Literatura

Resenha: Chronos – viagens entre páginas e tempos

20.02.19

A série Chronos me conquistou logo com o primeiro livro Chronos – Viajantes do Tempo e sua continuação Chronos – Limites do Tempo não poderia ser diferente.  Um livro escrito por Rysa Walker e editado no Brasil pela nossa parceira DarkSide Books. Nesse volume 2 a narrativa de mostrou mais complexa ainda e muito densa. E eu gosto de livros, filmes e histórias no geral que desafiem meu cérebro e minha forma de pensar. Foi exatamente isso que Chronos me ofereceu.

Resenha de Chronos – Limites do Tempo

Essa novo livro abordou questões ainda mais sérias e complexa como o racismo, o sexismo e homossexualidade através do tempo. Logo no começo em algumas boas dez páginas a autora se debruçou a colar pontas soltas e esclarecer pontos que não tinham ficado tão claro ou mesmo tenha sido esclarecido no livro anterior. Uma vez que tudo estava acertado a narrativa prosseguiu fluída e conexa.

As questões religiosas foram ainda mais problematizadas. No primeiro livro começamos a entender a gravidade da situação mundial com a nova e estabelecida religião cirista. Que criada pelo avô de Kate, Saul, prega a aceitação de todas as pessoas mas também a valorização do dinheiro e dos negócios. Que engloba todas as necessidades e teorias da necessidade religiosa uma vez que oferece abrigo aos menos abastados mas também sustenta templos gigantescos.

É contraditória pois prevê um futuro cheio de catástrofes – que nem os viajantes no tempo nem a própria Kate da atualidade sabe ao certo qual é – mas incentiva que seus seguidores apostem no mercado financeiro. Quase um clube fechado de pessoas poderosas em todo o canto. De gente que se une para supostamente ajudar ao próximo mas que tem esperança de serem os poucos escolhidos dentro do mundo. Isso porque Saul planeja um evento grandioso chamado de Abate que é literalmente a morte de praticamente toda a população mundial e só alguns poucos serão poupados – e é claro que esses poucos necessariamente são seus seguidores.

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Decoração

Plantas dentro do quarto – Pode e DEVE! Saiba quais usar.

16.01.19

Vaso de plantas dentro de casa e principalmente ter plantas dentro do quarto pode trazer vários benefícios a sua saúde. Mas você sabe quais plantas você deve ter dentro do quarto para te ajudar a dormir melhor e a melhorar sua qualidade de vida? Sabe todos os benefícios em ter essas plantas medicinais e ornamentais no seu quarto? São essas perguntas que vocês me mandaram lá no Instagram @samira_omg e que irei responder neste artigo.

Plantas dentro do quarto - Pode e DEVE! Saiba quais usar. plantas dentro do quarto que vão te ajudar a dormir melhor e diminuir ansiedade por Samira Oliveira em dezoitoemponto.com

Por que você sempre ouviu que não pode ter planta dentro do quarto?

 

Há quem pire quando vê vasos de flores dentro de quartos de hospitais. Ou que já saia deixando qualquer vasinho de cacto o mais longe possível de onde dorme. Essa preocupação tem fundamento, sabe por que? A respiração das plantinhas envolve o consumo de oxigênio – que como sabemos é o que nos mantém vivos.

De dia, com a luz do sol, as plantas compensam esse consumo de oxigênio com a respiração por fotossíntese. Esse processo faz com que o vegetal absorva gás carbônico do ar e libere oxigênio. O que já é um ponto benéfico para os outros seres que passam assim, a ter um ar mais limpinho. Á noite, sem ter a luz do sol para o processo, ela volta a respirar um pouquinho do oxigênio que havia liberado. Mas fique tranquila, não vai faltar ar no seu quarto! Isso porque a quantidade consumida por um vegetal não chega nem perto do quanto um cachorrinho respira. E se seu bichinho de estimação dorme com você no quarto e você ainda está vivo, não vai ser as plantas que vão te matar né?

Plantas para ficar dentro do quarto

Plantas dentro do quarto - Pode e DEVE! Saiba quais usar. plantas dentro do quarto que vão te ajudar a dormir melhor e diminuir ansiedade por Samira Oliveira em dezoitoemponto.com

  • Hera

A minha preferida, ela é uma planta ornamental e muito linda. Ainda dá aquele ar vintage que a gente tanto vê pelo Pinterest e deixa a decoração do quarto com um charme a mais.

Quais Benefícios da Hera dentro do quarto?

