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Pessoal Textos

Este não é apenas mais um texto motivacional

21.02.18

Isso mesmo que você leu, este não é apenas mais um texto motivacional, este é um texto que busca mostrar o que você está deixando passar. As oportunidades que você quer e não alcança; a realização que você procura mas não vê, o seu potencial – que há tanto tempo carrega – mas que adormeceu dentro de você.

Talvez essa seja alguma espécie de carta para a minha futura eu. Talvez seja apenas um desabafo dirigido para mim – e que por algum motivo também serve para você. Acontece que esses dias, na aula de inglês, enquanto conversávamos treinando o idioma, falamos um pouco sobre sonhos; sobre sonhos que temos hoje e que poderiam ser realizados se fizéssemos algo, sobre sonhos que temos e que podem ser realizados no futuro se tivermos coragem de continuar. Eu gostaria de dizer que vai ser fácil, que o caminho é todo limpo e que sua respiração será calma durante todo o trajeto. Gostaria de dizer que uma editora vai cair dos céus para publicar seu livro; que aquela oportunidade de emprego vai surgir da porta, que tudo o que você precisa para fazer aquela tão sonhada viagem é apenas uma impulso de coragem. Mas não, infelizmente eu não posso te assegurar disso tudo. Posso apenas dizer, que eu sei; que você passará noites acordado tentando em vão melhorar cada detalhe do seu texto – e que vai tremer a cada botão “enviar” que você clicar. Que você passará dias tentando um emprego, que terá que estudar mais, se dedicar mais, ficar até mais tarde no trabalho, para talvez conseguir a promoção tão sonhada, ou o cargo tão desejado. Eu sei, você vai ter que jantar muito pão com mortadela para economizar dinheiro, vai abrir mão de saídas nos finais de semana, vai respirar fundo e se convencer de que não precisa de uma roupa nova; vai pela primeira vez admitir, que você não precisa gastar tanto, tudo para conseguir juntar dinheiro e viajar.

Mas hoje, eu queria dizer para você e para mim. Queria mostrar que muitas das suas limitações não são reais – são apenas fruto da sua mente. Queria que você entendesse que há uma grande energia cercando todas as suas ações, e que o sucesso lá da frente precisa de um primeiro passo aqui atrás – o universo espera que você comece a andar, espera um movimento vindo de você. Eu sei que você compara seu trabalho com o de outro alguém. Sei que pensa que nunca chegará aonde ele chegou. Sei que chega até a sentir inveja e mágoa, e a pensar se um dia conseguirá ultrapassar os números desse alguém. Você já ouviu tantos “nãos”, não é mesmo? Já te jogaram na cara que você não conseguirá, já te incitaram a não continuar, já conseguiram te fazer desistir. Mas hoje, hoje eu queria apenas que você não desistisse e que desse o primeiro passo. Queria que você colocasse essa energia transformadora para funcionar, queria que você fizesse as engrenagens da vida funcionar, e tudo se movimentar, toda essa energia então focada na sua única vontade: a de vencer.

O caminho sempre vai ser longo, vai parecer impossível. Seu trabalho vai parecer inferior. Seus seguidores e apoiadores podem sumir de um dia para o outro. Seu castelo tão bem construído, pode ter fracas fundações, e cair num bater da brisa. Talvez você tenha que errar uma, duas, três, infintas vezes! Talvez, você tenha que cair, tenha que cortar a grama do seu caminho, tenha que parar para recarregar as energias para a batalha. Talvez você queria – não poucas vezes – se enfiar num quarto escuro até toda a dor passar. Talvez você queria apenas calar a boca de todas as pessoas que resmungaram “nãos” e que espalharam desesperança quando você precisava apenas de um sorriso.

E no final, se você conseguir se manter forte, tenha a certeza: você vai vencer. Pode ser que o seu sonho seja maior que você. Confie, faça, acredite, realize.

Pode ser que seu sonho seja quase impossível. Movimente-se, caminhe, levante-se, consiga!

Talvez seu sonho seja maior do que todo o universo, seja maior que toda a humanidade, seja tão grande quanto o seu coração. Caminhe, erre, refaça, retente, e chegue mais forte até o final.

