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Em voga

Guia Completo do Coletor Menstrual + Minha primeira vez usando o copinho

06.03.18

Créditos: Jardim do Mundo

Quer saber como colocar o coletor menstrual? Quer descobrir como é a primeira vez usando o coletor, as tantas dobras do copinho, qual marca comprar e entre tantas outras informações essenciais? Esse post foi feito pra ti. Ele foi escrito e reunido pela Mari David <3 E complementa um vídeo que postei no YouTube com tudo o que nunca te contaram sobre o coletor menstrual – tá divertido e bem legal, espero que goste!

O QUE É
Um coletor menstrual é um copinho feito de material plástico (silicone ou TPE) cirúrgico que é inserido dentro do canal vaginal e coleta seu sangue. Ele não é descartável e pode ser usado por até 10 anos, o que protege nosso meio ambiente de um monte de lixo e gasto de produção.
Pode ser usado por até 12h. Dependendo do seu fluxo, será necessário esvaziar e recolocar em menos tempo.

Tem alguma restrição de uso?
Não. Toda mulher pode usar se quiser.

Guia Completo do Coletor Menstrual + Minha primeira vez usando o copinho por Samira Oliveira dezoitoemponto.comCOLETOR vs. ABSORVENTE INTERNO
O principal, é que ele não absorve o sangue, logo, também não absorve os fluidos vaginais, o que diminui absolutamente o desconforto causado pelo absorvente interno. 
Como são materiais cirúrgicos, também são totalmente hipoalergênicos.
Ainda não houve ocorrências da SCT (Síndrome do Choque Tóxico) com uso de coletores pelo período de até 12h – existem boatos de UMA ocorrência com uso maior do que por 24h – desde que ele foi inventado, na década de 1930.
O coletor é vegano, livre de agrotóxicos e livre de químicos que alteram o seu fluxo menstrual – ao contrário dos absorventes industrializados. 
E pra completar, eles coletam em média 15ml de sangue, enquanto um absorvente comum coleta 5ml. Já dá pra estimar que ele deve segurar seu fluxo por 3x mais do que o seu absorvente.Guia Completo do Coletor Menstrual + Minha primeira vez usando o copinho por Samira Oliveira dezoitoemponto.com– Essa tabelinha da Inciclo também ajuda. (mas podem ignorar a recomendação de troca a cada 2 ou 3 anos, ela só tá aí porque uma cliente que volta a cada dois anos é bem melhor do que uma cliente que volta a cada 5 a 10 anos, né?)

EXISTE ISSO NO BRASIL?
Sim! Existem duas marcas brasileiras: Inciclo e Fleurity. O coletor da Inciclo pode ser encontrado em lojas físicas de produtos hipoalergênicos ou produtos naturais, além de com revendedoras. Ambos estão disponíveis na internet.
Outras marcas estrangeiras podem ser compradas pela internet ou via revendedoras.
PS.: Sempre bom dar preferência pras mulheres que estão revendendo produtos de qualidade e se emancipando financeiramente, né?



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A crise dos 20 chegou – ansiedade, angústia e responsabilidade

08.01.18

A crise dos 20 chegou - ansiedade, angústia e responsabilidade por Samira Oliveira dezoitoemponto.comNo dia 14 de novembro de 2017 eu fiz minhas 20 primaveras. Primaveras apenas na poesia, pois dentro de mim era inverno profundo que nem mesmo a Elsa conseguiria resolver. Comecei esse dia com uma angústia e uma ansiedade que me são conhecidas até hoje, enquanto escrevo este post. A ansiedade por ter 20 anos e poucos amigos fieis ao meu redor – as vezes sinto que nenhum. A cobrança por ter 20 anos e não ter uma vida perfeita, não ter ainda meu próprio carro, minha casa própria – ou nem mesmo por pagar meu aluguel sozinha. A ansiedade também bate à porta quando faço as contas no final do mês. Quando sei cada dia mais, que será impossível viver da profissão que escolhi, que se eu quiser estudar a vida inteira como planejo, terei de fazer algum milagre com meus 90 centavos. A responsabilidade em ser dona da minha vida, dos meus discursos e das minhas diretrizes, a coragem para sustentá-las até o fim, afinal, não se pode ter 20 anos e não ter uma cabeça formada, perfeita e bem. Passei o ano todo esperando pelos 20, mas ao contrário dos 18 – que aliás nomeiam esse blog – os 20 não chegaram cheio de glória e champanhe. Foram um batalhão, 10 á minha direita e 10 à minha esquerda, e por pouco eles não cairam – pensando bem talvez seja pela minha fé que se esvai.

