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18 coisas que você precisa saber antes de Morar Sozinho

23.11.16

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Quando saí de Piracicaba e vim para São Paulo eu já sabia que muitas coisas seriam diferentes. Que a minha vida seria repleta de “aventuras” que eu desconhecia – mas nunca imaginei que seria tão difícil morar sozinha.

  • Você vai sentir saudade de casa

Parece uma coisa até meio óbvia para se afirmar visto que você estará longe das pessoas que amam e que conviveu sempre junto até agora. Porém não falo da saudade da comida da vó, do choro do irmão (ou priminhos), das conversas com a tia ou dos latidos do seu cachorro. Falo de uma coisa mais profunda, aquele incômodo que fica no peito quando você está nervoso e só precisaria de um abraço da sua vó pra te acalmar. Ou quando você está profundamente angustiado e gostaria apenas que seu cachorro estivesse junto – ele entenderia, ele iria te olhar nos olhos e ia fazer tudo ficar bem com algumas lambidas. Ou quando você se sente em perigo e pensa na hora que a sua família nunca deixaria você sentir medo. Que você está á mercê do mundo sem ninguém para te proteger. Porém essa saudade não vai doer pra sempre, na verdade ela será ótima! Ela vai te fazer perceber o quanto a sua família é importante para a sua caminhada. Ela vai te fazer querer mais conversas, mais abraços e carinhos, mais passeios aleatórios, mais risadas, mais amor, mais família.

  • 2º Diga adeus às suas mordomias de antes

Sabe aquela tranquilidade de quando você está na escola, bate o sinal e você sabe que seu pai está lá para te buscar e te levar pra casa? Sabe o sossego em nem saber que horas começa sua aula de inglês pois tem alguém que te deixará na aula 15 minutos antes para que você tenha tempo de revisar algum conteúdo importante que você nem mesmo lembrava? E o que dizer quando você chega tranquilo no vestibular, com mais de 1 hora de antecedência e com tempo para se preparar e descansar? Bem, diga adeus à essas mordomias. Se você não tem carro como eu, vai aprender que o ônibus (busão para os íntimos) é seu mais fiel amigo – você vai ter que acordar horas antes da aula, levantar, se arrumar, arrumar seu café, seu lanche, checar cartão de ônibus, circular, banco, plano de saúde, RG, CPF, dinheiro e o que mais houver, antes mesmo de cogitar por os pés para fora de casa. Além disso, o ônibus pode atrasar, então se você acordar tarde e correr pro ônibus, lamento, mas você já perdeu parte da sua importante aula. Outro amigo que conheci recentemente se chama relógio, sim! Eu não era amiga dele, eu esquecia da existência dele, eu nem sabia direito os horários das minhas aulas da escola. Mas agora, bom, agora eu tenho ele como um amor inseparável – e para eu não ficar louca com os horários, tenho planilhas de horários, exatamente porquê eu sou fácil de perder hora. E se você tem carro, tem a mordomia de não andar de pé dois no frio cortante ou no sol de matar – mas, terá que lembrar dos seus horários, ou seja, lhe apresento á RESPONSABILIDADE.

  • 3º Sua relação com o dinheiro vai mudar – e muito!

Antigamente se eu queria algo eu pedia à minha avó, e, se tivéssemos coisas mais importantes para comprar do que o que eu queria: paciência, vida que segue. Pior que eu não entendia direito isso, pois, bom, eu queria algo e tínhamos a quantia para a coisa, então porque não comprar? Aí é que está, hoje, eu fico esperando ansiosa pelo dia 26 (yes! Money!) e pelo dia 5 (adeus! Money) ou seja, o dia de pagar o apartamento. Porém, o dia 5 é tão feliz porquê eu vou poder finalmente saber se eu vou curtir a vida adoidado com meus ricos 2 centavos ou se vou poder curtir a vida adoidado com um pouquinho mais – e quem sabe comprar mais um cacto pra minha coleção. Aplicativo do banco é algo essencial na minha vida – me sinto uma adulta pensando nisso agora. E o internet banking então? Caiu do céu! Com essas novas tecnologias (nossa parece que tenho mil anos kkk) é muito fácil pagar as contas, fazer transferências, consultar seu saldo (só dá vontade de morrer quando ele está negativo mas tudo bem, a gente supera), mas principalmente ele é importante para você ver quanto dinheiro ainda tem e fazer uns cálculos doidos a respeito de comprar ou não tal coisa – você acaba fazendo trocas e negociações consigo mesmo, por exemplo: se eu comprar um vasinho de bichinho esse mês não vou ter dinheiro para o xérox; o que é mais importante? Vasinho ou xérox? Bom, então compro xérox esse mês e vasinho de planta mês que vem, fechou? Fechou! Então belê.

