Em voga

Não quero flores.

08.03.16

 

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Não, não é mimimi! Se você não sabe então não exponha. Não defenda mas tampouco manche a grandiosidade do que lutamos.

Você não sabe o que é andar na rua olhando para todos os lados com medo de ser estuprada.

Você não sabe o que é ter de mudar de calçada quando um homem vem em sua direção.

Não sabe o que é tampar os ouvidos para não ouvir ofensas.

Não sabe como é ser vista como um objeto.

Você não sabe como é ter que sentir olhares em seu corpo.

Olhares que te fazem sentir exposta, vulnerável e suja.

Não sabe como é andar no meio da rua para evitar as calçadas, evitas os bares, evitar os grupos de homens.

Você não sabe como é ter de andar com um amigo para não receber uma “cantada”

Não sabe como é ter de usar calça quando está calor para não ser violentada.

Não sabe o que é andar em ônibus lotado, rezando para que atrás de você tenha não tenha um homem.


Não estou ignorando a violência contra os homens, mas é comprovado que o que nós sofremos é infinitamente maior, pela quantidade de mortes, estupros, sequestros e tantas outras formas de violência… Então não, não estou negligenciando os homens. Muito embora, em todas as pautas de luta SEMPRE o homem reclama que sofre as mesmas coisas. E então penso: Bom, vamos virar o jogo então, vamos deixar o homem cuidando dos filhos o dia todo enquanto eu trabalho, chego em casa e exijo almoço pronto, roupa lavada e casa limpa. Ou então vamos deixar o homem ser assediado por mulheres e chegar em uma delegacia em que a voz lhe é negada. Vamos deixar com que ele ganhe menos, que ele precise atender a padrões para ser aceito, que ele precise ignorar as ameças e os insultos que recebe para conseguir ter um pouco de lucidez. Vamos então colocá-lo no nosso mundo, que tal?

Quando ando nas ruas e vejo uma mulher perto de mim, o alívio e a segurança são coisas instantâneas (mesmo sabendo que não estou totalmente segura) mas pelo menos, entendo que há um código de segurança e de ética entre nós, que nos mantém unidas e que nos ajuda seja qual for a circunstância. Ter me mudado para São Paulo parece que reforçou em mim ainda mais essa ideia do medo. Tenho medo de andar na rua, de andar de noite, de usar shorts e até mesmo de cruzar olhares com um estranho. É horrível receber aquela olhada vulgar que te mede, o qual eles viram a cabeça e quase batem o carro para olhar, não porque esteja com roupa que “justifique” mas apenas porque sou mulher. Outro dia sai às ruas com calça larga de moletom, tênis e camiseta mais larga ainda; tudo isso apenas para receber os mesmo olhares, que não deveriam estar ai se aquela ideia do “tava pedindo” prevalecesse.

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Ninguém pede para ser estuprada, para ser morta, para ser olhada. Meu corpo não é um convite, é apenas meu corpo. As regras são minhas pelo simples motivo de que sou um indivíduo de vontade própria, não por algum mimimi que você supõe. Só quero ter os mesmos direitos que você tem, porquê trabalho mais; trabalho em casa e trabalho fora, porquê estudo mais – para tentar alçar um bom posto, porquê não ganho o mesmo que você ganha. Não posso ir aos lugares que você quer ir, não posso escolher quando quero ser mãe e se o quero ser. Não posso andar descompanhada sem medo. Não quero mais me sentir segura apenas quando tenho você ao meu lado. Não quero que os caras peçam desculpas a você quando se insinuarem para mim- fui eu a destratada e não você! Não quero mais ter de me casar para que a sociedade me entenda e me dê voz. Não quero lavar suas cuecas – não sou sua mãe, sou sua esposa. Não quero mais ter de cuidar dos nossos filhos sozinha! – você é tão pai quanto eu. Não aguento ter de passar por tudo, apenas para ouvir mais sobre como você é o pai de família.

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Antes que a refutação chegue em forma de: “não quer ser estuprada mas se for por um homem bonito e rico pode né?” NÃO! Por favor não cultivem esse maldito pensamento. Assim como você não quer ter seus direitos privados (por exemplo no seu futebol ou em qualquer outro lugar) nós também não queremos. A integridade é algo que deveria ser respeitado sem contestação, sem essas ideias totalmente sem noção! Antes de “secar” alguma moça na rua pense se fosse a sua mãe. Gostaria que ficassem olhando sem respeito para ela? Gostaria que falassem palavras baixas para ela? Gostaria que ela sentisse medo cada vez que passasse na frente de você? Pense se fosse ela, se fosse sua irmã, filha, prima, amigas, pense.