Fé em mim e em tudo o que eu acreditava. A cada dia mais vejo como o mundo é podre e como talvez seja insano lutar contra essa podridão. E é nessas horas que uma luz lá no fundinho me diz que ainda vale a pena. Na TV, celebridades de 22 anos já tem um patrimônio com o qual eu só posso sonhar, um casamento dos sonhos com direito a lua de mel em África do Sul. Tenho 20 mas a pressão para ter uma carteira assinada me é dita nos olhos de todos a cada dia, aquela voz que me diz sempre que acordo “você não tem um trabalho” é sufocante. E não adianta eu dizer que o blog é meu trabalho, afinal “o blog não paga suas contas” e é assim que até mesmo o meu maior prazer, blogar, é tirado de mim. As pessoas pedem que eu faça algo visando lucro, nunca lazer, nunca agir por paixão ou amor, sempre apenas pensando no futuro. E é esse pensamento que me esmaga como um chiclete jogado no meio da calçada.Leia mais

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Os Tempos Mudaram SIM, entenda o porquê

15.09.17

Eis frases que eu ouço com muita frequência: “o mundo mudou” ou “os tempos mudaram” ou “o mundo está de cabeça para baixo”; normalmente carregadas de negativismo. Mas será mesmo? Talvez o que pensam estar “de cabeça para baixo” na verdade, esteja em sua correta posição! Talvez essa mudança seja uma das tantas necessárias nos tempos em que vivemos; nas evoluções que a nossa humanidade tende a passar.

Seria ridículo não olhar para a frente, não pensar em progresso, não lutar para uma mudança no mundo. E isso está em todos os aspectos da nossa vida, por mais mínimos que pareçam. Ainda me é recente os tempos em que eu andava na rua com a minha avó e sempre que aparecia alguém com cabelo black power ela exclamava algo como: “que coisa feia!” (e eu sei que não é por maldade, é apenas o modo como ela foi educada). Hoje, depois de tanta exposição na mídia sobre cabelos crespos (coisas as vezes criticada devido à comercialização da cultura), depois de atrizes e pessoas influentes aparecem com seus cabelos cacheados/crespos, minha avó emudou. E é essa a beleza da mídia, ela pode ser benéfica, a nossa sociedade de consumo e pode colaborar para a nossa evolução – não que eu seja uma amante do capitalismo, só estou tentando ver tudo sob um novo ângulo. Quando eu era criança, eu tinha um cabelo chamado carinhosamente de “bom bril” e de “vassoura”, não faço ideia de como ele ficou assim, mas era demonizado pela minha família. Todo dia um produto diferente para acabar com o volumão do cabelo da Samira (podia até virar páginas do facebook hehe), tanto que um dos meus maiores sonhos sempre foi ter o cabelo lisinho (bem ao estilo Barbie mesmo). Porém atualmente o meu modo de olhar é outro, o meu “padrão” de beleza ideal é praticamente inexistente, o meu gosto, o que meu cérebro considera bonito ou feio mudou pra caramba (e isso eu tenho que agradecer a mídia também). Refleti sobre isso em um dos passados dias em que eu tentava a todo custo deixar meus tímidos cachos mais aparentes e volumosos, chegando ao “cúmulo” de jogar a cabeça pra baixo (tipo a Joelma) e tentar fazer a raiz ficar cheia, pra ver se o cabelo ficava com mais movimento. Minha eu, padrãozinho, amante de cabelo liso, ficaria totalmente horrorizada!

