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Literatura

Resenha: A Guerra Que Salvou A Minha Vida| Recomeço e Destruição

03.04.17

Resenha: A Guerra Que Salvou A Minha Vida| Recomeço e Destruição por Samira Oliveira Blog Dezoito em Ponto

Livro: A Guerra Que Salvou A Minha Vida
Série: DarkLove
Autor(a): Kimberly Brubaker Bradley
Editora: DarkSide
Genero: romance
Páginas: 240
Classificacao:
Sinopse: Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor.
Kimberly Brubaker Bradley consegue ir muito além do que se convencionou chamar “história de superação”. Seu livro é um registro emocional e historicamente preciso sobre a Segunda Guerra Mundial. E de como os grandes conflitos armados afetam a vida de milhões de inocentes, mesmo longe dos campos de batalha. No caso da pequena Ada, a guerra começou dentro de casa.

A Guerra Que Salvou A Minha Vida é um lançamento da DarkSide Books (DarkLove), que promete te emocionar do inicio ao fim. A história foi escrita por Kimberly Brubaker Bradley, sua obra foi vencedora do Newbery Honor Book, do Schneider Family Book Award e o Josette Frank Award, além de ter sido eleito entre os melhores livros de 2015 pelo Wall Street Journal, pela revista Publishers Weekly,  New York Public Library e pela Chicago Public Librardy. A Guerra Que Salvou a Minha Vida também foi primeiro lugar na lista do New York Times e adotado em diversas escolas nos Estados Unidos.Resenha: A Guerra Que Salvou A Minha Vida| Recomeço e Destruição por Samira Oliveira Blog Dezoito em PontoPrimeira coisa que você precisa saber: você vai se emocionar, e muito. Mas não é uma emoção depressiva como em “O Diário de Anne Frank”, está mais para uma emoção como de quando você pula num montinho de folhas secas, mas inevitavelmente torce o pé. Bem, logo você vai entender porquê…

A história se passa na Inglaterra, no início da Segunda Guerra Mundial, quando Hitler ameaça bombardear o país. Lá fora, uma Guerra se desenrolava, mas dentro da casa de Ada, ela já havia começado há muitos anos. Ada não tem muita certeza sobre sua idade, estimasse que ela tenha 10 anos, e seu irmão Jamie 6 anos. Nada parece comum, tudo parece fora do lugar, tal qual a guerra. Numa primeira cena vemos Ada sentada á janela cumprimentando um vizinho e logo é violentamente empurrada e espancada pela Mãe – que permanece sem nome do início ao fim. Ada tem um probleminha que é extremamente repugnante para a mãe, ela tem o pé direito torto. Por esse motivo, desde que nasceu, a Mãe nunca a deixou sair de casa e além disso, ela ainda a maltrata física e psicologicamente, deixando muitas vezes de dar o mínimo de comida á menina. Além disso, como se não bastasse tudo isso, ela ainda é responsável por cuidar do irmão pequeno desde que ele nasceu e cuidar do apartamento em que vivem – isso tudo, rastejando com os cotovelos e joelhos, pois Ada não consegue andar e nunca nem mesmo ficou de pé.Resenha: A Guerra Que Salvou A Minha Vida| Recomeço e Destruição por Samira Oliveira Blog Dezoito em PontoCom a ameaça de bombardeio á Londres, as crianças serão realocadas para o interior onde passarão um tempo com outras famílias até as bombas passarem. A Mãe já confirmou a ida de Jamie para a segurança, mas Ada não, ela não pode ficar segura, ela é uma vergonha para a mãe, “retardada”, “lixo”, “imprestável” e “nojenta” e por isso Ada deve ficar para aguentar as bombas – e se por sorte ela sobreviver, bom, será apenas uma questão de sorte mesmo.

“Você não passa de uma desgraça! ” Ela gritava. “ Um monstro, com esse pé horrível! ” Acha que eu quero que o mundo todo vendo a minha vergonha? ”

A Mãe demostra ser o pior tipo de ser humano, o mais desprezível e o horrendo, e não, não há uma explicação plausível para sua falta de coração. Apesar de todo esse ódio para com Ada, a filha continua a ter um amor pela Mãe, ela quer andar para que a Mãe veja que ela não é imprestável, que ajudá-la no mercado, quer apenas andar na rua e conversar com os vizinhos. E isso talvez seja a parte que mais me tocou, apesar do abandono e da violência ela continua a amar a Mãe. Mas quando ela percebe que será separada de seu irmãozinho, ela resolve reunir suas forças e seu recém poder de andar – para orgulhar a Mãe, inicialmente – e mesmo com toda a dor foge com o irmão para o trem que os levará a uma nova vida. Resenha: A Guerra Que Salvou A Minha Vida| Recomeço e Destruição por Samira Oliveira Blog Dezoito em PontoO mais lindo desse livro é a delicadeza em ver coisas através da ótica de Ada, coisas que para nós são insignificantes – ela fica espantada quando vê grama ou árvores, pois ela nunca havia saído de dentro do apartamento. Ela acha incrível as folhas mudarem de cor no outono, e desconhece totalmente palavras como “lençol” e “banheira”, aliás, as crianças quase nunca tomavam banho, a Mãe simplesmente não se importava com isso. Acho que a beleza da obra também se encontra em uma importante lição de recomeço, acho que esse é o grande tema do livro, que está por trás de tudo. Ada recomeça sua vida com a guerra e aprendendo a andar, Jamie recomeça conhecendo o amor que ele não conhecia, Susan recomeça mesmo no inverno quando a dor da perda era mais sentida – e assim, outros personagens importantes terão decisivos recomeços e lições para nos passar. Mais que isso, A Guerra Que Salvou A Minha Vida, quer nos fazer olhar o outro, olhar o novo, e olhar para dentro de nós mesmos. Refletir nossa bondade e a forma como tratamos o outro, nossas relações e nossas emoções. Resenha: A Guerra Que Salvou A Minha Vida| Recomeço e Destruição por Samira Oliveira Blog Dezoito em Ponto

