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Em voga

Os Tempos Mudaram SIM, entenda o porquê

15.09.17

Eis frases que eu ouço com muita frequência: “o mundo mudou” ou “os tempos mudaram” ou “o mundo está de cabeça para baixo”; normalmente carregadas de negativismo. Mas será mesmo? Talvez o que pensam estar “de cabeça para baixo” na verdade, esteja em sua correta posição! Talvez essa mudança seja uma das tantas necessárias nos tempos em que vivemos; nas evoluções que a nossa humanidade tende a passar.

Seria ridículo não olhar para a frente, não pensar em progresso, não lutar para uma mudança no mundo. E isso está em todos os aspectos da nossa vida, por mais mínimos que pareçam. Ainda me é recente os tempos em que eu andava na rua com a minha avó e sempre que aparecia alguém com cabelo black power ela exclamava algo como: “que coisa feia!” (e eu sei que não é por maldade, é apenas o modo como ela foi educada). Hoje, depois de tanta exposição na mídia sobre cabelos crespos (coisas as vezes criticada devido à comercialização da cultura), depois de atrizes e pessoas influentes aparecem com seus cabelos cacheados/crespos, minha avó emudou. E é essa a beleza da mídia, ela pode ser benéfica, a nossa sociedade de consumo e pode colaborar para a nossa evolução – não que eu seja uma amante do capitalismo, só estou tentando ver tudo sob um novo ângulo. Quando eu era criança, eu tinha um cabelo chamado carinhosamente de “bom bril” e de “vassoura”, não faço ideia de como ele ficou assim, mas era demonizado pela minha família. Todo dia um produto diferente para acabar com o volumão do cabelo da Samira (podia até virar páginas do facebook hehe), tanto que um dos meus maiores sonhos sempre foi ter o cabelo lisinho (bem ao estilo Barbie mesmo). Porém atualmente o meu modo de olhar é outro, o meu “padrão” de beleza ideal é praticamente inexistente, o meu gosto, o que meu cérebro considera bonito ou feio mudou pra caramba (e isso eu tenho que agradecer a mídia também). Refleti sobre isso em um dos passados dias em que eu tentava a todo custo deixar meus tímidos cachos mais aparentes e volumosos, chegando ao “cúmulo” de jogar a cabeça pra baixo (tipo a Joelma) e tentar fazer a raiz ficar cheia, pra ver se o cabelo ficava com mais movimento. Minha eu, padrãozinho, amante de cabelo liso, ficaria totalmente horrorizada!

Agora pense na minha infância de criança gordinha e o meu corpo atual (gorda também); antigamente meu sonho era entrar na Lilica&Tigor e achar uma roupinha que service (mas essa marca nunca foi para crianças gordas). Acho que assim dá pra entender minha ultra emoção em ver lojas que fazem roupas sob medida, marcas que investem em tamanhos plus e em tamanhos que sejam realmente o do nosso corpo (não adianta nada ser número M se só uma pessoa PP consegue usar, né?). E muito mais que isso, várias modelos, blogueiras, atrizes, cantoras estão mostrando que ser gordo é uma qualidade tanto como é ser moreno ou loiro, ou seja, natural. Semana passada encontrei minha amiga de infância, gorda como eu, depois de muito tempos sem nos ver. Antigamente trocaríamos dicas sobre a última moda em emagrecimento, sobre o novo suco detox ou o mais maravilhoso treino “projeto verão” da academia. Mas não foi assim, nos pegamos na aceitação, no amor por nós – pelo nosso corpo e pelo nosso espírito – pela moda que conseguimos hoje vestir; mudamos completamente nossa visão sobre nós mesmas e isso é tão leve, é como se uma nação tivesse sido tirada de nossas costas. Percebemos assim, que há mais tempo para viver e se amar. (mas isso é outro post hehe).

No passado medicina alternativa seria considerada “coisa de gente velha e ignorante”, magia, religiões e crenças diferentes, receberiam o famoso “chuta que é macumba”. Sagrado feminino? Mas mulher não é do demônio? (parece absurda essa exclamação, não é mesmo? Pois é assim que pensava-se no passado). Mulher… quantas questões não estão sendo levantadas sobre nós, sobre o que é ser mulher, sobre o que nos faz ser mulher, o nosso papel social (que era claramente o de dona de casa), o nosso prazer descoberto (antigamente ele não existia) e a tão sonhada equivalência entre homens e mulheres.

