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Literatura

A Insustentável Leveza do Ser – Milan Kundera| Resenha de um dos meus livros preferidos!

20.09.17

“A Insustentável Leveza do Ser” de Milan Kundera se tornou um dos meus livros preferidos e pretendo aqui, fazer uma resenha crítica / análise dessa obra que já virou o meu oficial: Livro de Cabeceira™. Minha experiência de leitura de “A Insustentável Leveza do Ser” foi um dos elementos que colaboraram para que ele se tornasse meu queridinho. Na maioria das vezes eu buscava ler na cama; de pijama e várias cobertas (para o frio de SP) e na companhia de uma xícara de chá quente. Apenas uma vez eu fugi a regra; li várias páginas enquanto viajava de Piracicaba a São Paulo – foi inevitável, esse livro ele nos processa e nos transforma.

Aparentemente o enredo é simples: um triângulo amoroso. Tomas é um médico e encontra Tereza por acaso (na verdade, um enorme conjunto de acasos) e ela vê nele uma chance de viver algo. Isso porquê Tereza morava com sua mãe, irmãos e padrasto e era tratada como uma empregada e sempre humilhada pela mãe – que nunca superara o fato de ter tido uma filha com o pior de seus pretendentes a casamento. Para completar, Sabine, a amante principal; pintora talentosa e aquela típica personagem sensual e artista, que você já identifica e até sente inveja. Como plano de fundo, a invasão russa à Tchecoslováquia. Em um primeiro momento, o local principal da narrativa é Praga mas ao longo do tempo os personagens vão se deslocando.

Milan Kundera inicia o romance baseando-se na teoria de Nietzsche do eterno retorno. Assim há um paradoxo na leveza do ser  que é ancorada a um universo em que não existe o eterno retorno. Assim, essa leveza se torna insustentável, não havendo maneiras de aceitá-la e de agarrar-se a ela sem se perder. O “peso” que o eterno retorno traz às ações humanas seria tamanho, a ponto de anular a rapidez de cada gesto e de cada decisão. Referido peso é diferente do “peso” da fugacidade das nossa vidas, em que tudo é único e irreversível onde vivemos a vida como se fosse um ensaio de uma peça, mas que no meio dela, nos descobrimos estar na apresentação única e final.

O tempo e a forma de narrar de Milan Kundera é quase um personagem novo. Segundo o autor ensaísta em A arte do romance “O romance analisa a dimensão histórica da vida humana” É essa dimensão histórica que é efêmera e unidirecional, assim a temporalidade humana aparece como um topos na literatura. O tempo da narrativa vai sendo apresentado durante muitas décadas, por acontecimentos ocasionais e importantes que pontuam a vida de seus personagens. É interessante notar como o narrador onisciente se funde ao personagem e, na busca de trazer o máximo de realidade para a história, chega a contar os mesmo acontecimentos sob diferentes ângulos e personagens. Com esta técnica temos a visão completa do relacionamento crucial da obra: Tomas e Tereza, é nesses momentos que observamos o amor que há nessa relação e todas as ideias que permeiam a vida dos dois.

Com obervações, filosofias e reflexões incríveis, “A Insustentável Leveza do Ser” vale cada linha, cada virgula e cada centavo. Quando a perspectiva de Tereza é apresentada, eu me sinto em sua pele, me identifico com seu enorme amor e com a sua necessidade em se ver no espelho – e dessa forma apagar qualquer vestígio de sua mãe. Me vejo nela em sua relação com a sua cachorra a Kariênin e com o tamanho dos seus sentimentos, que supera tudo e sente intensamente tudo. Já Tomas suscita em mim meus demônios interiores e meus pensamentos mais bizarros; sua aparente compulsão por fazer amor com várias e diferentes mulheres, separa com total franqueza; o amor do sexo. Já Sabine me lembra alguém que eu poderia ser; criada para o mundo, com desprendimento por tudo, vivendo da sua arte e permeada sempre das melhores coisas. É infelizmente fadada a conviver com o amor que sente, e que talvez não entenda.

A edição da Companhia das Letras está tão linda que é difícil crer! Com capa dura, marca página de fita e uma tradução deslumbrante!