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Porque escolhi ser professora.

16.10.16
Porque escolhi ser professora. Post agradecimento aos meus professores, letras usp

Quem me conhece e sabe pelo menos um cadinho da minha vida, sabe também que minha maior motivação em ir às aulas (além de passar na Fuvest) sempre foi pelos professores. Acredito que devo muita gratidão à escola onde estudei a vida inteira, por ter me possibilitado conhecer as pessoas lindas que foram os meus professores (e os funcionários aos quais tenho imensa admiração♥)

Desde que descobri que eu poderia – pro resto da vida – estudar o que eu amava, língua portuguesa, já tratei de descobrir afinal que curso seria esse. E então, quando finalmente soube que era Letras o que eu gostaria de fazer; que era ensinar a minha vocação, quando eu finalmente contei a todos que eu queria ser professora veio inevitavelmente uma nuvem pesada sobre a minha cabeça. Surgiram familiares – até os professores – me dizendo para escolher outra profissão, uma que fosse mais reconhecida, que ganhasse melhor, que eu não precisasse ter tanta paciência (algo que de fato, não tenho muito) e que eu não tivesse que, em algum momento, pensar seriamente em desistir.

Sei das partes tristes pelo que minha tia que é professora me conta, sei por alguns amigos que me relatam e pelas coisas que volta e meia ouvimos na TV. Porém, o que eles não sabem é que eu quero ser professora desde criança, quando colocava minhas cachorrinhas sentadas nas cadeiras – de frente pra lousa – e “ensinava” português e o pouco de matemática que eu sabia. Eles nunca entenderão o que é você se espelhar inteiramente em alguém, por sentir que essa pessoa trabalha como se o que ela faz, nunca fosse chato ou difícil. Por todos os professores que passaram na minha vida – desde o infantil 3 até hoje – por todos que mostraram um trabalho tão incrível e um amor tão verdadeiro pelo que faziam, que nenhuma ofensa iria os atingir, é por vocês que eu escolhi a minha profissão. Acredito que os admiro principalmente por isso, pela coragem de enfrentar pessoas que muitas vezes, pensam que são os donos da razão e que sabem muito – mas sempre esquecem que o mestre está lá na frente, ensinando. Acredito que quero seguir essa carreira, não apenas por alguma espécie de dom – visto que eu tremo que nem uma vara falando em público – mas por aquela energia que  sempre demonstraram ao ensinar. Pela determinação e vontade de explicar quantas vezes fossem possíveis até que entendêssemos. Pelo carinho demonstrado pelos alunos e pela profissão. Pelo sonho e determinação de mudar – um pouquinho de cada vez, aluno por aluno – o mundo.

Lembro-me até hoje de um professor de matemática me explicando o mesmo trajeto da fórmula, quantas vezes fossem necessárias até que eu soubesse fazer sozinha. De uma professora de literatura que se emocionava enquanto escrevia. De um mestre que nos ensinava um pouco de tudo o que sabia e tentava ser além de nosso professor, nosso psicólogo, nosso amigo, nosso colega de sala… Lembro de outra mestra que acordava os alunos cantando e andava pela sala  conversando animadamente com a gente. Na verdade, as melhores lembranças que tenho da minha vida escolar – e bom, da minha vida como um todo – são inteirinha deles. Porque enquanto eles davam aula eu me espelhava, enquanto eles explicavam eu me inspirava e anotava mentalmente cada característica que eu mais gostava em cada um – na esperança de lá na frente, poder ser um pouquinho de cada. Na verdade, eu acredito que sou um pouquinho de cada e que quando, de fato, for professora, terei-os sempre comigo em cada aula, em cada prova, em cada fala, em cara sorriso.

Por isso tudo, eu queria ontem – pois sou atrasada – e hoje e sempre, agradecer pessoalmente cada um. Como isso não é possível queria apenas dizer um muito obrigada. Queria também pedir para que jamais desistam, tem alguém se inspirando em vocês. Que vocês sempre se lembrem o que representam na vida de nós – alunos – que nunca se esqueçam que vamos lembrar de vocês pro resto de nossas vidas. Queria apenas pedir: continuem mudando o mundo. Essa é a única forma de realmente evoluirmos em algo, a única maneira de voltar a acreditar no ser humano é pela educação.