Quando que o nosso passado iria sonhar que uma cantora drag queen teria tanta audiência? Quando íamos ver o início do fim (será que tô sendo muito otimista?) da ditadura do corpo magro e perfeito. Quando a gente iria poder sonhar que cabelo crespo, que cultura negra seria acolhida e respeitada como estamos (finalmente) começando a fazer? Caiu até uma lágrima aqui. Pois eu posso dizer que nós blogueiras/influenciadoras temos uma parcela de culpa nisso. O martelar diário de novas ideias, a discussão sempre crescente, as conversas mais claras e as pessoas mais abertas ao novo (que não verdade existe faz tempo mas algumas pessoas simplesmente não querem ver), tudo isso tem uma pitadinha do nosso glitter. Estamos abrindo a força os olhos de todos.

Os Meus 13 Porquês| Podem acreditar numa garota viva?
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Os Meus 13 Porquês| Podem acreditar numa garota viva?

10.04.17

Os Meus 13 Porquês (13 Reasons Why)| Podem acreditar numa garota viva? Confissão sobre bullying ensino médio e inferno.Com o lançamento da série 13 Reasons Why (Os 13 Porquês), assuntos como bullying e o inferno do ensino médio surgiram em todo canto – discussões na Globo, nas escolas e nas redes sociais. Mas tenho certeza, que mesmo com toda essa reflexão, ainda tem gente que não vê – mesmo porquê: “Quem acreditaria em uma garota morta?”… Bom, vocês podem acreditar numa garota viva? Espero que a resposta seja sim. Eis portanto, os meus 13 Porquês:

Olá para você que está lendo. Quem fala aqui, é Samira Oliveira, ao vivo; em imagens e em códigos de informática.  Sem promessas de retorno. Sem bis. E desta vez, sem atender aos pedidos da platéia. Espero que vocês estejam prontos, porque vou contar aqui a história da minha vida. Mais especificamente o inferno que ela foi. E, se você estiver lendo isso, você é um dos motivos.

Fita 1, Lado A

Tudo tem um começo, certo? Mas onde exatamente foi o meu? Acredito eu, que foi antes do primeiro dia de aula, lá no “infantil 3”, ou seja, quando você tem 6 anos. Sim, meu começo não foi no ensino médio – foi bem antes. E talvez por isso e tenha aguentado até o fim, corajosamente. Talvez vocês pensem que muitos porquês são inúteis, talvez você não se julgue digno de estar nessas páginas. Mas acredite, tudo há um porquê. Coleguinhas crianças, que mesmo tão pequenos sabiam ser maldosos, se aproximem, a número 1 vai especialmente para vocês. 

Já pensaram que talvez eu não tivesse nenhum amigo antes de chegar até vocês? Já pensaram que eu só quisesse alguém para conversar? E quando eu finalmente achei alguém, essa pessoa se foi. Já pensaram, meninas, como vocês foram ridículas brincando de “ter bebês” e como eu achei aquilo um tanto apavorante e nojento? Vocês não me queriam como amiga, e eu não entendia porquê – só pelo motivo de eu não gostar de suas brincadeiras sem sentido? “Amigos” crianças, realmente tinha algum problema eu ter demorado para decorar o alfabeto? Vocês sabiam que eu não estava na escola desde os 2 anos? Que não era minha obrigação saber de tudo? Não, vocês não sabiam. Amigas, sabiam que eu não tinha uma dúzia de Pollys para brincar? Que eu não queria que soubessem detalhes sobre a minha vida que eu mal sabia. Eu não queria ter de saber tão cedo a inexistência do Papai Noel. É ai que as coisas começaram.

Fita 1, Lado B

Quando você tem uns 7 anos, o menino que joga futebol e que parece gentil, é uma paixonite bem provável. Principalmente se você é a excluída, principalmente se você é invisível. E o que você fez com isso? Aproveitou a minha inexistência, ou melhor a minha existência para ser humilhada. Era interessante né? Ouvir os xingamentos; “baleia”, “grávida”, “gorda estúpida” e tantos por ai. Diariamente. Até mesmo da minha melhor amiga. Eu fui apaixonada por você, por muito tempo. Eu escrevi cartas que você mostrou a todos, eu mostrei quem eu era e você não pensou duas vezes antes de mostrar para o mundo. E naturalmente, me humilhar mais um pouco – afinal, qual seria o problema? Eu já era o saco de pancadas de mais de 50 alunos, mesmo! Sorte a sua, querido amigo, eu te superei. Bem rápido para alguém intensa. E não te culpo tanto, quem poderia amar a gorda da turma?

