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Resenha e crítica| Moana – Um Mar de Aventuras – empoderamento e representatividade

09.01.17

Resenha e crítica| Moana - Um Mar de Aventuras. Empoderamento, família, representatividade e diversidade. A nova princesa da Disney se nega a esse título e se mostra a heroína que as meninas de hoje em dia precisavam.

Com o mundo se transformando, e ideais de empoderamento feminino finalmente ganhando corpo e voz, é de se imaginar que tais avanços chegariam aos cinemas – mas o que talvez não imaginássemos, era a tamanha força com que eles atingiriam as animações da Disney. Os filmes da empresa – principalmente as afetam diretamente as meninas (retratando princesas) – acabam tendo a função de formadoras de valores e de ideais. Portanto, a mudança nos paradigmas embutidos às costumeiras princesas Disney, acabam por mudar (assim esperamos) pouco a pouco, a mentalidade da nossa sociedade. De certa forma, a empresa já tinha avançado em animações como “Mulan” (1998) e “Valente” (2012), mas foi apenas em 2017 com o filme Moana – Um Mar de Aventuras que os estereótipos de princesa puderam finalmente se renovar. Moana, nega seu título de princesa, afirmando ser apenas a filha do líder de sua tribo, também não há nenhuma referência à príncipe ou a par amoroso – sendo o amor mais perfeitamente representado por sua ligação com a vó, sua tribo e com o restante de sua família.

Filme: Moana - Um Mar de Aventuras
Direção: Ron Clements e
John Musker
Duração: 1h53m
Genero: Musical e aventura
Classificacao:
Sinopse: Moana Waialiki é uma corajosa jovem, filha do chefe de uma tribo na Oceania, vinda de uma longa linhagem de navegadores. Querendo descobrir mais sobre seu passado e ajudar a família, ela resolve partir em busca de seus ancestrais, habitantes de uma ilha mítica que ninguém sabe onde é. Acompanhada pelo lendário semideus Maui, Moana começa sua jornada em mar aberto, onde enfrenta terríveis criaturas marinhas e descobre histórias do submundo.


“Desde pequena ela foi a escolhida pelo Mar para restaurar o equilíbrio da natureza e salvar seu povo Motu Nui, da destruição. Para isso ela precisa encontrar o semideus Maui e levá-lo até a ilha onde ele roubara o coração da deusa Te Fiti e assim, cessar a onda de destruição que vem assolando a Polinésia. Mais do que a jornada de uma jovem heroína, a história traz uma mensagem mais ousada. A de uma jovem que decide a própria vida mesmo quando o pai tenta impedir; que é destemida mesmo com o medo que seu povo tem do mar e que é a responsável por levar o semideus até a deusa (mais ativa impossível), enfim, Moana é maior representação de girl power e de empoderamento que podemos enfim, ofertar às meninas de hoje em dia (eu ouvi um amém?)

“Você é uma princesa. É a filha do ‘rei’ e tem um animalzinho, é uma princesa” – Maui

Também quanto à aparência, Moana se distingue de suas antecessoras – nada de cintura fina, e corpo padronizado – a heroína tem um corpo torneado, pele morena e um cabelo crespo que parece ter vida própria. E não para por ai, a Disney nos trás para a dublagem original de Maui, o queridinho The Rock – mas todos as luzes são lançadas para a estreante polinésia Auli’i Cravalho que foi escolhida entre  milhares de nativos das ilhas do pacífico para interpretar Moana. Esse detalhe tão importante da dubladora, torna o filme ainda mais importante por trazer alguém de longe dos centros de produção cinematográfica e oferecer mais um item que foca na diversidade e na representatividade.  

Resenha e crítica| Moana - Um Mar de Aventuras. Empoderamento, família, representatividade e diversidade. A nova princesa da Disney se nega a esse título e se mostra a heroína que as meninas de hoje em dia precisavam.

