Literatura

A Sereia – Kiera Cass | A música mortal e a humanidade das sereias

08.11.17
Livro: A Sereia
Série:
Autor(a): Kiera Cass
Editora: Seguinte
Genero: romance
Páginas: 323
Classificacao:
Sinopse: Anos atrás, Kahlen foi salva de um naufrágio pela própria Água. Para pagar sua dívida, a garota se tornou uma sereia e, durante cem anos, precisa usar sua voz para atrair as pessoas para se afogarem no mar. Kahlen está decidida a cumprir sua sentença à risca, até que ela conhece Akinli. Lindo, carinhoso e gentil, o garoto é tudo o que Kahlen sempre sonhou. Apesar de não poderem conversar — pois a voz da sereia é fatal —, logo surge uma conexão intensa entre os dois. É contra as regras se apaixonar por um humano, e se a Água descobrir, Kahlen será obrigada a abandonar Akinli para sempre. Mas pela primeira vez em muitos anos de obediência, ela está determinada a seguir seu coração.

Eu sou apaixonada por Sereias, e desde que vi esse livro da Kiera Cass já fiquei surtada para ler! Muito tempo se passou e finalmente arranjei um tempinho para lê-lo e resenhar ele aqui pra vocês. Estou morta de amores por essa história então essa resenha vai ser bem apaixonada!

Eu queria ser capaz de explicar como a interrupção de uma vida plena era melhor do que o prolongamento de uma vida vazia.

Na obra A Sereia de Kiera Cass, as sereias existem em número limitado e vivem quase sempre juntas, normalmente em número que vão de 6 a 10. Elas podem ser resgatadas de naufrágios assim que clamam pelas suas vidas, e como pagamento por essa segunda chance, são condenadas a viver 100 anos atraindo pessoas até o mar e matando-as afogadas. Tudo isso para alimentar a Água, que é um personagem não corpóreo mas importantíssimo na obra, de modo que deixa de ser um “coisa” e passa a ser um “ser” poderoso, austero porém gentil com Kahlen, a personagem principal. Ela foi salva de um dos naufrágios e desde então é uma das melhores e preferidas da Água. As sereias moram em terra firme, geralmente perto de praias e perto da Água para poderem atender ao chamado e ir até o local onde provocarão o desastre. Esse é um momento muito delicado, afinal, elas são obrigadas a matar e a continuarem cantando até que não reste nenhuma pessoa viva. A união e amizade delas é o que as mantém fortes e confiantes, isso foi um dos elementos que mais gostei em A Sereia. Cada uma explora seu hobbie durante seus 100 anos e vive a vida do modo como pode, tentando não se desesperar quando o chamado para a matança se aproxima. Elas podem fazer o que quiserem, viajar para onde quiserem e gastar uma quantia de dinheiro indefinida, mas não podem nunca – em hipótese alguma – falar com humanos. A voz das sereias é mortal para um humano, por isso, elas se relacionam com eles por meio de gestos – libras – e expressões faciais. No começo da história elas moram perto de uma Universidade e frequentam os mesmo espaços que os outros jovens de suas idades. Algumas gastam a vida em baladas, como Elizabeth, ou explorando sua arte e vendendo seus quadros como Miaka, e no caso de Kahlen, se refugiando na biblioteca e nos jardins da faculdade.



Já tinha pensado em ser médica, para compensar todas as vidas que tirei. Dançarina, para poder controlar meu corpo de todas as maneiras. Escritora, para descobrir uma maneira de usar minha voz quer eu falasse ou não. Astronauta, caso precisasse botar mais espaço entre a Água e mim. Mas lá no fundo sabia que só havia uma única coisa que eu queria de verdade, dolorosa demais para pensar agora. Olhei para o grande livro de história que estava sobre minha cadeira favorita – o livro que eu tinha intenção de levar comigo para o quarto na noite anterior -, tomando cuidado para que a revista de noivas ainda estivesse escondida dos olhos das outras.

É num desses acasos que Kahlen encontra Akinli, um garoto que pela primeira vez a faz sentir algo. Ela que sempre pensou em ter um grande amor, mas havia afastado de si esse sonho após ser resgata pela Água, agora ela encontra finalmente a pessoa que ela sempre esperou. Porém ela ainda tem 20 anos para pagar à Água – como poderia o amor suportar por tanto tempo? Eles vão se conhecendo e em pouquíssimo tempo já percebem uma conexão especial entre suas almas, aquele tipo de conexão que só se sente uma vez na vida, e Kahlen finalmente se vê disposta a lutar por esse sentimento.

Perdi meu coração para ele completa e instantaneamente. Akinli não sabia direito o que havia de errado comigo, e mesmo assim queria que eu ficasse. Ele não sabia o perigo que eu corria, mas estava pronto para enfrentá-lo por mim.
E quem eu era? Ninguém, na verdade. Só uma garota.
Mas aos olhos dele… Eu parecia muito mais que isso.

Com vários segredos da Água e da formação das sereias, do que elas representam e de todo o misticismo sobre elas, Kiera pinçou os elementos mais belos e os colocou em um narrativa leve e deliciosa de ler e sentir. É como viver nós mesmo a vida da sereia e de sua magia. Os momentos de tensão são bem trabalhados deixando aquela atmosfera de curiosidade e suspense na dosagem certa. A Sereia foi escrito antes mesmo da aclamada série “A Seleção” e foi reescrito anos depois pela autora e sua equipe, para lapidar suas ideias e narração. Li esse livro com a cabeça aberta, mas sem querer, acabei comparando com as sereias de “Sociedade das Sereias” e até mesmo observando os pontos de ligação entre as histórias que advém do grande mito da sereia.

Leia Sociedade das Sereias de Samira Oliveira, totalmente gratuito disponível no Wattpad – por enquanto!
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