“Ele achou que eu estava mentindo, ou, na melhor das hipóteses, exagerando. Agora voltava a encarar o meu pé ruim. Senti uma onda de calor subir pelo meu pescoço. Pensei no que a Susan faria. Espichei o corpo, cravei os olhos no homem e disse, empertigada: ”Meu pé ruim fica muito longe do meu cérebro”.

Quando eles chegam no interior, são colocados enfileirados para que as famílias que vão abrigá-los escolha a criança que queria levar. Nesse momento eu quase tive um ataque de choro, eles estavam magricelos, desnutridos e anêmicos, além de extremamente sujos, quem os iria querer? Mas então há uma esperança quando Lady Thorton, membra do Serviço Voluntário Feminino leva as crianças até Susan Smith que os acolhe, mesmo nunca tendo cuidado de crianças, que diz se “má”, mas que os dá comida e banho, que luta para que eles vivam enquanto precisa ela mesma lutar contra as tristezas de seu passado e com a morte de Becky (que está explícito nas entrelinhas que foi esposa de Susan). Amo a relação de Ada com Susan, o carinho que a moça tem pela menina e como ela parece as vezes não perceber; é fato que Ada não conhece muito sobre sentimentos e sobre amor – nunca os recebeu da Mãe – mas é triste perceber como a sua vida moldou sua personalidade. Ada se mostra muitas vezes indigna de várias coisas, se julga “uma porcaria”, acha que todos estão rindo dela, que ninguém quer alguém defeituosa como ela – cicatrizes fundas causadas pela Mãe, que talvez tenham cura, talvez não se fechem nunca.Resenha: A Guerra Que Salvou A Minha Vida| Recomeço e Destruição por Samira Oliveira Blog Dezoito em PontoLi essa obra em 2h enquanto viajava de São Paulo até Piracicaba, tamanha a força com que me envolveu – é que normalmente eu durmo no caminho e dessa vez não consegui desviar os olhos da leitura por nem um segundo! A narração é toda feita por Ada e isso é muito bom, pois temos acesso á seus pensamentos e sua visão de mundo. Achei incrível poder ao menos sonhar, que em cada guerra tenha uma história de amor e de recomeço, se escrevendo. Lindo, emocionante e muito profundo, uma leitura fluída – como eu imaginava – e muito bonita.

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Resenha: A Guerra Que Salvou A Minha Vida| Recomeço e Destruição por Samira Oliveira Blog Dezoito em Ponto

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Literatura

Evento da DarkSide – Lançamento de Twin Peaks + jogo de escape

22.03.17
Evento da editora DarkSide - Lançamento do livro Twin Peaks (nos bastidores da série) + jogo de escape em São PauloNesse post vou contar um pouco como foi o evento da editora DarkSide em parceria com a Escape Hotel (jogo de escape) para o lançamento do livro Twin Peaks (bastidores da série)

Tudo o que estamos acostumados a ver em séries de investigação tão belamente polido e detalhista, precisou de um início – como um empurrãozão – que consagrasse o gênero no cinema e na televisão. Esse empurrão é Twin Peaks, que trabalha uma história inicialmente oral nascida em uma cafeteria em Los Angeles, onde David Lynch e Mark Frost se conheceram. Os cocriadores da série, já haviam trabalhado juntos em meados 1980 para conceber a uma adaptação para os cinemas a partir da biografia de Marilyn Monroe. Lynch era diretor cinematográfico e Frost um roteirista que já havia trabalhado anteriormente em um drama policial. A história de investigação começa com o a morte de Laura Palmer – que ao longo dos capítulos virou o bordão “Quem matou Laura Palmer?” – feita por um agente federal e sua investigação sobre o assassinato da Rainha do Baile, na cidadezinha Twin Peaks.

