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Porque escolhi ser professora.

16.10.16
Porque escolhi ser professora. Post agradecimento aos meus professores, letras usp

Quem me conhece e sabe pelo menos um cadinho da minha vida, sabe também que minha maior motivação em ir às aulas (além de passar na Fuvest) sempre foi pelos professores. Acredito que devo muita gratidão à escola onde estudei a vida inteira, por ter me possibilitado conhecer as pessoas lindas que foram os meus professores (e os funcionários aos quais tenho imensa admiração♥)

Desde que descobri que eu poderia – pro resto da vida – estudar o que eu amava, língua portuguesa, já tratei de descobrir afinal que curso seria esse. E então, quando finalmente soube que era Letras o que eu gostaria de fazer; que era ensinar a minha vocação, quando eu finalmente contei a todos que eu queria ser professora veio inevitavelmente uma nuvem pesada sobre a minha cabeça. Surgiram familiares – até os professores – me dizendo para escolher outra profissão, uma que fosse mais reconhecida, que ganhasse melhor, que eu não precisasse ter tanta paciência (algo que de fato, não tenho muito) e que eu não tivesse que, em algum momento, pensar seriamente em desistir.

Sei das partes tristes pelo que minha tia que é professora me conta, sei por alguns amigos que me relatam e pelas coisas que volta e meia ouvimos na TV. Porém, o que eles não sabem é que eu quero ser professora desde criança, quando colocava minhas cachorrinhas sentadas nas cadeiras – de frente pra lousa – e “ensinava” português e o pouco de matemática que eu sabia. Eles nunca entenderão o que é você se espelhar inteiramente em alguém, por sentir que essa pessoa trabalha como se o que ela faz, nunca fosse chato ou difícil. Por todos os professores que passaram na minha vida – desde o infantil 3 até hoje – por todos que mostraram um trabalho tão incrível e um amor tão verdadeiro pelo que faziam, que nenhuma ofensa iria os atingir, é por vocês que eu escolhi a minha profissão. Acredito que os admiro principalmente por isso, pela coragem de enfrentar pessoas que muitas vezes, pensam que são os donos da razão e que sabem muito – mas sempre esquecem que o mestre está lá na frente, ensinando. Acredito que quero seguir essa carreira, não apenas por alguma espécie de dom – visto que eu tremo que nem uma vara falando em público – mas por aquela energia que  sempre demonstraram ao ensinar. Pela determinação e vontade de explicar quantas vezes fossem possíveis até que entendêssemos. Pelo carinho demonstrado pelos alunos e pela profissão. Pelo sonho e determinação de mudar – um pouquinho de cada vez, aluno por aluno – o mundo.

Lembro-me até hoje de um professor de matemática me explicando o mesmo trajeto da fórmula, quantas vezes fossem necessárias até que eu soubesse fazer sozinha. De uma professora de literatura que se emocionava enquanto escrevia. De um mestre que nos ensinava um pouco de tudo o que sabia e tentava ser além de nosso professor, nosso psicólogo, nosso amigo, nosso colega de sala… Lembro de outra mestra que acordava os alunos cantando e andava pela sala  conversando animadamente com a gente. Na verdade, as melhores lembranças que tenho da minha vida escolar – e bom, da minha vida como um todo – são inteirinha deles. Porque enquanto eles davam aula eu me espelhava, enquanto eles explicavam eu me inspirava e anotava mentalmente cada característica que eu mais gostava em cada um – na esperança de lá na frente, poder ser um pouquinho de cada. Na verdade, eu acredito que sou um pouquinho de cada e que quando, de fato, for professora, terei-os sempre comigo em cada aula, em cada prova, em cada fala, em cara sorriso.

Por isso tudo, eu queria ontem – pois sou atrasada – e hoje e sempre, agradecer pessoalmente cada um. Como isso não é possível queria apenas dizer um muito obrigada. Queria também pedir para que jamais desistam, tem alguém se inspirando em vocês. Que vocês sempre se lembrem o que representam na vida de nós – alunos – que nunca se esqueçam que vamos lembrar de vocês pro resto de nossas vidas. Queria apenas pedir: continuem mudando o mundo. Essa é a única forma de realmente evoluirmos em algo, a única maneira de voltar a acreditar no ser humano é pela educação.

