ao tratar da francesa Colette, seu relacionamento homossexual também foi ressaltado, o que serviu de exemplo à gata Kiki-la-Doucette para ignorar com todas as forças as investidas do gato da vizinhança. A sexualidade é um ponto forte na obra e aparece mais gritante no conto do Chimpanzé ao aproximá-lo ao máximo do humano.

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