Amigo, ainda me sobraram dedos para te contar.
Mirando-se no espelho.
18 coisas que você precisa saber antes de Morar Sozinho
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Quando o adeus é o melhor do “Era uma vez”

29.08.16
QUANDO O ADEUS É O MELHOR DO -ERA UMA VEZ texto autora escritora Samira Oliveira

Hoje o dia todo percebi que não te disse coisas que eu deveria ter dito. Não disse. Bom, talvez tenha dito – usando outras palavras, ou talvez falando entre os dentes, mas disse. Simplesmente porquê, você sabe, eu não consigo não falar o que sinto, não me manifestar. Não posso ficar com a palavra entalada na garganta. E é por isso, e pelo bem de nós dois que eu preciso finalmente me despedir.

Finalmente eu não estou chorando – o que é um milagre, visto que desde que você chegou e me ensinou a chorar eu não parei mais – derramando águas por todas as minhas forte emoções, seja de uma batida no dedinho do pé até o casamento dos meus professores. Não estou chorando, porquê demorei muito para chegar a este consenso entre os meus sentimentos mistos por você – hey, não se assuste, não é o que está pensando.

Hoje mesmo um amigo me disse que temos que fazer com que o infinito caiba no tempo limitado que você tem ao lado de quem ama. Porque se Deus te permitiu que encontrasse aquela pessoa e que você ficasse com ela por aquele determinado período de tempo, poxa, você é um homem de sorte. Se conseguiu encontrar o amor – entre tantas pessoas – e passar um tempo ao lado dele é porque esse tempo deve – Precisa – ser, valorizado. Precisa fazer caber todo um infinito de amor e de sentimentos naquele pequeno tempo limitado. Precisa fazer com que todos o filmes assistidos agarradinhos no sofá – com os pés frios enrolados nas pernas do outro – valham a pena. Tem que fazer com que aquele giro inesperado no meio de alguma loja do Shopping – com um monte de gente olhando feio ou rindo – valha a pena. Fazer com que todo o tempo que gastaram decorando o nome de cada parente distante, guardando a localização exata de cada pintinha no braço do outro, de cada caracol do cabelo, de cada marca de perfume que outro usa – tenha valido a pena. Temos que fazer isso tudo valer a pena. Afinal, essa deveria ser a maior lei de todo relacionamento: vamos fazer valer. Se não for para fazer valer então nem comecem; se não for para chorar sem motivo à noite – imaginando como seria sua vida se Deus o pedisse de volta – então não fique. Se não for para me escrever cartinhas dizendo o quanto você mudou e agora até canta no chuveiro porquê eu trouxe luz à sua vida – então não fique. Se não for para parar a sua vida, e adiar o seu mundo – então…não fique…Não! Não adie o seu mundo por mim! É por esse meu pensamento egoísta que eu tenho medo de nós dois. Tenho medo porquê minhas asas são enormes e as suas são para voar rente ao chão. Tenho medo porque você é fiel com cada célula do seu corpo – e eu não tenho a mesma certeza sobre mim. Você quer a segurança – eu quero o pulo de asa delta. Você quer morar numa mansão – eu quero nós dois fazendo brigadeiro e jogando bola pros nossos cachorros numa casinha de madeira. Você quer o mundo – eu só quero você. Eu sou do mundo, eu tenho mundo – mas eu não tenho você. Eu quero me entregar – você tem medo. Eu te conto até sobre as minhas dúvidas existências, eu abro meu coração, eu desnivelo o que sou, desenrolo meus pensamento, abro e estendo a você cada milímetro da minha essência – porque cada ato meu é um resumo de tudo que eu já passei e vivi – mas você se fecha e não me deixa sequer bater. E nesse jogo todo você não me deixa atingir a sua essência. Você não me mostra o que você é.