Já nas primeiras partes do livro temos uma metalinguagem interessante; há desenhos de gravadores portáteis e instruções de seu uso, acompanhados do sumário. O livro foi escrito por Brad Dukes – um homem apaixonado pela série – que entrevistou mais de cem pessoas envolvidas com Twin Peaks, entre os anos de 2011 e 2014 para compor a obra dos bastidores. Além das belas e exclusivas fotografias, ainda há o que todo bom fã busca: a visão de tudo pelo lado dos atores. Eles contam a história e sua criação sob sua ótica, e isso é absurdamente incrível! Outro ponto maravilhoso é a sempre impecável edição da DarkSide – com contracapas de papel brilhante, marca páginas de torta de cereja (uma fatia com a receita da torta no verso) e todos os belíssimos detalhes, fazem a obra um item obrigatório para todo bom fã de Twin Peaks, de televisão ou ao menos- de livros (isso se você não conhecia a série mas baba uma boa edição).Evento da editora DarkSide - Lançamento do livro Twin Peaks (nos bastidores da série) + jogo de escape em São PauloO evento fechado foi realizado no dia 20 de março no Escape Hotel. Eu pessoalmente nunca tinha jogado escape – mas já tinha tomado contato com ele por causa da série 3% – você se lembra do episódio em que eles entram numa sala e têm de desvendar o que está acontecendo nela? Pois então, é praticamente isso que os jogos de escape são, você pode brincar e ser um detetive! Para o lançamento da obra, o Hotel fez uma sala de escape especial – com tempo reduzido (10 minutos) para que todos os convidados pudessem participar. Se você me acompanhou bonitinho pelo SnapGram percebeu o quão cedo eu cheguei (2h antes do evento kkkk) devido ao meu medo horrível de chegar atrasada ou de me perder, e à Jacque que me ajudou a chegar e sugeriu que eu chegasse 1h antes (não duas, Samira, não duas). O Hotel está localizado na Pinheiros (vou deixar o endereço bonitinho lá no final do post) e é realmente um pequeno prédio todo decorado. Como cheguei mais cedo pude fazer com mais calma essas fotos lindas do post e conversar um pouco com a galera da DarkSide (alô Elvira!) Quanto ao jogo: eu amei! Já tô querendo ir novamente, é muito legal e emocionante – ceis já sabem que amo investigações (tenho fantasias absurdas em ser uma detetive) e pude me realizar no jogo! Tinha uma atriz vestida de Laura Palmer, pois afinal, ela estava morta no inferno (a sala) e a gente tinha que libertar a alma dela de lá. Para isso procuramos pistas em lugares inimagináveis, reviramos tudo e fomos montando as peças do quebra cabeça – as vezes com um empurrãozinho da querida defunta. Ao final, pelo que soube, fomos o único grupo que “saiu vivo” do inferno (e ainda com 21 segundos de sobra!).

Esse foi o primeiro evento (não estou contando a cabine da Bela e a Fera) de que participei, e acho muito interessante registrar isso aqui para vocês (e pra mim também, por que não?) pois esse é uma dos tantos sonhos, metas e planos, listados neste post. Agora, vamos lá listar as pessoas maravidivas que conheci. Primeiramente a Isis, do Elefante Voador; eu converso com essa diva quase que todo dia e sempre quis conhecê-la pessoalmente, mas meio que nada dava certo ou eu acabava esquecendo de planejar algo – então quando eu menos espero, sem uma não saber da outra, me aparece lá a dona Isis em todo o seu esplendor e toda sorridente (calculem o pulo que eu dei!). Se não bastasse isso, ainda conheci a outra blogueira do Elefante, a Jú; a Bárbara Nassar do Love is Colorful (cêis não tem noção, eu li o blog dela inteiro, de trás pra frente e de frente pra trás hahaha), a Daiane do No Criado Mudo e a Carol Moreira – que eu já havia encontrado na cabine da Bela. Todas são maravilhosas e fofas (a Bá é realmente o amor de pessoa que eu imaginava e o que dizer da beleza da Carol?!) e acho que esse é um dos pontos mais altos de blogar, conhecer gente incrível, fazer novas amizades, e colaborar para que a nossa vida (no geralzão) seja mais leve a alegre.

Evento da editora DarkSide - Lançamento do livro Twin Peaks (nos bastidores da série) + jogo de escape em São Paulo. Carol Moreira e Samira Oliveira

Evento da editora DarkSide - Lançamento do livro Twin Peaks (nos bastidores da série) + jogo de escape em São Paulo. Bárbara Nassar e Samira Oliveira

Evento da editora DarkSide - Lançamento do livro Twin Peaks (nos bastidores da série) + jogo de escape em São Paulo. Equipe da Samira Oliveira

Evento da editora DarkSide - Lançamento do livro Twin Peaks (nos bastidores da série) + jogo de escape em São Paulo. Amigas blogueiras, Isis e Jú

Escape Hotel Endereço: Av. Pedroso de Morais, 832  – Pinheiros, São Paulo – SP

Livro dos bastidores da série Twin Peaks pela DarkSide

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Literatura

“The Heart of Betrayal” – Mary E. Pearson | Ódio e Poder

27.02.17

Resenha crítica de "The Heart of Betrayal" de Mary E. Pearson, por Samira Oliveira no Blog Dezoito em PontoQuando um livro te estabelece um padrão, é difícil vir uma continuação que aumente esse padrão. The Heart of Betrayal conseguiu elevar até mesmo os critérios de qualidade, que estabeleci na resenha anterior, de  The Kiss of Deception.

