Em voga

Como as bonecas Barbie influenciaram a imagem que eu tenho do meu corpo.

12.03.17

Como as bonecas Barbie influenciaram a imagem que eu tenho do meu corpo.Foi depois de tirar de casa os últimos vestígios da minha infância, depois que encontrei duas imaculadas bonecas Barbie e uma Susi intacta, foi que tive aquele lampejo. O que aquelas bonecas haviam feito comigo durante todo esse tempo? Muito se fala sobre o corpo padronizado da Barbie, mas pouco ainda se comenta sobre os reais efeitos que a boneca provoca. Falando assim, parece mais que estou te apresentando a descoberta de um veneno que mata lentamente, ano a ano, e bom, é exatamente isso do que se trata.

Não, eu não estou dizendo que as bonecas Barbie devam ser extintas, que não devemos comprar mais elas para nossas irmãs ou primas e muito menos estou declarando guerra a elas. Na verdade, muito pacificamente, eu queria relatar o que foi a minha vida no quesito aceitação do meu corpoe como a Barbie sempre dificultou essa tarefa.

Já percebeu a minúscula cintura da boneca? Esses dias eu estava distraidamente observando um livro das princesas e assustada me dei conta: a cintura da Ariel era, proporcionalmente ao desenho, do tamanho do fininho braço da sereia. Foi ai que notei, aterrorizada, como essa realidade nunca antes havia me parecido tão gritante. Resgatei em ninha memória toda a imagem de Barbies e de Princesas, e todas elas, vinha, inexoravelmente acompanhadas de uma cintura inumanamente impossível de ser conquistada, com um cabelo cumprido e sedoso que só a mais rica das celebridades poderiam sequer ousar chegar perto; um corpo milimetricamente bem feito e proporcional; nenhuma manchinha na pele, nenhuma acne no rosto, nem sinal da mínima descompostura na maquiagem – e muito menos uma estriazinha que fosse. E tudo não seria terrivelmente assustador se não fosse pelo fato de que: eu sempre havia aceitado isso sem nem mesmo questionar.

Agora, se eu, com meus quase 20 anos de idade só fui me ater a isso agora, imagine essas bebês que com 3 anos já tem nas princesas da Disney e nas bonecas Barbie um ideal inalcançável e mentiroso de beleza? Você deve estar resmungando ok, mas aonde exatamente você quer chegar com isso? Bem, para responder essa questão, vou ter que contar um pouquinho sobre mim. Eu sempre, sempre mesmo, fui a gordinha da escola; em uma cidade pequena em que uma das melhores escolas da cidade era relativamente de alto padrão, não seria de se estranhar que as alunas fossem, eu sua grande maioria, simplesmente perfeitas. Quando digo isso, não quero ser rude, afinal se trata de minhas amigas, mas quero dizer que, todas tinham ótimas possibilidades e encorajamentos para frequentar uma academia na adolescência (lembro até hoje de uma amiga reclamando que estava gorda e feia por ter ganhado 2 quilinhos em uma viagem internacional), todas tinham acesso aos melhores dermatologistas, shakes para emagrecer, atividades físicas, cremes dermatológicos, tratamentos capilares e toda sorte de coisas estéticas que o povo diz “para nos deixar mais bonitas” Não que eu as esteja julgando, eu mesma já frequentei academia, usei/uso cremes para o rosto e infinitos para o cabelo entre tantas outras coisas, a questão não é essa, a questão é a cultura no corpo perfeito. O corpo perfeito sempre fora o meu sonho, passei boa parte da minha vida imaginando como eu seria feliz se tivesse o meu grande sonho de corpo, na minha mente pequena eu montava uma Samira Frankestein com um pedaço de um cabelo perfeito aqui, uma perna torneada de uma amiga alí, uma cintura de uma Barbie aqui e uma pele de uma fulana alí. Na minha mente, eu fazia listas enormes de tratamentos que eu gostaria de fazer, antes mesmo de sequer cogitar a possibilidade de me relacionar com alguém (sim, o meu trauma era tão grande que eu sequer pensava na possibilidade de alguém “me querer”)Como as bonecas Barbie influenciaram a imagem que eu tenho do meu corpo.E quem sempre estava comigo em minha mente? Quem sempre me lembrava que eu deveria ter uma cintura fina e uma pele macia? Quem sempre me encorajava a mais uma vez, pensar em intervenções cirúrgicas ou caminhos que me levariam à doenças como bulimia? Lá estava a maldita boneca Barbie, como que zombando de mim e de todos os meus esforço para me igualar a ela. E não queira mentir, você sabe que todas sonham ser ela, você sabe, quando sua filha leva sua boneca para todo canto; sabe que para ela só existe a loira e branca Barbie, a perfeita e rica Barbie, a linda, a glamourosa, a perfeita boneca – que tem tantas profissões quanto seja possível mensurar, que tem tanto dinheiro quanto alguém poderia imaginar, que tem tudo o que ela, eu e você sempre quisemos. Então, o erro talvez não esteja no status que a boneca apresenta – isso pode ser até um estímulo para as meninas estudarem com mais afinco – mas sim no caráter irreal que ela nos apresenta. Hoje eu falei apenas do que me marcou, do que me tocou na minha infância, mas talvez outros males tenham sido alimentados a partir da figura icônica e inalcançável que a Barbie é.