Fita 2, Lado A

Eu tinha começado a escrever em ordem cronológica. Mas convivi tantos anos com vocês, foram tantos episódios insuportáveis. Tantas mágoas de todos vocês. Que seriamente, eu já havia pensado várias vezes em acabar com tudo. Depois de tantos anos, você acaba finalmente esquecendo de várias coisas, mas infelizmente ou não, você não se esquece de tudo. Principalmente da dor. Lembra você, colega, quando me acusou de roubar uma figurinha do seu álbum? Lembra, amiga, quando você me incentivou a “pegar emprestado” o que não era meu? Vocês duas talvez não se lembrem, mas eu lembro. Lembro de como, colega,  você chamou sua irmã mais velha e as amigas dela, para fazerem com que eu falasse, algo que eu não entendia, algo que eu não tinha feito consciente. Bom, eu fiquei com medo, sabia? Elas eram enormes, mais velhas e muito altas. E eu era apenas a gorda, eu sabia que aquele dia eu voltaria diferente para casa. E então me escondi no banheiro e chorei.

Fita 2, Lado B

Quem será o próximo? Mesmo sem citar nenhum nome – já faz muito tempo – eu consigo ler e lembrar vividamente de cada dia, cada acontecimento, cada sofrimento. Mas talvez, ou melhor, com certeza, você não se lembre. Meu melhor amigo, essa é para você. Você que foi um refúgio e foi meu único amigo por tanto tempo; eu estive com você sempre que precisou, sempre que não quis aceitar quem você era – quando você não descobria quem você era e quem amava. Mas sabia? Depois de tantos anos, eu passei a te amar. E o que você fez? Ficou com a minha amiga, que diziam, era parecida comigo. Eu fui má com ela, eu fui má comigo. Eu não podia suportar essa traição criada na minha cabeça – afinal, você não sabia, mas não gostava de meninas. No entanto, eu estive com você e com nosso outro amigo. Sei que você sofreu, sei que ele foi obrigado a mudar de escola, ele não aguentava mais os outros, não aguentava o inferno da nossa escola. Sorte a dele, eu deveria ter me mudado junto.

Fita 3, Lado A

Espere, vai ficar bom. Talvez você esteja achando um pouco entendiante. Na verdade eu ainda estou na infância e na quase pré adolescência. Mas se prepare, você vai chegar à sua fita. E quanto mais para o final você estiver, pior para você. Mais recente, mais cruel e mais culpa você vai ter que carregar. Agora, veremos a justiça que a escola fez. Nenhuma. Por tantos anos, nenhuma. Eu não culpo os profissionais meus amigos,  na verdade, no ensino médio, o problema era quase irrefreável para eles. Será que eles poderiam ter feito alguma coisa? Eles que receberam jovens formados, jovens que quando criança não foram impedidos. Jovens que sempre se julgaram os donos do mundo. Os professores receberam eles já prontos, não tinham mais o que fazer. Mas você teve, você, dono dessa fita teve. E você só percebeu isso depois que um aluno sofreu bullying por ter o mesmo nome que um esquizofrênico da novela. Sério? Eu lhe pergunto: sério mesmo? Jura que você nunca achou que era errado os xingamentos e as agressões que eu sofria? Nunca julgou errado quando um menino da sala tentou me enforcar? Sério mesmo? Sério que você só notou que bullying existe depois desse episódio com o menino do nome? Bom, “no seu tempo” não existia bullying né? Então porquê mudou seu discurso? Porquê passou a “conscientizar” os alunos sobre isso? Bom, eu tenho uma notícia para você: não adiantou nada.

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Como as bonecas Barbie influenciaram a imagem que eu tenho do meu corpo.

12.03.17

Como as bonecas Barbie influenciaram a imagem que eu tenho do meu corpo.Foi depois de tirar de casa os últimos vestígios da minha infância, depois que encontrei duas imaculadas bonecas Barbie e uma Susi intacta, foi que tive aquele lampejo. O que aquelas bonecas haviam feito comigo durante todo esse tempo? Muito se fala sobre o corpo padronizado da Barbie, mas pouco ainda se comenta sobre os reais efeitos que a boneca provoca. Falando assim, parece mais que estou te apresentando a descoberta de um veneno que mata lentamente, ano a ano, e bom, é exatamente isso do que se trata.