Livro: The Heart of Betrayal
Série: Crônicas de Amor e Ódio
Autor(a): Mary E. Pearson
Editora: DarkSide
Genero: Fantasia
Páginas: 395
Classificacao:
Sinopse: Lia e Rafe estão presos no reino barbárico de Venda e têm poucas chances de escapar. Desesperado para salvar a vida da princesa, Kaden revelou ao vendano Komizar que Lia tem um dom poderoso, fazendo crescer o interesse do Komizar por ela. Enquanto isso, as linhas de amor e ódio vão se definindo. Todos mentiram. Rafe, Kaden e Lia esconderam segredos, mas a bondade ainda habita o coração até dos personagens mais sombrios. E os vendanos, que Lia sempre pensou serem selvagens, desconstroem os preconceitos da princesa, que agora cria uma aliança inesperada com eles. Lutando com sua alta educação, seu dom e sua percepção sobre si mesma, Lia precisa fazer escolhas poderosas que vão afetar profundamente sua família… E seu próprio destino.

Se você caiu de uma muralha até aqui, te aconselho a ler primeiro a resenha The Kiss of Deception antes de prosseguir. ATENÇÃO: contém spoilers referentes ao livro anterior.

Após a firme decisão de Kaden em salvar a vida de Lia e o mortífero caminho que ele e os demais soldados vendanos seguiram de Terravin até Venda, Lia ainda guarda dentro de si, trechos da maior relevação de sua vida. A partir de seu dom com traduções, Lia finalmente compreende o que os a “Canção de Venda” quer revelar para seu caminho. “Crônicas de Amor e Ódio” nunca se mostrara um subtítulo tão exato para a trilogia; se na obra anterior, o que prevalecia era o amor, a esperança e os sonhos – inclusive intimamente conectado com o título, quase gentil, frente ao do volume II – nessa continuação o que emerge é o ódio, sendo o amor e a bondade traços escassos e raros durante o decorrer da história.Resenha crítica de "The Heart of Betrayal" de Mary E. Pearson, por Samira Oliveira no Blog Dezoito em PontoA atmosfera da narração foi inteiramente atingida pelo característico “ódio” apresentado por Mary; se antes podíamos sentir a leveza da esperança, do jogo de amor, das pequenas intrigas e da calorosa amizade; agora só podemos ver o ardor da raiva, a sede por vingança e desejo mudo de libertação. A paisagem, passou de amigáveis casinhas coloridas e pastos infindáveis, para construções sobre ossos dos Antigos, que se amontoam uns sobre os outros, conforme a necessidade de se expandir. Pedra sobre pedra, destroços sobre esperança, névoa, sombras, caminhos que terminam abruptamente e, finalmente, o horror da fome e da morte. Esse é o cenário inicial que nossa Primeira Filha de Morrighan se encontra – e sem quase nenhuma centelha de sair viva de seu cativeiro. Venda lhe parece o perfeito inferno na Terra, justo ela que fugiu de um simples casamento para tentar ser livre de todas as formas, agora estava presa em um reino distante, mantida como prisioneira contra sua vontade, humilhada de todas as formas possíveis, e sempre com um martelar longínquo de preocupação: “Venda não faz prisioneiros”.

Mas como descobrimos no livro anterior, Rafe estava em seu encalço – diversas vezes cheguei a pensar que talvez ele não chegasse vivo, para ser sincera, cheguei a desejar que tal fato acontecesse, e hoje sei: ele estaria mais seguro morto.

“Meunter ijotande. Enade nay, sher Komizar, te mias wei etor azen urato chokabre.”

O temido Komizar é um personagem muito único e marcante, sua forma de governar ecoa um pouco em todos os países – seja pela corrupção com que é feito, seja com a bem quista proximidade com seu povo – enquanto, por um lado, ele visita todos os povoados do seu Reino, por outro, ele parece comprar seu poder – alimentando a crença que eles tem no dom, e buscando sanar a fome física com a religião quase cega. Com poucos grãos e uma nova isca, o Komizar é o dragão que rouba almas, que não tem limites, que parece nunca ter conhecido sentimento diferente do que a sede de poder e vingança.Resenha crítica de "The Heart of Betrayal" de Mary E. Pearson, por Samira Oliveira no Blog Dezoito em PontoOs enxertos que nos acompanham por toda a leitura da narrativa, se mostram mais conectados e importantes do que nunca. Suas palavras gritam umas com as outras, suas histórias saltam aos nossos olhos bem na hora em que buscamos uma mísera resposta – sem mais palavras adicionais, Mary nos dá pequenas folhas de tannis para que possamos sobreviver à essa mortal viagem. Essas histórias todas fizeram-me lembrar de como os contos de fadas viajaram gerações e épocas, de como cada avó passava a história para seus netos em volta de um fogueira. Como cada um que contava mudava algo da história, sendo hoje, praticamente impossível ter certeza sobre qual realmente é a história original. Isso porque elas foram se amontoando umas às outras, se criando e recriando, até que os Irmãos Grimm coletaram e modificaram as histórias contadas. Assim também acontece com os 3 mecanismos de entendimento: “Os Últimos Testemunhos de Gaudrel”,”Livro dos Textos Sagrados de Morrighan” e “Canção de Venda”. Ao fim, veremos um inesperado final, onde as histórias serão recontadas e os pontos de vista duvidados. Onde tudo o que sempre se acreditou talvez fosse tremendamente falso, tudo o que foi ensinado talvez esteja tremendamente errado – onde demônios se tornam anjos e mocinhos se mostram vilões, na história e na atualidade da obra.

