Viagens

Campos do Jordão

09.05.16

 

Meus loves <3

Passei minhas férias deste ano do dia 18 até o 22 de janeiro. Este post contou com a ajuda do meu pequeno primo Daniel (porque eu não tenho memória boa mas ele sim). Creio que apesar de eu amar Serra Negra, Campos do Jordão a ultrapassou e portanto, ela fica como sendo minha cidade predileta! Neste post relatamos nossa viagem e nossos passeios. Espero que goste!

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Pequeno jardim da entrada da AFPESP.

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“Branca de Neve e os sente palhaços”

Ficamos na colônia de férias AFPESP (Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo) minha tia é sócia e portanto, podemos ir junto com ela.

AFPESP – Uma coisa maravilhosa dessas colônias é a divina comida ( destaque para a sopa de 4 queijos quase parecida com a Serra Negra – que apesar de tudo ainda é a vencedora ); eu meus tios, minha tia e meu primo participamos do bingo,  minha tia e eu assistimos uma apresentação de um pianista argentino muito fino e divertido que nos contou a vida de Ludwig van Beethoven, Johann Sebastian Bach e muitos outros pianistas famosos. Para as crianças filminho e pessoas para ficar com elas ( com a tal tia Sorriso – Daniel pediu para acrescentar essa relevante informação ). Dormir no mesmo quarto que o Daniel significa dormir nunca, significa alguém que não gosta de dormir -ele- e alguém que ama dormir -eu- e minha avó que é uma coisa fofa no meio do mundo. Cartões automáticos do quarto: um motivo de disputa sobre quem abririá as portas primeiro; quando avistei o aquecedor no quarto percebi que aquele frio intenso que eu sentia poderia piorar –ao ponto de literalmente nevar. Uma das coisas que mais gostei da colônia foi os jardins dele, com esquilos, pássaros e cisnes de enfeita; uma branca de neve com seus anões significava para a Bianca: 7 palhaços=anões. Também tinha uma mini fazenda com ovelhas, porquinhos, cavalo e até um pavão, tinha um lago bem grande com pedalinhos e um monte de galinhas andando pelos jardins. ( Grande estacionamento- outra informação essencial colocada por Dani ).  Chegamos e ficamos com pulseirinhas azuis. Para os viajantes/turistas esquecidos havia uma lojinha interna, com cervejas da Baden Baden, licores, camisetas com o nome da cidade, lenços e acessórios, chocolates da chocolateria Araucária (único problema da lojinha era, sem nenhum espanto, seu preço) A decoração era linda, assim como tudo que é decorado naquela cidade, com móveis e escadas em madeira. Sabe aquelas folhas do Canadá? Sim, lá havia muitas árvores com elas e é claro, que eu não poderia deixar de pegar algumas (mesmo que uma tenha se quebrado e outra eu tenha dado ao Dani)

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Chocolateria e Fábrica Araucária: Pudemos ver a fabricação do chocolate depois de subir uns dois lances de escadas (estávamos bem alto e longe do processo mas mesmo assim foi interessante) Havia uma seção contando a história do chocolate e da própria fábrica.O chocolate quente é bem cremoso, bem famoso e realmente quente (haha).  Tomamos chocolate quente, língua de gato, e bomboms. Além do alimento dos deuses também tinha, geléias, e outras delícias.

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Pelo que entendi, esta seria uma estufa do Amantikir.

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Amantikir (jardins que falam): foi o que mais gostamos. Um ambiente natural, com jardins temáticos e maravilhosos. Quase que não deu para irmos porque começou a chover, porém devido à grande quantidade de verde e à altitude era bem comum a neblina e a chuva fina. O local cedeu gratuitamente guarda-chuva.Tinha um labirinto (like a Harry Potter *.*) e um restaurante. Devido à colonia tivemos desconto com a apresentação da pulseirinha. Grupos de mais de 10 pessoas é necessário o agendamento. Foi uma experiência mágica, todas os caminhos nos levavam a lugares totalmente novos e encantadores, muita diversidade de flores e plantas ( e junto com elas muitos insetos como borboletas e diversos outros bichinhos voadores ). Para caracterizar cada vez mais cada tema, o jardim também conta com esculturas, como aquele portal japonês e esculturas de dragões (no casa do jardim japonês e chinês respectivamente).

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Tem como não babar nessa arquitetura?

Sobre a cidade: Depois de um tempo em Campos você fica totalmente refém e imerso na beleza e no encantamento do local. Ao ir embora senti uma sensação de deixar um paraíso para trás, mas com a certeza de que as coisas que eu precisa estariam por vir (a USP e toda a grande mudança). Na verdade eu precisava muitíssimo daquela viagem, de ficar com a minha família e me retirar de toda a energia negativa que o ano anterior me carregou. Aquela cidade arrebatou meu coração, o acolheu e o guardou, paradoxalmente esquentando-o e o revigorando. Há toda uma atmosfera diferenciada, não apenas por ser uma cidade essencialmente turística mas também por ser algo distinto. Em toda a cidade existiam moitinhas lindas de hortênsias e muitas outras flores. Entre bosques lindos e árvores altas, planejei voltar muitas vezes, planejei também (quem sabe) um dia fazer seções de foto naquele lugar mágico! A arquitetura é antiga e suíça devido aos seus colonizadores. Nessa cidade o ar é mais puro e lindo, o frio reúne as pessoas como eu nunca havia visto.

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Mosteiro Irmãs Beneditinas: Logo ao chegar você pode sentir a serenidade do local. Havia um lugar destinado todo à venda de mudas de plantinhas do local. Dentro, em uma lojinha é vendido artigos religiosos que sustentam as irmãs locais. Vimos uma gruta destinada à Nossa Senhora, um lago enorme e incrível com uma ponte muito charmosa. Havia mais esculturas e freiras muito gentis além de uma pequena Igreja no interior.

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Essa foto na verdade foi só pra mostrar o contraste entre o esmalte e a flor -nada mais-

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Lago do mosteiro.

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Um homem santo.

 

 

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Neblina, cor e frio = amor.