Quanto aos benefícios para a saúde, a hera é perfeita para os alérgicos (como eu) e asmáticos. Isso porque a planta tem o poder de purificar o ar e ajuda a reduzir drasticamente a quantidade de mofo no ar. Entre as toxinas que a Hera absorve do ar estão:

  • benzeno: presente em fumaça de cigarro, detergentes, tinta, verniz e produtos de borracha para limpeza. É cancerígeno e se acumula no tecido adiposo. Ele acaba causando uma excitação como a alcoólica, dificuldade para respirar e convulsões. Além disso, diminui a pressão arterial.
  • formaleído: presente em :móveis, tapetes, materiais de tapeçaria, fumaça de cigarro, restos de plástico e gás. Ele produz reações alérgicas, irritação e asma.

Plantas dentro do quarto - Pode e DEVE! Saiba quais usar. plantas dentro do quarto que vão te ajudar a dormir melhor e diminuir ansiedade por Samira Oliveira em dezoitoemponto.com

Como cuidar da planta Hera (Hedera helix) em vaso

Ela é uma planta resistente, eu moro em São Paulo e rego ela duas vezes por semana. Em locais mais quentes ou em períodos mais quentes e secos é bom regar dia sim dia não. Já em locais mais frios, uma vez por semana é suficiente.

Atenção: Os frutos da Hera e a seiva são tóxicos portanto mantenha longe de crianças e animais. O contato com a seiva pode provocar dermatite alérgica e  incômodo. Ao ingerir folhas ou frutos as consequências são: vômitos, náusea, diarreia, dor abdominal e problemas respiratórios. Caso isso ocorra procure um médico.

Plantas dentro do quarto - Pode e DEVE! Saiba quais usar. plantas dentro do quarto que vão te ajudar a dormir melhor e diminuir ansiedade por Samira Oliveira em dezoitoemponto.com

Ela não é uma planta parasita pois não se alimenta da seiva de outras plantas para a sua sobrevivência. O que é comum é ver a Hera em muros ou se apoiando em troncos de árvores. As folhas dessa planta são de coloração verde escura e brilhante e suas flores são hermafroditas e pequeninas, possuindo coloração amarelo-esverdeada. O período de floração ocorre entre setembro e outubro. Locais úmidos são preferidos pela hera.

Plantas dentro do quarto - Pode e DEVE! Saiba quais usar. plantas dentro do quarto que vão te ajudar a dormir melhor e diminuir ansiedade por Samira Oliveira em dezoitoemponto.com

  •  Espada-de-São-Jorge

 Resistente e extremamente fácil de cuidar é uma das melhores plantas para ter dentro do quarto. Isso porque ela libera oxigênio a noite. Além disso ela é resistente a variações de temperatura e se desenvolve consideravelmente rápido. É boa para eliminar benzeno, xileno, formaldeído e também o tolueno e o tricloroetileno do ar. Com isso, a planta pode ajudar a prevenir irritações nos olhos, problemas respiratórios e dores de cabeça, e também ajudar a se sentir mais disposto.

Na foto você pode ver meu Painel da Gratidão e Mapa dos Sonhos. Fiz um vídeo ensinando a fazer ele lá no canal e acho que pode ser útil para você!

Utilidades mágicas da planta (Sansevieria trifasciata)

Se você tem familiaridade com magia deve conhecer a espada-de-são-jorge como a planta ideal para fazer banhos de proteção e abertura de caminhos. Para isso basta cortar a folha em 7 e colocar para ferver em 1 litro de água por 3 minutos. Deve jogá-la sobre o corpo após o banho higiênico e preferencialmente na lua nova. Também já a usei em banimentos (junto de sal grosso e intentos).
Outro ponto místico interessante da espada-de-são-jorge é que ela protege o ambiente da entrada de energias negativas quando colocada na porta da casa (dentro ou fora). Eu coloco a minha ao lado da porta do meu quarto (nessa espécie de mesinha amarela) porque meu quarto é a parte mais importante da minha casa e onde eu passo mais tempo.
Atenção: A planta espada-de-são-jorge também é toxica para animais, eles não podem nem ficar perto delas. Portanto se você tem um bichinho de estimação opte por outra planta, okay?
Plantas dentro do quarto - Pode e DEVE! Saiba quais usar. plantas dentro do quarto que vão te ajudar a dormir melhor e diminuir ansiedade por Samira Oliveira em dezoitoemponto.com
  • Gérbera

Elas são ideias para serem usadas no quarto porque liberam oxigênio durante a noite, o que mantem o ar purificado na hora  de dormir.  Se você sofre de apnéia ou alergias, então estas margaridas são definitivamente recomendadas. Além disso elas são lindas e bem resistentes, precisando de regas apenas quando o solo estiver seco. Para saber quando regar coloque um dedo na terra, se estiver úmido ainda não precisa de rega, se estiver seco, é bom regá-la – mas sem encharcar.