Em contrapartida, a boneca Susi. Minha sábia vó sempre me disse essa boneca é muito mais bonita que a Barbie, mas eu, em meus sentidos cegos de criança, nunca acreditei. Hoje, quando avistei minha boneca novamente, fui obrigada a concordar com a minha avó; eu havia me visto na Susi. A Susi é mais torneada, musculosa, alta e senhora de si; sua cintura não é do tamanho de seu pulso, suas pernas não são dois cambitos por onde um boing poderia passar. Seus braços não são fininhos ao ponto de quebrar e nem seu cabelo parece ansiar ser a tremenda perfeição que a Barbie quer. Então porque será, que eu achava a Susi uma boneca tão feia? No fundo, eu sei a verdade, eu a odiava porque ela estava muito mais próxima a mim do que a minha ídola Barbie, ela poderia muito bem me representar, poderia muito bem ser um lampejo do meu futuro – e nada, absolutamente nada, que não fosse tremendamente magro e esquio, loiro e liso, claro e belo, eu queria para o meu futuro e para o meu presente. Isso porque eu sempre fui humilhada pelo meu peso, odiada pelo meu cabelo meio armado, desprezada por não ter uma pele perfeita, mas principalmente por não ter aquela cintura perfeita, aquele peso correto, aquele corpo escultural e sequinho. Nunca ninguém quis ser menos do que a Barbie – e nem pensaram em me apresentar firmemente, algo que fosse menos do que ela.

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Kit Antiemborrachamento para Cronograma Capilar e Regeneração

09.03.17

Kit Antiemborrachamento para Cronograma Capilar e Regeneração da Magic Color, resenha por Samira Oliveira para o Blog Dezoito em PontoCabelos coloridos precisam de muitos cuidados – e os que são ruivos com henna também! Por isso hoje trago uma resenha do Kit Antiemborrachamento da Magic Color e meus planos para usá-lo num Cronograma Capilar. Quer saber como funciona o esse Kit e como ele pode ajudar seu cabelo? Então vem comigo!