Não, eu não estou dizendo que as bonecas Barbie devam ser extintas, que não devemos comprar mais elas para nossas irmãs ou primas e muito menos estou declarando guerra a elas. Na verdade, muito pacificamente, eu queria relatar o que foi a minha vida no quesito aceitação do meu corpoe como a Barbie sempre dificultou essa tarefa.

Já percebeu a minúscula cintura da boneca? Esses dias eu estava distraidamente observando um livro das princesas e assustada me dei conta: a cintura da Ariel era, proporcionalmente ao desenho, do tamanho do fininho braço da sereia. Foi ai que notei, aterrorizada, como essa realidade nunca antes havia me parecido tão gritante. Resgatei em ninha memória toda a imagem de Barbies e de Princesas, e todas elas, vinha, inexoravelmente acompanhadas de uma cintura inumanamente impossível de ser conquistada, com um cabelo cumprido e sedoso que só a mais rica das celebridades poderiam sequer ousar chegar perto; um corpo milimetricamente bem feito e proporcional; nenhuma manchinha na pele, nenhuma acne no rosto, nem sinal da mínima descompostura na maquiagem – e muito menos uma estriazinha que fosse. E tudo não seria terrivelmente assustador se não fosse pelo fato de que: eu sempre havia aceitado isso sem nem mesmo questionar.

Agora, se eu, com meus quase 20 anos de idade só fui me ater a isso agora, imagine essas bebês que com 3 anos já tem nas princesas da Disney e nas bonecas Barbie um ideal inalcançável e mentiroso de beleza? Você deve estar resmungando ok, mas aonde exatamente você quer chegar com isso? Bem, para responder essa questão, vou ter que contar um pouquinho sobre mim. Eu sempre, sempre mesmo, fui a gordinha da escola; em uma cidade pequena em que uma das melhores escolas da cidade era relativamente de alto padrão, não seria de se estranhar que as alunas fossem, eu sua grande maioria, simplesmente perfeitas. Quando digo isso, não quero ser rude, afinal se trata de minhas amigas, mas quero dizer que, todas tinham ótimas possibilidades e encorajamentos para frequentar uma academia na adolescência (lembro até hoje de uma amiga reclamando que estava gorda e feia por ter ganhado 2 quilinhos em uma viagem internacional), todas tinham acesso aos melhores dermatologistas, shakes para emagrecer, atividades físicas, cremes dermatológicos, tratamentos capilares e toda sorte de coisas estéticas que o povo diz “para nos deixar mais bonitas” Não que eu as esteja julgando, eu mesma já frequentei academia, usei/uso cremes para o rosto e infinitos para o cabelo entre tantas outras coisas, a questão não é essa, a questão é a cultura no corpo perfeito. O corpo perfeito sempre fora o meu sonho, passei boa parte da minha vida imaginando como eu seria feliz se tivesse o meu grande sonho de corpo, na minha mente pequena eu montava uma Samira Frankestein com um pedaço de um cabelo perfeito aqui, uma perna torneada de uma amiga alí, uma cintura de uma Barbie aqui e uma pele de uma fulana alí. Na minha mente, eu fazia listas enormes de tratamentos que eu gostaria de fazer, antes mesmo de sequer cogitar a possibilidade de me relacionar com alguém (sim, o meu trauma era tão grande que eu sequer pensava na possibilidade de alguém “me querer”)Como as bonecas Barbie influenciaram a imagem que eu tenho do meu corpo.E quem sempre estava comigo em minha mente? Quem sempre me lembrava que eu deveria ter uma cintura fina e uma pele macia? Quem sempre me encorajava a mais uma vez, pensar em intervenções cirúrgicas ou caminhos que me levariam à doenças como bulimia? Lá estava a maldita boneca Barbie, como que zombando de mim e de todos os meus esforço para me igualar a ela. E não queira mentir, você sabe que todas sonham ser ela, você sabe, quando sua filha leva sua boneca para todo canto; sabe que para ela só existe a loira e branca Barbie, a perfeita e rica Barbie, a linda, a glamourosa, a perfeita boneca – que tem tantas profissões quanto seja possível mensurar, que tem tanto dinheiro quanto alguém poderia imaginar, que tem tudo o que ela, eu e você sempre quisemos. Então, o erro talvez não esteja no status que a boneca apresenta – isso pode ser até um estímulo para as meninas estudarem com mais afinco – mas sim no caráter irreal que ela nos apresenta. Hoje eu falei apenas do que me marcou, do que me tocou na minha infância, mas talvez outros males tenham sido alimentados a partir da figura icônica e inalcançável que a Barbie é.