Agora pense na minha infância de criança gordinha e o meu corpo atual (gorda também); antigamente meu sonho era entrar na Lilica&Tigor e achar uma roupinha que service (mas essa marca nunca foi para crianças gordas). Acho que assim dá pra entender minha ultra emoção em ver lojas que fazem roupas sob medida, marcas que investem em tamanhos plus e em tamanhos que sejam realmente o do nosso corpo (não adianta nada ser número M se só uma pessoa PP consegue usar, né?). E muito mais que isso, várias modelos, blogueiras, atrizes, cantoras estão mostrando que ser gordo é uma qualidade tanto como é ser moreno ou loiro, ou seja, natural. Semana passada encontrei minha amiga de infância, gorda como eu, depois de muito tempos sem nos ver. Antigamente trocaríamos dicas sobre a última moda em emagrecimento, sobre o novo suco detox ou o mais maravilhoso treino “projeto verão” da academia. Mas não foi assim, nos pegamos na aceitação, no amor por nós – pelo nosso corpo e pelo nosso espírito – pela moda que conseguimos hoje vestir; mudamos completamente nossa visão sobre nós mesmas e isso é tão leve, é como se uma nação tivesse sido tirada de nossas costas. Percebemos assim, que há mais tempo para viver e se amar. (mas isso é outro post hehe).

No passado medicina alternativa seria considerada “coisa de gente velha e ignorante”, magia, religiões e crenças diferentes, receberiam o famoso “chuta que é macumba”. Sagrado feminino? Mas mulher não é do demônio? (parece absurda essa exclamação, não é mesmo? Pois é assim que pensava-se no passado). Mulher… quantas questões não estão sendo levantadas sobre nós, sobre o que é ser mulher, sobre o que nos faz ser mulher, o nosso papel social (que era claramente o de dona de casa), o nosso prazer descoberto (antigamente ele não existia) e a tão sonhada equivalência entre homens e mulheres.

Quando que o nosso passado iria sonhar que uma cantora drag queen teria tanta audiência? Quando íamos ver o início do fim (será que tô sendo muito otimista?) da ditadura do corpo magro e perfeito. Quando a gente iria poder sonhar que cabelo crespo, que cultura negra seria acolhida e respeitada como estamos (finalmente) começando a fazer? Caiu até uma lágrima aqui. Pois eu posso dizer que nós blogueiras/influenciadoras temos uma parcela de culpa nisso. O martelar diário de novas ideias, a discussão sempre crescente, as conversas mais claras e as pessoas mais abertas ao novo (que não verdade existe faz tempo mas algumas pessoas simplesmente não querem ver), tudo isso tem uma pitadinha do nosso glitter. Estamos abrindo a força os olhos de todos.

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Os Meus 13 Porquês| Podem acreditar numa garota viva?

10.04.17

Os Meus 13 Porquês (13 Reasons Why)| Podem acreditar numa garota viva? Confissão sobre bullying ensino médio e inferno.Com o lançamento da série 13 Reasons Why (Os 13 Porquês), assuntos como bullying e o inferno do ensino médio surgiram em todo canto – discussões na Globo, nas escolas e nas redes sociais. Mas tenho certeza, que mesmo com toda essa reflexão, ainda tem gente que não vê – mesmo porquê: “Quem acreditaria em uma garota morta?”… Bom, vocês podem acreditar numa garota viva? Espero que a resposta seja sim. Eis portanto, os meus 13 Porquês:

Olá para você que está lendo. Quem fala aqui, é Samira Oliveira, ao vivo; em imagens e em códigos de informática.  Sem promessas de retorno. Sem bis. E desta vez, sem atender aos pedidos da platéia. Espero que vocês estejam prontos, porque vou contar aqui a história da minha vida. Mais especificamente o inferno que ela foi. E, se você estiver lendo isso, você é um dos motivos.

Fita 1, Lado A

Tudo tem um começo, certo? Mas onde exatamente foi o meu? Acredito eu, que foi antes do primeiro dia de aula, lá no “infantil 3”, ou seja, quando você tem 6 anos. Sim, meu começo não foi no ensino médio – foi bem antes. E talvez por isso e tenha aguentado até o fim, corajosamente. Talvez vocês pensem que muitos porquês são inúteis, talvez você não se julgue digno de estar nessas páginas. Mas acredite, tudo há um porquê. Coleguinhas crianças, que mesmo tão pequenos sabiam ser maldosos, se aproximem, a número 1 vai especialmente para vocês. 