Recebi esse kit maravilhoso semana passada e já fui o mais rápido possível testar. Para quem não sabe sobre a minha saga em busca do ruivo dos sonhos, te aconselho a ler esse post, mas se você já é colorida faz tempo (unicórnios, alô?) ou mesmo se o seu cabelo é virgem, tenho certeza, vai amar esses produtos! Primeiro, vamos explicar: meu cabelo é ruivo com henna – pretendo fazer um post bem completinho falando sobre ela. Resumidamente, a henna é uma planta de onde se extrai o pigmento lawsona que depois de preparada corretamente, fixa-se nas moléculas de queratina do fio – por isso, é muito importante que o cabelo esteja bem nutrido (e com a queratina necessária, para que a molécula que colori possa aderir ao fio – e é dessa forma que henna não desbota, sabia?). Por isso eu costumo hidratar o cabelo 2 vezes por semana (sem cronograma, só hidratação com máscara) então meus cabelos não chegaram ao estado crítico do Emborrachamento (fios finos, quebradiços e fracos). Porém, como a queratina é imensamente necessária aos meus cabelos (devido à fixação da henna), esse Kit veio muito a calhar.

O Kit Antiemborrachamento da Magic Color é reconstrutor e pretende principalmente, repor a queratina dos fios. A henna é interessante pois, sua molécula de cor acaba preenchendo e revestindo a cutícula do fio e selando cutículas abertas. Entretanto, a henna não substitui a queratina e tampouco outras proteínas e vitaminas que o cabelo necessita – e é ai que entra a Magic Color!

O tratamento é composto de 5 passos que devem ser usados de 1 vez só na primeira aplicação – para as outras semanas montaremos um cronograma capilar com o Kit todo, combinado? Depois de hennado eu sinto meu cabelo mais encorpado (devido à lawsone que se assomou à queratina já existente), porem como fazia muito tempo que eu não reconstruía o cabelo, sentia que estava faltando algo, principalmente brilho e força. E os produtos Antiemborrachamento vieram me salvar nesse quesito.Kit Antiemborrachamento para Cronograma Capilar e Regeneração da Magic Color, resenha por Samira Oliveira para o Blog Dezoito em Ponto

  • Passo 1: É um Shampoo, ele é transparente e faz bastante espuma (sabe quando você lava o cabelo em salão e fica aquela sensação gostosa de limpeza? Bom, o shampoo faz isso, me lembrou até um shampoo antirresíduos só que sem ressecar. E uma coisa maravilhosa pra quem tem cabelo de Rapunzel: um tiquinho de produto  já faz bastante espuma e limpa toda a raiz (yes!). Além disso, contém óleo de babosa (nutrição) e controla o Ph das fios (que é preferencialmente ácido) e é liberado para Low Poo por não contem Sulfato, Parabeno e Petrolato.
  • Passo 2: Queratina Hidrolisada; essa belezinha vem em um frasco de espirrar e também rende que é uma beleza! Após lavar com o Shampoo, deve-se espirrar a queratina altamente concentrada, da raiz até as pontas mecha por mecha, de modo a cobrir todos os fios. O cheirinho se assemelha ao de pudim (amo!) e é bem fácil de aplicar. Depois é necessário marcar 10 minutinhos no relógio, esperar a queratina agir e não enxaguar!
  • Passo 3: Regenerador Capilar; deve ser aplicado por cima da Queratina Hidrolisada, ela irá selar as cutículas e envolver o cabelo como que em um filme protetor, impedindo a agressão por produtos químicos. Depois de passar da raiz às pontas, é necessário não massagear o couro cabeludo e utilizar uma touca (eu usei uma touca térmica) para potencializar o resultado – ah e esperar mais 15 minutinhos. Ele contém Queratina, Aminoácidos e demais ativos que tratam a fibra capilar e selam as cutículas dos fios.
  • Passo 4: Máscara Reconstrutora; adorei essa máscara, ela é bem hidratante (coisa que cabelo hennado precisa muito) e é bem grossina também. Eu apliquei no cabelo todo (menos na raiz) e deixei com a máscara por 20 minutos. Depois de usar senti o cabelo mais macio e visivelmente hidratado – mil pontos para essa máscara, normalmente eu uso umas 3 colheres cheias de máscara hidratante após hennar, dessa vez, 1 colher supriu muito bem e hidratou muito mais. Ela conta com Geleia Real, Proteínas do Leite e Óleo de Coco (outro amorzinho pra nutrição ;) ) – reestrutura e reequilibra o pH do cabelo, principalmente os mais maltratados por processos como coloração, descoloração, permanente e alisamento.
  • Passo 5: Hair Brushing; sabe aquele produto que você tem certeza que vai levar pro resto da vida? Então, é esse! Se você não puder comprar de cara, o kit todo, então pelo menos invista nesse finalizador (depois, tenho certeza que você vai se apaixonar e querer usar todos os outros). Eu amo, amo amo de paixão reparador de pontas (aqueles óleos com silicone que a gente usa no cabelo para deixá-lo com mais brilho), mas infelizmente, sempre que eu uso algum ele fica meio oleoso e deixa os fios pesados. E o que acontece com esse produto divo? Totalmente o contrário, primeiro, ele tem um cheirinho delicioso de Bubaloo (como amo esse chiclete!) e uma textura bem macia. Além de cauterizar e alinhar os fios, dispensando o uso de reparadores de pontas. Deve-se usar com os cabelos ainda úmidos e limpos, em  todo comprimento para proteger termicamente – também pode ser usado antes de uma escova para proteger da super agressão que os fios sofrem nesse processo. Mas o mais delicinha dele: pode ser usado nos fios secos como meus antigos reparadores de pontas! Agora, o que eu achei: ele deixou o cabelo muito leve e macio, a textura estava tão gostosa que eu queria ficar passando a mão no cabelo toda hora! Além de tudo, ele ainda controla o frizz muito bem (2 dias após a lavagem os fios ainda estão assentados) e não deixa com aquele aspecto molhado meio oleoso e pesado dos outros finalizadores.