As regras da razão constroem torres que vão além das copas das árvores. As regras da confiança constroem torres que alcançam além das estrelas. – Venda

Confiança, amizade, lealdade e poder se confundem. Ódio, vingança, ressentimento, raiva e humilhação são tantos outros temperos nos apresentado. Com mais batalhas, sangue derramado, dom e amizade, The Heart of Betrayal te promete deixar com os olhos grudados desde a capa maravilhosa feita pela sempre impecável editora DarkSide, até sua narrativa fantástica. Se antes tínhamos detalhes em dourado – como a fitinha de marca páginas e a contracapa – agora a editora nos apresenta detalhes que não são nem exatamente bordô nem exatamente vermelho, nos dando a dica de que seus detalhes é mais parecido com a pungente cor de sangue – que pode representar tanto a devoção quanto a traição. Para proteger as contracapas, essa edição ainda conta com dois plásticos transparentes que me atrapalharam um pouco na leitura – e que eu só recoloquei no livro ao final da leitura – e um marca página com a capa maravilhosa do livro.Resenha crítica de "The Heart of Betrayal" de Mary E. Pearson, por Samira Oliveira no Blog Dezoito em Ponto

  • SPOILERS necessários para a minha boa saúde mental.

Agora, você que já leu ambos livros, se lembra quando eu comentei na outra resenha, sobre minhas suposições acerca dos textos que nos eram apresentados? Pois bem, acho que eu estava quase certa. Afinal, Gaudrel fora no fim, irmã de Venda – que foi empurrada da muralha em que declamava e considerada “louca”, por seu marido.  O livro de Gaudrel foi escrito em nômade, por isso Lis conseguiu traduzi-lo (ela tinha o livro que lhe foi dado pelo Sacristão de Terravin). Além disso, Morrighan era quem escutava as histórias de Gaudrel, sendo portanto ela uma Antiga sobrevivente já que seus pais eram como deuses (uma qualidade apresentada negativamente nos registros de Morrighan). Também descobrimos que Morrighan foi roubada de sua ama, Gaudrel, pelos abutres, e foi utilizada por eles para que guiasse os Remanescentes – graças ao seu dom. Descobrimos na verdade, que não se tratava de Nobres Remanescentes escolhidos, mas sim, de pessoas tão miseráveis quanto abutres, que foram capazes de sequestrar a menina. Mas nos resta ainda saber, qual o papel do anjo Astes, minha teoria é de que o anjo é mãe de Gaudel e Venda, mas ainda estou bem confusa quando a isso. O que você acha sobre esses parentescos da história, e sobre o destino de Lia?

Morrighan ergueu sua voz,/Aos céus,/Beijando dois dedos,/Um para os perdidos,/E um para aqueles ainda por vir,/Pois a separação entre os bons e ruins/ainda não estava acabada. -Livro dos Textos Sagrados de Morrighan, vol IV-
Resenha crítica de "The Heart of Betrayal" de Mary E. Pearson, por Samira Oliveira no Blog Dezoito em Ponto

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Literatura

“Pornô Chic” – Hilda Hilst | Inteligência e Sexualidade

16.02.17

Resenha e crítica obra Pornô Chic de Hilda Hilst por Samira Oliveira

ATENÇÃO: A resenha a seguir é sobre um livro indicado para maiores de 18 anos.

Livro: Pornô Chic
Série: -
Autor(a): Hilda Hilst
Editora: Biblioteca Azul
Genero: Ficção erótica
Páginas: 276
Classificacao:
Sinopse: Se “O caderno rosa de Lori Lamby” parece obsceno ao apresentar uma menina de oito anos relatando suas experiências sexuais, a autora surpreende os leitores com seu desfecho. “Cartas de um Sedutor” narra o cotidiano de um homem rico, amoral e culto, que diante de sua incompreensão da vida recorre ao sexo em busca de respostas. “Contos d’escárnio” é uma reunião de textos satíricos, em que a sexualidade é matéria de reflexões imprevisíveis. “Bufólicas” é um livro de “fábulas safadas” concluídas com uma “moral da estória”.
A “Fortuna Crítica” apresenta um texto inédito do professor de História da Arte e da História da Cultura da Unicamp Jorge Coli, e inclui textos de especialistas na obra de Hilst, como a professora do departamento de Literatura Brasileira da FFLCH-USP Eliane Robert de Moraes, e o professor de Teoria Literária da Unicamp Alcir Pécora – que organizou as obras completas de Hilst para a Globo Livros. Além disso, a edição recupera textos publicados na imprensa nos anos 1990, como um perfil da autora feito pelo jornalista Humberto Werneck e uma entrevista da poeta ao amigo e escritor Caio Fernando Abreu.