Permita-me eu apresentar novamente, e me veja como mulher, não como uma irmã.
A melancolia dos dias úmidos e seus recomeços
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Quando o adeus é o melhor do “Era uma vez”

29.08.16
QUANDO O ADEUS É O MELHOR DO -ERA UMA VEZ texto autora escritora Samira Oliveira

Hoje o dia todo percebi que não te disse coisas que eu deveria ter dito. Não disse. Bom, talvez tenha dito – usando outras palavras, ou talvez falando entre os dentes, mas disse. Simplesmente porquê, você sabe, eu não consigo não falar o que sinto, não me manifestar. Não posso ficar com a palavra entalada na garganta. E é por isso, e pelo bem de nós dois que eu preciso finalmente me despedir.

Finalmente eu não estou chorando – o que é um milagre, visto que desde que você chegou e me ensinou a chorar eu não parei mais – derramando águas por todas as minhas forte emoções, seja de uma batida no dedinho do pé até o casamento dos meus professores. Não estou chorando, porquê demorei muito para chegar a este consenso entre os meus sentimentos mistos por você – hey, não se assuste, não é o que está pensando.

Hoje mesmo um amigo me disse que temos que fazer com que o infinito caiba no tempo limitado que você tem ao lado de quem ama. Porque se Deus te permitiu que encontrasse aquela pessoa e que você ficasse com ela por aquele determinado período de tempo, poxa, você é um homem de sorte. Se conseguiu encontrar o amor – entre tantas pessoas – e passar um tempo ao lado dele é porque esse tempo deve – Precisa – ser, valorizado. Precisa fazer caber todo um infinito de amor e de sentimentos naquele pequeno tempo limitado. Precisa fazer com que todos o filmes assistidos agarradinhos no sofá – com os pés frios enrolados nas pernas do outro – valham a pena. Tem que fazer com que aquele giro inesperado no meio de alguma loja do Shopping – com um monte de gente olhando feio ou rindo – valha a pena. Fazer com que todo o tempo que gastaram decorando o nome de cada parente distante, guardando a localização exata de cada pintinha no braço do outro, de cada caracol do cabelo, de cada marca de perfume que outro usa – tenha valido a pena. Temos que fazer isso tudo valer a pena. Afinal, essa deveria ser a maior lei de todo relacionamento: vamos fazer valer. Se não for para fazer valer então nem comecem; se não for para chorar sem motivo à noite – imaginando como seria sua vida se Deus o pedisse de volta – então não fique. Se não for para me escrever cartinhas dizendo o quanto você mudou e agora até canta no chuveiro porquê eu trouxe luz à sua vida – então não fique. Se não for para parar a sua vida, e adiar o seu mundo – então…não fique…Não! Não adie o seu mundo por mim! É por esse meu pensamento egoísta que eu tenho medo de nós dois. Tenho medo porquê minhas asas são enormes e as suas são para voar rente ao chão. Tenho medo porque você é fiel com cada célula do seu corpo – e eu não tenho a mesma certeza sobre mim. Você quer a segurança – eu quero o pulo de asa delta. Você quer morar numa mansão – eu quero nós dois fazendo brigadeiro e jogando bola pros nossos cachorros numa casinha de madeira. Você quer o mundo – eu só quero você. Eu sou do mundo, eu tenho mundo – mas eu não tenho você. Eu quero me entregar – você tem medo. Eu te conto até sobre as minhas dúvidas existências, eu abro meu coração, eu desnivelo o que sou, desenrolo meus pensamento, abro e estendo a você cada milímetro da minha essência – porque cada ato meu é um resumo de tudo que eu já passei e vivi – mas você se fecha e não me deixa sequer bater. E nesse jogo todo você não me deixa atingir a sua essência. Você não me mostra o que você é.