Para mim que sou uma louca por roupas de outono e inverno quase tive um ataque com as maravilhosas feirinhas de roupa, e com as lojas do centro. Mas não só de lojinhas fofas vive aquela cidade, mas também de lojas de grife caríssimas (e loja de acessórios mais caras ainda). Mas que as peças eram lindas eram! Sonhei que um dia voltaria lá e compraria um vestido incrível que me apaixonei através da vitrine mas, ao ver o preço, sai com toda a classe ( como se estivesse fazendo charme e não como se tivesse assutado com os novecentos reais que haveria de pagar se o quisesse ).

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SIM, havia um jardim de cactos!

Andamos de bonde (o antigo mesmo, porém reformado) e confesso que fiquei com um pequeno  medinho pois ele era bem alto. Ele andou pela cidade toda e foi bem legal para poder aproveitar melhor as paisagens e as construções. Eu queria muito ter andado a cavalo e quase apostei com meus tios que andaria de teleférico (mas minha coragem não tinha chego a este ponto e ainda e nem chegou). Foi ai que experimentei pinhão pela primeira vez (e odiei) mas meu tio amou e depois o nosso amigo esquilo da AFPESP amou mais ainda. Esperamos a viagem toda par ver o esquilo mas ele sempre fugia até que neste dia, quando paramos o carro ele já apareceu e ficou lá sendo fotografado, “planando” e correndo ( deixarei o pequeno vídeo que fiz sobre ele ). Ficamos de visitar a cervejaria local a Baden Baden – cervejas artesanais – e já está no meu roteiro para a próxima viagem. Não se engane com o mês, em Janeiro estava muito frio sim! hahaha

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Dentre tantas flores…

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Escolhi a tu, a mais bela.

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Família admirando a beleza do lugar <3

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Dragão chinês.

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Visto de cima, uma pequenina área do Amantikir.

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Você percebe que vai engordar quando troca um copinho de leite por uma refeição completa no seu café da manhã!

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Bondinho atual, novo, moderninho.

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Pensar que era assim, tão vintage!

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Caminho de paz para o mosteiro, caminho para acalmar a alma e a preparar.

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Entre os patos, gansos e marrecos tento me camuflar hahaha

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Queria mãe, imaculada conceição.

 

Mãe, a gente não aguenta mais ouvir essas coisas. Mas a gente ama, tá?
Os Meus 13 Porquês| Podem acreditar numa garota viva?
Como as bonecas Barbie influenciaram a imagem que eu tenho do meu corpo.
Pessoal Textos

Da Fuvest até a matricula na USP

05.04.16
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Sobre o dia mágico da minha vida. O início de tudo:

Primeira fase da Fuvest: No segundo ano muitas pessoas (quase a sala toda) da minha sala prestaram letras como treineiro porque “é fácil”, mas o resultado foi que apenas um passou. Nesse ponto, comecei a ficar levemente preocupada. Na minha segunda fase eu lembrava desse acontecimento como se fosse eu mesma que tivesse não passado; por esse motivo fui fazer a prova tremendo. Se não me engano a última primeira fase que fiz foi a Fuvest então estava menos neurótica, mas muitíssimo mais nervosa. Comida? Okay, chocolate amargo, paçoquita, halls preto, chá de hibisco…Caneta? Estojo? Camiseta do cursinho para assustar concorrentes? RG? Um pedaço do fígado?… Ok, ok, ok, ok, quase ok. Sento na cadeira e faço minhas meditações, na tentativa -quase- falha de não ficar histérica. No fim deu tudo certo, só tive alguns pesadelos com as provas. Fui muito bem obrigada – a não ser pelas exatas, o que já é de praxe. Prefiro não lembrar exatamente tudo o que senti e muito menos sobre aquela prova “horrorível”

Na segunda fase da Fuvest: Muito bem, passei na segunda fase da Fufu e da Unesp também, ótimo. Novamente a Fufu foi a última prova a ser feita. Comida estava ai, amigas na sala também, banheiro era uma constante para não passar mal, chocolate amargo um tablete por dia e mais chás. Primeira questão da prova especifica (humanas): monte um gráfico… Quase cai da cadeira. Enfim, tudo isso me rendeu uns três meses sem comer chocolate amargo e sem tomar meus chás.

Depois, o pior, a grande espera. A atordoante espera. Todos os dias eu acordava e pensava cada hora de um jeito; haviam duas opções: “Claro que passei, eu estudei muito e passei, já estou lá” e “Eu não passei, sou uma inútil, vou ficar mais um ano no cursinho e tudo por causa daquela maldita questão do avião…” Ah! E também tinha: “Tenho certeza que os corretores vão me passar por dó, vão ver que não sou de exatas mesmo, tudo por causa daquelas questões que eu apenas anotei os dados…”

Lembro que eu ouvia a música “nova”

Pedra Murano, olho de tigre
Moldura brilhante em ouro amarelo
Que isso te proteja, te dê segurança
Em todos os momentos que faltar esperança
Renove sua força, te dê felicidade
Traga um amor, amor de verdade
Espante os inimigos como um dragão
Te proteja como um leão

A qual eu cantava como um mantra, para respirar, para me acalmar, para ter certeza de que eu iria passar, iria ter proteção (meus colares de Nossa Senhora que o digam) e que teria minhas forças renovadas, afinal tudo iria valer a pena.

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Mas então, finalmente O GRANDE DIA.