Então reflita como a moça da rua é um espelho das mulheres que você convive, como ela e todas nós merecemos as mesmas coisas que você. Como batalhamos por tudo isso recebendo apenas flores. Não quero flores, quero o fim da sociedade patriarcal, quero equidade de direitos, não quero ser superior. Antes que pense que o feminismo “é isso e aquilo” leia um texto incrível da Carta Capital e entenda que feminismo não é contrario de machismo. Entenda que eu não quero ser superior, quero ser igual, quero ter os mesmo direitos. Em algum  momento dos primórdios da humanidade a fragilidade da mulher como geradora fora confundida com incapacidade e com inferioridade. Em pleno seculo 21 está na hora disso mudar. Antes que venha me dizer de “alistamento obrigatório” se pergunte: “o que a mulher tem a ver com isso?” Quer lutar pela não obrigatoriedade do serviço militar? ÓTIMO, LUTE assim como nós lutamos pelos nossos direitos, se quiser a gente até ajuda você a lutar… Só não me venha querendo dar essa desculpa para menosprezar a nossa busca, os nossos direitos. Queremos o direito ao Pão e as Rosas, queremos apenas ser reconhecidas como humanos tanto quanto vocês.

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Esclarecendo sobre o feminismo

Há quem diga que o feminismo no Brasil não é levado a serio pelas feministas do exterior (as quais nos espelhamos, ao menos em tese). A verdade é que alguns atos considerados pró feminismo estão desconstruindo uma imagem de luta que havia sido feita e se transformando em algo quase piegas para os outros (não estou sendo contra, apenas esclarecendo). Entendo que não se depilar é um ato quase revolucionário contra os paradigmas e contra a indústria da beleza; mas não aderir a esse movimento não te faz menos mulher ou menos feminista. A verdade é que o feminismo possui várias pautas e nós escolhemos o que queremos concordar ou não; seguir ou não! É tudo um grande plano quando usamos a conversa e o debate acerca dos assuntos e não com “briguinhas infantis” na procura pela ideia certa.

Feminismo não tem nada a ver com deixar de usar batom, salto ou cercear sua liberdade sexual. Ninguém vai confiscar sua carteirinha de feminista se você usar rímel. Mas te abre para a possibilidade de só usar maquiagem quando quiser, não porque tem que obrigatoriamente estar impecável e linda todos os dias a enfeitar o mundo.

Existe essa grande falha lógica que é o sujeito achar que você tem que ser contra uma coisa pra ser a favor de outra; neste caso, “contra” os homens para ser “a favor” das mulheres. O feminismo não luta contra os homens, e sim contra o supracitado sistema de dominação, que, veja só, privilegia os homens e foi criado por… homens. Fica clara a diferença entre lutar contra um sistema e lutar contra todo um gênero?

Não é porque sou mulher que sou rodada. Você também é e não te julgam.

Não é porque sou mulher que meu lugar é na cozinha.

Você mora comigo e deve ajudar pois ninguém é superior a ninguém.

Não é porque uso roupa curta que sou puta.

Não me chame assim, não ofenda nem eu nem elas, para você isso é xingamento, para mim você não sabe.

Não é porque sou mulher que sou puritana, que sou inocente, que sou “careta”.

Não é porque sou mulher que você precisa mexer comigo, eu não sou nada sua então me deixa.

Não é porque sou mulher que não vou exercer meu direito de sujeito sexual.                                                                           N

ão é porque sou mulher que vou te obedecer. Eu sou só minha.

Os Meus 13 Porquês| Podem acreditar numa garota viva?
Como as bonecas Barbie influenciaram a imagem que eu tenho do meu corpo.
Desculpa, mas não dá pra ser um “Feliz Dia” das Mulheres

:D :-) :( :o 8O :? 8) :lol: :x :P :oops: :cry: :evil: :twisted: :roll: :wink: :!: :?: :idea: :arrow: :| :mrgreen:
  • Isabela Luccas Em 08 . 03 . 2016

    Ah como eu amo posts assim! Ainda mais quando ta explicadinho, mostra a realidade e joga na cara mesmo. Infelizmente o pessoal ainda vê feminismo como uma forma da mulher ser maior que o homem, mas né… Isso é femismo e não FEMINISMO. Você soube explicar tudo, tintin por tintin <3

  • Samira Em 08 . 03 . 2016

    Obrigada Isa! Isso mesmo, odeio quando o pessoal confunde os dois, dá uma canseira! kkkk