Kit Antiemborrachamento para Cronograma Capilar e Regeneração da Magic Color, resenha por Samira Oliveira para o Blog Dezoito em PontoEm resumo, meus cabelos ficaram muito bem regenerados, hidratados e com um brilho muito incrível! Em um mísero 1 dia já ouvi uns 5 elogios ao meu cabelo (aquele momento que a gente chora de emoção, né?) E devo todo esse carinho ao meu kit da Magic Color e à minha henna maravilhosa!

Mas os cuidados com o cabelo não param por ai, certo? Como eu já fiz a etapa de reconstrução ao usar todos os produtos juntos (inclusive a queratina) e ao hennar, as próximas etapas do cronograma serão de hidratação e nutrição. O Shampoo usarei para fazer o papel da nutrição (mas poderia usar todos os dias tamém!). Para a hidratação usarei a Máscara Reconstrutora por conter Geleia Real, Óleo de Coco e Proteínas do Leite. E para a reconstrução: Queratina Hidrolisada e Regenerador Capilar. Depois vou voltar para contar os resultados do meu Cronograma Capilar com o Kit Antiemborrachamento da Magic Color.Kit Antiemborrachamento para Cronograma Capilar e Regeneração da Magic Color, resenha por Samira Oliveira para o Blog Dezoito em Ponto

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Desculpa, mas não dá pra ser um “Feliz Dia” das Mulheres

08.03.17
Desculpa, mas não dá pra ser um "Feliz Dia" das MulheresEsse é um basta no meu dia, no dia delas e talvez no seu também.

Não será um “Feliz” Dia das Mulheres enquanto você deslegitimar nossa luta com ares de superioridade. Não tem sentido entregar algumas flores no dia 8 de março e continuar os outros 364 dias espancando sua esposa, humilhando sua ajudante doméstica e explorando a trabalhadora da sua empresa. Não adianta desejar um “Feliz Dia” se você não admite a existência de mulheres trans, se você não suporta ver uma mulher lésbica e se te ofende tanto as escolhas de uma outra mulher.