Sabia mais ou menos o horário que sairia a lista – no maravilhoso dia 5 de fevereiro. Bem nesse ano a Fufu não liberou dois dias antes como manda a boa tradição. Não sabia se sairia primeiro só a lista ou sairia o desempenho junto (o que você entra para conferir no sistema). Ainda por cima, dois dias antes um veterano fez uma brincadeira muito de mal gosto de dizer que anteciparam a lista e colocar a lista da primeira chamada. Conclusão? A tonta aqui foi conferir, estava quase chorando de emoção quando meu tio viu que tinha algo errado. Mas então, finalmente, depois de tanta espera, eis que me pula uma janelinha no facebook da Jacque (uma das amigas que moro atualmente) me dando os parabéns – as duas já haviam visto a novidade, pois eu só esperava a confirmação para me mudar. Primeiro: só li e já fiquei pensando “ue, que que houve?” atônita, pasma, assutada, porque mesmo que eu tivesse a certeza que iria passar (com cada átomo do meu ser) eu ainda não acreditava. Nem a respondi – desculpa Jacque – é que eu precisava ter certeza, então lá fui eu conferir e…Pimba! Meu nome lindo estava lá. Nunca fiquei tão feliz em ver meu nome em algum lugar. Minhas reações foram de choque até a extrema felicidade (ao menos até minha avó começar a chorar) então como o povo ficou muito triste, a felicidade se resumiu a eu e Bianca (minha priminha pequena) dançando na sala – só porque ela repetia “Eu passei na USP” sem entender que eu estava indo embora.

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Do grande dia até o segundo grande dia.

Choro, lágrimas, água dos olhos, mais lágrimas, mais choro, mais nervoso, mais água dos olhos. Esse é o resumo do meu calvário que começou no dia da primeira chamada e terminou no dia da matricula (quase terminou). Claro que eu não estava abandonando minha família, mesmo porquê volto na quinta pois não tenho aula na sexta! Não se trata de liberdade – se liberdade for andar de circular já posso devolvê-la – é uma questão de satisfação pessoal, de lutar e conseguir, de esforço, de realização, de futuro profissional. E tudo que eles não entendiam (ou não queriam entender) é a grandiosidade de estudar nessa faculdade – ou nas federais ou Unesp ou Unicamp – mas eu expliquei, atestei, comprovei e no fim, quando estava a ponto de me jogar na frente de um carro, CONSEGUI!

Esse milagre aconteceu também depois que eu li o livro O Segredo, que em breve farei uma resenha. Ele diz basicamente que devemos pedir ao Universo e pensar positivo que teremos o que desejamos. E isso, era o que eu sempre quis, sempre pensei ansiei e pedi a Deus. Eu sempre fui excessivamente protegida pela minha família – excesso de amor, amo todos vocês – e quem me conhece pessoalmente sabe como seria impossível e inacreditável eu estar aqui. Quanto eu rezei, fiz promessa, acreditei, chorei, negociei… Me renderia um livro apenas sobre estes dias.

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Sobre a matrícula na Hogwarts brasileira

Deveria levar o histórico do ensino fundamental e do médio  (originais e cópias e para não ter nenhum imprevisto levei todas as cópias autenticadas), certificado de conclusão do ensino médio, foto 3×4, RG, CPF – levei até certidão de Nascimento e comprovante de residência, tudo com suas cópias devidamente autenticadas – Houveram dois dias para a matrícula (dia 11 e 12 de fevereiro), eu como sou do matutino deveria ter ido no primeiro dia (mas não deu e favor pedido para a tia a gente não olha os dentes) então fui no segundo – tremendo pois, em tese era dia do noturno e dos atrasados do matutino; tremendo pois no dia anterior alguns alunos do noturno não puderam se matricular e tiveram de esperar até o outro dia, mas pedi Socorro às pessoas do CAELL (alunos que ajudam-nos nas questões políticas e burocráticas) e me asseguraram que eu só sairia de lá matriculada. Então finalmente fui, imaginem a cena: eu, minha vó, tia, primos pequenos adentrando o santuário das humanas. Minha avó achou estranho os prédios da História e Geografia pichados – ficou levemente horrorizada – mas no fim entramos na fila para o auditório da Geografia. Tiraram fotos nossas – minha vó com a plaquinha: minha filha passou na USP. E todos bem sorridentes (inclusive meus primos, afinal um dia a USP será o santuário deles também). Então entrei no auditório da Geografia, primeiro me colocaram na fileira mais perto da porta para assinar um questionário com informações básicas – imagine que minha mão tremia e a letra ficou horrível e subitamente eu esqueci meu CPF e RG e – graças a Deus – eu entrei com o celular em mãos. Lembrei dos grupos do facebook que eu participava desde antes de efetivamente passar – o conselho era de conversar com o coleguinha do lado, mas os coleguinhas não queriam muito conversar e eu, eu estava muito nervosa até mesmo para piscar – Logo depois de tudo preenchido entreguei a folha à uma das várias pessoas dispostas numa banca e sentei numa fileira de cadeiras mais para frente. Então começou a adorável dança das cadeiras, a primeira fileira ia entregando os documentos e as fileiras seguintes iam passando para a frente. Quando finalmente chegou minha vez uma das moças estava desesperada – era da sociais e só foi descobrir que estava na sala de matrícula errada de pois de quase chorar, e eu também – entreguei então os documentos todos lindos, fiquei com os originais pois haviam as copias autenticadas e colocaram minha foto 3×4 linda junto à todos os documentos e formulários. Então, hasta la vista baby um moço na porta da saída me desejou boa sorte – eu tinha um sorriso de orelha a orelha que tenho certeza deve tê-lo contagiado, mal eu sabia o que iria me esperar – e me entregou uma sacolinha com folders da letras e de toda a USP. Logo que sai do auditório já haviam pessoas fofas para conversar, e então a pergunta – que eu aprendi só depois ser algo muito importante e quase como que sua marca na Letras – qual seria minha habilitação. Hãn? Habilitação? Ainda bem que eu soube disso pelo grupo do face, habilitação são os idiomas que você se forma ou linguística <3 . Como tinha acabado de chegar, respondi o que sempre achei que queria (e talvez ainda queira): francês. Então conversaram comigo sobre os auxílios de permanência e sobre o povo do curso. Então uma veterana linda escreveu um USP enorme na minha testa e deixou meus priminhos me pintarem (resultou em alguns riscos da Bianca e um “passei na usp” meio escrito errado pelo Daniel – mas a gente perdoa porque pichar a Samira não é um negócio fácil). Logo depois: aquele deslumbramento maior ainda, em ver o que hoje sei que é o Aquário (salinhas de xerox, da Atlética, de comida, de descanso) e barracas (da Atlética- o que me encantou pois eu realmente queria muito fazer parte do time da FFLCH, de uma organização cristã – que tiraram fotos muito legais e foram muito atenciosos com a minha família, e de mais gente pintando e conversando) havia também uns grupinhos com um pouco de música e os famosos e normais cartazes espalhados. A recepção cheia e super animada foi no dia anterior (matutino) pois o noturno além de ter mais adulto – portanto talvez mais quieta – ainda foi o dia com menos gente, já que a maioria foi no primeiro mesmo. Logo encontrei minha “mãe” que me adotou, minha veterana atenciosa e linda que me ajudou com todas as dúvidas e sonhos – e me ajuda até hoje – Ela nos mostrou um pouco do campus e da Letras, e comemos todos juntos na cantina – ou melhor dizendo na Itália. Depois nos encontramos na frente do prédio com uma galera do curso, e a Tai resolveu que seria ótimo me pintar mais um pouco e me deixar com glitter até a alma (o que eu adorei) – porém íamos no shopping depois, então imagine uma Samira se lavando no banheiro da história e tentando tirar glitter do coração e do pulmão. No banheiro estava escrito perto do teto “você é linda” sendo que só seria possível de ler olhando-se no espelho. Haviam cadeiras empilhadas na História pois tinha tido uma paralisação (piquete – barrar a passagem para que não haja aula e ninguém saia prejudicado).

