Literatura

Amor à Moda Antiga – Fabrício Carpinejar | Livro de Poemas

11.09.17

Amor à Moda Antiga é editado pela Belas Letras e reúne poemas amorosos do escritor Fabrício Carpinejar. Todos escritos em uma máquina de escrever verde esmeralda (minha cor favorita, também quero uma!) Olivetti Lettera 82. Seus escritos foram publicados sem nenhuma alteração, mantendo até mesmo as anotações do autor – sem retoques ou correções. Carpinejar escreveu esta coletânea em seu apartamento no bairro Petrópolis – Porto Alegre, entre a primavera de 2015 e o verão de 2016.

Se o poeta se aliou ao homem de carne e osso, então essa obra é pós relacionamento. Nem para tanto, se a realidade não for essa na vida do homem, pode o ser na vida do poeta – certo? A maioria dos poemas carregam um sentimentalismo de quem se esforça para esquecer um amor. Como se pegasse do fundo do peito o sentimento, somasse a um pouco de lágrimas e produzisse esses poemas. Mas também senti um tom de saudade e de paixão; ao ler alguns poemas mais cinematográficos, imaginei casinhas de madeira no campo, arvores floridas e café quente. Este é um dos meus preferidos:

confio em casa

com assoalho

para ouvir passos.

confio em casa

com porão

para guardar o passado.

confio em casa

com cachorro

para acordar relógios parados.

confio em casa

com crianças

e objetos quebrados

 

casa com duas pessoas,

não importa o tamanho,

será apenas quarto.

 

Mesmo sem métrica o som dos versos são muito gostosinhos, isso porquê os “dos” de “parados e de “quebrados” ecoam um no outro e os versos são pequenos e formam o ritmo. A repetição de “confio em casa” colabora para essa cadência gostosa de ouvir. A última estrofe é sem dúvidas a mais interessante; na minha interpretação, o poeta quis transmitir que se duas pessoas moram juntas há um relacionamento amoroso (mesmo porque está contido no livro “Amor à Moda Antiga” e isso deve ser levado em conta), logo, tudo se resume ao quarto, o local onde se convenciona que haja o encontro amoro/sexual do casal. 

Em outros poemas ele utiliza o verso de recolho – que resume tudo o que foi apresentado durante o poema, dando uma espécie de conclusão. Os poemas que mais gostei são os que sugerem um certo erotismo, como este de cima e o “tiro a minha roupa”:

 

tiro a minha roupa

enquanto a sua mão

vai me vestindo.

nunca estarei nu

em seu corpo.


Achei esse poema de uma delicadeza e paixão inexplicáveis. Isso é o mais legal na poesia contemporânea, o reconhecimento que temos ao ler o poema – tenho certeza que você se reconheceu em alguma medida com esses versos! Eu gostei tanto que fui obrigada a reler todos umas 5 vezes na tentativa de resgatar esse sentimento bom que está sendo transmitido. Esse outro poema (juro que vai ser o último hehe) também é pequeno e cheio de significado:

 

de manhã

seu beijo

começa

o suor

de meu corpo.

A edição da Belas Letras é um espetáculo ímpar, com ilustrações de flores e rendas dentro de folhas verde esmeralda (eu chamo de azul Tiffany) formam uma capa móvel que envolve a capa original e branca do livro. Um capricho impressionante e muito bem feito! Fabrício Carpinejar é filho de poetas e nasceu em 1972 em  Caxias do Sul (RS), estudou jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em 2002, tornou-se mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Recebeu vários prêmios entre eles: Prêmio Nacional Olavo Bilac 2003, Prêmio Érico Veríssimo,  Prêmio Jabuti, na Categoria de Contos e Crônicas,Prêmio Açorianos de Literatura 2010, entre outros. Atualmente é coordenador do Curso de Formação de Escritores e Agentes Literários da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, assina uma coluna no jornal Zero Hora (RS) e é colaborador do jornal O Estado de São Paulo e das revistas Vida Simples e Caras.

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