Enquanto os salários não forem justos, não será um “Feliz Dia”; enquanto a moça que passa na rua não puder caminhar em paz, não será um “Feliz Dia”. Enquanto a gente ainda tiver medo de andar na rua; enquanto ainda precisarmos nos manter perto de amigos, irmãos e pais para conseguir o mínimo de respeito, enquanto ainda tivermos que aguentar uma objetificação diária, enquanto ainda houver mulheres que se submetem à maus tratos por medo de denunciar o agressor, enquanto ainda houver um numero altíssimo de mortandade feminina, enquanto mortes sejam facilmente justificadas por “amor”, enquanto tantas outras mulheres ainda sejam consideradas menos, enquanto tudo isso acontecer, não tem como aceitar um “Feliz Dia das Mulheres”

Vejo pelas redes sociais mulheres reclamando que não receberam uma rosa sequer. Mas onde está o reconhecimento nos outros dias do ano? Não adianta implantar um dia que sirva apenas como uma trégua na vida, um dia em que “em tese” a mulher deva ser respeitada, admirada e recebida com beijos e palavras carinhosas. Nada disso fará diferença na vida das mulheres que você ama, se isso for ato exclusivo do dia 08 de março.

Mas se você realmente quer homenagear sua mãe, irmã, esposa, amiga, funcionária, e todas as mulheres do mundo, comece nos ajudando a mudar o pensamento patriarcal e machista que está quase que fundido na nossa sociedade. Sabe aquele amigo que se orgulha em difamar a ex namorada? Sabe aquele outro que incomoda mulheres que andam na rua com roupas “curtas”? Sabe quando você começa um grande discurso reclamando da “desigualdade” do feminismo? Ou quando você chantageia emocionalmente sua namorada, quando diz que sem você ela não será feliz porque ninguém mais vai gostar dela. Ou quando você desrespeita sua professora; quando usa de palavras que remetem à sexualidade para “ofender” uma mulher, quando impõe à mulher que é obrigação dela estar sempre depilada e arrumada (afinal, somos apenas objetos decorativos, não é mesmo?), quando você diz que “o feminismo tá ficando chato ein, as feminazis estão atacando”, quando você discrimina outra mulher por ser negra, trans, gorda ou lésbica, quando você não deixa que sua namorada reclame, quando impede que a voz dela seja ouvida, e tantos outros atos, que você deve achar tão “pequeno” mas que são graozinhos de areia que constroem o muro que nos separa da igualdade, que nos separa da dignidade e da justiça – que aliás, vocês tanto nos desejam nesse dia de hoje.

Sem mais, deixo um pequeno poema meu, pois a melhor forma que encontrei de militar no feminismo foi com as minhas palavras. Espero que goste e reflita ;)

E agora Maria?
E agora que a realidade grita?
E agora que eles se foram?
E agora?
Como fica você?
Como ficarão seus filhos?
E agora? E agora que não tem dinheiro?
E agora que só tem tristeza?
– mas tristeza não alimenta os pequenos
E agora que só tens o pó?
Quem pagará para que você vá se tratar?
Quem te acalentará sendo tal missão possuída apenas por ti?
E agora Maria?
Sua dignidade como fica?
E agora que chorou e que pediu?
Em vão.
E agora Maria? Como voltará?
Suada pelo trabalho e pela corrida.
Em pânico, é mais um dia.
Com dor, já se acostumou
Ferida, humilhada como já foi.
E agora? Que dirá seu marido, Maria?
Como irá dormir com uma puta como você, Maria?
E agora?
Para ondes vai correr? Tem seus filhos para alimentar, para curar.
Suas lágrimas não serão secas por alguém.
E agora?
Vai a delegacia? Pra quê? – Humilhação por humilhação passo em casa.
E agora? Quem vai te proteger amanhã? E depois? Quem vai lutar por você?
Outro dia está nascendo e você nem pra casa foi.
Dorme e finge que amanhã estará tudo bem.
Vai passar – o que eles dizem.
Culpa sua – é o que vão dizer.