Sobre a primeira mudança

Antes de me mudar permanentemente (na primeira semana, a calourada, a semana de recepção) nós fomos visitar o apartamento em questão. O encontrei no grupo do Facebook Repúblicas da USP. Se não me engano, sem fotos, apenas uma descrição da menina que estava saindo. Clicar para falar com ela foi o mais importante clique que já fiz na minha vida. Costumo pensar duas coisas que me regem: nada acontece por acaso, sempre há Deus guiando de algum jeito o seu caminho e as coisas só acontecem porquê devem acontecer e na hora certa, portanto não são perdas, mas livramentos. Eu tinha conversando um ou dois meses antes com umas meninas bem legais que tinha uma casa vaga, cachorros, meninas de cabelo pintado e jardim, bem legal, mas era bem longe em relação ao que estou e no fim elas não esperaram as chamadas e alugaram para outra. Foi sapiência de Deus porquê minha casa de agora é pertíssimo da USP (tanto que vou a pé) e na outra casa eu teria que tomar conduções e me perder nos ônibus e metrôs. Essa casa tem a Monique que me ajudou a me adaptar a São Paulo e a perder (ou ao menos deixar um pouco) a inocência do interior – e ficar mais atenta e esperta com as coisas. Tem a Jacqueline – minha deusa da fofura, companheira de quarto (confesso que me sentia em um acampamento no início) a pessoa que me atura e que me entende. Mas voltando à questão da primeira visita, é engraçado perceber como o cérebro processa os lugares novos; olhando agora no quarto ele era completamente diferente de quando o vi pela primeira vez; agora ele é um lar, ele tem espaço, ele é grande! Antes ele parecia apenas uma imagem nebulosa, um sonho grande de alguém pequeno que sabia que nunca conseguiria. No dia em questão conheci a família das meninas e percebi – tão diferentemente como elas eram – e foi de uma maneira tão profunda que me identifiquei com ambas, mas a que eu pensava que seria mais próxima acabei não sendo, e isso se inverteu absurdamente. Minha avó, meu anjo, meu porto seguro, minha vida, preocupada que estava/está resolveu comprar comidas suficientes para um refugiado de guerra viver com a família e parentes pelo resto da vida. No começo comi comida congelada de janta e almoço no bandejão – as vezes dividia a comida com as meninas pois era muita. Mas atualmente eu almoço “marmitinhas” de comidas que a minha avó traz e eu coloco em um potinho alface e no outro uma carne (geralmente frango) mas essas conversas pormenorizadas ficam para um próximo post.

Espero que tenham gostado, deixem seus comentários que eu irei responder o mais breve possível! Tem alguma pergunta? Pode me mandar que eu farei de tudo para saná-la. Até o próximo post!

Mirando-se no espelho.
18 coisas que você precisa saber antes de Morar Sozinho
Porque escolhi ser professora.
Arte

Ilustrações musicais da artista brasileira Fernanda Fernandez

25.03.16
Acho que um dos maiores objetivos é a identificação. Se identificar com o sentimento que o desenho está passando, ou até mesmo fisicamente…enfim! Que você possa olhar uma bela criação, e ver-se nela.”
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Senti uma identificação enorme…

Se você é fã de Beatles e ama ilustração (ou vice e versa), se ama flores, música e amor Maria Fernanda é a pessoa certa para você seguir – e babar – na arte dela.

Fê tem 25 anos e uma história linda para contar e para inspirar sua obra. Desde pequena ela adorava desenhar personagens de desenhos e flores. Estudante de Arquitetura e Urbanismo, nossa carioca nos encanta é com sua arte que conta com muita cor, versos e traços precisos. Depois de um acidente de carro, Fernanda recorreu ao seu amor de infância para continuar: a ilustração. Ela é uma pessoa incrível, atenciosa e muito paciente com minhas perguntas, fizemos uma entrevista onde ela conta um pouco sobre si e sobre seu trabalho. Vem conferir!

 

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“Primeiramente, você poderia nos contar um pouco sobre você?”

Meu nome mesmo é Maria Fernanda, e tenho 25 anos. Sou de Niterói e curso a faculdade de Arquitetura e Urbanismo, no Rio de Janeiro. Eu sofri um acidente de carro em 2013 que me deixou paraplégica, então, ainda estou me acostumando com a nova vida. E foi durante minha longa internação pós-acidente que, com o objetivo de voltar a desenhar arquitetura, acabei expandindo minhas inspirações e entrei nesse ramo da ilustração.

 

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“Você tem muito contato com os fãs da sua arte?”

Posso dizer que tenho sim! E acho ótima a forma das pessoas se sentirem tão à vontade para mandar mensagem, cartinhas, e qualquer outro tipo de demonstração de admiração pelos desenhos! Tento sempre responder, conversar, e dar a maior atenção do mundo pois é o mínimo que posso fazer.