Como toda animação da empresa, Moana não podia ser diferente e deixar de fora o elemento musical – que é sempre o responsável por deixar a trama mais bonita e as musicas colando na cabeça – dessa vez, apostaram em músicas escritas por Lin-Manuel Miranda — conhecido pelo musical Hamilton e do samoano Opetaia Foa’i além de instrumentais de Mark Mancina. Também é interessante notar que as músicas preservaram a métrica havaiana – inclusive em uma que foi quase inteiramente cantada em havaino. Já na trilha nacional, contamos com os atores Saulo Vasconcelos e Mariana Elisabetsky (a atriz, além de cantar, também assina as adaptações das letras das canções).

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Os elementos mais fofos e engraçados são os bichinhos de estimação da heroína, Pua, um porquinho branco e preto e muito simpático e o galo HeiHei. Esse galo por sinal, é o que há mais cômico na história, e foi um personagem louvável (mesmo com a aparente burrice) porque leva humor e leveza para alguns momentos de tensão vividos pela protagonista. Outro importante coadjuvante é o mar, que atua como de fato um personagem, mostrando a sua vontade, mostrando quem ele escolheu para essa aventura, e sobretudo, sendo totalmente independente e envolvente.

Um personagem que tocou meu coração foi sem dúvidas a avó de Moana, a Gramma Tala. Ela é a única que percebe a conexão da neta com o mar, e a incentiva a seguir seu caminho e parar de ter dúvidas – e de separar a sua tribo (onde ela pertence e onde deve governar) de sua ventura que culminará na salvação de seu povo. Ela foi essencial para o percurso do herói oferecendo todas as capacidades necessárias para que ela cumprisse sua missão.

Resenha e crítica| Moana - Um Mar de Aventuras. Empoderamento, família, representatividade e diversidade. A nova princesa da Disney se nega a esse título e se mostra a heroína que as meninas de hoje em dia precisavam.

  • Controvérsias

John Musker e Ron Clements são os autores da histórias, e como todo bom autor, fizeram várias viagens às ilhas do pacífico, onde se reuniram com antropólogos e puderam entender melhor a cultura local e assim, representar com todo o cuidado as crenças e costumes do povo. Mesmo com tal zelo, algumas críticas caíram em cima. Para intelectuais da Oceania, o filme é uma “apropriação cultural”, além disso, no Halloween houve um constrangimento causado com as fantasias que retratavam Maui, e que logo foram retirados, por terem sido acusadas de serem culturalmente insensíveis, semelhante a black face. Depois de pesquisas entendi o problema, apesar da boa intenção da Disney em atribuir um porte diferenciado ao semideus, ela acabou por reduzi-lo a um “egoísta e unidimensional personagem” além de ter omitido a deusa de Maui (possivelmente a que o acolheu e que deu-lhe o anzol). A omissão da deusa é sensível a essa cultura pois a Polinésia conta com um vasto panteão de deusas heroínas. Pessoalmente, eu penso que, apensar de egocêntrico, Maui foi um personagem bem marcante: nos momentos em que ele resolve ajudar Moana, quando a reconhece como heroína, quando resolve reparar seus erros e principalmente, quando se reconhece como alguém que sempre quis fazer o melhor pelos humanos, e que infelizmente falhou no caso do coração de Te Fiti. Outro ponto relevante é que o filme prezou pela representatividade e dessa forma, tirar o foco da nossa cultura tão conhecida e dos costumes e moldes europeus e apresentar algo novo, uma cultura nova – que foi também apresentada no filme “A Princesa e o Sapo” (2009), quando nos mostrava a cultura africana. Acredito ser esse fato extremamente importante para a sociedade como um todo, para que possamos olhar e perceber que o mundo não acaba por aqui, que é possível ver além, que existe mais além.


Resenha e crítica| Moana - Um Mar de Aventuras. Empoderamento, família, representatividade e diversidade. A nova princesa da Disney se nega a esse título e se mostra a heroína que as meninas de hoje em dia precisavam.