Conheci Hilda Hilst por meio de um poema na aula de linguística. Me lembro bem de como fiquei encantada com a “pornoticidade” (essa palavra existe?) tão bem camuflada – a qual só fomos perceber depois que o professor explicou. Logo depois, ele já falava um pouco sobre as verdadeiras escritoras, que, segundo ele, não recebiam seu devido valor. A seguir comentou sobre o livro rosa de Hilda, o Pornô Chic – e seja porque o título me pareceu tão curioso, seja porquê a edição não parecia denunciar seu conteúdo, a obra passou a ser um grande anseio de ter um exemplar na minha estante.Resenha e crítica obra Pornô Chic de Hilda Hilst por Samira OliveiraHilda Hilst (1930-2004) foi considerada pela crítica uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século 20. Passeou entre vários gêneros literários, como romance, crônica, drama, poesia e ficção. Sua produção literária iniciou-se em São Paulo com a obra Presságio (1950), mas foi em  1965 que a escritora se muda para Campinas e começa a construção da Casa do Sol, um lugar de retiro para a sua criação – algo que deu bastante certo, pois foi na Casa do Sol que Hilda realizou mais de 80% de sua obra, já que se dedicava integralmente à produção literária. Em 1967, ela estreia na dramaturgia e em 1970, na ficção, com Fluxo floema. O acervo pessoal deixado pela escritora se divide, hoje, entre a Sala de Memória Casa do Sol — onde há, inclusive, produções inéditas — e o Centro de Documentação Cultural Alexandre Eulálio da Universidade Estadual de Campinas (Cedae-Unicamp). Para saber mais visite: Instituto Hilda Hilst Leia mais

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Literatura

“The Kiss of Deception” – Mary E. Pearson | Força e Tradição

02.02.17

Resenha literária e crítica The Kiss of Deception - Mary E. Pearson - Força e TradiçãoSabe aquele livro que te invade e te consome? The Kiss of Deception fez isso comigo, e é por isso que hoje se faz necessária essa resenha crítica. Sobre amor, guerra, reinos distantes, tradição e aventuras; vem descobrir porquê essa obra não pode faltar na sua estante!

Livro: The Kiss of Deception
Série: Crônicas de Amor e Ódio
Autor(a): Mary E. Pearson
Editora: Dark Side
Genero: Fantasia
Páginas: 416
Classificacao:
Sinopse: Tudo parecia perfeito, um verdadeiro conto de fadas – menos para a protagonista dessa história. Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro?

Vocês já sabem que eu amo princesas – mas estava acostumada às princesas da Disney – então quando me apresentaram à princesa Lia eu já fiquei empolgada, é a segunda princesa empoderada que conheci esse ano (a primeira foi a Moana) e ela não deixou de me surpreender.

Aquele era o dia em que mil sonhos morreriam e um único sonho nasceria – Princesa Lia

A história já começa no meio de uma cena, sendo narrada pela protagonista, Lia. Por não contextualizar todo o mundo anteriormente – mas começar imerso no universo da obra – o livro nos faz mergulhar num mundo totalmente novo, e sem nenhuma expectativa de regresso. Mary nos faz adentrar seu mundo e questionar nossa própria mentalidade – conforme nos vai apresentando a cultura que ela mesma criou. A primeira cena já expõe uma tradição marcante da nossa sociedade: o casamento. E já mostra de cara, as adversidades e opiniões divergentes sobre ele. Nessa organização, o casamento da Primeira Filha do reino é baseado em negociações que beneficiem ambos lados – no caso, que una reinos amigos para que juntos possam lutar contra os bárbaros. Como já era de se esperar, nossa heroína não ficou nada satisfeita com isso, principalmente por terem tomado dela seu poder de voz e de escolha – essa é uma questão que acompanha todo o percurso desse herói, a divergência entre suas vontades e suas obrigações, entre sua vida e a dos outros, entre suas escolhas e as escolhas alheias. Parece que Lia está sempre atrás, sempre tentando conduzir sua vida, sempre tentando escolher, tentando resgatar para si a independência que lhe foi tirada desde muito cedo. Além do casamento, outras questões parecem ser tratadas com muito mais leveza do que nós costumamos tratar; por exemplo, a maternidade precoce (17 anos) é tratada com naturalidade, o que é perfeitamente normal tendo em vista a organização social e *quase* tradicional, em que as mulheres são responsáveis por afazeres mais domésticos (principalmente entre a realeza já que na plebe costumam todos trabalharem, inclusive as mulheres). Outro assunto mencionado sem grande alarde – e apontando para o avanço na sociedade dos reinos – é sobre o sexo antes do casamento (em nossa organização judaico-cristã, é considerado ainda algo estranho para os antigos) e nos fazendo refletir os contrastes ante o que vivemos e o que foi criado por Mary, ou seja, a tradição considerada conservadora dos reinos em contraste com o que nós consideramos conservador.