Por essa razão eu digo: chega. Sabe quando a Linha Azul se encontra com a Verde nas Estações Ana Rosa e Paraíso? Foi aquele momento – aquele importante momento – em que elas se encontraram. Por isso, se me foi permitido que eu te encontrasse nessa momento, e que nossas linhas se cruzassem. Se nos foi permitido termos um ao outro até esse momento. Não podemos ter medo de dizer adeus. Talvez nossas linhas tenham outros pontos para cumprir, tenham outras vidas para transformar. Talvez, bem talvez você consiga dormir à noite pensando em outra – agarrado à foto de outra. E talvez, bem talvez, algum outro alguém consiga curar meus medos como você curou – e que você rasgará novamente se se for. Talvez alguém me ensine novamente como é ser forte, como é ser bela, como é me sentir linda. Talvez um outro alguém seque minhas lágrimas exatamente como você fez. Talvez outro alguém me abrace forte enquanto eu conto sobre o meu avô sob um céu estrelado. E talvez você finalmente encontre as palavras necessárias para escrever uma música para outra – palavras que você nunca encontrou para mim. Talvez um dia ela também te dê forças para continuar a sonhar – até mais do que eu. Talvez ela entenda o sorriso da sua mãe – mais do que eu. E seja até mais agradável para com o seu irmão. Talvez com ela seus pais digam como gostariam de tê-la em sua família – e ai eu sei , você vai sorrir (dar aquele sorriso que eu tanto amava) e dizer que esse dia está próximo, o dia que vocês serão uma só família. E eu? Eu serei apenas a linha que prosseguiu. Alguém que precisou partir porquê não foi forte o suficiente, porque não lutou o suficiente. Ou apenas porquê foi forte de mais – verdadeiro de mais. E as nossas linhas se encontraram exatamente naquele tempona intensidade daquele momentoque foram o bastante para transformarem a vida dos dois. Talvez, bem talvez um dia eu aprenda que eu também queria morar numa casa grande – e você também gostaria de móveis em madeira. Talvez a gente perceba que as nossas linhas eram para terem continuado – que apenas não seguiram juntas por causa de uma pedra no meio dos trilhos. Então quem sabe, suas asas terão crescido e você terá voltado para aquela cidade. E eu? Bom, você sabe onde eu moro! Afinal fui eu quem quis assim não é mesmo? E os caminhos que tanto deveriam ter se separado – terão finalmente encontrado o caminho de volta.

Precisamos apenas fazer com que o seu caminho e o meu se encontrem eté o fim do trilho Que não sejam talvez o mesmo –mas que sejam parecidos. Que os nossos caminhos possam – quem sabe um dia – se tornar o mesmo. Assim como os meus pensamentos – que se emarranham tanto que eu não sei mais onde começam os sentimentos sobre mim e os sentimentos sobre você . Como eu poderia algum dia sequer tentar separá-los sem arrancar metade da essência do que eu sou? Sem portanto, finalmente alegar um grande arrependimento? – justo eu que julgo que cada ação é um resumo do que sou! Precisamos fazer com que nunca nossas linhas sejam tão diferentes uma das outras para que seja necessário partir. Precisamos – da janelinha do trem – gritar com todo os ar dos nossos pulmões: Adeus! Adeus para que possamos recomeçar. Adeus para que não tenhamos medo do fim – do desconhecido. Para que possamos continuar seja em outra vida, seja em outro trem. Adeus para que sempre nos lembremos de que nossas linhas podem se reencontrar – seja nessa vida, seja em outra. Adeus porquê eu sei exatamente, que meus olhos só vão brilhar quando for você quem me levantar no colo. Adeus pois apenas eu sei o jeito exato de mexer nos seus cabelos – sei exatamente como te fazer se sentir único. Adeus pois o nosso fim chegará apenas quando Deus quiser. Adeus pois quero sempre recomeçar com você. Adeus porque eu não aguento mais chorar – eu não quero você longe mas eu quero que siga o seu caminho. Adeus pois a gente vai se reencontrar.

Permita-me eu apresentar novamente, e me veja como mulher, não como uma irmã.
A melancolia dos dias úmidos e seus recomeços
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Quando escrever um diário

17.06.16
Escrevendo um diário.

Essa página em branco me assusta por alguns motivos, entre eles o mais relevante: não estou acostumada a deixá-la intacta. Na verdade, a página em branco me incomoda profundamente – por mais que isso possa parecer bizarro.