 

“Como é passar o que sente no papel e transformar a ideia em algo real?”

A melhor forma de expressão. Melhor forma pra fugir da loucura do mundo, e do estresse diário, e da solidão ocasional.. Sinto que é como um desabafo, mas em cores.

“O que você procura transmitir por meio dos seus desenhos?”

Acho que um dos maiores objetivos é a identificação. Se identificar com o sentimento que o desenho está passando, ou até mesmo fisicamente…enfim! Que você possa olhar uma bela criação, e ver-se nela.

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“Além dos Beatles quais são seus outros ícones/bandas preferidos?”

Vish….tanta coisa! Eu realmente ouço quase de tudo! Mas no momento tenho escutado muita MPB. Caetano Veloso, Marisa Monte, Paralamas, Djavan…E se vou pro lado internacional, escuto demais JohnMayer, Eddie Vedder, Smiths, e trilhas sonoras! Adoro trilhas sonoras! Tenho escutado muito as trilhas de “A culpa é das Estrelas” e “Ela”!

“Como você monta as fotos de suas ilustrações?

Minha prioridade nas fotos é a iluminação! Uso ao máximo lugares com bastante luz natural! Banco da varanda da sala, mesa abaixo da janela… Mas de forma bem simples, tiro as fotos com meu celular mesmo. Em breve, irei investir numa máquina fotográfica de boa qualidade!

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“Como é ter contato com pessoas que você não conhece muito bem mas que admiram seu trabalho e querem discutir sobre ele ?” – tipo eu rsrs

Muitas vezes é surpreendente (haha)! Ainda não me acostumei com tal atenção pelos desenhos…E não sou muito boa em me explicar, então muitas vezes fico um pouco nervosa (haha)! Mas a gente aprende e faz o melhor que pode!

“Como você se sente ao saber que muitas pessoas admiram seu trabalho?

Nossa, alegria que nem cabe em mim! Haha Fico surpresa às vezes com tamanho carinho pra elogiar minhas artes. Muito gratificante mesmo!

“Quais materiais você mais utiliza?”

Eu sou um pouco rústica quanto à isso (haha)! Faço maior parte dos desenhos manualmente mesmo. Lápis para o esboço, depois faço contornos com caneta nanquim, e em seguida lápis de cor. Caso queira algo mais incrementado, digitalizo e adiciono “fundos” à imagem, como aquarelas e texturas. Mas tento sempre conhecer novos materiais e novas técnicas.

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Essa ilustração me lembrou muito a Selene (personagem de Meu Presente é a Lua)

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“O que mais te inspira na hora de criar?”

Músicas. Quase sempre. Sabe quando você ouve um certo trecho/verso que chega a te arrepiar? Então, eu pego tal trecho e tento transformá-lo em imagens.

“Como começou seu amor por ilustrar?”

Acho que nasci assim (haha)! Desenho desde que me entendo por gente! Sempre desenhava paisagens, personagens de desenho animado, flores… Sou filha única, talvez isso tenha colaborado pra tais momentos introspectivos rs!

“Quais seus planos para o futuro?”

Pretendo ser arquiteta, mas como não consigo mais ficar longe da ilustração, continuarei com ela como segunda profissão (ou só como hobby mesmo),

“Por fim qual dica você daria para quem está começando a ilustrar, e pretende trabalhar com isso?”

Eu ainda estou aprendendo sobre esse ramo e sei que falta muito ainda, mas…o que mais repito para mim como um mantra é: se você quer ser reconhecido, tem que se esforçar. Acreditar no próprio traço, não imitar, e principalmente, não desistir. Muitos conseguem milhares de seguidores/clientes/ admiradores em um estalar de dedos, e outros demoram. Mas não é por isso que sua arte é pior do que as outras. Tem que acreditar, buscar sempre aprender mais, se dedicar! Não é uma área fácil, mas tendo paciência e colocando seu coração em cada criação, você chega lá! Nunca subestime seu trabalho.

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Tenho certeza que a minha admiração por essa menina incrível só cresceu! Quem sabe em breve não teremos mais Fernanda Fernandez para mostrar ein? Espero que tenham gostado tanto quanto eu de saber mais sobre ela e seus desenhos. Além de ter a oportunidade de ter uma ilustração única encomendando com a Fernanda, você ainda pode adquirir produtos com seus desenhos – quero/preciso – na Colab 55 você pode encontrar bolsas, almofadas, chinelos … Para presentear quem você ama ou decorar sua vida com os desenhos lindos – que deixará seu dia mais alegre e poético!

Confira mais em:

Facebook Fernanda Fernandez

Instagram

Loja Virtual

Papelaria, decoração e muita positividade com a artista e sonhadora Amanda Mol
Da confeitaria para o atelier, conheça os acessórios em biscuit de Bruna Nóbrega do “Arte Vira Lata”
Fofurices de papelaria do Estúdio Anzol
Pessoal Textos

Eles me convenceram de que eu era inferior

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Hoje é um dia muito especial. Ponto. Especial porque, Samira? Bom, especial simplesmente porque eu descobri a maior falha da minha vida, então, se você me conhece e vai ler isso, vai entender – simplesmente pelo fato de me conhecer – se não me conhece tanto assim, bom, você vai entender também. Quem sabe no fim não perceba que seu maior erro foi o mesmo que o meu e você precisa simplesmente recomeçar? Vou explicar.

Hoje é quase natal, faltam 1 dia e meio para o dia 24 de 2015.

Fui comprar sapatos juntamente com a minha tia, um presente para o meu tio. Os detalhes na verdade pouco importam. Saiba apenas que eu estava esperando o atendente, sentada em um pufe com a minha tia.

Eu estava bem; pensando na minha casa, na comida que eu queria comer no natal, pensando na minha vida e em como eu ia tocá-la dali para frente. Eu olhava para o chão pensando em tudo, quando me passa uma sapatilha da Melissa que eu gostava demais e queria muito tê-la há um tempo. Logo percebi algumas coisas

  1. Eu não gostei mais tanto da sapatilha
  2. Eu já me realizei, pois a minha ilustração aqui no blog a usa na cor vermelha.
  3. Quem falava mal da sapatilha tinha razões, mas também não tinha.