O hoje pode ser o dia que você vai começar a caminhar, pode ser o dia em que você comprou o caderno e a caneta que assinarão sua vitória lá na frente. Talvez hoje, seja aquele tão esperado dia, aquele tão inspirado dia, que você vai finalmente recomeçar – mais forte, mais ágil, mais confiante. Porque se você tem toda essa capacidade de sonhar, você tem a competência para fazê-lo real. Hoje pode ser finalmente, o dia em que você mudará a sua vida. Basta acreditar e voltar à andar. Você ainda tem um vasto caminho para trilhar – mas veja lá, olhe no horizonte, tem um futuro te esperando para te abraçar.

Há algumas semanas eu tenho me sentido diferente, não apenas pelas tantas mudanças que reconheço dentro de mim, mas também pela parte mais dolorosa da evolução. Não sei o quanto vocês acreditam nisso, mas eu acredito em Deus e no Universo. Tive vários sonhos nítidos, alguém até meio premonitórios, outros que me ligavam mais a minha essência. E sabe, me sinto leve e grata por voltar a sentir essas conexões com o sagrado, comigo e com a força que move o mundo. Há quem diga que essas semanas foram de “gestação” de uma nova fase que começa dia 31, amanhã, quando tem alguns eventos cósmicos diferentes. Assim como acredito nisso, acredito na minha fé, em Jesus, meu amigo e com quem tenho tantas conversas. Amanhã, farei um exame de consciência do passado e planejarei com mais afinco o futuro, quero acreditar que meu esforço e dedicação nunca serão em vão. Quero e sinto, uma estranha certeza de que meus sonhos vão se realizar. É por essa certeza em minhas entranhas, que não deixo de sonhar. Fé é algo lindo, único e inexplicável. É transcendente e transformador, mesmo que a sua fé seja apenas no dia de hoje; ou na lua, ou no ser humano. 🌹Leu até aqui? Me conta sobre a sua fé, no que você acredita?

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Permita-me eu apresentar novamente, e me veja como mulher, não como uma irmã.
A melancolia dos dias úmidos e seus recomeços
10 Melhores Poemas Eróticos – para curtir sozinha ou acompanhada.
Conto Textos

Animal terrestre e animal de céu

03.12.17
Animal terrestre e animal de céu - Conto de Samira Oliveira

E quando eu cheguei nessa cidade, nessa minha nova vida você foi tudo. o primeiro elo encontrado entre mim e meu futuro, mesmo enquanto eu continuava a olhar o passado revestido pelo espesso lenço do presente. com gratidão observava e ainda observo as mudanças que em mim são operadas. a primeira pessoa dessa cidade a me querer em seu coração. um número de telefone um sorriso bonito. um amigo que te fiz abandonar um amigo especial em minha coleção de não amantes. a representação viva dessa cidade, o berloque de São Paulo, o mapa dela inteira gravada em você. talvez possamos ser algo em outro plano e em outra esfera. lembro a vez em que subimos o alto do prédio mais alto dessa cidade sem amor e com o frio anoitecido virei uivo de selvageria de pecaminosos pensamentos. fingi que fumava um cigarro – mesmo nunca tendo colocado nenhum na boca – e olhei pra sua boca e seu rosto de traços leves e quase ingênuos quase infantis mas daquele tipo em que podemos sentir que guarda uma águia dentro de si. embora eu sempre fosse mais chegada nos animais de quatro patas como os lobos, não faço pouco caso das aves. a minha parede de sustentação no meu novo mundo, um alicerce para eu adentrar a nova vida que eu encolhi, a cidade que acolhi ao te abraçar, que você trouxe consigo ao mesmo tempo em que me trazia em ti. em lugares que nunca fui mas porque você foi, agora fazer parte do meu corpo – estão gravadas em mim também. uma vez me disseram que eu encontraria o amor ao me mudar de cidade, ao descobrir-me e descobrir minha profissão; e foi tudo no mesmo dia, quando te conheci e quando me encontrei ou sera quando me conheci e quando te encontrei? você a ave sem limites e sem fronteiras, desconhece o abrigo de um coração, percebo que prefere as mais altas montanhas – ei você, faria amor nas alturas? um animal terrestre como eu poderia voar com você? mas voltemos ao nosso encontro no prédio mais alto da melhor cidade do mundo, há algo de especial em estar cada vez mais próximo do firmamento, tem um encanto ao sentir o cobertor de estrelas que nos envolve e eu sinto seus beijos e eu sinto que gostaria que fôssemos 3. e assim se fez. estamos melhor, mais felizes, somos a melhor versão de nós mesmos. eu sem pudores, você com amor, ela com mansidão. e nos completamos uns aos outros e rolamos juntos sob o manto sagrado do universo. mas acontece que sou animal terrestre, preciso em breve voltar ao chão. você é ave, ela também é, podem os 2 juntos voarem no infindável céu. alcançariam as estrelas? chegariam em saturno? se chegarem, diga aos irmãos de saturno que ainda os espero. quero minha redenção por todos os meus pecados. eles entendem nós animais da terra mas não tenho certeza se entenderão vocês animais do ar.  Pego meu vestido vermelho que ficou jogado cobertura do prédio; vocês são todos arranhões e mordidas de minhas presas, eu sou toda carícia e macies das penas de v o c ^ e s. vô o