Com uns 9 anos ganhei um diário da minha tia, e comecei a me incomodar com suas páginas vazias. Então comecei a escrevê-lo. Ele não foi o único, vieram diários de viagem à praia – ele era verde e repleto de figurinhas – vieram canetas mágicas que prometiam não deixar que outros lessem meus escritos – e com elas vieram a percepção que os demais poderiam ler sim. Claro que eu fazia tudo errado, escrevia até sobre o meu café da manhã e qual rua exata eu morava. Mas só percebo hoje o que aprendi disso tudo, o que apreendi para mim. A lembrança mais forte que tenho sobre isso é de escrever sobre o menino que eu gostava, e, tenho que admitir, meu extinto de escorpião começava a gritar – e lembrar disso não me deixa mais constrangida como antes. Eu falava sobre as pessoas que eu amava e sobre aquelas que eu preferia manter distância; falava o que eu pensava, falava apenas porquê sabia que aquele pedaço de papel não iria me julgar como qualquer outro faria. Falava tudo e escrevia freneticamente – fazendo meus garranchos serem riscos incompreensíveis – escrevia para não desabar; para olhar para todas aquelas coisas e pensar melhor sobre elas – sim sempre refletindo sobre tudo – já que elas estavam escritas. Eu precisava de um local que ouvisse tudo detalhadamente, mas não uma pessoa – hoje em dia eu tenho uma pessoa assim – mas algo que eu pudesse amassar e jogar fora se eu não gostasse mais dos meus segredos – mesmo tendo dúvidas sobre isso, acho que eu sempre os amei e cultivei. Queria algo inanimado e que pudesse carregar todas as minhas palavras mesmo que eu não existisse mais. Queria algo que nunca me questionasse: Por que desistiu de dar um simples selinho em quem você gostava e talvez esperasse por isso? Por que resolveu não comer a cenoura que tinha no almoço? Por que continua achando que o problema é você e não eles? Por que não aceita de vez que não deve tão jovemente sofrer por quem não gosta de você? Aliás, por que se importar?

Ele talvez não tenha me dado todas as respostas, mesmo eu ainda esperando por elas. Talvez ele tenha sido bem mais que uma fuga. Talvez ele não tenha feito diferença nos meus atos – mas com toda a certeza fez diferença na pessoa que eu sou. Ele me fez ver as coisas por outro ângulo e a pensar antes de agir – talvez pensar até mais que o necessário me fazendo fantasiar coisas que nunca iriam acontecer, pelo menos não com quem eu gostaria que acontecesse. Me fez questionar sobre os caminhos que eu tomava e sobre por quem eu buscava viver: por mim ou por aqueles que queriam definir o que eu era? Escrevia, como eu sempre digo: para um desafogar. Para lembrar-me que eu estava íntegra apesar de tudo – no sentindo mais intrínseco da palavra. Era algo que eu necessitava, um amor, um vício, um alívio. Escrever sempre foi algo ao qual eu me dediquei exatamente para viver e, quando eu esqueço deste meu alimento tudo em mim para de funcionar. Muito mais que um combustível para o que sou, mas até mesmo um óleo para as engrenagens disso tudo. Não posso me enganar, escrevo para viver. E foi essa escrita que me salvou de ser o que eu poderia ser; que me mostrou em quem eu me tornava – e por isso pude regredir quando a rota estava errada ou prosseguir decididamente. Por esses motivos eu acredito que você deve escrever um diário, talvez só precise do aconchego das folhas quentes e de uma boa caneta. Não tenha vergonha, nem coloque cadeados. O que você é deve ser exposto à você e talvez a mais ninguém – mais isso quem deve resolver é você. Está na hora de estender seu ser para o entender; ele está a tempos ansioso por isso. Desafogue-se.

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Eu escolhi você.

02.06.16
Olhos de Belinha - Poodle, cachorros.

Pois quando aqueles olhos te miram, te desnudam e te invadem; você sabe,ele sabe tudo sobre você. Por esse olhar tão sincero você deixa-se invadir pela verdade e pelo calor que ele pode oferecer. Você sabe que está sendo invadido de amor e paz quando esses olhos se mostram sabidos e sinceros.

Você sabe que o ama quando chegou em casa em um dia exaustivo e foi recebido com pulinhos e lambidas. Sabe que o ama pois quando brigou com todos, ele chegou, se aninhou a você e te fez ter certeza que tudo ficaria bem. Crê em tamanho sentimento porquê quando você esqueceu de falar com ele, de dar comida ou de levar para passear, ele não se esqueceu de você; não se vingou e nem tirou satisfações, antes te recebeu como se aquele fosse um dia como qualquer outro. Um dia a mais em que ele poderia fazer da sua existência algo menos doloroso e dar um sentido a sua vida (e não a dele).