Um atrativo que colabora para a beleza do filme é a paleta de cores que predomina no início. Com um mar azul e transparente, areia clara, bastante verde e natureza, contrastam belamente com a cor de pele dos polinésios, além de transmitir sensações de pureza, tranquilidade e felicidade. Durante o percurso cruzando o oceano, eles cruzarão com diversos inimigos, entre eles, um siri que é atraído por coisas brilhantes. Nesse ponto, ao mostrar o reino dos monstros, as cores se tornam neon e brilhantes, mostrando uma outra face visual totalmente nova. Aqui no Brasil, o filme estreou nos cinemas, nessa quinta feira (5), então ainda tem bastante tempo pra você conferir a nova princesa  da Disney, ou melhor dizendo, a nova heroína da Disney. ♥

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  • Helena Krauel Em 09 . 01 . 2017

    Ahhhh que legal! Ansiosa para assistir! Admito que não sou muito fã dos desenhos da Disney, prefiro os contos antigões tipo Pinoccio, Branca de Neve e Alice (etc) do que esses mais novos, mas ao mesmo tempo adoro animações e se tenho chance, não perco! Essa com certeza eu irei assistir!

    Sucesso e boa semana, beijos! Com carinho, Menina Borboleta.

    http://meniborboleta.blogspot.com.br/

  • Samira Em 09 . 01 . 2017

    Ahh os antigões também são legais! hehehe ainda mais se lidos no original ;)
    Tenta assistir, você vai adorar, é bem bonito!

  • Gabriela Dahmer Coitinho Em 09 . 01 . 2017

    Ainda não tive a oportunidade de assistir ao filme, mas estou muito ansiosa. E depois dessa sua resenha maravilhosa, mostrando que a Disney marcou bonito com esse filme, fiquei mais curiosa.

    Beijos,
    Blog Gaby DahmerFanpage

  • Samira Em 09 . 01 . 2017

    Nhow, Gabi linda, muito obrigada. Depois me conta o que achou e quais partes mais gostou ♥

  • Isis Tomie Em 09 . 01 . 2017

    Filme maravilhoso! Eu fiquei muito emocionada com a avó da Moana também! :)
    Finalmente Disney saindo dos padrões, amo <3.

  • Samira Em 09 . 01 . 2017

    Nem me fale! Nem Valente tinha inovado tanto assim né?

  • Thaís Em 09 . 01 . 2017

    Preciso ver esse filme, você conseguiu me deixar com vontade! Hahahah. Já ouvi mais críticas positivas em relação a história como um todo. Vou ver se sobra um tempinho pra ir no cinema assistir!

    Um abraço carinhoso.

  • Samira Em 09 . 01 . 2017

    Vai simmm, depois me conta que achou, é maravilhoso e muito fofo! ♥

  • Bela Em 09 . 01 . 2017

    Eu fiquei desacreditada quando vi o trailler dessa animação porque eu tenho uma cachorrinha chamada Moana, desde 2013 xD por causa de uma música do Deftones!
    Quero muito assistir <3 O triste é que não vai ficar tão famoso como os outros, pq a mídia só atrai crianças para as princesas, brancas… '-'
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  • Samira Em 09 . 01 . 2017

    Pior que eu também estou sentindo isso, parece que as bonecas não estão tendo tanta procura, mas isso aconteceu também com a Tiana e a Merida, infelizmente :( mas olha, eu acredito que pouco a pouco isso vai mudar. Eu pelo menos se um dia tiver uma filha, vou priorizar comprar bonecas diferentes pra desde pequena ela já saber que o mundinho não é so branco classe média.

  • Júlia Em 09 . 01 . 2017

    AMEI esse filme, principalmente as músicas *—-*

  • Samira Em 09 . 01 . 2017

    Siim, muito boas né? O ritmo é encantador!