Em meio a essas 3 considerações, o meu inconsciente (ou seria consciente?) pensou: coitada da pobre sapatilha, está detonada e suja, ficaria linda limpa. Mas na verdade eu não pensava realmente em tudo isso, eu pensava em como teria que ficar caçando as uvas passas da comida na ceia de natal, pensava nos metrôs que tomaria em São Paulo, pensava em como que queria um tênis rosa berrante. Porém, a dona da sapatilha, fez questão de parar a minha frente e gritar: Você quer que eu pare para você olhar?

Levantei a cabeça do chão e dos meus pensamentos sobre as uvas passas. A olhei; levantei uma sobrancelha, estava mordendo o lábio inferior então o soltei, a encarei de volta, olhei para os lados em busca da vitima de sua atenção. Era eu.

 

Em minha cabeça eu pensei, desordenadamente:

  1. É para mim isso?
  2. Verdade eu cheguei a te olhar, mas não foi por mal, eu queria uma sapatilha dessas há um tempo e achei que você deveria cuidar melhor dela.
  3. Odeio também quando as pessoas me “medem”, mas eu não estava te medindo, estava pensando nas malditas uvas passas.
  4. Desculpe-me, sou inútil.
  5. Desculpar-me do que?
  6. Porque ela me olha assim? Por que ela se acha superior a mim? Por que eu seria superior a ela?
  7. Vasculhando na memória meios de se matar alguém com o olhar.

 

Mas na verdade meus olhos lacrimejaram. Eu estava sensível com tudo, mal percebi que sempre fui assim. Seu olhar era um misto de raiva, ódio, e jogação de culpa em mim, como se eu tivesse culpa por ela ter a vida que tem, dela ter sei lá, estudado menos que eu ou visto mesmo que eu, sendo que ela queria apenas comprar um sapato em paz.

Mas na verdade eu não a impedi de comprar o sapato, ela não deveria ter falado comigo daquela forma, eu mereço respeito assim como ela, por isso eu olhava para o chão e pensava na minha vida, por isso meu consciente não a julgou, por isso eu queria que ela tivesse classe e não gritasse comigo.

O mais incrível foi a dor que senti ao ver aquele olhar. Por um momento eu era culpada por toda a sua vida, eu, uma mera estranha, fui a razão de todos os seus males. Por um momento – eu entenderia isso apenas tempos depois – ela me controlou, eu deixei que ela me controlasse.

 

Começando do fim.

Tive uma amizade que não começou bem, tinha tudo para dar errado, não deveria nunca ter acontecido. Ela me viu, ela roubou tudo o pouco que eu tinha. Ela me destruiu. Eu a destruí de volta. Eu nunca me perdoei. Ela eu não sei. Até hoje. Essa amizade tempos depois se mostrou algo verdadeiro, ela mudou, eu também, crescemos e amadurecemos. Porem, sempre, aquele sentimentozinho no fundo me dizia: você é a culpada por tudo de ruim que ocorre a ela, você fez tudo errado com ela desde o início. É sua responsabilidade ficar ao seu lado. Aquilo foi me consumindo, aquilo me dizia que eu deveria ir contra meus princípios para ajudá-la. Aquilo me dizia no fundo que ela era superior e eu não era digna da sua amizade e nem de nada. Aquilo me forçava a dar o controle a ela, e eu o dei sem nenhuma cerimônia.

Aquilo no fim se mostrou fraco, uma amizade pobre. Mostrou-se passível de traição, se mostrou sem nexo e sem brilho, apenas uma leve simpatia. Mas eu havia apostado tanto! Eu queria apenas me redimir de algo que eu nunca fui culpada.

Tive outra amizade. Descobri no fim que foi montada na inveja, que por isso eu precisava ficar por baixo, novamente. Descobri que eu também tinha culpa mesmo que ela estivesse sempre bem. Afinal, a culpa era minha por ela me odiar. Era minha culpa quando ela acordou e resolveu que me odiava. Eram minha culpa os olhares de diminuição que ela me lançava, de ódio, de dó, de desprezo. Que me causava enjoo, mágoa, dor muito mais que tudo. Essa amizade me consumiu por inteira, eu sonhava com ela, eu vivia para ela, eu tentava tomar o controle da situação, mas eu sabia apenas assistir a tudo impotente. Eu a via me diminuir para o outros. Eu a vi ela me tratar mal, gritar, xingar, me agredir. Eu assistia como se merecesse.

Tive colegas que se uniam para juntarem forças e concentrarem em alguém. Focar em alguém fraco –que permitisse – que fosse atingido, que fingisse não ligar, mas que sofresse, que sofresse tanto por todos eles. Um alguém para enviar suas dores em forma de humilhações, alguém para sofrer a dor que eles não tinham coragem de suportar. E eu, nunca coragem de me levantar, de dizer que eu não merecia carregar a dor te tudo. Não! Eu não merecia ser o depósito da dor, ser o alento errado, ser o desafogamento ruim. Eu não merecia nada disso, eu sou tão humana, ruim e boa como eles. Eles não eram melhores que eu para poderem ter esse privilegio.

E momento algum eu cheguei a pensar em ordenar que ela parasse. Eu pedia, eu implorava, meus olhos mais uma vez choravam, ela não tinha piedade nenhuma e eu não tinha força. Tudo o que eu sempre fiz foi deixar que os outros me dominassem, deixar que me dissessem que eu sou menor, que eu sou menos, que eu não sou digna.

Eu entendi só agora que eu permiti que essas pessoas tivessem controle sobre mim, eu percebo só agora o porquê seus olhares me magoavam tanto. Eu achava que eu era ruim e ela era boa. Ela me controlava porque eu deixei, porque eu assimilei que eu era inferior. Eu sempre tive medo deles, eu sempre errei, sempre tive medo de encarar os outros, de fazer com que me respeitassem porque eu achava que eu não merecia. Achava que eu merecia sofrer, no fundo eu acho isso. O ser humano nasce mal. Eu queria apenas a redenção, queria me redimir de tudo, dando esse controle sobre mim para alguém que eu sabia, iria me ferir. Eu me humilhei, deixei que me humilhassem, deixei assistindo impassivelmente, deixei porque eu achava que merecia.

