Literatura

O Diário de Myriam – Um relato fiel e puro da Guerra na Siria| Resenha DarkSide Books

07.08.18


Livro: O Diário de Myriam
Série:
Autor(a): Myriam Rawick
Editora: DarkSide
Genero: Diário
Páginas: 305
Classificacao:
Sinopse: De um lado, uma menina judia que passou anos escondida no Anexo Secreto tentando sobreviver à guerra de Hitler. De outro, uma garota síria que sonha ser astrônoma e vê seu mundo girar após a eclosão de um conflito que ela nem mesmo compreende.

O Diário de Myriam, é um livro relato da guerra na Síria, mais precisamente dos conflitos de 2011 até 2017. Nele podemos ver toda a sensibilidade e pureza nos olhos da menina Myriam frente à destruição que acontecia. É tocante perceber como ela vai evoluindo ao longo dos anos, visto que começara a escrever seu diário com apenas 6 anos – quando a guerra começava. Suas ideias e vivências eram tão poucas mas já precisava estar atenta para a guerra, para ter sua infância em meio a ela. É triste perceber que com tão pouca idade ela já estava sendo exposta a mortes, sangue, bombas e tristeza. Que tão nova ela já soube o que era uma Ak-47, já tinha que conviver com a fome e com a falta de água, com a possibilidade de ter sua vida acabada a qualquer instante.

Esse livro me comoveu muito. Principalmente porque eu mesma sou descendente de sírios, então de alguma forma são minhas raízes que sofrem, são meu povo que morre. E mais interessante, é que a guerra naquela região vem de tempos tão remotos, é um campo de batalha praticamente, onde conflitos sempre eclodem. É até confuso de se entender o que e porquê eles acontecem. No final dele há fotografias da guerra, e elas me trouxeram á memoria inúmeros sonhos cinza, vazio e destruído que eu tenho de vez em quando. Nesse livro, na ultima parte, há notas de Philippe Loubjois, o repórter que cobriu a guerra na Síria, que conheceu Myriam e fez sua história vir à publico. Philippe também cobriu o Conflito Karen, em Myanmar (Birmânia), a Guerra do Kosovo e a Guerra do Afeganistão.

Achei muito bonito como as pessoas se unem para ajudar umas ás outras. Em dado momento, não há mais pão para comprar, muito menos carne, então cada pessoa cozinha algo com o que tem em casa e distribui ás famílias dos arredores. Outra coisa que é interessante de se notar, é que Myriam é cristã, e sua melhor amiga Judi, é muçulmana, e mesmo com os conflitos polarizados devido às diferenças religiosas, ambas não conseguem enxergar rivalidade entre elas, elas apenas vêem o que nós vemos: amor.


O livro foi publicado no Brasil depois que milhares de jovens e crianças pediram por ele. Ele foi lançado primeiro na França, quando a Stéphanie Habrich (fundadora do primeiro e único jornal para jovens e crianças do Brasil, o Joca) postou no portal a notícia do lançamento a obra. Depois disso milhares de mensagens e cartinhas coloridas à giz de cera foram recebidas por ela, essas crianças pediam pelo livro; queriam conhecer a história de Myriam. Então a DarkSide (essa querida que eu amo tanto) se prontificou a publicá-lo aqui, e é assim que temos hoje essa história tão comovente para conhecer.

Hoje eu fiz onze anos. É meu aniversário. Penso em Abu, penso em Soubi, nos meus tios, em Fadi, que nunca mais vi desde seu acidente. Em vez de colocar velas em cima do bolo que comprei com mamãe, preferi colocá-las diante do altar e rezar por eles.

Hoje, na escola dos maristas azuis, encontrei uma menininha que brincava no pátio. Ela tem cinco anos e se chama Iba. Reparei que, em alguns momentos, ela parava de repente de brincar e gritava: “Esma! Esma, vem brincar comigo!”. Perguntei para mamãe quem era Esma. Ela me explicou que Iba tinha acabado de se mudar para o bairro de Khaldiyeh, a oeste da cidade, perto das antigas usinas. Antes, ela morava no bairro de Hanano, bem a leste, e sua irmã Esma foi morta bem na frente dela. Iba ficou ao lado do corpo durante várias horas falando com ela, como se a irmã não tivesse morrido. Desde então, ela a via toda hora.

Vamos andar naquilo que foi a antiga frente de combate uma semana atrás. Cada um terá que escolher uma pedra que tenha sentido para vocês, e essa pedra, que vem da destruição, nós a utilizaremos para a construção do nosso presépio. Essas pedras são as testemunhas do que aconteceu aqui. Elas devem servir para reconstruir a cidade. Essas pedras da guerra devem se tornar as pedras da paz.


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  • Luly Lage Em 07 . 08 . 2018

    Que citação FORTÍSSIMA essa do aniversário dela… Em poucas palavras essa menininha tão nova narrou uma realidade horrível tão distante que dá uma mistura de tristeza e até raiva porque ela é FORÇADA a viver isso… Olha que gracinha essa relação com a amiga muçulmana! Por que adultos não consegue viver com o coração aberto como as crianças, né? Não dá pra entender…
    Acho a capa desse livro lindíssima. Dark Side sempre arrasa nas edições!

  • Samira Em 07 . 08 . 2018

    Se os adultos vissem o mundo mais como as crianças a gente seria uma civilização bem mais evoluída ne. Obrigada meu bem ♥ ♥