sou animal veloz de tempo rápido e de chão

sou garras e te devoro

 

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Lembranças do “quartinho do fundão”| Um texto sobre desatulhamento

10.10.17

Memórias advindas do "quartinho do fundão" um texto sobre infância, lembranças, arrumação e renovação!Recentemente, eu e minha avó tiramos férias para arrumar a casa. Na verdade, arrumar um determinado cômodo; o carinhosamente chamado, “quartinho da bagunça”, que, segundo dizem, “toda casa deve ter”. Mas na verdade, acho que eu não concordo muito com isso não…Vou explicar. Depois de tantas indas e vindas dentro da cachola, me toquei de uma coisa; a gente precisa viver a vida o mais leve possível. Não importa se a leveza significa morar perto do mar, andar descalço, pular de paraquedas ou tomar um suco refrescante no verão. Na verdade me refiro àquela leveza mais profunda, aquela de quando você tirou de sua vida todas as pessoas que te arrastavam para o fosso – aquelas que sempre te faziam desanimar antes do primeiro passo – Ou se afastou de quem parecia apenas te querer por partes – não por inteiro como você é. Ou apenas se você resolveu finalmente, mudar de cidade ou de emprego. O que importa é o quão leve você se tornou depois dessa experiência. Para nós, a nossa leveza do momento era arrumar o dito quartinho do fundão (outro apelido carinhoso para o bonito!) E lá fomos nós, depois de árduas semanas, inúmeros sacos de lixo de ração de cachorro (uns 15kg) jogados fora diariamente; dor nas costas, nos braços, nos joelhos; marteladas, pisadas de pé, subidas e pulos por sobre os papelões, reclamações, brigas, pensamentos de desistência e até mesmo gritos… Finalmente! O grande esquecido grande quartinho lindo! Ei-lo! Tão esperado, tão planejado por mim! – vai ficar pra ser o quartinho de costura da vó né? – E a lição de tudo isso, de todo esse afã para finalmente entrarmos para a lista dos adeptos ao estilo minimalista, foram dois: 1 a gente guarda muita coisa e 2 a gente precisa viver cada vez mais leve.

Memórias advindas do "quartinho do fundão" um texto sobre infância, lembranças, arrumação e renovação! Esse é minha família, meu desenho de infância.

Então vamos combinar né, que guardar muita coisa com viver mais leve não são duas coisas que se biquem muito bem. Mas uma coisa interessante foi notar a passagem do tempo pelas coisas e “quinquilharias” jogadas fora. Eu resmungava a todo instante “mas você não vai guardar isso né” ou “mais vó, certeza que ce vai precisar de 5 caixas de ferramentas?” ou “mas realmente, o que vamos fazer com essas prateleiras?” ou até mesmo “Você guarda pra quando precisar, SE precisar. Mas quando realmente precisar você não vai nem lembrar que tem, e se lembrar não vai achar e se não achar ou não lembrar vai comprar outro novamente. Ou até mesmo comprar dois – um pra pra usar quando precisa e outro pra guardar pra quando “precisar” ” Nos tornando assim uma bola de neve sem fim.

Memórias advindas do "quartinho do fundão" um texto sobre infância, lembranças, arrumação e renovação!