Esse contraste de valores também é algo que me chamou atenção. Em certo momento o adultério é mencionado como uma opção corriqueira – já que na lógica da realeza o casamento serve apenas para diplomacia e procriação. Em contrapartida, há muitos outros valores bem quistos por eles, e que também nós consideramos louváveis. Exemplo disso é a religião e os suas práticas devocionais; em nãos raros momentos, os deuses são apresentados como uma força poderosa que pode alterar o curso de nossas vidas. Interessante notar que toda a crença desse povo surgiu depois de um renascimento da humanidade, em que os poucos Remanescentes escolhidos e aptos foram dando luz aos povos da atualidade. É ai que entra uma qualidade peculiar e cercada de mistérios: o dom. O dom teria sido conquistado com a jornada dos Remanescentes pela terra devastada – que teriam sido ainda, comandados e ajudados pela jovem Morrighan – e passados por gerações de Primeiras Filhas do reino de Morrighan, um poder que permite que a portadora veja e sinta antes que todos, e que de acordo com a lenda, teria sido a principal fonte de conhecimento da jovem Morrighan no auxílio aos Remanescentes.

“Eristle me ajudou a aprender a ouvir, a me fechar para o ruído até mesmo quando os céus tremiam com o trovão, até mesmo quando meu coração tremia de medo, até mesmo quando os ruídos das coisas do dia a dia enchiam minha cabeça. Ela me ajudou a aprender a ficar em silência e ouvir o que o mundo queria compartilhar. Ela me ajudou a aprender a ficar imóvel e a saber. Deixe-me ver se consigo ajudar você”

Para se livrar do casamento, Lia planeja uma fuga com sua amiga e servente Pauline. Levando poucos pertences, vestida com um tradicional vestido de casamento e portando um kavah nas costas, Lia parte com sua fiel escudeira rumo à Terravin, um vilarejo litorâneo não muito distante de Morrighan – onde as casas são coloridas e o povo é trabalhador, onde as esposas esperam ansiosas por seus maridos que se entregaram às fúrias do mar para pescar. Depois de uma exaustiva viagem, em que a dupla tentar cobrir seus rastros para que não sejam seguidas, elas finalmente chegam ao destino, o vilarejo em que Pauline cresceu e onde pretende construir uma vida ao lado da amiga e do namorado que está lutando pelo rei, pai de Lia. Em Terravin, Lia abnega-se de todos os tratamentos reais e busca ao máximo se misturar e ser considerada alguém “comum”. Mostrando sua essência, ela finalmente fará o que é sente vontade e começa a trabalhar como garçonete na taverna de Berdi, a mulher responsável por ter criado Pauline.Resenha literária e crítica The Kiss of Deception - Mary E. Pearson - Força e TradiçãoO príncipe, deixado para trás é obrigado a partir em busca de sua noiva – assim como um assassino mandado para capturar e matar Lia. Como ambos tem nomes muito próximos e características físicas bem parecidas, eu fiquei um pouco perdida decidindo quem era quem – obtendo quase a mesma sensação tida por Lia, ela mesma não sabia qual dos jovens estonteantes seria o responsável por tirar sua vida e nem mesmo desconfiava de tal fato. Por esse motivo eu fiquei até a página 267 (praticamente o meio do livro) imaginando que, quando ela falava com um dos jovens ela falava com o Assassino, sendo que na verdade ela estava falando com o Príncipe – e vice versa. Por isso, depois de desfeito o embaralho dos dois eu resolvi anotar o nome de cada um seguido de sua qualificação – e usei para consulta sempre que um deles era mencionado, pelo menos até que eu pudesse associar o nome à pessoa correta sem mais precisar de ajuda.

Fiquei muito satisfeita e encantada com a narração. Ela é feita inicialmente apenas por Lia e depois é dividida entre o Assassino e o Príncipe – e eventualmente passada para outra personagem. Também gostei de terem mantido alguns aspectos da obra original; além evidentemente, do título, os diálogos são dados em forma de aspas e não de travessão. A perduração da forma anglófona de indicar diálogo deixou a história bem mais fluida – embora eu tenha lido poucos livros com esse formato eu gostei bastante, estou pensando até em aplicar a técnica ao meu livro. Ainda sobre os diálogos, é interessante notar como a autora consegue deixá-los profundos interessantes. As comparações feitas também são bem criativas e gostosas de ler, nos deixando com aquela sensação boa de estar lendo algo único; a comparação que achei mais inovadora e interessante foi: “… nossa conversa fluía com a facilidade de um xarope quentinho.”

“Será que ele sabia o que era amor? A propósito, será que eu sabia? Até mesmo os meus pais pareciam não saber. Cruzei os braços atrás da minha cabeça, como se fossem um travesseiro. Talvez não houvesse nenhuma forma de definir o sentimento. Talvez houvesse tantos tons de amor quanto existissem tons de azul no céu.

Já no início nos são apresentadas 3 mecanismos que irão nos ajudar a entender a obra e serão os responsáveis em ir nos preparando para cada desenrolar da história. Esses mecanismos fazem com que a gente comece a tecer teses e suposições sobre cada acontecimento, sendo-nos possibilitado assim, ir fazendo as devidas conexões e juntando uma peça com a outra. Com a habilidade de quem tece uma rede de pesca, Mary E. Person vai nos dando mais linha, nos prendendo em sua história, nos dando pistas para que nós mesmo possamos construir o que virá a seguir. E 0 final desse caprichoso trabalho de artesã, você já pode desconfiar, estamos tão imóveis em sua trama que não podemos mais largar, não podemos mais abnegar de respostas. Dessa forma, a leitura pode ir facilmente da noite até o raiar do dia, e daí até a tarde, num afã infindável por saber o que virá a seguir. Para isso, nossa lã é denominada como “Os Últimos Testemunhos de Gaudrel”,”Livro dos Textos Sagrados de Morrighan” e “Canção de Venda” e nossa roca de fiar como o mapa do reino, por fim temos nossa própria linha, onde, com a ajuda de Mary podemos fazer a história, juntamente com os personagens.Resenha literária e crítica The Kiss of Deception - Mary E. Pearson - Força e Tradição

  • Agora, deixa eu comentar um SPOILER? Preciso contar minhas ideias a respeito do livro 2!

