Literatura

O Guia do Cavalheiro para o Vício e a Virtude | representatividade bi no século XVII

31.10.18
O Guia do Cavalheiro para o Vício e a Virtude | representatividade bi no século XVII literatura queer por Samira Oliveira dezoitoemponto.com
Livro: O Guia do Cavalheiro para o Vício e a Virtude
Série:
Autor(a): Mackenzi Lee
Editora: Galera Record
Genero: romance Queer
Páginas: 433
Classificacao:
Sinopse: Uma aventura romântica do século XVIII para a era moderna. Simon Versus a Agenda Homo Sapiens, encontra os anos 1700. Henry “Monty” Montague nasceu e foi criado para ser um cavalheiro, mas nunca foi domado. Os melhores internatos da Inglaterra e a constante desaprovação do pai não conseguiram conter nenhuma das suas paixões – jogos de azar, álcool e dividir a cama com mulheres e homens. Mas agora sua busca constante por uma vida cheia de prazeres e vícios está em risco. O pai quer que ele tome conta dos negócios da família. Mas antes Monty vai partir em seu Grand Tour pela Europa, com a irmã mais nova, Felicity, e o melhor amigo, Percy – por quem ele mantém uma paixão inconsequente e impossível. Monty decide fazer desta última escapada umafesta hedonista e flertar com Percy de Paris a Roma. Mas quando uma de suas decisões imprudentes transforma a viagem em uma angustiante caçada através da Europa, isso faz com que ele questione tudo o que conhece, incluindo sua relação com o garoto que ele adora.

Como você pode perceber o que mais me chamou a atenção nesse romance é a questão da representatividade bi. O livro é ambientado no século XVII e tem como personagem principal o jovem Henry Montague – também conhecido como Monty – principalmente pelo seu melhor amigo Percy. Monty é um jovem aristocrata e britânico que leva uma vida de libertino, viciado em jogos de azar e sexo com homens e mulheres (por isso o tema queer da bissexualidade é tão evidente), sua figura é cômica inicialmente e rasa mas aos poucos vai se complexificando e podemos ver o que há sob essa pose de irreverente e inconsequente.

Seu amigo Percy é outro personagem interessante e pelo qual eu me apaixonei. Ele é de uma família aristocrata também, porém fora criado pelos tios, ele é negro e num contexto histórico de recente abolição da escravatura, a sua cor é muitas vezes barrada e hostilizada nos eventos da alta sociedade. Achei importante retratar essa questão, mesmo que casos como o de Percy tivessem sido raros, deu-nos um vislumbre da sociedade racista da época. Ele é notável pela sua sensibilidade, todas as falas mais belas são de Percy, todos os atos mais poéticos também são deles – e talvez eu tenha me apegado tanto porque a narrativa é todinha em primeira pessoa, de modo que eu vejo Percy pelos olhos enamorados de Monty. Talvez esse filtro que aplicamos sobre a pessoa amada, também tenha feito a diferença e aumentado ainda mais meu carinho pelo personagem.

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O Guia di Cavalheiro para o Vício e a Virtude se inicia com Monty e Percy prestes a fazer o seu Grand Tour, que é um tour pelas principais cidades da Europa (destaque para Paris e Roma mas também Veneza, Turino, Genebra, Milão, Florença, Viena, Amsterdã e Berllim) feito pelos rapazes de classe média. O objetivo do tour é expandir os conhecimentos em cultura, fazer contatos com os altos escalões da sociedade e se livrar de uma vez por todos dos vícios em bebidas e jogatinas; quando voltassem para casa era para assumir suas responsabilidades nos negócios famílias e se tornarem um membro respeitável e produtivo na sociedade. Junto dos garotos vai a imã de Henry, a Felicity, que foi outra personagem que me surpreendeu e que ganhou meu apresso.

O Guia do Cavalheiro para o Vício e a Virtude | representatividade bi no século XVII literatura queer por Samira Oliveira dezoitoemponto.com

Em um trecho Henry comenta com a irmã que ela havia lutado muito por sua educação e que portanto não deveria estar se queixando ao seu mandada para a escola de boas maneiras. Isso é interessante porque os irmãos são contrários um do outro, enquanto Henry preferiria continuar sua vida de farra, sua irmã quer mais que tudo ter uma boa educação formal. E claro que essa educação não tem nada a ver com escola de etiqueta, onde as mulheres iriam basicamente aprender a ser boas esposas e a cuidar da casa e de seus maridos. Ela é uma personagem que vai contra a esses princípios mais ao meio do livro, quando paramos de vê-la apenas como um enfeite da viagem e passamos a vê-la em uma postura mais ativa e falante. Essa mudança se dá também porque ela passa a ter um contato maior com o irmão e assim, pelos olhos de Monty, descobrimos as verdades de Felicity.

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Essa viagem pela Europa se mostra muito mais aventuresca do que eles haviam imaginado quando Monty rouba algo importantíssimo no palácio de Versailhes e é forçadamente chamado à real aventura do romance. A narrativa é bem levinha, típica dos romance YA (young adult), é engraçada e fluída. Gosto dos diálogos e da rapidez das cenas, o que torna a experiência mais dinâmica e pode ser muito atrativa para os leitores mais jovens (sim, mesmo com as 400 e poucas páginas, o livro é bem fácil e rápido de ler). No começo parece bem água com açúcar, um amor não correspondido aqui, umas bebidas acolá e uma viagem extensa no meio. Porém a coisa vai se complicando e a história vai se engendrando até finalmente engatar marcha e ir, depois que finalmente a aventura fica extasiante, ai meu bem, é impossível de parar.

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