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Literatura

Resenha: livro da Alexandra Gurgel – Pare de Se Odiar – porque amar o próprio corpo é um ato revolucionário!

10.12.18

Livro: Pare de Se Odiar
Série:
Autor(a): Alexandra Gurgel
Editora: Record
Genero: autoajuda
Páginas: 153
Classificacao:
Sinopse: O livro de estreia de Alexandra Gurgel, youtuber do canal Alexandrismos com mais de 300 mil inscritos. Alexandra Gurgel, criadora do canal Alexandrismos no Youtube, é conhecida por abordar em seus vídeos temas como autoaceitação, o movimento body positive, autoestima, relacionamentos e a luta contra a gordofobia. Em Pare de se odiar a autora tem como objetivo ajudar suas leitoras a trilharem o caminho do amor-próprio e o da construção de uma autoimagem mais positiva, entendendo como a sociedade em que vivemos interfere diretamente na relação que temos com o nosso corpo. Alexandra, que tem sido uma das vozes mais atuantes do movimento body positive no Brasil, traz no livro uma mensagem honesta e acolhedora, a partir de sua experiência pessoal para mostrar que amar o próprio corpo é, de fato, um dos atos mais revolucionários deste século.

Pare de Se Odiar – O que você busca está buscando por você!

Pare de Se Odiar é o primeiro livro de Alexandra Gurgel – também conhecida como Xanda – e pioneira no body positive no Brasil. Em seu canal ‘Alexandrismos‘ ela fala sobre corpo, aceitação, empoderamento feminino e feminismo. Além disso ela é uma inspiração para milhares de mulheres – inclusive pra mim, que queria muitíssimo fazer uma colab com ela (quem sabe né hehe).

Eu acompanho a Xanda há bastante tempo – bastante tempo mesmo, bem antes de ela ficar super famosa e de aparecer no comercial da Avon por exemplo (afe, que orgulho!). E fiquei impressionada pela quantidade de coisas que ainda não sabia sobre ela e sobre sua vida antes da sua ‘morte’. Calma ai, vou explicar. Quando era mais nova e com muitos transtornos de imagem, alimentares e com uma autoestima quase abaixo de zero, ela tentou se matar – é, temos algumas coisinhas em comum. Mas a diferença é que eu nunca cheguei tão longe, só pensava nisso com muita frequência e cheguei bem perto, várias vezes, de tentar. Ela chegou num ponto em que nada mais importava e que ela não via saída, curioso que isso foi logo depois que conseguiu ter um corpo ‘perfeito’ e bem perto do padrão a partir de intervenções cirúrgicas. O que nos faz perceber como depois de finalmente emagrecer, o mundo não se torna magicamente belo e perfeito.

Nossas histórias tem pontos em comum

Talvez você perceba alguns pontos em comum entre a minha história e a da Xanda. Eu também já fui magra – não tanto quanto eu gostaria, mas bem perto do padrão de beleza que eu tanto almejava alcançar. Nessa época eu estava profundamente desgraçada da cabeça. Se por um lado estava na transição para minha nova vida, me mudando pra São Paulo e passando na FUVEST, por outra, eu estava constantemente me regulando. Eu pensava no meu corpo com o máximo de ódio que eu podia, eu tinha aversão à comida e a via como a pior coisa da minha vida, cada outro mínimo detalhe do meu corpo eu detestava. No fim, eu me tornei uma maluca que ficava o dia todo sem comer, que fazia escola, cursinho e aulas extras á tarde e que quando tinha um tempinho livre corria pra academia. Na academia eu treinava até exaustão e me alimentava de uma barrinha de proteína e de água com muito gengibre. A noite, no cursinho, eu jantava alface com pimenta e essa era minha refeição do dia. Eu fazia de tudo para ter o corpo perfeito que sempre quis – tudo isso em meio ao stress e ansiedade de passar no vestibular.

Conheça meu canal Samira Oliveira e principalmente os vídeos: Consegui Finalmente Amar Meu Corpo e Quando Eu Emagrecer Tudo Vai Mudar

Eu era refém de cada caloria que ingeria e contava cada uma delas – até mesmo a quantidade de água gelada eu contava, afinal não queria que a balança atestasse um grama a mais que fosse. Meu corpo estava lindo – eu ouvi muito isso nessa fase – mas só eu sabia o sofrimento que estava por trás, as muitas tentativas em vomitar e não conseguir. Nisso também me identifiquei com a Alexandra, ela também não conseguia ser bulímica ‘na prática’ e só muito depois entendeu que era sim bulímica – assim como eu – a chamada “bulimia nervosa”.