Se você já leu o livro, quero que se atente para minhas suposições e me diga se chegou ao mesmo lugar que eu, se usou a sua linha como eu usei ;) Percebi que há uma conexão entre “Os Últimos Testemunhos de Gaudrel” e “Canção de Venda” isso porquê eu percebi que Lia *Jezelia* é descendente direta de Morrighan “Dos quadris de Morrighan…” esse trecho foi retirado da “Canção de Venda”, as histórias contadas pela mulher ensandecida de um rei. Também notei que Gaudrel é a mãe de Morrighan ou no mínimo a responsável por criá-la: “Que todos saibram:/ Eles a roubaram,/A minha pequena./Ela tentou me alcançar, gritando,/Ama./Ela é uma jovem mulher agora,/E esta velha não os conseguiu parar,/ Que os deuses e as gerações saibam,/Que eles roubaram da Remanescente./Herik, o ladrão, ele roubou a minha Morrighan,/E depois a vendeu por um saco de grãos,/Para Aldrid, o abutre.” 

A partir desse poema é possível conectar com os versos: “Venha, minha criança. Está na hora de partir./Antes que venham os abutres./As coisas que duram. As coisas que permanecem. As coisas que não me atrevo a dizer a ela./Contarei mais a você enquanto caminhamos. Sobre outrora./Era uma vez…” 

Mas então minha teoria cai por terra, já que no começo do verso anterior (que eu não coloquei inteiro) há uma parte, um detalhe, que me passara despercebido:

“Fim da jornada. A promessa. A esperança” e ainda “Busco em minhas memórias. Um sonho. Uma história. Uma lembrança indistinta./Eu era menor do que você, criança” Esses dois trechos assomado ao último: “Era uma vez, minha criança, uma princesa que não era maior que você. Ela tinha o mundo ao alcance de seus dedos. Ela ordenava, e a luz obedecia…” Com todos esses trechos em mente é possível ver por outro ângulo, talvez Gaudrel não seja a cuidadora de Morrighan pois “eu não era maior que você” e ela não esteja contando essa história para Morrighan mas sim para qualquer outra criança. Mas porque então o poema e a garotinha teriam tamanho destaque? Você também conseguiu pensar nessas hipóteses de conexão entre as lendas? E quanto aos “Textos Sagrados de Morrighan” você notou que eles contam a história antes dos deuses castigarem os que povoavam a Terra?Resenha literária e crítica The Kiss of Deception - Mary E. Pearson - Força e Tradição


Esse foi o meu primeiro livro da editora DarkSide e eu já fiquei encantada. Todo cuidado e capricho com a obra a deixam com o valor estético que ela merece. Gostei bastante da capa fosca com as letras em relevo e fiquei bem contente em descobrir, assim que abri o livro, que eu ainda havia ganhado um marca páginas da obra e um pôster. Outra coisa que gostei bastante foi o mapa, como eu disse ele é um instrumento importante para a fluidez da história e para conferência da distância e aparência dos reinos – como eu disse, ele é minha roca de fiar. As margens são grandes e deixam a leitura mais confortável – assim como as folhas amareladinhas. Também fiquei encantada com a lettering e os adornos do número da página e do começo de cada “capítulo”. As páginas pretas do começo e do fim – apresentando o título, mostrando o símbolo da editora (a caveira) e no final, com os agradecimentos da autora e uma breve biografia desta – são um charme a mais. Essa editora está me conquistando cada vez mais, no começo eu achava que eles editariam apenas livros de terror (algo que eu fujo um pouquinho), mas depois que descobri The Kiss of Deception (que inicialmente eu me sentia atraída pela capa mas fugia por pensar que era terror) já virei fã de carteirinha! Não que eu não goste de terror, mas eu tenho um sincero medo do terror moderno hehehe. Já tenho uma lista de obras da editora (que eu estou babando); como Edgar Allan Poe – Medo Clássico (cêis sabem que eu amo Poe né? Quase escolhi inglês na habilitação só por ele hehehe), “Frankenstein, ou o Prometeu Moderno”, “Menina Má”, “Em Algum Lugar nas Estrelas”, “A Noiva Fantasma”, “A Menina Submersa”, “O Circo Mecânico”, “Labirinto” (siiim, do filme!) e “Os Pássaros” sim, eu gosto de suspense  :mrgreen:

E você? Qual seu queridinho da editora? O que achou da resenha? Já leu ou ficou com aquela vontade mágica de ler o livro? Conta pra mim nos comentários! Eu leio tudo com muito amor ♥Resenha literária e crítica The Kiss of Deception - Mary E. Pearson - Força e Tradição

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