Samira Oliveira

Ilustração por: Negahamburguer

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18 coisas que você precisa saber antes dos 18 anos

03.03.17

Ah, a tão sonhada maioridade! Quem nunca sonhou com os gloriosos 18 anos? Quem nunca planejou mundos e fundos; sonhou, contou os dias, contou as horas e guardou cada data de aniversário, apenas esperando o maravilhoso, o esplendoroso 18 aninhos de vida? Se  você ainda está esperando então não pode perder esse post. E se você já passou dos 18 faz tempo, fica mais um pouco, e me conta se você concorda com essas 18 coisas que você precisa saber antes dos 18 anos. Se não concordar, você puxa minha orelha nos comentários, combinado?o que

  • O que  é que eu vou fazer com essa tal liberdade…

Sabe essa música? Então, essa letra já resume tudo! Sei que você pensa que vai poder sair por ai, voltar a hora que quiser em casa – sem ninguém pra pegar no seu pé ou encher a paciência. Que vai poder fazer literalmente o que quiser sem seus pais te controlarem. Bem, se você vive no Brasil, se prepara, os pais daqui são superhipermega protetores seja com um filho de 3 ou 50 anos. No meu caso, minha avó continua me controlando mesmo eu tendo 19 anos – e também não poderia ser diferente, eu dependo financeiramente dela *e você ainda deve depender dos seus pais também*. Mas ai você me diz: ah Sami, mas tudo bem, tudo beleza, eu arranjo um empreguinho… E ai temos a segunda lição que você precisa aprender (o quanto antes):procurando

  • Procurando emprego.

Esse “filme” é bem a nossa realidade. Primeiro que arranjar emprego não é fácil – principalmente no atual estado do país. Segundo, que geralmente você precisa de uma qualificação que vai além do ensino médio. E além de tudo, se você deseja estudar + trabalhar, já vai preparando a agenda ai, porque você terá horários fixos de trabalho – a não ser que você seja como eu (blogueira) e possa trabalhar de madrugada até o sol raiar e o resto do dia usar para os estudos, ai tudo bem. Caso contrário, se prepara para fazer algo que você não seja muito bom – por exemplo, ontem eu pensei que deveria achar um outro emprego para complementar, e então pensei em fazer faxina (claro, por que não Samira? Bom, porque não, porque eu mal sei limpar um chão, e só fiquei craque por causa da Jacque hehe), rodar bolsinha? Pior ainda, pelo que andei vendo tem uma máfia até no emprego mais antigo do mundo. Olhar carro? (a mesma novela). E bom, claro que eu falei tudo isso brincando né? Se eu tivesse tempo para trabalhar em mais alguma coisa estaria dando aulas particulares ou trabalhando para alguma empresa de mídias digitais mesmo.post vestidos fofos (2)

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“The Heart of Betrayal” – Mary E. Pearson | Ódio e Poder

27.02.17

Resenha crítica de "The Heart of Betrayal" de Mary E. Pearson, por Samira Oliveira no Blog Dezoito em PontoQuando um livro te estabelece um padrão, é difícil vir uma continuação que aumente esse padrão. The Heart of Betrayal conseguiu elevar até mesmo os critérios de qualidade, que estabeleci na resenha anterior, de  The Kiss of Deception.

Livro: The Heart of Betrayal
Série: Crônicas de Amor e Ódio
Autor(a): Mary E. Pearson
Editora: DarkSide
Genero: Fantasia
Páginas: 395
Classificacao:
Sinopse: Lia e Rafe estão presos no reino barbárico de Venda e têm poucas chances de escapar. Desesperado para salvar a vida da princesa, Kaden revelou ao vendano Komizar que Lia tem um dom poderoso, fazendo crescer o interesse do Komizar por ela. Enquanto isso, as linhas de amor e ódio vão se definindo. Todos mentiram. Rafe, Kaden e Lia esconderam segredos, mas a bondade ainda habita o coração até dos personagens mais sombrios. E os vendanos, que Lia sempre pensou serem selvagens, desconstroem os preconceitos da princesa, que agora cria uma aliança inesperada com eles. Lutando com sua alta educação, seu dom e sua percepção sobre si mesma, Lia precisa fazer escolhas poderosas que vão afetar profundamente sua família… E seu próprio destino.