Você pode não perceber mas a cada dia que você vive, para ele se passam mais de dez anos. E por isso a cada amor que você o dá faz com que esse sopro de vida tenha um significado. Porque ele fez da vida dele a sua, ele fez com que toda a razão de seu respirar fosse o brilho dos seus olhos. Ele fez com que o amor fosse resumido e contido no lugar – talvez – mais improvável, mas com certeza o mais leal.
Quando ele te revolve a alma, te encara e seus olhar tem paz, saiba: ele está passeado pelo seu interior. Com os olhos espertos e o amor profundo ele sabe exatamente o que se passa dentro do turbilhão que você é. Ele quer que você perceba – ele está gritando silenciosamente por isso – que o seu turbilhão tem os mesmos reflexos do dele. Ele quer que você sinta que, se o amor for forte, vocês não se encontrarão apenas nessa vida – vocês são almas que se reencontram! Quando ele te mira desta forma é para dizer que apesar de sua forma ele está ai ao seu lado como alma; como sopro, como luz infinita para iluminar seu turbilhão. Ele quer que você entenda que é seu amigo na forma mais profunda da palavra; quer sua atenção para compreender que o que ele sente é tão superior ao que você está acostumado, que não consegue atingir tamanho sentir – mas quando isso acontece ele escorre pela face.
Quando ele para o mundo apenas para sentar ao seu lado. Quando ele corre atrás de você como uma sombra forte. Quando ele chora pedindo perdão. Quando ele olha, quando ele vê, quando ele te transforma, quando ele te ama. Ele quer apenas dizer: eu estou aqui.

Olhos do Bolt - Border Collie
Eu estou ao seu lado e minha alma é tão ligada a sua, que eu entendo todo o seu amor mesmo que você não me diga; que eu sei todas as suas dores e conflitos mesmo que você não me explique. E por tudo isso e apesar de tudo eu quero relembrar, porque relembrar é o que me faz viver… Lembra quando eu era pequeno e você me deitava na caminha e contava história de vocês para eu dormir? Eu não entendia o que você queria dizer, mas entendia que era o seu tempo limitado que você preciosamente gastava comigo; mas eu não queria dormir, queria ficar eternamente ouvindo sua voz. Lembra quando eu cheguei? E você me aninhou nos seus braços – eu era tão pequeno – mas você me aqueceu e me colocou junto ao seu coração, ali eu pude ouvir o som alto do sentimento humano que você tão maravilhosamente me dedicou. Lembra daquela vez que você me colocou em cima da caminha e da cadeira da cozinha e escreveu numa lousa? Você queria que eu aprendesse matemática, mas… Nem mesmo você gostava dela, porque eu deveria? Mas você ficava tão feliz ensinando as letras que eu tentei até aprender, mas o meu corpo físico só suportou entender sua voz. Lembra das vezes, aquelas preciosas vezes que você chegou tarde em casa? Você não foi me ver no quintal, você não abriu a porta para mim, você não foi saber como foi o meu dia… Mas saiba, ele foi repleto de relembranças de você; mesmo que você não tenha ido me ver saiba que eu fiquei mais tranquilo, pois você chegou! Estava bem e salvo em casa, pois lá fora eu não posso te defender já que você não me deixa ir aos lugares com você. Mas saiba que cada um desses dias da minha existência – que foram tão passados e normais para você – foram preciosos para mim pois pelo menos sua voz eu ouvi.
Chegará um dia em que eu não vou mais poder sentar no seu colo para você me abraçar enquanto você chora. Não poderei mais latir de alegria por ver seu rosto nem responderei contente à sua voz. Um dia eu não serei mais seu cachorrinho mas serei eternamente o que eu sempre fui: o seu eterno amigo. Poderei assim, lá de cima junto do papai do céu, olhar por você. Vou pedir todos os dias para que eu possa ser um raio de sol no seu despertar; ser uma florzinha no seu caminhar, ser aquele ventinho bom perto da praia. Pedirei para ser novamente seu amigo, seu guardião, sua vida, sua alma; e se Ele quiser eu serei, pois sou eterno, pois sou o maior amor que você pode sentir, pois sou um enviado Dele para fazer seus dias melhores. Eu sou seu anjinho para que a caminhada não seja tão penosa e que os passos não sejam tão pesados. Sou seu para que você entenda – de uma vez por todas – que o amor está nas coisas mais humildes e simples da sua vida. Por isso e por tudo eu te escolho – não você – porque eu sabia que a sua dor era algo que eu poderia curar; suas feridas eram coisas que eu poderia suportar e toda a sua angústia e sofrimento e poderia aplacar apenas por estar ao seu lado. Por isso e por todos os nosso dias, eu escolhi você. ♥

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Da Fuvest até a matricula na USP

05.04.16
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Sobre o dia mágico da minha vida. O início de tudo:

Primeira fase da Fuvest: No segundo ano muitas pessoas (quase a sala toda) da minha sala prestaram letras como treineiro porque “é fácil”, mas o resultado foi que apenas um passou. Nesse ponto, comecei a ficar levemente preocupada. Na minha segunda fase eu lembrava desse acontecimento como se fosse eu mesma que tivesse não passado; por esse motivo fui fazer a prova tremendo. Se não me engano a última primeira fase que fiz foi a Fuvest então estava menos neurótica, mas muitíssimo mais nervosa. Comida? Okay, chocolate amargo, paçoquita, halls preto, chá de hibisco…Caneta? Estojo? Camiseta do cursinho para assustar concorrentes? RG? Um pedaço do fígado?… Ok, ok, ok, ok, quase ok. Sento na cadeira e faço minhas meditações, na tentativa -quase- falha de não ficar histérica. No fim deu tudo certo, só tive alguns pesadelos com as provas. Fui muito bem obrigada – a não ser pelas exatas, o que já é de praxe. Prefiro não lembrar exatamente tudo o que senti e muito menos sobre aquela prova “horrorível”

Na segunda fase da Fuvest: Muito bem, passei na segunda fase da Fufu e da Unesp também, ótimo. Novamente a Fufu foi a última prova a ser feita. Comida estava ai, amigas na sala também, banheiro era uma constante para não passar mal, chocolate amargo um tablete por dia e mais chás. Primeira questão da prova especifica (humanas): monte um gráfico… Quase cai da cadeira. Enfim, tudo isso me rendeu uns três meses sem comer chocolate amargo e sem tomar meus chás.

Depois, o pior, a grande espera. A atordoante espera. Todos os dias eu acordava e pensava cada hora de um jeito; haviam duas opções: “Claro que passei, eu estudei muito e passei, já estou lá” e “Eu não passei, sou uma inútil, vou ficar mais um ano no cursinho e tudo por causa daquela maldita questão do avião…” Ah! E também tinha: “Tenho certeza que os corretores vão me passar por dó, vão ver que não sou de exatas mesmo, tudo por causa daquelas questões que eu apenas anotei os dados…”

Lembro que eu ouvia a música “nova”

Pedra Murano, olho de tigre
Moldura brilhante em ouro amarelo
Que isso te proteja, te dê segurança
Em todos os momentos que faltar esperança
Renove sua força, te dê felicidade
Traga um amor, amor de verdade
Espante os inimigos como um dragão
Te proteja como um leão

A qual eu cantava como um mantra, para respirar, para me acalmar, para ter certeza de que eu iria passar, iria ter proteção (meus colares de Nossa Senhora que o digam) e que teria minhas forças renovadas, afinal tudo iria valer a pena.

pass

 

Mas então, finalmente O GRANDE DIA.

Sabia mais ou menos o horário que sairia a lista – no maravilhoso dia 5 de fevereiro. Bem nesse ano a Fufu não liberou dois dias antes como manda a boa tradição. Não sabia se sairia primeiro só a lista ou sairia o desempenho junto (o que você entra para conferir no sistema). Ainda por cima, dois dias antes um veterano fez uma brincadeira muito de mal gosto de dizer que anteciparam a lista e colocar a lista da primeira chamada. Conclusão? A tonta aqui foi conferir, estava quase chorando de emoção quando meu tio viu que tinha algo errado. Mas então, finalmente, depois de tanta espera, eis que me pula uma janelinha no facebook da Jacque (uma das amigas que moro atualmente) me dando os parabéns – as duas já haviam visto a novidade, pois eu só esperava a confirmação para me mudar. Primeiro: só li e já fiquei pensando “ue, que que houve?” atônita, pasma, assutada, porque mesmo que eu tivesse a certeza que iria passar (com cada átomo do meu ser) eu ainda não acreditava. Nem a respondi – desculpa Jacque – é que eu precisava ter certeza, então lá fui eu conferir e…Pimba! Meu nome lindo estava lá. Nunca fiquei tão feliz em ver meu nome em algum lugar. Minhas reações foram de choque até a extrema felicidade (ao menos até minha avó começar a chorar) então como o povo ficou muito triste, a felicidade se resumiu a eu e Bianca (minha priminha pequena) dançando na sala – só porque ela repetia “Eu passei na USP” sem entender que eu estava indo embora.

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Do grande dia até o segundo grande dia.

Choro, lágrimas, água dos olhos, mais lágrimas, mais choro, mais nervoso, mais água dos olhos. Esse é o resumo do meu calvário que começou no dia da primeira chamada e terminou no dia da matricula (quase terminou). Claro que eu não estava abandonando minha família, mesmo porquê volto na quinta pois não tenho aula na sexta! Não se trata de liberdade – se liberdade for andar de circular já posso devolvê-la – é uma questão de satisfação pessoal, de lutar e conseguir, de esforço, de realização, de futuro profissional. E tudo que eles não entendiam (ou não queriam entender) é a grandiosidade de estudar nessa faculdade – ou nas federais ou Unesp ou Unicamp – mas eu expliquei, atestei, comprovei e no fim, quando estava a ponto de me jogar na frente de um carro, CONSEGUI!