Mas falemos do tempo, falemos desse terrível tempo que corrói os móveis de madeira e faz as paredes embolorarem e os livros se tornarem pó… Quando eu imaginaria que a letra da minha tia seria tão bonita mesmo quando ela estava na quarta série? Quando eu saberia que minha mãe era poeta como eu? Como eu poderia desconfiar um dia que duas pequenas pombinhas seriam os adornos do convite de casamento da minha avó. Ou que meu avó fora um fã de espiritismo? De qual outra maneira eu entenderia e profunda evolução pessoal da minha avó. Como eu desconfiaria que eles guardavam coisas sem nem mesmo pensar em jogar. Como eu entenderia, que o apego à matéria é algo que vai se desfazendo conforme vamos avançando a idade e avançando na evolução. Será que agora eu entendo que aquela folhinha de 1997 marcando os dias das trocas do botijão de gás seria importante porque foi no ano em que eu nasci? Será que agora eu sei que aqueles inúmeros brinquedos da geração passada, ainda guardados no fundão, seriam um dia aproveitados por meus primos? Como eu desconfiaria que, ao olhar uma boneca, ao tocar uma baleinha de plástico e uma boneca meio molenga, eu lembraria da minha infância ou que meus desenhos eram repletos de “Belinhas”? Como eu saberia que, ao desenhar minha família, não ficaram de fora nem meu tio e sua cachorrinha e nem meus avós e tia. Será que se eu fechar os olhos ainda vejo o cavalinho cavalgando pelo sofá, com uma ovelhinha atrás? Será que eu ainda consigo encontrar, nos recantos mais sombrios de mim, o meu velado ódio por aquela ovelhinha? E se a pessoa que sou hoje soubesse como eu lembraria com amor, daquela boneca reclamona ou do famoso “Yano” que eu levara na escola, será que ela teria brincado mais? Será que eu teria aproveitado mais aquela caixinha de música – que eu sempre pensei ser da Sandy & Junior, na verdade ser da Chiquititas – e ter feito-a pegar e cantar? Porque então, o Tigrão parece que dá uns saltos mais baixos? Por que minha boneca de cabelos encaracolados e ruiva ficou menor? Por que minhas fofoletes perderam o cheirinho de flor? Por que das minhas bonecas restaram apenas um rastro vago, de uma infância feliz – que eu já nem me lembrava e que tinha sido apagada pelos traumas sofridos na escola – por que raios não foram essas as lembranças que ficaram? Meu inconsciente insiste em se recordar de uma casinha da Polly que fora destruída – mas não se lembra da cozinha de madeira que eu tanto gostava. Se lembra da casa dos sonhos da Barbie que eu nunca tive – mas não lembra que eu tomava a cozinha inteira pra mim e fazia dela uma mansão enorme, com varais, moveis esparramados e inúmeros pratinhos de boneca. Por que minha cabeça de antes, assim como a de hoje, fecha os olhos para o que tem e se angustia pelo que não teve? Tá aí uma boa chance de eu me tornar mais leve.

Tá ai um bom momento para se libertar, mas será que um dia a gente consegue? Será que algum dia a gente consegue soltar da jaula os demônios de dentro de nós, sem que ainda eles aparecem aqui e alí em um rastro na escrita? Será que perdoar, esquecer, não nos torna menos nossos dos que já somos? Tá ai, um bom momento para arrumar a casa, desatulhar um cômodo, fazer algo com a sua mãe, pedir ajuda para o namorado, fazer algo de útil para a sua família. Quem sabe cuidando da casa, desejando mais renovação e amor, ela não acaba também por cuidar de você? Tá na hora então de… D E S A T U L H A R

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Ecdise – Conto de Samira Oliveira +18

20.09.17

Conto indicado para maiores 18 anos. Para ler mais textos escritos por mim acesse Textos 

 

Dizer que se parece com um palácio talvez seja um exagero. Lembra-me muito daqueles filmes que eu costumava assistir, filmes que dizem do “antigo” de outros tempos. Um hospital talvez não seja a maneira exata de definir. Digamos que é uma mescla de realeza com ciência, coisa que resulta em algo estranho a que costumamos chamar de “moderno”. No ar uma luz dourada, como se o sol não ousasse atravessar seus limites para tocar o quarto, como se fugisse quase que desesperado, da tarefa ingrata de tocar a mim. Assim, no ar, resta apenas partículas minusculas de dourado, como se um importante bracelete de ouro estivesse se fragmentado – em infintos pedaços – de mim.

Eu não conseguia sentar em minha cama de dossel, muito menos deitar em um dos colchonetes disponíveis para meditação. Inquieta eu esperava, infinitamente por uma resposta. Despida, do máximo sentido que se pode atribuir a essa palavra. Despida de emoções; de vaidades, de roupa, de cultura, de memória e de pele. Completamente nua, completamente aberta por dentro, vendo extasiada a minha alma se debater sob a carne. Não tinha ideia do porquê isso aconteceu. Sempre confiei nele, como a minha vida, como o mais importante cacto da minha antiga coleção, como se fosse um pedaço do meu coração, desse insistente órgão que agora sinto e vejo pulsar dentro da carne.