Por essa razão eu digo: chega. Sabe quando a Linha Azul se encontra com a Verde nas Estações Ana Rosa e Paraíso? Foi aquele momento – aquele importante momento – em que elas se encontraram. Por isso, se me foi permitido que eu te encontrasse nessa momento, e que nossas linhas se cruzassem. Se nos foi permitido termos um ao outro até esse momento. Não podemos ter medo de dizer adeus. Talvez nossas linhas tenham outros pontos para cumprir, tenham outras vidas para transformar. Talvez, bem talvez você consiga dormir à noite pensando em outra – agarrado à foto de outra. E talvez, bem talvez, algum outro alguém consiga curar meus medos como você curou – e que você rasgará novamente se se for. Talvez alguém me ensine novamente como é ser forte, como é ser bela, como é me sentir linda. Talvez um outro alguém seque minhas lágrimas exatamente como você fez. Talvez outro alguém me abrace forte enquanto eu conto sobre o meu avô sob um céu estrelado. E talvez você finalmente encontre as palavras necessárias para escrever uma música para outra – palavras que você nunca encontrou para mim. Talvez um dia ela também te dê forças para continuar a sonhar – até mais do que eu. Talvez ela entenda o sorriso da sua mãe – mais do que eu. E seja até mais agradável para com o seu irmão. Talvez com ela seus pais digam como gostariam de tê-la em sua família – e ai eu sei , você vai sorrir (dar aquele sorriso que eu tanto amava) e dizer que esse dia está próximo, o dia que vocês serão uma só família. E eu? Eu serei apenas a linha que prosseguiu. Alguém que precisou partir porquê não foi forte o suficiente, porque não lutou o suficiente. Ou apenas porquê foi forte de mais – verdadeiro de mais. E as nossas linhas se encontraram exatamente naquele tempona intensidade daquele momentoque foram o bastante para transformarem a vida dos dois. Talvez, bem talvez um dia eu aprenda que eu também queria morar numa casa grande – e você também gostaria de móveis em madeira. Talvez a gente perceba que as nossas linhas eram para terem continuado – que apenas não seguiram juntas por causa de uma pedra no meio dos trilhos. Então quem sabe, suas asas terão crescido e você terá voltado para aquela cidade. E eu? Bom, você sabe onde eu moro! Afinal fui eu quem quis assim não é mesmo? E os caminhos que tanto deveriam ter se separado – terão finalmente encontrado o caminho de volta.

Precisamos apenas fazer com que o seu caminho e o meu se encontrem eté o fim do trilho Que não sejam talvez o mesmo –mas que sejam parecidos. Que os nossos caminhos possam – quem sabe um dia – se tornar o mesmo. Assim como os meus pensamentos – que se emarranham tanto que eu não sei mais onde começam os sentimentos sobre mim e os sentimentos sobre você . Como eu poderia algum dia sequer tentar separá-los sem arrancar metade da essência do que eu sou? Sem portanto, finalmente alegar um grande arrependimento? – justo eu que julgo que cada ação é um resumo do que sou! Precisamos fazer com que nunca nossas linhas sejam tão diferentes uma das outras para que seja necessário partir. Precisamos – da janelinha do trem – gritar com todo os ar dos nossos pulmões: Adeus! Adeus para que possamos recomeçar. Adeus para que não tenhamos medo do fim – do desconhecido. Para que possamos continuar seja em outra vida, seja em outro trem. Adeus para que sempre nos lembremos de que nossas linhas podem se reencontrar – seja nessa vida, seja em outra. Adeus porquê eu sei exatamente, que meus olhos só vão brilhar quando for você quem me levantar no colo. Adeus pois apenas eu sei o jeito exato de mexer nos seus cabelos – sei exatamente como te fazer se sentir único. Adeus pois o nosso fim chegará apenas quando Deus quiser. Adeus pois quero sempre recomeçar com você. Adeus porque eu não aguento mais chorar – eu não quero você longe mas eu quero que siga o seu caminho. Adeus pois a gente vai se reencontrar.

Amigo, ainda me sobraram dedos para te contar.
Mirando-se no espelho.
18 coisas que você precisa saber antes de Morar Sozinho
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Quando escrever um diário

17.06.16
Escrevendo um diário.

Essa página em branco me assusta por alguns motivos, entre eles o mais relevante: não estou acostumada a deixá-la intacta. Na verdade, a página em branco me incomoda profundamente – por mais que isso possa parecer bizarro.