Já pensaram que talvez eu não tivesse nenhum amigo antes de chegar até vocês? Já pensaram que eu só quisesse alguém para conversar? E quando eu finalmente achei alguém, essa pessoa se foi. Já pensaram, meninas, como vocês foram ridículas brincando de “ter bebês” e como eu achei aquilo um tanto apavorante e nojento? Vocês não me queriam como amiga, e eu não entendia porquê – só pelo motivo de eu não gostar de suas brincadeiras sem sentido? “Amigos” crianças, realmente tinha algum problema eu ter demorado para decorar o alfabeto? Vocês sabiam que eu não estava na escola desde os 2 anos? Que não era minha obrigação saber de tudo? Não, vocês não sabiam. Amigas, sabiam que eu não tinha uma dúzia de Pollys para brincar? Que eu não queria que soubessem detalhes sobre a minha vida que eu mal sabia. Eu não queria ter de saber tão cedo a inexistência do Papai Noel. É ai que as coisas começaram.

Fita 1, Lado B

Quando você tem uns 7 anos, o menino que joga futebol e que parece gentil, é uma paixonite bem provável. Principalmente se você é a excluída, principalmente se você é invisível. E o que você fez com isso? Aproveitou a minha inexistência, ou melhor a minha existência para ser humilhada. Era interessante né? Ouvir os xingamentos; “baleia”, “grávida”, “gorda estúpida” e tantos por ai. Diariamente. Até mesmo da minha melhor amiga. Eu fui apaixonada por você, por muito tempo. Eu escrevi cartas que você mostrou a todos, eu mostrei quem eu era e você não pensou duas vezes antes de mostrar para o mundo. E naturalmente, me humilhar mais um pouco – afinal, qual seria o problema? Eu já era o saco de pancadas de mais de 50 alunos, mesmo! Sorte a sua, querido amigo, eu te superei. Bem rápido para alguém intensa. E não te culpo tanto, quem poderia amar a gorda da turma?

Fita 2, Lado A

Eu tinha começado a escrever em ordem cronológica. Mas convivi tantos anos com vocês, foram tantos episódios insuportáveis. Tantas mágoas de todos vocês. Que seriamente, eu já havia pensado várias vezes em acabar com tudo. Depois de tantos anos, você acaba finalmente esquecendo de várias coisas, mas infelizmente ou não, você não se esquece de tudo. Principalmente da dor. Lembra você, colega, quando me acusou de roubar uma figurinha do seu álbum? Lembra, amiga, quando você me incentivou a “pegar emprestado” o que não era meu? Vocês duas talvez não se lembrem, mas eu lembro. Lembro de como, colega,  você chamou sua irmã mais velha e as amigas dela, para fazerem com que eu falasse, algo que eu não entendia, algo que eu não tinha feito consciente. Bom, eu fiquei com medo, sabia? Elas eram enormes, mais velhas e muito altas. E eu era apenas a gorda, eu sabia que aquele dia eu voltaria diferente para casa. E então me escondi no banheiro e chorei.

Fita 2, Lado B

Quem será o próximo? Mesmo sem citar nenhum nome – já faz muito tempo – eu consigo ler e lembrar vividamente de cada dia, cada acontecimento, cada sofrimento. Mas talvez, ou melhor, com certeza, você não se lembre. Meu melhor amigo, essa é para você. Você que foi um refúgio e foi meu único amigo por tanto tempo; eu estive com você sempre que precisou, sempre que não quis aceitar quem você era – quando você não descobria quem você era e quem amava. Mas sabia? Depois de tantos anos, eu passei a te amar. E o que você fez? Ficou com a minha amiga, que diziam, era parecida comigo. Eu fui má com ela, eu fui má comigo. Eu não podia suportar essa traição criada na minha cabeça – afinal, você não sabia, mas não gostava de meninas. No entanto, eu estive com você e com nosso outro amigo. Sei que você sofreu, sei que ele foi obrigado a mudar de escola, ele não aguentava mais os outros, não aguentava o inferno da nossa escola. Sorte a dele, eu deveria ter me mudado junto.