Talvez o espelho quebrasse. Certa vez ouvi uma história, ou seria uma parlenda? Que a pessoa era tão horrenda que ao se olhar no espelho, o objeto não aguentou refletir tão feia imagem, e se quebrou em infinitos pedaços. Numa automutilação, numa autodestruição, poderia eu muito bem, ser a figura horrenda da história. Estaria eu pronta para cortar um dos tantos pedaços do vidro e destruir-me a mim mesma?

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Amigo, ainda me sobraram dedos para te contar.

23.07.17

Texto de dia do amigo - amigo ainda se conta nos dedos. Amigo, ainda me sobraram dedos para te contar - por Samira OliveiraQuem nunca ouviu aquela célebre frase: “Amigo se conta nos dedos” que atire a primeira pedra. Mas tanta repercussão desse tão estranho ditado, parece carregar uma certa tristeza e misticismo, quase como se ela fosse uma lenda. Mas hoje amigo, não é dia pra se se remoer ditados – hoje eu apenas queria que você soubesse de algumas coisas sobre a nossa amizade…

Mesmo com essas ruas cheias, com esse pão caro e com a liberdade pequena eu ainda guardo em mim as nossa mais lindas memórias. Mesmo com a tristeza diária e com o sufoco da vida, saiba, ainda há um espaço em mim para te guardar. Amigos? Tive vários, tive muitos, certamente não caberiam nos meus dedos – justamente porquê nunca fui muito de fazer contas e muito menos de controlar. Pra mim, essa famosa frase/ditado nunca dará certo, definitivamente eu não sei manter contato – e mesmo assim, mesmo com essa minha difícil lábia e essa minha mania estranha de deixar pra depois as mensagens de amigos, saiba, ainda guardo você no meu coração. E mesmo com o número limitado de dedos, eu ainda tenho os dedos dos pés e os do coração – esse que afinal, insiste em sair correndo sempre que eu me afasto de você, quer sair do peito e procurar outro dono, outro que saiba manter uma amizade.

Mas sabe amigo, mesmo com esse ar escasso, essa falta de cor, essa correria alucinógena; mesmo com esse cambaleante andar sozinho, esse respiro difícil, essa vida que teima eu não passar – mesmo assim amigo, mesmo assim eu ainda arranjo um tempo para te guardar. Não apenas no lugar onde – em tese – ficaria o coração, mas também na mente, nas pernas de correr para sua companhia, nos braços que saúdam os seus e nas lágrimas – por que não? – que um dia talvez chorássemos juntos.

Sabe, mesmo com a solidão fria eu ainda lembro de como costumávamos rir e aquecer nossas tardes. Mesmo com o espaço diminuto de caracteres e com o contato reduzido aos chats – mesmo assim, eu ainda sinto sua falta, ainda quero sua voz, ainda preciso te ouvir. Preciso e tenho aquela necessidade meio dramática, de me sentar frente à frente, e te ouvir sobre a moça que te deixou, sobre as rasteiras que você levou e sobre a ressaca que te apagou. Ainda hoje, tanto tempo depois, ainda hoje, ainda consigo lembrar de você amigo que estudou comigo – que deixou o meu inferno pessoal menos insuportável – e que me deixou fazer parte da sua pequena história de vida. Amigo de escola: eu ainda gostaria, de talvez um dia mais, conversar com você entre os intervalos das aulas – e jogar aquela conversa fácil e fora, aquela sobre sonhos e sobre coisas supérfluas aquelas mesmas onde o beliscão da vida ainda não tinha nos fisgado – onde a realidade ainda não tinha vindo para nos gritar e nem a vida para nos agarrar.

Amigo de vida, de faculdade, de rua, de cursinho, de trabalho, de academia. Amigo de ontem, amigo de hoje (ainda tem?), amigo que virá. Eu só queria poder dar um stop na carreira para poder te ajudar com a sua; fazer meu computador pifar para poder te ajudar com o seu; fazer minha vida acabar para te salvar da sua agonia. Amigo, amigo, eu sempre sentirei saudades tuas. Hoje mais que nunca, hoje mais que ontem, eu queria apenas estar contigo. Já que não posso, que fiquei um singelo e amável “parabéns”: ainda me sobraram dedos para te contar. 

Permita-me eu apresentar novamente, e me veja como mulher, não como uma irmã.
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