Esse milagre aconteceu também depois que eu li o livro O Segredo, que em breve farei uma resenha. Ele diz basicamente que devemos pedir ao Universo e pensar positivo que teremos o que desejamos. E isso, era o que eu sempre quis, sempre pensei ansiei e pedi a Deus. Eu sempre fui excessivamente protegida pela minha família – excesso de amor, amo todos vocês – e quem me conhece pessoalmente sabe como seria impossível e inacreditável eu estar aqui. Quanto eu rezei, fiz promessa, acreditei, chorei, negociei… Me renderia um livro apenas sobre estes dias.

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Sobre a matrícula na Hogwarts brasileira

Deveria levar o histórico do ensino fundamental e do médio  (originais e cópias e para não ter nenhum imprevisto levei todas as cópias autenticadas), certificado de conclusão do ensino médio, foto 3×4, RG, CPF – levei até certidão de Nascimento e comprovante de residência, tudo com suas cópias devidamente autenticadas – Houveram dois dias para a matrícula (dia 11 e 12 de fevereiro), eu como sou do matutino deveria ter ido no primeiro dia (mas não deu e favor pedido para a tia a gente não olha os dentes) então fui no segundo – tremendo pois, em tese era dia do noturno e dos atrasados do matutino; tremendo pois no dia anterior alguns alunos do noturno não puderam se matricular e tiveram de esperar até o outro dia, mas pedi Socorro às pessoas do CAELL (alunos que ajudam-nos nas questões políticas e burocráticas) e me asseguraram que eu só sairia de lá matriculada. Então finalmente fui, imaginem a cena: eu, minha vó, tia, primos pequenos adentrando o santuário das humanas. Minha avó achou estranho os prédios da História e Geografia pichados – ficou levemente horrorizada – mas no fim entramos na fila para o auditório da Geografia. Tiraram fotos nossas – minha vó com a plaquinha: minha filha passou na USP. E todos bem sorridentes (inclusive meus primos, afinal um dia a USP será o santuário deles também). Então entrei no auditório da Geografia, primeiro me colocaram na fileira mais perto da porta para assinar um questionário com informações básicas – imagine que minha mão tremia e a letra ficou horrível e subitamente eu esqueci meu CPF e RG e – graças a Deus – eu entrei com o celular em mãos. Lembrei dos grupos do facebook que eu participava desde antes de efetivamente passar – o conselho era de conversar com o coleguinha do lado, mas os coleguinhas não queriam muito conversar e eu, eu estava muito nervosa até mesmo para piscar – Logo depois de tudo preenchido entreguei a folha à uma das várias pessoas dispostas numa banca e sentei numa fileira de cadeiras mais para frente. Então começou a adorável dança das cadeiras, a primeira fileira ia entregando os documentos e as fileiras seguintes iam passando para a frente. Quando finalmente chegou minha vez uma das moças estava desesperada – era da sociais e só foi descobrir que estava na sala de matrícula errada de pois de quase chorar, e eu também – entreguei então os documentos todos lindos, fiquei com os originais pois haviam as copias autenticadas e colocaram minha foto 3×4 linda junto à todos os documentos e formulários. Então, hasta la vista baby um moço na porta da saída me desejou boa sorte – eu tinha um sorriso de orelha a orelha que tenho certeza deve tê-lo contagiado, mal eu sabia o que iria me esperar – e me entregou uma sacolinha com folders da letras e de toda a USP. Logo que sai do auditório já haviam pessoas fofas para conversar, e então a pergunta – que eu aprendi só depois ser algo muito importante e quase como que sua marca na Letras – qual seria minha habilitação. Hãn? Habilitação? Ainda bem que eu soube disso pelo grupo do face, habilitação são os idiomas que você se forma ou linguística <3 . Como tinha acabado de chegar, respondi o que sempre achei que queria (e talvez ainda queira): francês. Então conversaram comigo sobre os auxílios de permanência e sobre o povo do curso. Então uma veterana linda escreveu um USP enorme na minha testa e deixou meus priminhos me pintarem (resultou em alguns riscos da Bianca e um “passei na usp” meio escrito errado pelo Daniel – mas a gente perdoa porque pichar a Samira não é um negócio fácil). Logo depois: aquele deslumbramento maior ainda, em ver o que hoje sei que é o Aquário (salinhas de xerox, da Atlética, de comida, de descanso) e barracas (da Atlética- o que me encantou pois eu realmente queria muito fazer parte do time da FFLCH, de uma organização cristã – que tiraram fotos muito legais e foram muito atenciosos com a minha família, e de mais gente pintando e conversando) havia também uns grupinhos com um pouco de música e os famosos e normais cartazes espalhados. A recepção cheia e super animada foi no dia anterior (matutino) pois o noturno além de ter mais adulto – portanto talvez mais quieta – ainda foi o dia com menos gente, já que a maioria foi no primeiro mesmo. Logo encontrei minha “mãe” que me adotou, minha veterana atenciosa e linda que me ajudou com todas as dúvidas e sonhos – e me ajuda até hoje – Ela nos mostrou um pouco do campus e da Letras, e comemos todos juntos na cantina – ou melhor dizendo na Itália. Depois nos encontramos na frente do prédio com uma galera do curso, e a Tai resolveu que seria ótimo me pintar mais um pouco e me deixar com glitter até a alma (o que eu adorei) – porém íamos no shopping depois, então imagine uma Samira se lavando no banheiro da história e tentando tirar glitter do coração e do pulmão. No banheiro estava escrito perto do teto “você é linda” sendo que só seria possível de ler olhando-se no espelho. Haviam cadeiras empilhadas na História pois tinha tido uma paralisação (piquete – barrar a passagem para que não haja aula e ninguém saia prejudicado).