Fita 3, Lado A

Espere, vai ficar bom. Talvez você esteja achando um pouco entendiante. Na verdade eu ainda estou na infância e na quase pré adolescência. Mas se prepare, você vai chegar à sua fita. E quanto mais para o final você estiver, pior para você. Mais recente, mais cruel e mais culpa você vai ter que carregar. Agora, veremos a justiça que a escola fez. Nenhuma. Por tantos anos, nenhuma. Eu não culpo os profissionais meus amigos,  na verdade, no ensino médio, o problema era quase irrefreável para eles. Será que eles poderiam ter feito alguma coisa? Eles que receberam jovens formados, jovens que quando criança não foram impedidos. Jovens que sempre se julgaram os donos do mundo. Os professores receberam eles já prontos, não tinham mais o que fazer. Mas você teve, você, dono dessa fita teve. E você só percebeu isso depois que um aluno sofreu bullying por ter o mesmo nome que um esquizofrênico da novela. Sério? Eu lhe pergunto: sério mesmo? Jura que você nunca achou que era errado os xingamentos e as agressões que eu sofria? Nunca julgou errado quando um menino da sala tentou me enforcar? Sério mesmo? Sério que você só notou que bullying existe depois desse episódio com o menino do nome? Bom, “no seu tempo” não existia bullying né? Então porquê mudou seu discurso? Porquê passou a “conscientizar” os alunos sobre isso? Bom, eu tenho uma notícia para você: não adiantou nada.

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Como as bonecas Barbie influenciaram a imagem que eu tenho do meu corpo.

12.03.17

Como as bonecas Barbie influenciaram a imagem que eu tenho do meu corpo.Foi depois de tirar de casa os últimos vestígios da minha infância, depois que encontrei duas imaculadas bonecas Barbie e uma Susi intacta, foi que tive aquele lampejo. O que aquelas bonecas haviam feito comigo durante todo esse tempo? Muito se fala sobre o corpo padronizado da Barbie, mas pouco ainda se comenta sobre os reais efeitos que a boneca provoca. Falando assim, parece mais que estou te apresentando a descoberta de um veneno que mata lentamente, ano a ano, e bom, é exatamente isso do que se trata.

Não, eu não estou dizendo que as bonecas Barbie devam ser extintas, que não devemos comprar mais elas para nossas irmãs ou primas e muito menos estou declarando guerra a elas. Na verdade, muito pacificamente, eu queria relatar o que foi a minha vida no quesito aceitação do meu corpoe como a Barbie sempre dificultou essa tarefa.

Já percebeu a minúscula cintura da boneca? Esses dias eu estava distraidamente observando um livro das princesas e assustada me dei conta: a cintura da Ariel era, proporcionalmente ao desenho, do tamanho do fininho braço da sereia. Foi ai que notei, aterrorizada, como essa realidade nunca antes havia me parecido tão gritante. Resgatei em ninha memória toda a imagem de Barbies e de Princesas, e todas elas, vinha, inexoravelmente acompanhadas de uma cintura inumanamente impossível de ser conquistada, com um cabelo cumprido e sedoso que só a mais rica das celebridades poderiam sequer ousar chegar perto; um corpo milimetricamente bem feito e proporcional; nenhuma manchinha na pele, nenhuma acne no rosto, nem sinal da mínima descompostura na maquiagem – e muito menos uma estriazinha que fosse. E tudo não seria terrivelmente assustador se não fosse pelo fato de que: eu sempre havia aceitado isso sem nem mesmo questionar.