Eu deixei que eles me fizessem acreditar que eu merecia tudo e que eles eram vitimas. Sempre os colocava em primeiro plano, sempre o problema deles, a família deles, as dores deles. Eles precisavam de alguém para caçoar? Isso iria aliviar a dor? Poderiam caçoar de mim. Precisavam de alguém par humilhar? Isso aplacaria o fogo que sentiam? Poderiam humilhar a mim. Eu deixei que eles me fizessem acreditar que eu merecia tudo, e que eles mereciam a paz.

Deixei pessoas erradas manipularem meus pensamentos. Justo eu que os achava tão elevados e tão sábios, justo eu que pensava deter um grande saber. Se você sente no fundo, que deixa alguém te controlar. Se sente que as pessoas que te fazem mal tem todo o controle da situação. Que se sente de mãos atadas, inútil, inferior, menos que outra pessoa. Saiba, você deu o controle a ela. Por algum motivo você deixou que ela te controlasse. Você permitiu tudo, seja para aliviar a sua dor de existir, seja para aplacar a dor dos outros – que também é sua dor de existir porque você sente a dor do outro – seja porque você é egoísta e acha que sempre a culpa de tudo é sua não dos outros, sempre a mártir, sempre sofrendo, sempre padecendo suas e outras dores. Se você recebe desprezo quando oferta amor. Se você sofre e sonha com quem te quer longe. Se você pensa ser o erro. Se acha que está fazendo tudo errado com a pessoa. Se você apenas quer sumir ao sentir o olhar dela no seu. Saiba: você deu o controle para ela.

Você precisa saber que o controle é seu. Precisa saber que, se finalmente eu ou Deus revelamos o maior erro da sua vida, está na hora de agir. Você precisa perdoar essas pessoas, mas perdoar a si mesmo. Precisa perceber que sofrendo a dor dos outros você não se cura e tampouco a eles. Precisa entender que ninguém é melhor que você e você não é mais que o outro. Que ninguém tem o direto de te humilhar, te diminuir, te fazer inferior. Esse controle, essa vida, são seus, quem deve controlar, escolher, selecionar o que fica e o que não, é você. Tire o controle dos outros, você sempre errou, sempre aturou mais que deveria. Está na hora de aliviar a carga. Está na hora de esclarecer que quem manda é você. Está na hora de explicar que você merece mais, merece amor que não é da pessoa. Você merece respeito e consideração assim como ela. Está na hora de entender que não há uma conspiração de todos a seu desfavor. Não existe este “coitadismo”, há apenas a liberdade que você dá ao outro de interferir na sua vida, de sugar como parasita o que você é, de te fazer esquecer quem você é e o que realmente acredita. Está na hora de saber que você tem o controle de tudo e o deu a todas as pessoas erradas apenas para se livrar da dor. Retome as rédeas, puxe-as, recomece o trote, está na hora da cavalgada ser apenas sua.

Eu demorei todos estes anos para chegar a essa conclusão, tudo porque uma menina de sapatos de plástico me fez pensar que eu era inferior a ela, alguém que eu nunca tinha visto na vida. Então estranha, se você está lendo isso eu gostaria de agradecer pelo dia em que cruzou meu caminho – nada acontece por acaso – então muito obrigada, você me fez ver o maior erro da minha vida, e, finalmente, ter ao menos a chance de consertá-lo.

Mirando-se no espelho.
18 coisas que você precisa saber antes de Morar Sozinho
Porque escolhi ser professora.
Em voga

Não quero flores.

08.03.16

 

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Não, não é mimimi! Se você não sabe então não exponha. Não defenda mas tampouco manche a grandiosidade do que lutamos.

Você não sabe o que é andar na rua olhando para todos os lados com medo de ser estuprada.

Você não sabe o que é ter de mudar de calçada quando um homem vem em sua direção.

Não sabe o que é tampar os ouvidos para não ouvir ofensas.

Não sabe como é ser vista como um objeto.

Você não sabe como é ter que sentir olhares em seu corpo.

Olhares que te fazem sentir exposta, vulnerável e suja.

Não sabe como é andar no meio da rua para evitar as calçadas, evitas os bares, evitar os grupos de homens.

Você não sabe como é ter de andar com um amigo para não receber uma “cantada”

Não sabe como é ter de usar calça quando está calor para não ser violentada.

Não sabe o que é andar em ônibus lotado, rezando para que atrás de você tenha não tenha um homem.


Não estou ignorando a violência contra os homens, mas é comprovado que o que nós sofremos é infinitamente maior, pela quantidade de mortes, estupros, sequestros e tantas outras formas de violência… Então não, não estou negligenciando os homens. Muito embora, em todas as pautas de luta SEMPRE o homem reclama que sofre as mesmas coisas. E então penso: Bom, vamos virar o jogo então, vamos deixar o homem cuidando dos filhos o dia todo enquanto eu trabalho, chego em casa e exijo almoço pronto, roupa lavada e casa limpa. Ou então vamos deixar o homem ser assediado por mulheres e chegar em uma delegacia em que a voz lhe é negada. Vamos deixar com que ele ganhe menos, que ele precise atender a padrões para ser aceito, que ele precise ignorar as ameças e os insultos que recebe para conseguir ter um pouco de lucidez. Vamos então colocá-lo no nosso mundo, que tal?