Sobre a primeira mudança

Antes de me mudar permanentemente (na primeira semana, a calourada, a semana de recepção) nós fomos visitar o apartamento em questão. O encontrei no grupo do Facebook Repúblicas da USP. Se não me engano, sem fotos, apenas uma descrição da menina que estava saindo. Clicar para falar com ela foi o mais importante clique que já fiz na minha vida. Costumo pensar duas coisas que me regem: nada acontece por acaso, sempre há Deus guiando de algum jeito o seu caminho e as coisas só acontecem porquê devem acontecer e na hora certa, portanto não são perdas, mas livramentos. Eu tinha conversando um ou dois meses antes com umas meninas bem legais que tinha uma casa vaga, cachorros, meninas de cabelo pintado e jardim, bem legal, mas era bem longe em relação ao que estou e no fim elas não esperaram as chamadas e alugaram para outra. Foi sapiência de Deus porquê minha casa de agora é pertíssimo da USP (tanto que vou a pé) e na outra casa eu teria que tomar conduções e me perder nos ônibus e metrôs. Essa casa tem a Monique que me ajudou a me adaptar a São Paulo e a perder (ou ao menos deixar um pouco) a inocência do interior – e ficar mais atenta e esperta com as coisas. Tem a Jacqueline – minha deusa da fofura, companheira de quarto (confesso que me sentia em um acampamento no início) a pessoa que me atura e que me entende. Mas voltando à questão da primeira visita, é engraçado perceber como o cérebro processa os lugares novos; olhando agora no quarto ele era completamente diferente de quando o vi pela primeira vez; agora ele é um lar, ele tem espaço, ele é grande! Antes ele parecia apenas uma imagem nebulosa, um sonho grande de alguém pequeno que sabia que nunca conseguiria. No dia em questão conheci a família das meninas e percebi – tão diferentemente como elas eram – e foi de uma maneira tão profunda que me identifiquei com ambas, mas a que eu pensava que seria mais próxima acabei não sendo, e isso se inverteu absurdamente. Minha avó, meu anjo, meu porto seguro, minha vida, preocupada que estava/está resolveu comprar comidas suficientes para um refugiado de guerra viver com a família e parentes pelo resto da vida. No começo comi comida congelada de janta e almoço no bandejão – as vezes dividia a comida com as meninas pois era muita. Mas atualmente eu almoço “marmitinhas” de comidas que a minha avó traz e eu coloco em um potinho alface e no outro uma carne (geralmente frango) mas essas conversas pormenorizadas ficam para um próximo post.

Espero que tenham gostado, deixem seus comentários que eu irei responder o mais breve possível! Tem alguma pergunta? Pode me mandar que eu farei de tudo para saná-la. Até o próximo post!

Permita-me eu apresentar novamente, e me veja como mulher, não como uma irmã.
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