O corpo era uma gaiola e, dentro dela, uma coisa qualquer olhava, escutada, tinha medo, pensava e se espantava; essa coisa qualquer, essa sobra que subsistia, deduzido ao corpo, era a alma.
Mas basta amar loucamente e ouvir o ruído dos intestinos para que a unidade da alma e do corpo, ilusão lírica da era científia, imediatamente se dissipe.
O acaso tem seus sortilégios, a necessidade não. Para que um amor seja inesquecível, é preciso que os acasos se encontrem nele desde o primeiro instante como os pássaros nos ombros de são Francisco de Assis.
Aquele que quer continuamente “se elevar” deve contar ter vertigem um dia. O que é vertigem? Medo de cair? Mas por que temos vertigem num mirante cercado por uma balaustrada sólida? Vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio debaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual logo nos defendemos aterrorizados.
Assim como é atraído pela luz, é atraído pela escuridão. Atualmente, apagar a luz para fazer amo é tido como ridículo; ele sabe disso e deixa uma pequena luz acessa acima da cama. No entanto, no momento de penetrar Sabina, fecha os olhos. A volúpia que se apossa dele exige escuridão. Essa escuridão é pura, absoluta, sem imagens nem visões, essa escuridão não tem fim, não tem fronteiras, essas escuridão é o infinito que cada um de nós traz em si (sim, se alguém procura o infinito, basta fechar os olhos!)
Disse: “E por que você não usa sua força contra mim de vez em quando?”

“Porque amar é renunciar à força”.

Porque as perguntas realmente sérias são apenas aquelas que uma criança pode formular. Só as perguntas mais ingênuas são realmente perguntas sérias. São as interrogações para as quais não há resposta. Uma pergunta para a qual não há resposta é uma cancela além da qual não há mais caminhos. Em outras palavras: são precisamente as perguntas para as quais não há resposta que marcam os limites das possibilidades humanas e que traçam as fronteiras de nossa existência.)
Parece que existe no cérebro uma zona específica, que poderíamos chamar de memória poética e que registra o que nos encantou, o que nos comoveu, o que dá beleza à nossa vida. Desde que Tomar conhecera Tereza, nenhuma outra mulher tinha o direito de deixar marca, por efêmera que fosse, nessa zoa do cérebro dele.
A resposta me parece fácil: o cão jamais fora expulso do Paraíso. Kariênin ignora tudo sobre a dualidade entre corpo e a alma e não sabe o que é o nojo. É por isso que Tereza se sente tão bem e tão tranquila a seu lado. (E é por isso que é tão perigoso transformar o animal em máquina animada e fazer a vaca um autômato produtor de leite:assim o homem corta o fio que o ligava ao Paraíso, e nada mais pode detê-lo nem reconfortá-lo em seu voo através do vazio do tempo.)
É um amor desinteressado: Tereza não quer nada de Kariênin. Nem mesmo amor ela exige. Nunca precisou fazer as perguntas que atormentam 0s casais humanos: sera que ela me ama? será que gosta mais de mim do qeu eu dela? terá gostado de alguém mais do que de mim? Todas essas perguntas que interrrogam o amor, avaliam-no, investigam-no, examinam-no, talvz o destruam no instante em que nasce. Se somos incapazes de amar, talvez seja porque desehamos ser amados, quer dizer, queremos alguma coisa do outro (o amor), em vez de chegar a ele sem reivindicações, desejando apenas sua simples presença.
O tempo humano não gira em círculos, mas avança em linha reta. É por isso que o homem não pode ser feliz, pois a felicidade é o desejo de repetição.
Sentia agora a mesma felicidade estranha, a mesma tristeza estranha de então. Essa tristeza significada: estamos na última parada. Essa felicidades significava: estamos juntos. A tristeza era a forma, e a felicidade o conteúdo. A felicidade preenchia o espaço da tristeza.
Para Educar Crianças Feministas – Um Manifesto | Chimamanda Ngozi Adichie
Quando Eu Era Invisível – Martin Pistorius | Superação e amor formam seu caminho.
Desvende Meu Estilo| Um livro para quem gosta de moda e para quem ainda não conhece seu próprio estilo.
Literatura

Para Educar Crianças Feministas – Um Manifesto | Chimamanda Ngozi Adichie

19.09.17

Para Educar Crianças Feministas é da autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Eu estou até agora impactada com este livro e tenho certeza de que será uma obra que eu levarei para a vida toda – literalmente, onde eu estiver, No Brasil ou na Turquia, esse livro vai comigo! Se um dia eu tiver um filho então, esse livro será exatamente meu manual. Ele é bem curtinho e pequeno e com uma escrita fluída e muito boa em formato de carta. Isso porquê a amiga de Chimamanda, a Ijeawele lhe pede orientação para criar sua filha, Chizalum Adaora, como feminista. Assim, com 15 sugestões para a criação, a autora trata desde as questões mais difundidas do feminismo até as mais específica, e digamos, novas. Eu li com tanto afinco que até me esqueci de marcar as partes que mais me fizeram refletir – algumas inclusive que eu gostaria de apresentar a vocês – por isso estou lendo o livro mais uma vez, na tentativa de colher as questões principais.