Agora, se eu, com meus quase 20 anos de idade só fui me ater a isso agora, imagine essas bebês que com 3 anos já tem nas princesas da Disney e nas bonecas Barbie um ideal inalcançável e mentiroso de beleza? Você deve estar resmungando ok, mas aonde exatamente você quer chegar com isso? Bem, para responder essa questão, vou ter que contar um pouquinho sobre mim. Eu sempre, sempre mesmo, fui a gordinha da escola; em uma cidade pequena em que uma das melhores escolas da cidade era relativamente de alto padrão, não seria de se estranhar que as alunas fossem, eu sua grande maioria, simplesmente perfeitas. Quando digo isso, não quero ser rude, afinal se trata de minhas amigas, mas quero dizer que, todas tinham ótimas possibilidades e encorajamentos para frequentar uma academia na adolescência (lembro até hoje de uma amiga reclamando que estava gorda e feia por ter ganhado 2 quilinhos em uma viagem internacional), todas tinham acesso aos melhores dermatologistas, shakes para emagrecer, atividades físicas, cremes dermatológicos, tratamentos capilares e toda sorte de coisas estéticas que o povo diz “para nos deixar mais bonitas” Não que eu as esteja julgando, eu mesma já frequentei academia, usei/uso cremes para o rosto e infinitos para o cabelo entre tantas outras coisas, a questão não é essa, a questão é a cultura no corpo perfeito. O corpo perfeito sempre fora o meu sonho, passei boa parte da minha vida imaginando como eu seria feliz se tivesse o meu grande sonho de corpo, na minha mente pequena eu montava uma Samira Frankestein com um pedaço de um cabelo perfeito aqui, uma perna torneada de uma amiga alí, uma cintura de uma Barbie aqui e uma pele de uma fulana alí. Na minha mente, eu fazia listas enormes de tratamentos que eu gostaria de fazer, antes mesmo de sequer cogitar a possibilidade de me relacionar com alguém (sim, o meu trauma era tão grande que eu sequer pensava na possibilidade de alguém “me querer”)Como as bonecas Barbie influenciaram a imagem que eu tenho do meu corpo.E quem sempre estava comigo em minha mente? Quem sempre me lembrava que eu deveria ter uma cintura fina e uma pele macia? Quem sempre me encorajava a mais uma vez, pensar em intervenções cirúrgicas ou caminhos que me levariam à doenças como bulimia? Lá estava a maldita boneca Barbie, como que zombando de mim e de todos os meus esforço para me igualar a ela. E não queira mentir, você sabe que todas sonham ser ela, você sabe, quando sua filha leva sua boneca para todo canto; sabe que para ela só existe a loira e branca Barbie, a perfeita e rica Barbie, a linda, a glamourosa, a perfeita boneca – que tem tantas profissões quanto seja possível mensurar, que tem tanto dinheiro quanto alguém poderia imaginar, que tem tudo o que ela, eu e você sempre quisemos. Então, o erro talvez não esteja no status que a boneca apresenta – isso pode ser até um estímulo para as meninas estudarem com mais afinco – mas sim no caráter irreal que ela nos apresenta. Hoje eu falei apenas do que me marcou, do que me tocou na minha infância, mas talvez outros males tenham sido alimentados a partir da figura icônica e inalcançável que a Barbie é.

Em contrapartida, a boneca Susi. Minha sábia vó sempre me disse essa boneca é muito mais bonita que a Barbie, mas eu, em meus sentidos cegos de criança, nunca acreditei. Hoje, quando avistei minha boneca novamente, fui obrigada a concordar com a minha avó; eu havia me visto na Susi. A Susi é mais torneada, musculosa, alta e senhora de si; sua cintura não é do tamanho de seu pulso, suas pernas não são dois cambitos por onde um boing poderia passar. Seus braços não são fininhos ao ponto de quebrar e nem seu cabelo parece ansiar ser a tremenda perfeição que a Barbie quer. Então porque será, que eu achava a Susi uma boneca tão feia? No fundo, eu sei a verdade, eu a odiava porque ela estava muito mais próxima a mim do que a minha ídola Barbie, ela poderia muito bem me representar, poderia muito bem ser um lampejo do meu futuro – e nada, absolutamente nada, que não fosse tremendamente magro e esquio, loiro e liso, claro e belo, eu queria para o meu futuro e para o meu presente. Isso porque eu sempre fui humilhada pelo meu peso, odiada pelo meu cabelo meio armado, desprezada por não ter uma pele perfeita, mas principalmente por não ter aquela cintura perfeita, aquele peso correto, aquele corpo escultural e sequinho. Nunca ninguém quis ser menos do que a Barbie – e nem pensaram em me apresentar firmemente, algo que fosse menos do que ela.

Este é um post da Blogagem Coletiva Coletivando. Para conferir os pots das outras participantes, clique no nome do Blog de cada uma: Blog Notável LeituraBlog Garota IndependenteBlog Dá um ZoomBlog Eu RandômicaBlog Quero ser MirandaBlog A Menina da Janela
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