Com uns 9 anos ganhei um diário da minha tia, e comecei a me incomodar com suas páginas vazias. Então comecei a escrevê-lo. Ele não foi o único, vieram diários de viagem à praia – ele era verde e repleto de figurinhas – vieram canetas mágicas que prometiam não deixar que outros lessem meus escritos – e com elas vieram a percepção que os demais poderiam ler sim. Claro que eu fazia tudo errado, escrevia até sobre o meu café da manhã e qual rua exata eu morava. Mas só percebo hoje o que aprendi disso tudo, o que apreendi para mim. A lembrança mais forte que tenho sobre isso é de escrever sobre o menino que eu gostava, e, tenho que admitir, meu extinto de escorpião começava a gritar – e lembrar disso não me deixa mais constrangida como antes. Eu falava sobre as pessoas que eu amava e sobre aquelas que eu preferia manter distância; falava o que eu pensava, falava apenas porquê sabia que aquele pedaço de papel não iria me julgar como qualquer outro faria. Falava tudo e escrevia freneticamente – fazendo meus garranchos serem riscos incompreensíveis – escrevia para não desabar; para olhar para todas aquelas coisas e pensar melhor sobre elas – sim sempre refletindo sobre tudo – já que elas estavam escritas. Eu precisava de um local que ouvisse tudo detalhadamente, mas não uma pessoa – hoje em dia eu tenho uma pessoa assim – mas algo que eu pudesse amassar e jogar fora se eu não gostasse mais dos meus segredos – mesmo tendo dúvidas sobre isso, acho que eu sempre os amei e cultivei. Queria algo inanimado e que pudesse carregar todas as minhas palavras mesmo que eu não existisse mais. Queria algo que nunca me questionasse: Por que desistiu de dar um simples selinho em quem você gostava e talvez esperasse por isso? Por que resolveu não comer a cenoura que tinha no almoço? Por que continua achando que o problema é você e não eles? Por que não aceita de vez que não deve tão jovemente sofrer por quem não gosta de você? Aliás, por que se importar?

Ele talvez não tenha me dado todas as respostas, mesmo eu ainda esperando por elas. Talvez ele tenha sido bem mais que uma fuga. Talvez ele não tenha feito diferença nos meus atos – mas com toda a certeza fez diferença na pessoa que eu sou. Ele me fez ver as coisas por outro ângulo e a pensar antes de agir – talvez pensar até mais que o necessário me fazendo fantasiar coisas que nunca iriam acontecer, pelo menos não com quem eu gostaria que acontecesse. Me fez questionar sobre os caminhos que eu tomava e sobre por quem eu buscava viver: por mim ou por aqueles que queriam definir o que eu era? Escrevia, como eu sempre digo: para um desafogar. Para lembrar-me que eu estava íntegra apesar de tudo – no sentindo mais intrínseco da palavra. Era algo que eu necessitava, um amor, um vício, um alívio. Escrever sempre foi algo ao qual eu me dediquei exatamente para viver e, quando eu esqueço deste meu alimento tudo em mim para de funcionar. Muito mais que um combustível para o que sou, mas até mesmo um óleo para as engrenagens disso tudo. Não posso me enganar, escrevo para viver. E foi essa escrita que me salvou de ser o que eu poderia ser; que me mostrou em quem eu me tornava – e por isso pude regredir quando a rota estava errada ou prosseguir decididamente. Por esses motivos eu acredito que você deve escrever um diário, talvez só precise do aconchego das folhas quentes e de uma boa caneta. Não tenha vergonha, nem coloque cadeados. O que você é deve ser exposto à você e talvez a mais ninguém – mais isso quem deve resolver é você. Está na hora de estender seu ser para o entender; ele está a tempos ansioso por isso. Desafogue-se.

Amigo, ainda me sobraram dedos para te contar.
Mirando-se no espelho.
18 coisas que você precisa saber antes de Morar Sozinho
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Eu escolhi você.

02.06.16
Olhos de Belinha - Poodle, cachorros.

Pois quando aqueles olhos te miram, te desnudam e te invadem; você sabe,ele sabe tudo sobre você. Por esse olhar tão sincero você deixa-se invadir pela verdade e pelo calor que ele pode oferecer. Você sabe que está sendo invadido de amor e paz quando esses olhos se mostram sabidos e sinceros.

Você sabe que o ama quando chegou em casa em um dia exaustivo e foi recebido com pulinhos e lambidas. Sabe que o ama pois quando brigou com todos, ele chegou, se aninhou a você e te fez ter certeza que tudo ficaria bem. Crê em tamanho sentimento porquê quando você esqueceu de falar com ele, de dar comida ou de levar para passear, ele não se esqueceu de você; não se vingou e nem tirou satisfações, antes te recebeu como se aquele fosse um dia como qualquer outro. Um dia a mais em que ele poderia fazer da sua existência algo menos doloroso e dar um sentido a sua vida (e não a dele).