Se você caiu de uma muralha até aqui, te aconselho a ler primeiro a resenha The Kiss of Deception antes de prosseguir. ATENÇÃO: contém spoilers referentes ao livro anterior.

Após a firme decisão de Kaden em salvar a vida de Lia e o mortífero caminho que ele e os demais soldados vendanos seguiram de Terravin até Venda, Lia ainda guarda dentro de si, trechos da maior relevação de sua vida. A partir de seu dom com traduções, Lia finalmente compreende o que os a “Canção de Venda” quer revelar para seu caminho. “Crônicas de Amor e Ódio” nunca se mostrara um subtítulo tão exato para a trilogia; se na obra anterior, o que prevalecia era o amor, a esperança e os sonhos – inclusive intimamente conectado com o título, quase gentil, frente ao do volume II – nessa continuação o que emerge é o ódio, sendo o amor e a bondade traços escassos e raros durante o decorrer da história.Resenha crítica de "The Heart of Betrayal" de Mary E. Pearson, por Samira Oliveira no Blog Dezoito em PontoA atmosfera da narração foi inteiramente atingida pelo característico “ódio” apresentado por Mary; se antes podíamos sentir a leveza da esperança, do jogo de amor, das pequenas intrigas e da calorosa amizade; agora só podemos ver o ardor da raiva, a sede por vingança e desejo mudo de libertação. A paisagem, passou de amigáveis casinhas coloridas e pastos infindáveis, para construções sobre ossos dos Antigos, que se amontoam uns sobre os outros, conforme a necessidade de se expandir. Pedra sobre pedra, destroços sobre esperança, névoa, sombras, caminhos que terminam abruptamente e, finalmente, o horror da fome e da morte. Esse é o cenário inicial que nossa Primeira Filha de Morrighan se encontra – e sem quase nenhuma centelha de sair viva de seu cativeiro. Venda lhe parece o perfeito inferno na Terra, justo ela que fugiu de um simples casamento para tentar ser livre de todas as formas, agora estava presa em um reino distante, mantida como prisioneira contra sua vontade, humilhada de todas as formas possíveis, e sempre com um martelar longínquo de preocupação: “Venda não faz prisioneiros”.

Mas como descobrimos no livro anterior, Rafe estava em seu encalço – diversas vezes cheguei a pensar que talvez ele não chegasse vivo, para ser sincera, cheguei a desejar que tal fato acontecesse, e hoje sei: ele estaria mais seguro morto.

“Meunter ijotande. Enade nay, sher Komizar, te mias wei etor azen urato chokabre.”

O temido Komizar é um personagem muito único e marcante, sua forma de governar ecoa um pouco em todos os países – seja pela corrupção com que é feito, seja com a bem quista proximidade com seu povo – enquanto, por um lado, ele visita todos os povoados do seu Reino, por outro, ele parece comprar seu poder – alimentando a crença que eles tem no dom, e buscando sanar a fome física com a religião quase cega. Com poucos grãos e uma nova isca, o Komizar é o dragão que rouba almas, que não tem limites, que parece nunca ter conhecido sentimento diferente do que a sede de poder e vingança.Resenha crítica de "The Heart of Betrayal" de Mary E. Pearson, por Samira Oliveira no Blog Dezoito em PontoOs enxertos que nos acompanham por toda a leitura da narrativa, se mostram mais conectados e importantes do que nunca. Suas palavras gritam umas com as outras, suas histórias saltam aos nossos olhos bem na hora em que buscamos uma mísera resposta – sem mais palavras adicionais, Mary nos dá pequenas folhas de tannis para que possamos sobreviver à essa mortal viagem. Essas histórias todas fizeram-me lembrar de como os contos de fadas viajaram gerações e épocas, de como cada avó passava a história para seus netos em volta de um fogueira. Como cada um que contava mudava algo da história, sendo hoje, praticamente impossível ter certeza sobre qual realmente é a história original. Isso porque elas foram se amontoando umas às outras, se criando e recriando, até que os Irmãos Grimm coletaram e modificaram as histórias contadas. Assim também acontece com os 3 mecanismos de entendimento: “Os Últimos Testemunhos de Gaudrel”,”Livro dos Textos Sagrados de Morrighan” e “Canção de Venda”. Ao fim, veremos um inesperado final, onde as histórias serão recontadas e os pontos de vista duvidados. Onde tudo o que sempre se acreditou talvez fosse tremendamente falso, tudo o que foi ensinado talvez esteja tremendamente errado – onde demônios se tornam anjos e mocinhos se mostram vilões, na história e na atualidade da obra.