Em contrapartida, a boneca Susi. Minha sábia vó sempre me disse essa boneca é muito mais bonita que a Barbie, mas eu, em meus sentidos cegos de criança, nunca acreditei. Hoje, quando avistei minha boneca novamente, fui obrigada a concordar com a minha avó; eu havia me visto na Susi. A Susi é mais torneada, musculosa, alta e senhora de si; sua cintura não é do tamanho de seu pulso, suas pernas não são dois cambitos por onde um boing poderia passar. Seus braços não são fininhos ao ponto de quebrar e nem seu cabelo parece ansiar ser a tremenda perfeição que a Barbie quer. Então porque será, que eu achava a Susi uma boneca tão feia? No fundo, eu sei a verdade, eu a odiava porque ela estava muito mais próxima a mim do que a minha ídola Barbie, ela poderia muito bem me representar, poderia muito bem ser um lampejo do meu futuro – e nada, absolutamente nada, que não fosse tremendamente magro e esquio, loiro e liso, claro e belo, eu queria para o meu futuro e para o meu presente. Isso porque eu sempre fui humilhada pelo meu peso, odiada pelo meu cabelo meio armado, desprezada por não ter uma pele perfeita, mas principalmente por não ter aquela cintura perfeita, aquele peso correto, aquele corpo escultural e sequinho. Nunca ninguém quis ser menos do que a Barbie – e nem pensaram em me apresentar firmemente, algo que fosse menos do que ela.

Este é um post da Blogagem Coletiva Coletivando. Para conferir os pots das outras participantes, clique no nome do Blog de cada uma: Blog Notável LeituraBlog Garota IndependenteBlog Dá um ZoomBlog Eu RandômicaBlog Quero ser MirandaBlog A Menina da Janela
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Desculpa, mas não dá pra ser um “Feliz Dia” das Mulheres
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Desculpa, mas não dá pra ser um “Feliz Dia” das Mulheres

08.03.17
Desculpa, mas não dá pra ser um "Feliz Dia" das MulheresEsse é um basta no meu dia, no dia delas e talvez no seu também.

Não será um “Feliz” Dia das Mulheres enquanto você deslegitimar nossa luta com ares de superioridade. Não tem sentido entregar algumas flores no dia 8 de março e continuar os outros 364 dias espancando sua esposa, humilhando sua ajudante doméstica e explorando a trabalhadora da sua empresa. Não adianta desejar um “Feliz Dia” se você não admite a existência de mulheres trans, se você não suporta ver uma mulher lésbica e se te ofende tanto as escolhas de uma outra mulher.

Enquanto os salários não forem justos, não será um “Feliz Dia”; enquanto a moça que passa na rua não puder caminhar em paz, não será um “Feliz Dia”. Enquanto a gente ainda tiver medo de andar na rua; enquanto ainda precisarmos nos manter perto de amigos, irmãos e pais para conseguir o mínimo de respeito, enquanto ainda tivermos que aguentar uma objetificação diária, enquanto ainda houver mulheres que se submetem à maus tratos por medo de denunciar o agressor, enquanto ainda houver um numero altíssimo de mortandade feminina, enquanto mortes sejam facilmente justificadas por “amor”, enquanto tantas outras mulheres ainda sejam consideradas menos, enquanto tudo isso acontecer, não tem como aceitar um “Feliz Dia das Mulheres”

Vejo pelas redes sociais mulheres reclamando que não receberam uma rosa sequer. Mas onde está o reconhecimento nos outros dias do ano? Não adianta implantar um dia que sirva apenas como uma trégua na vida, um dia em que “em tese” a mulher deva ser respeitada, admirada e recebida com beijos e palavras carinhosas. Nada disso fará diferença na vida das mulheres que você ama, se isso for ato exclusivo do dia 08 de março.