Quando ando nas ruas e vejo uma mulher perto de mim, o alívio e a segurança são coisas instantâneas (mesmo sabendo que não estou totalmente segura) mas pelo menos, entendo que há um código de segurança e de ética entre nós, que nos mantém unidas e que nos ajuda seja qual for a circunstância. Ter me mudado para São Paulo parece que reforçou em mim ainda mais essa ideia do medo. Tenho medo de andar na rua, de andar de noite, de usar shorts e até mesmo de cruzar olhares com um estranho. É horrível receber aquela olhada vulgar que te mede, o qual eles viram a cabeça e quase batem o carro para olhar, não porque esteja com roupa que “justifique” mas apenas porque sou mulher. Outro dia sai às ruas com calça larga de moletom, tênis e camiseta mais larga ainda; tudo isso apenas para receber os mesmo olhares, que não deveriam estar ai se aquela ideia do “tava pedindo” prevalecesse.

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Ninguém pede para ser estuprada, para ser morta, para ser olhada. Meu corpo não é um convite, é apenas meu corpo. As regras são minhas pelo simples motivo de que sou um indivíduo de vontade própria, não por algum mimimi que você supõe. Só quero ter os mesmos direitos que você tem, porquê trabalho mais; trabalho em casa e trabalho fora, porquê estudo mais – para tentar alçar um bom posto, porquê não ganho o mesmo que você ganha. Não posso ir aos lugares que você quer ir, não posso escolher quando quero ser mãe e se o quero ser. Não posso andar descompanhada sem medo. Não quero mais me sentir segura apenas quando tenho você ao meu lado. Não quero que os caras peçam desculpas a você quando se insinuarem para mim- fui eu a destratada e não você! Não quero mais ter de me casar para que a sociedade me entenda e me dê voz. Não quero lavar suas cuecas – não sou sua mãe, sou sua esposa. Não quero mais ter de cuidar dos nossos filhos sozinha! – você é tão pai quanto eu. Não aguento ter de passar por tudo, apenas para ouvir mais sobre como você é o pai de família.

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Antes que a refutação chegue em forma de: “não quer ser estuprada mas se for por um homem bonito e rico pode né?” NÃO! Por favor não cultivem esse maldito pensamento. Assim como você não quer ter seus direitos privados (por exemplo no seu futebol ou em qualquer outro lugar) nós também não queremos. A integridade é algo que deveria ser respeitado sem contestação, sem essas ideias totalmente sem noção! Antes de “secar” alguma moça na rua pense se fosse a sua mãe. Gostaria que ficassem olhando sem respeito para ela? Gostaria que falassem palavras baixas para ela? Gostaria que ela sentisse medo cada vez que passasse na frente de você? Pense se fosse ela, se fosse sua irmã, filha, prima, amigas, pense.

Então reflita como a moça da rua é um espelho das mulheres que você convive, como ela e todas nós merecemos as mesmas coisas que você. Como batalhamos por tudo isso recebendo apenas flores. Não quero flores, quero o fim da sociedade patriarcal, quero equidade de direitos, não quero ser superior. Antes que pense que o feminismo “é isso e aquilo” leia um texto incrível da Carta Capital e entenda que feminismo não é contrario de machismo. Entenda que eu não quero ser superior, quero ser igual, quero ter os mesmo direitos. Em algum  momento dos primórdios da humanidade a fragilidade da mulher como geradora fora confundida com incapacidade e com inferioridade. Em pleno seculo 21 está na hora disso mudar. Antes que venha me dizer de “alistamento obrigatório” se pergunte: “o que a mulher tem a ver com isso?” Quer lutar pela não obrigatoriedade do serviço militar? ÓTIMO, LUTE assim como nós lutamos pelos nossos direitos, se quiser a gente até ajuda você a lutar… Só não me venha querendo dar essa desculpa para menosprezar a nossa busca, os nossos direitos. Queremos o direito ao Pão e as Rosas, queremos apenas ser reconhecidas como humanos tanto quanto vocês.

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Esclarecendo sobre o feminismo

Há quem diga que o feminismo no Brasil não é levado a serio pelas feministas do exterior (as quais nos espelhamos, ao menos em tese). A verdade é que alguns atos considerados pró feminismo estão desconstruindo uma imagem de luta que havia sido feita e se transformando em algo quase piegas para os outros (não estou sendo contra, apenas esclarecendo). Entendo que não se depilar é um ato quase revolucionário contra os paradigmas e contra a indústria da beleza; mas não aderir a esse movimento não te faz menos mulher ou menos feminista. A verdade é que o feminismo possui várias pautas e nós escolhemos o que queremos concordar ou não; seguir ou não! É tudo um grande plano quando usamos a conversa e o debate acerca dos assuntos e não com “briguinhas infantis” na procura pela ideia certa.

Feminismo não tem nada a ver com deixar de usar batom, salto ou cercear sua liberdade sexual. Ninguém vai confiscar sua carteirinha de feminista se você usar rímel. Mas te abre para a possibilidade de só usar maquiagem quando quiser, não porque tem que obrigatoriamente estar impecável e linda todos os dias a enfeitar o mundo.

Existe essa grande falha lógica que é o sujeito achar que você tem que ser contra uma coisa pra ser a favor de outra; neste caso, “contra” os homens para ser “a favor” das mulheres. O feminismo não luta contra os homens, e sim contra o supracitado sistema de dominação, que, veja só, privilegia os homens e foi criado por… homens. Fica clara a diferença entre lutar contra um sistema e lutar contra todo um gênero?

Não é porque sou mulher que sou rodada. Você também é e não te julgam.

Não é porque sou mulher que meu lugar é na cozinha.

Você mora comigo e deve ajudar pois ninguém é superior a ninguém.

Não é porque uso roupa curta que sou puta.

Não me chame assim, não ofenda nem eu nem elas, para você isso é xingamento, para mim você não sabe.

Não é porque sou mulher que sou puritana, que sou inocente, que sou “careta”.

Não é porque sou mulher que você precisa mexer comigo, eu não sou nada sua então me deixa.

Não é porque sou mulher que não vou exercer meu direito de sujeito sexual.                                                                           N

ão é porque sou mulher que vou te obedecer. Eu sou só minha.

Os Meus 13 Porquês| Podem acreditar numa garota viva?
Como as bonecas Barbie influenciaram a imagem que eu tenho do meu corpo.
Desculpa, mas não dá pra ser um “Feliz Dia” das Mulheres
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