Algumas coisas nunca tinham passado pela minha cabeça, e esse livro me fez repensá-las. Uma das muitas questões é o fato de a mulher “esperar” que o homem a peça em casamento e não ter nunca o direito de tomar a iniciativa e fazê-lo. Segundo a autora, o ato de “pedir” em casamento carrega todo o poder da relação, pois antes que a mulher possa decidir se aceita ou não – e isso pode ser considerado um grande ato de poder (ironia tá) por algumas pessoas – o pedido precisa ser feito, certo? Chimamanda completa: “desejo de coração a Chizalum um mundo em que qualquer uma das duas pessoas possa pedir, em que uma relação se torne tão confortável e repleta de alegria, que a própria ideia de se casar seja motivo de conversa, ela mesma repleta de alegria.”

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Literatura

Quando Eu Era Invisível – Martin Pistorius | Superação e amor formam seu caminho.

18.09.17
Livro: Quando Eu Era Invisível
Série:
Autor(a): Martin Pistorius
Editora: Astral Cultural
Genero: Autobiografia
Páginas: 270
Classificacao:
Sinopse: Até aos 12 anos, Martin Pistorius era um menino igual aos outros, feliz e saudável. Ninguém nunca imaginaria que um dia ele fosse adoecer gravemente e que, em pouco tempo, pararia de andar e falar. Para os médicos, Martin tinha entrado em estado vegetativo. Porém, lentamente, Martin começou a recuperar a consciência e a perceber tudo o que acontecia ao seu redor. Preso em seu próprio corpo, ele era incapaz de mostrar isso para a sua família e àqueles que cuidavam dele. Depois de 12 anos de encarceramento, Martin conheceu Virna, uma terapeuta que viu além do corpo preso a uma cadeira de rodas e que apenas movia os olhos. Ela conseguiu enxergar um ser humano na plena posse das suas faculdades mentais. Este foi apenas o princípio de um extraordinário renascimento e o primeiro impulso para que Martin despertasse, gradualmente, para a vida. De um menino que dependia completamente dos outros, Martin Pistorius transformou-se em um homem independente, que se formou na faculdade, conseguiu um emprego e casou com o amor da sua vida. A vida de Martin é uma surpreendente história real de superação que vai mexer com todas as suas emoções. Você vai torcer, chorar e reconhecer nele uma inspiradora força de vontade para realizar o impossível.

Quando Eu Era Invisível é uma autobiografia escrita por Martin Pistorius e publicada no Brasil pela Editora Astral Cultural. Essa resenha acabou demorando um pouquinho porque tive vários livros da faculdade para ler – perdoem a mim e a essa minha vida dupla. Essa obra pode ser definida em uma palavra: superação. Não, não, não, na verdade duas: superação e amor. E por ter dois ingredientes tão sinceros, ele nos emociona muito. Acho interessante as diferentes formas com que uma obra toca o leitor, tanto que, o que me toca talvez não será o mesmo que falará em você. Mas mesmo assim, resolvo arriscar, e afirmar o sentimento do livro.

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Literatura

Desvende Meu Estilo| Um livro para quem gosta de moda e para quem ainda não conhece seu próprio estilo.

13.09.17

Desvende Meu Estilo é editado pela Belas Letras e escrito por Dominic Evans. Dom&Ink é ilustrador e mora em Manchester, na Inglaterra. Seu primeiro livro “Desvende Meu Coração” também é interativo e publicado pela mesma editora.

Se você gosta daqueles livros interativos – que começou com”Destrua Este Diário” – esse livro é pra você! Com muito humor e ousadia, você se sente como que conversando com um amigo (versado no vale dos unicórnios) e que entende tudo sobre moda. Ele nos incita a colorir as ilustrações, preencher as lacunas, escrever, recortar, colar, pintar e bordar! Amei as partes em que o leitor pode anotar coisas úteis, como por exemplo as coisas que “queremos comprar” e o que “precisamos comprar”Leia mais

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Amor à Moda Antiga – Fabrício Carpinejar | Livro de Poemas

11.09.17

Amor à Moda Antiga é editado pela Belas Letras e reúne poemas amorosos do escritor Fabrício Carpinejar. Todos escritos em uma máquina de escrever verde esmeralda (minha cor favorita, também quero uma!) Olivetti Lettera 82. Seus escritos foram publicados sem nenhuma alteração, mantendo até mesmo as anotações do autor – sem retoques ou correções. Carpinejar escreveu esta coletânea em seu apartamento no bairro Petrópolis – Porto Alegre, entre a primavera de 2015 e o verão de 2016.

Se o poeta se aliou ao homem de carne e osso, então essa obra é pós relacionamento. Nem para tanto, se a realidade não for essa na vida do homem, pode o ser na vida do poeta – certo? A maioria dos poemas carregam um sentimentalismo de quem se esforça para esquecer um amor. Como se pegasse do fundo do peito o sentimento, somasse a um pouco de lágrimas e produzisse esses poemas. Mas também senti um tom de saudade e de paixão; ao ler alguns poemas mais cinematográficos, imaginei casinhas de madeira no campo, arvores floridas e café quente. Este é um dos meus preferidos:

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