Mas se você realmente quer homenagear sua mãe, irmã, esposa, amiga, funcionária, e todas as mulheres do mundo, comece nos ajudando a mudar o pensamento patriarcal e machista que está quase que fundido na nossa sociedade. Sabe aquele amigo que se orgulha em difamar a ex namorada? Sabe aquele outro que incomoda mulheres que andam na rua com roupas “curtas”? Sabe quando você começa um grande discurso reclamando da “desigualdade” do feminismo? Ou quando você chantageia emocionalmente sua namorada, quando diz que sem você ela não será feliz porque ninguém mais vai gostar dela. Ou quando você desrespeita sua professora; quando usa de palavras que remetem à sexualidade para “ofender” uma mulher, quando impõe à mulher que é obrigação dela estar sempre depilada e arrumada (afinal, somos apenas objetos decorativos, não é mesmo?), quando você diz que “o feminismo tá ficando chato ein, as feminazis estão atacando”, quando você discrimina outra mulher por ser negra, trans, gorda ou lésbica, quando você não deixa que sua namorada reclame, quando impede que a voz dela seja ouvida, e tantos outros atos, que você deve achar tão “pequeno” mas que são graozinhos de areia que constroem o muro que nos separa da igualdade, que nos separa da dignidade e da justiça – que aliás, vocês tanto nos desejam nesse dia de hoje.

Sem mais, deixo um pequeno poema meu, pois a melhor forma que encontrei de militar no feminismo foi com as minhas palavras. Espero que goste e reflita ;)

E agora Maria?
E agora que a realidade grita?
E agora que eles se foram?
E agora?
Como fica você?
Como ficarão seus filhos?
E agora? E agora que não tem dinheiro?
E agora que só tem tristeza?
– mas tristeza não alimenta os pequenos
E agora que só tens o pó?
Quem pagará para que você vá se tratar?
Quem te acalentará sendo tal missão possuída apenas por ti?
E agora Maria?
Sua dignidade como fica?
E agora que chorou e que pediu?
Em vão.
E agora Maria? Como voltará?
Suada pelo trabalho e pela corrida.
Em pânico, é mais um dia.
Com dor, já se acostumou
Ferida, humilhada como já foi.
E agora? Que dirá seu marido, Maria?
Como irá dormir com uma puta como você, Maria?
E agora?
Para ondes vai correr? Tem seus filhos para alimentar, para curar.
Suas lágrimas não serão secas por alguém.
E agora?
Vai a delegacia? Pra quê? – Humilhação por humilhação passo em casa.
E agora? Quem vai te proteger amanhã? E depois? Quem vai lutar por você?
Outro dia está nascendo e você nem pra casa foi.
Dorme e finge que amanhã estará tudo bem.
Vai passar – o que eles dizem.
Culpa sua – é o que vão dizer.

Samira Oliveira

Ilustração por: Negahamburguer

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Possíveis abordagens ao tema “Intolerância Religiosa” no Enem 2016

09.11.16
Possíveis abordagens ao tema do Enem 2016 Intolerância Religiosa bolsonaro, ana paula valadão, catequização dos índios, cristianismo, matriz africana, umbanda candomblé, rezam fé, crer

Assim que foi liberado o tema da redação do Enem 2016 e eu fiquei sabendo sobre ele pelo Facebook, já fiquei muito feliz com a escolha. Na verdade a primeira coisa que me lembrei, e que acho de suma importância ser discutido – e portanto esse tema voltar à tona e ser repensado por milhares de estudantes é tão importante – diz respeito à intolerância com religiões de matriz africana. Eu andei pesquisando um pouco mais sobre o assunto e vou deixar esse link aqui  para você saber mais sobre as cerimônias africanas e toda a história de como cada uma se originou.

Atraso social ou mau uso da religião?

