Literatura

Resenha: Chronos – viagens entre páginas e tempos

20.02.19

A série Chronos me conquistou logo com o primeiro livro Chronos – Viajantes do Tempo e sua continuação Chronos – Limites do Tempo não poderia ser diferente.  Um livro escrito por Rysa Walker e editado no Brasil pela nossa parceira DarkSide Books. Nesse volume 2 a narrativa de mostrou mais complexa ainda e muito densa. E eu gosto de livros, filmes e histórias no geral que desafiem meu cérebro e minha forma de pensar. Foi exatamente isso que Chronos me ofereceu.

Resenha de Chronos – Limites do Tempo

Essa novo livro abordou questões ainda mais sérias e complexa como o racismo, o sexismo e homossexualidade através do tempo. Logo no começo em algumas boas dez páginas a autora se debruçou a colar pontas soltas e esclarecer pontos que não tinham ficado tão claro ou mesmo tenha sido esclarecido no livro anterior. Uma vez que tudo estava acertado a narrativa prosseguiu fluída e conexa.

As questões religiosas foram ainda mais problematizadas. No primeiro livro começamos a entender a gravidade da situação mundial com a nova e estabelecida religião cirista. Que criada pelo avô de Kate, Saul, prega a aceitação de todas as pessoas mas também a valorização do dinheiro e dos negócios. Que engloba todas as necessidades e teorias da necessidade religiosa uma vez que oferece abrigo aos menos abastados mas também sustenta templos gigantescos.

É contraditória pois prevê um futuro cheio de catástrofes – que nem os viajantes no tempo nem a própria Kate da atualidade sabe ao certo qual é – mas incentiva que seus seguidores apostem no mercado financeiro. Quase um clube fechado de pessoas poderosas em todo o canto. De gente que se une para supostamente ajudar ao próximo mas que tem esperança de serem os poucos escolhidos dentro do mundo. Isso porque Saul planeja um evento grandioso chamado de Abate que é literalmente a morte de praticamente toda a população mundial e só alguns poucos serão poupados – e é claro que esses poucos necessariamente são seus seguidores.

Em suma, uma religião de hipocrisia. Seus integrantes tem uma flor de lótus tatuada no pulso e – olha que clichê bem conhecido de nos brasileiros – as mulheres têm uma lótus cor de rosa e os homens uma azul. Inclusive essa separação rígida de gêneros não somente é reforçada como também estimula a misoginia.

Questão Religiosa e misoginia

Um ponto complexo dessa religião é que o contato entre pessoas de sexos diferentes é bem restrito, mesmo namorados tem regras do tipo “só pode dar as mãos com a supervisão dos pais” ou “você deve permanecer virgem até os 21 anos quando irá, ‘enfim’, de casar”. Mas como já sabemos e como a série também deixa claro, essa regra de privação sexual vale na prática apenas para as mulheres, sendo que os homens são acobertados uns pelos outros – qualquer semelhança com a nossa cultura patriarcal atual não é mera coincidência.

No primeiro livro nos despedimos de Kate no mesmo momento que ela se via separada de seu namorado They – uma vez que sua linha do tempo havia mudado e na nova linha do tempo seu namorado não a conhecia – e tenta recuperar o seu afeto e amizade mostrando um vídeo que o They da linha do tempo em que conheceu Kate, falava para o They da nova linha do tempo que eles eram namorados e que se amavam.

Foi um casal que não me animou tanto no segundo livro justamente porque aparece um segundo elemento mais simpático e extremamente familiarizado com as viagens no tempo. Kiernan é um personagem que eu lia e aplaudia. Inteligente, sensível, charmoso e altamente complexo. Ele veio dos ciristas e tinha grande intimidade com Saul e com Prudence, a tia de Kate extremamente parecida com ela e que faz um papel similar ao de Jesus na religião cirista. Porém ao invés de bondosa, Prudence é louca e talvez um pouco menos insana e doente que seu pai que quer dizimar a humanidade.

O modo de narrar de Rysa Walker

A história é complexa e é necessário prestar bastante atenção às viagens no tempo e aos acontecimentos históricos. No entanto tudo é bem esclarecido e quando você chega perto de ter alguma grande dúvida a autora logo a sana de forma excepcional. Não foi uma leitura rápida, mesmo porque estou dividindo meu tempo entre trabalho/YouTube/transição pro vegetarianismo e vida, mas é aquele tipo de livro que te causa um impacto e, mais importante, te incomoda. Na minha humilde opinião o grande papel da arte é incomodar. Se ela não te incomoda meu bem, ela não está cumprindo seu papel.

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