Você pode não perceber mas a cada dia que você vive, para ele se passam mais de dez anos. E por isso a cada amor que você o dá faz com que esse sopro de vida tenha um significado. Porque ele fez da vida dele a sua, ele fez com que toda a razão de seu respirar fosse o brilho dos seus olhos. Ele fez com que o amor fosse resumido e contido no lugar – talvez – mais improvável, mas com certeza o mais leal.
Quando ele te revolve a alma, te encara e seus olhar tem paz, saiba: ele está passeado pelo seu interior. Com os olhos espertos e o amor profundo ele sabe exatamente o que se passa dentro do turbilhão que você é. Ele quer que você perceba – ele está gritando silenciosamente por isso – que o seu turbilhão tem os mesmos reflexos do dele. Ele quer que você sinta que, se o amor for forte, vocês não se encontrarão apenas nessa vida – vocês são almas que se reencontram! Quando ele te mira desta forma é para dizer que apesar de sua forma ele está ai ao seu lado como alma; como sopro, como luz infinita para iluminar seu turbilhão. Ele quer que você entenda que é seu amigo na forma mais profunda da palavra; quer sua atenção para compreender que o que ele sente é tão superior ao que você está acostumado, que não consegue atingir tamanho sentir – mas quando isso acontece ele escorre pela face.
Quando ele para o mundo apenas para sentar ao seu lado. Quando ele corre atrás de você como uma sombra forte. Quando ele chora pedindo perdão. Quando ele olha, quando ele vê, quando ele te transforma, quando ele te ama. Ele quer apenas dizer: eu estou aqui.

Olhos do Bolt - Border Collie
Eu estou ao seu lado e minha alma é tão ligada a sua, que eu entendo todo o seu amor mesmo que você não me diga; que eu sei todas as suas dores e conflitos mesmo que você não me explique. E por tudo isso e apesar de tudo eu quero relembrar, porque relembrar é o que me faz viver… Lembra quando eu era pequeno e você me deitava na caminha e contava história de vocês para eu dormir? Eu não entendia o que você queria dizer, mas entendia que era o seu tempo limitado que você preciosamente gastava comigo; mas eu não queria dormir, queria ficar eternamente ouvindo sua voz. Lembra quando eu cheguei? E você me aninhou nos seus braços – eu era tão pequeno – mas você me aqueceu e me colocou junto ao seu coração, ali eu pude ouvir o som alto do sentimento humano que você tão maravilhosamente me dedicou. Lembra daquela vez que você me colocou em cima da caminha e da cadeira da cozinha e escreveu numa lousa? Você queria que eu aprendesse matemática, mas… Nem mesmo você gostava dela, porque eu deveria? Mas você ficava tão feliz ensinando as letras que eu tentei até aprender, mas o meu corpo físico só suportou entender sua voz. Lembra das vezes, aquelas preciosas vezes que você chegou tarde em casa? Você não foi me ver no quintal, você não abriu a porta para mim, você não foi saber como foi o meu dia… Mas saiba, ele foi repleto de relembranças de você; mesmo que você não tenha ido me ver saiba que eu fiquei mais tranquilo, pois você chegou! Estava bem e salvo em casa, pois lá fora eu não posso te defender já que você não me deixa ir aos lugares com você. Mas saiba que cada um desses dias da minha existência – que foram tão passados e normais para você – foram preciosos para mim pois pelo menos sua voz eu ouvi.
Chegará um dia em que eu não vou mais poder sentar no seu colo para você me abraçar enquanto você chora. Não poderei mais latir de alegria por ver seu rosto nem responderei contente à sua voz. Um dia eu não serei mais seu cachorrinho mas serei eternamente o que eu sempre fui: o seu eterno amigo. Poderei assim, lá de cima junto do papai do céu, olhar por você. Vou pedir todos os dias para que eu possa ser um raio de sol no seu despertar; ser uma florzinha no seu caminhar, ser aquele ventinho bom perto da praia. Pedirei para ser novamente seu amigo, seu guardião, sua vida, sua alma; e se Ele quiser eu serei, pois sou eterno, pois sou o maior amor que você pode sentir, pois sou um enviado Dele para fazer seus dias melhores. Eu sou seu anjinho para que a caminhada não seja tão penosa e que os passos não sejam tão pesados. Sou seu para que você entenda – de uma vez por todas – que o amor está nas coisas mais humildes e simples da sua vida. Por isso e por tudo eu te escolho – não você – porque eu sabia que a sua dor era algo que eu poderia curar; suas feridas eram coisas que eu poderia suportar e toda a sua angústia e sofrimento e poderia aplacar apenas por estar ao seu lado. Por isso e por todos os nosso dias, eu escolhi você. ♥

Amigo, ainda me sobraram dedos para te contar.
Mirando-se no espelho.
18 coisas que você precisa saber antes de Morar Sozinho
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