Bem, desde que entrei na Letras percebi – antes de mais nada – um esforço descomunal conjunto em negar qualquer religião que supostamente alguém siga. Subitamente parece que todo mundo vira ateu ou agnóstico, parece que os que seguem alguma religião tem que falar meio que disfarçadamente, e quando perguntado se você crê em algo é esperado um veementemente não, ou , no máximo um mero sussurro sobre o que você crê. Isso nos abre porta sobre esse pensamento que nos permeia – o de que; acreditar em uma força sobrenatural, seguir uma religião, ir à cultos, missas ou qualquer cerimônia religiosa – o torna quase um ignorante. E porque tantas afirmações desse tipo? Seria apenas pelo desenvolvimento das crendices, que passou daquele pensamento natural de “deus trovão”,por exemplo, para os deuses personificados no ser humano (como os gregos) e depois algo mais próximo do que temos hoje? Seria esse percurso das crenças que faz com que as religiões que temos hoje sejam tão desprezadas? Seria mesmo o dom de acreditar em algo transcendente a nós, algo atrasado? Foi ai que comecei a refletir, e meus colegas da Letras foram essenciais para isso. Hoje em dia se reclama tanto das religiões por motivações como a existência da bancada evangélica. Se fala tão mal dos religiosos por se generalizar que todo religioso vai querer influenciar a vida de toda uma sociedade, sendo que, em tese e na real moral isso não deveria ser assim. Uma coisa é política, outra coisa bem diferente é religião, e estas NÃO se misturam! Mas não é isso o que vemos hoje; vemos o aborto sendo vetado com desculpas religiosas, e ideias tão absurdas quanto quase ingênuas de “bolsa estupro” advindas da bancada evangélica, ou então o infinito discurso sobre casamento gay e a o peremptório “não” desses grupos (como se eles tivessem o poder de decidir, bom pelo menos não em teoria) Então, o que realmente mancha a visão ante todas as crenças? Fica implícito neste parágrafo. Ah e por favor, não confunda, não estou colocando a culpa nos evangélicos ou católicos, mas na vontade de alguns representantes em misturarem religião e política. Recentemente li algo que o Padre Fábio de Melo escreveu e que cai certinho no que eu quero dizer, para ler a matéria e os tweets clique aqui  vou transcrever uma parte importante do que ele disse: “A união civil entre pessoas do mesmo sexo não é uma questão religiosa. Portanto, cabe ao Estado decidir. Aos religiosos reserva-se o direito de estabelecerem suas regras e ensiná-las aos seus fiéis. E isto o Estado também garante. As igrejas não podem, por respeito ao direito de cidadania, privar as pessoas que não optaram por uma pertença religiosa, de regularizarem suas necessidades civis. Se duas pessoas estabeleceram uma parceria, e querem proteger seus direitos , o Estado precisa dar o suporte legal. São situações que não nos competem. A questão só nos tocaria se viessem nos pedir o reconhecimento religioso e sacramental da união.” Em suma, as religiões como um todo estão sendo frequentemente atacadas por essa influência medieval que eles querem impor. O dia em que todos eles pensarem e agirem como esse padre, quem sabe não pode começar a reverter essa história?

A Igreja Católica através dos séculos e hoje.

Conheço uma pessoa que infelizmente se mostra extremamente intolerante perante o cristianismo. Ela afirma ter lido a Bíblia e estudado-a inteira, mas bom, acho que mesmo assim não conseguiu entender nada. Essa pessoa, praticamente toda semana encontra uma forma de ofender o cristianismo. Seja por xingamentos, deboches, histórias más contadas e diversos absurdos falados. Uma coisa que me incomoda muito além de todo esse desrespeito e intolerância foi uma frase: “acho um absurdo ver mulher e negro na igreja, pensar tudo o que a Igreja fez para eles”. Bom, vamos com calma, se fosse assim ninguém ia ser amigo de alemão porquê “ai, os parentes antigos deles foram nazistas assassinos, viveram nesse país” ou ninguém ia aceitar em ser descendente de português porquê eles tomaram o país dos índios. Se for ficar vendo o passado, todo campo social tem uma mancha na história, se fosse assim, ninguém mais leria Moby Dick pelo horror com que os baleeiros tratavam os animais. E às vezes, por outro lado, eu penso que o mundo e a sociedade estão progredindo e muito! E quanto mais tentarmos fazer isso progredir melhor vai ser. Então o problema não é ter religião, é querer impor ela pra todos – o que é um absurdo. E também isso de sempre tocar na mesma tecla de que a Igreja fez coisas de que não se orgulha, ótimo, todos sabemos disso, assim como a Inglaterra fez bobagem e ninguém deixa de ir para o país, assim também o catolicismo, ninguém vai sair dele pelos erros do passado. Pelo menos os erros não se repetem e estão cada vez mais diminuindo ideias conservadoras e fechadas – exemplo disso é o Papa Francisco que chegou até a dizer que todos nós devemos desculpas aos gays e que ele não tolerará discriminações contra eles (pensem no avanço que isso é e em como pode avançar cada vez mais!)

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