As regras da razão constroem torres que vão além das copas das árvores. As regras da confiança constroem torres que alcançam além das estrelas. – Venda

Confiança, amizade, lealdade e poder se confundem. Ódio, vingança, ressentimento, raiva e humilhação são tantos outros temperos nos apresentado. Com mais batalhas, sangue derramado, dom e amizade, The Heart of Betrayal te promete deixar com os olhos grudados desde a capa maravilhosa feita pela sempre impecável editora DarkSide, até sua narrativa fantástica. Se antes tínhamos detalhes em dourado – como a fitinha de marca páginas e a contracapa – agora a editora nos apresenta detalhes que não são nem exatamente bordô nem exatamente vermelho, nos dando a dica de que seus detalhes é mais parecido com a pungente cor de sangue – que pode representar tanto a devoção quanto a traição. Para proteger as contracapas, essa edição ainda conta com dois plásticos transparentes que me atrapalharam um pouco na leitura – e que eu só recoloquei no livro ao final da leitura – e um marca página com a capa maravilhosa do livro.Resenha crítica de "The Heart of Betrayal" de Mary E. Pearson, por Samira Oliveira no Blog Dezoito em Ponto

  • SPOILERS necessários para a minha boa saúde mental.

Agora, você que já leu ambos livros, se lembra quando eu comentei na outra resenha, sobre minhas suposições acerca dos textos que nos eram apresentados? Pois bem, acho que eu estava quase certa. Afinal, Gaudrel fora no fim, irmã de Venda – que foi empurrada da muralha em que declamava e considerada “louca”, por seu marido.  O livro de Gaudrel foi escrito em nômade, por isso Lis conseguiu traduzi-lo (ela tinha o livro que lhe foi dado pelo Sacristão de Terravin). Além disso, Morrighan era quem escutava as histórias de Gaudrel, sendo portanto ela uma Antiga sobrevivente já que seus pais eram como deuses (uma qualidade apresentada negativamente nos registros de Morrighan). Também descobrimos que Morrighan foi roubada de sua ama, Gaudrel, pelos abutres, e foi utilizada por eles para que guiasse os Remanescentes – graças ao seu dom. Descobrimos na verdade, que não se tratava de Nobres Remanescentes escolhidos, mas sim, de pessoas tão miseráveis quanto abutres, que foram capazes de sequestrar a menina. Mas nos resta ainda saber, qual o papel do anjo Astes, minha teoria é de que o anjo é mãe de Gaudel e Venda, mas ainda estou bem confusa quando a isso. O que você acha sobre esses parentescos da história, e sobre o destino de Lia?

Morrighan ergueu sua voz,/Aos céus,/Beijando dois dedos,/Um para os perdidos,/E um para aqueles ainda por vir,/Pois a separação entre os bons e ruins/ainda não estava acabada. -Livro dos Textos Sagrados de Morrighan, vol IV-
Resenha crítica de "The Heart of Betrayal" de Mary E. Pearson, por Samira Oliveira no Blog Dezoito em Ponto

Jack O Estripador – Rastro de Sangue | protofeminismo na Londres Vitoriana, suspense e cadáveres
Esse livro me salvou – A Guerra Que Me Ensinou a Viver da DarkSide Books
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