Literatura

Quando Eu Era Invisível – Martin Pistorius | Superação e amor formam seu caminho.

18.09.17
Livro: Quando Eu Era Invisível
Série:
Autor(a): Martin Pistorius
Editora: Astral Cultural
Genero: Autobiografia
Páginas: 270
Classificacao:
Sinopse: Até aos 12 anos, Martin Pistorius era um menino igual aos outros, feliz e saudável. Ninguém nunca imaginaria que um dia ele fosse adoecer gravemente e que, em pouco tempo, pararia de andar e falar. Para os médicos, Martin tinha entrado em estado vegetativo. Porém, lentamente, Martin começou a recuperar a consciência e a perceber tudo o que acontecia ao seu redor. Preso em seu próprio corpo, ele era incapaz de mostrar isso para a sua família e àqueles que cuidavam dele. Depois de 12 anos de encarceramento, Martin conheceu Virna, uma terapeuta que viu além do corpo preso a uma cadeira de rodas e que apenas movia os olhos. Ela conseguiu enxergar um ser humano na plena posse das suas faculdades mentais. Este foi apenas o princípio de um extraordinário renascimento e o primeiro impulso para que Martin despertasse, gradualmente, para a vida. De um menino que dependia completamente dos outros, Martin Pistorius transformou-se em um homem independente, que se formou na faculdade, conseguiu um emprego e casou com o amor da sua vida. A vida de Martin é uma surpreendente história real de superação que vai mexer com todas as suas emoções. Você vai torcer, chorar e reconhecer nele uma inspiradora força de vontade para realizar o impossível.

Quando Eu Era Invisível é uma autobiografia escrita por Martin Pistorius e publicada no Brasil pela Editora Astral Cultural. Essa resenha acabou demorando um pouquinho porque tive vários livros da faculdade para ler – perdoem a mim e a essa minha vida dupla. Essa obra pode ser definida em uma palavra: superação. Não, não, não, na verdade duas: superação e amor. E por ter dois ingredientes tão sinceros, ele nos emociona muito. Acho interessante as diferentes formas com que uma obra toca o leitor, tanto que, o que me toca talvez não será o mesmo que falará em você. Mas mesmo assim, resolvo arriscar, e afirmar o sentimento do livro.

Martin viveu até os 12 anos como uma criança ‘normal’ até que começou a adoecer; parar de andar e de falar, chegando por fim, a uma completa imobilidade. Assim, Martin viveu como se estivesse dormindo até que um dia acorda, e sua consciência e alma estão mais vivos do que nunca. No entanto, como gritar ao mundo que ele existe dentro de seu corpo, se ele não pode falar? Como avisar a todos quais são suas vontades se todos o veem como alguém com faculdade mentais reduzidas? Conforme Martin vai narrando, o leitor vai vivendo tudo junto a ele – como se fosse também a sua primeira vez de vida. É quase como se o próprio leitor fosse Martin, de tanto que sua narrativa nos agarra e leva para fundo de sua vida e consciência. Pagina a página vamos descobrindo sua história atual (do momento da enunciação), passada (antes da doença) e caminhando com ele em direção ao futuro.

Síndrome do Encarceramento, ou Síndrome de Locked-In, é uma doença neurológica rara, em que ocorre paralisia de todos os músculos do corpo, com exceção dos músculos que controlam o movimento dos olhos ou das pálpebras. Nesta doença, o paciente fica preso dentro do seu próprio corpo, sem conseguir movimentar ou comunicar, porém mantém-se consciente e intelectualmente ativo. Os pacientes mantêm a consciência e a sensibilidade à dor, embora não consigam comunicar nem fazer qualquer movimentação. A maior parte dos indivíduos morre no primeiro ano após ter surgido a doença.

O leitor se sente junto a Martin Pistorius, principalmente nas horas de mais sofrimento e agonia, vendo sob sua ótica podemos refletir sobre nossa própria vida. Na verdade, pode-se refletir sobre como enxergamos as pessoas consideradas “doentes mentais”; assim, colocamos a mão na consciência para perceber a injustiça que praticamos com eles; para vermos que essas pessoas existem, estão vivas, tem pensamentos, vontades e ideais – tem principalmente sonhos. Sua vida começa a tomar um rumo diferente quando uma pessoa percebe que existe alguém dentro da casca (corpo). Essa pessoa é Virna, uma aroma terapeuta, que faz o que ninguém fazia; conversa com Martin. Segundo ele, as pessoas até falavam com ele, mas sem realmente se importar, mais como se estivesse falando sozinhas; em momentos mais difíceis, as pessoas o ofendiam na certeza de que ele não as entendia. Mas Virna era diferente, e alertou a família para o fato de que o filho que eles haviam “perdido” continuava ali e só precisava de um novo modo de se comunicar.

Amei a edição, a capa com essa ilustração tão linda e com um marca páginas (que eu nunca tinha visto antes) transparente e de plástico. Fiquei extasiada com o cuidado do editor, que colocou algumas notas de rodapé quando necessário (faz tempo que não vejo esse trabalho atencioso nos livros).

A história se passa na África do Sul, e Martin tem um irmão mais novo, e uma irmã mais velha que tem muito carinho por ele. Sua família passa por um montanha russa de emoções e situações que quase a destrói.  Quando Eu Era Invisível é um livro que te faz pensar no outro e em si mesmo, que reflete a vida de todos e suas relações diárias. Mesmo quando não podia se comunicar com o mundo, Martin tinha ideias incríveis – diria eu, filosóficas – que são registradas neste livro também, sem no entanto, tornar a leitura truncada. É impressionante assistir ao desenvolvimento de Martin e ao desenrolar de sua vida; tantas coisas que para nós podem ser consideradas comuns e cotidianas, para ele são um aprendizado e algo totalmente desconhecido. Achei interessante os momentos em que ele fala sobre seu desejo sexual e como ele não entende como funciona, assim como não entende as mulheres e as formas de se comunicar com elas. Também achei fantástico como ele faz amizades e interage com pessoas novas, isso porque  a sua forma de se comunicar foi evoluindo ao longo do tempo, mas sempre por meio de algum equipamento ou objeto que o ajude nessa empreitada. Como linguista, achei incrível observar o extremo da linguagem e da necessidade de possuí-la para conquistar o mundo. Mesmo com essas dificuldades, Martin ganha o mundo com suas ideias e com esse livro incrível! Quando Eu Era Invisível foi publicado em mais de 25 países e é best-seller do New York Times.




Ela me contou que o prazer que tenho com as coisas é uma das maiores alegrias que lhe dou. Disse que nunca viu ninguém se deleitar tanto com as coisas como eu e fica felliz por ver que o mundo me deixa fascinado com frequência, porque há quase tantas coisas novas quanto maneiras de experimentar a alegria.

Esse tipo de amor pode ser transmitido de uma pessoa para outra, como uma força vital que reconfortará qualquer um em que toque e criará lembranças que continuarão intensas anos depois dos acontecimentos que as inspiraram.

Por fim vinha a Solidão, que talvez fosse a mais aterradora de tordas as Fúrias, porque ela podia sugar lentamente a minha vida, mesmo quando estava sentado em uma sala rodeado por outras pessoas. Enquanto elas corriam de um lado para o outro, conversavam, discutiam, apareciam e desapareciam de novo, eu às vezes sentia os dedos ossudos e paralisantes da Solidão apertando com força o meu coração.

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