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Vestido artesanal de gatinhos | Compre de Quem Faz

27.11.18

Vestido artesanal de gatinhos | Compre de Quem Faz Renata Fiore presente pra quem ama gatos e moda consciente por Samira Oliveira dezoitoemponto.com

Calling all the gateiras de plantão. Este post é pra vocês e pra quem ama vestidos, moda consciente e artesanal e também, o estilo vintage e romântico. Recebi da Loja Renata Fiore esse vestidinho maravilindjo que virou um ensaio fofo junto com os gatos da Lainy Cherry e suas fotos lindas. Esse post nasceu a partir do Onde Comprar Vestidos Fofinhos e Vintage (outra matéria daqui do blog).

Além do vestidinho eu também recebi uma necessaire super linda e delicada. A Loja Renata Fiore, além de vestidos também vende camisas, saias, brincos, máscaras de dormir e laços pra cabelo. Tudo feito artesanalmente pela própria Rê (que além de muito talentosa é um amorzinho). Ela também faz modelos e estampas que o cliente escolher, tudo muito bem feitinho e de qualidade. <3

 

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Vestido artesanal de gatinhos | Compre de Quem Faz Renata Fiore presente pra quem ama gatos e moda consciente por Samira Oliveira dezoitoemponto.com

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Vestido artesanal de gatinhos | Compre de Quem Faz Renata Fiore presente pra quem ama gatos e moda consciente por Samira Oliveira dezoitoemponto.com

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o trauma de sentir e o vício em fugir – sobre o medo de ficar | #TeLiPoesia

06.11.18

Você pode me ouvir ler este texto enquanto o acompanha, que tal?

SOBRE O NOSSO MEDO DE FICAR

Eu sei porque você não está dando certo com alguém. Por que suas amigas não estão dando certo com alguém. Pra ser franca. Por que eu não estou dando certo com alguém…E hoje não será sobre como você precisa primeiro se amar tao louca e profundamente que o outro não terá outra alternativa a não ser ficar, e admirar a beleza que tu irradias. Também não será sobre como você pode estar vivendo de migalhas de amor, forçando situações, vendo coisas onde não há e demônios que já não lhe convêm.

Hoje eu vou te dizer, e te digo, que o que está matando o amor é justamente a nossa liquidez, nossa insensatez. Nosso medo de mergulhar fundo no mar e de se contentar, em apenas testar sua temperatura com a ponta dos dedos dos pés.

São tempos difíceis para o amor, são tempos difíceis para amar. São tempos em que eu, que sempre escolhi ser verdade, ser sinceridade e ser sentimento. Escolho guarda-los um por um, bem trancados no meu peito. São tempos em que não se confia no outro para entregar de alma um sentimento. Confia-se para contar, para recitar, para confessar, para amarrar, bater, beijar, andar… mas não se confia para amar. Não se confia para confessar as palavrinhas mágicas do “eu te…”. Nossa sociedade fica com este “amo” entalado na garganta, com um gosto amargo por não poder sair e se materializar em fonema e palavra.

Mas o gosto rançoso também é por sentir, por não conseguir controlar, nem tampouco obstruir, sentimentos e pensamentos.

E principalmente, passar por aquele momento invisível e tão horrível, em que o “AMO”  fica preso na garganta, inconstante, se mexendo e se revirando por dentro, por que não tem certeza se encontrará em seu receptor a outra palavrinha magica para completar: re ci pro ci da de .

E pelo contrário, tem certeza de que encontrará um “Não” ou talvez um “não é bem assim, não quero me envolver” ou até mesmo “eu já tenho um outro alguém”.

E nessa dança de quem finge mais desinteresse. de quem se apega menos. de quem faz com mais força e menos carinho. de quem solta sua mão no metrô com medo de revelar uma relação. nessa dança horrível, o que nos pesa, o que verdadeiramente desce rasgando a garganta como ácido e se infiltra no fundo do ventre como praga, o que nos corrói é esta necessidade em nunca falar a verdade. Em nunca ser sincero em nunca permitir.

Nunca antes pensamos tanto antes de sentir e sentimos tanto antes de agir. Nunca antes fomos tão racionais, nunca procuramos tanto a origem do amor, a explicação para o coração que dispara, o pressuposto pra pupia que dilata. Nunca antes tanto se buscou ser razão, fechar portas,  ser material e físico, sem nada de emocional. Procurávamos pela vida alguém que quisesse compartilhar ela conosco, que se dispusesse a ficar e a preencher  a rotina com alegria e paz. Hoje encontramos apenas o peso da indiferença e do desamor. Hoje, é mais fácil compartilhar uma cama e um fetiche do que um coração. Não que isso seja algo ruim, mas apenas nos mostra como é mais fácil ser matéria, ser racionalidade, do que ser alma, do que ser sentimentalidade.

E no fim todos somos apenas seres humanos fudidos e vazios. Que veem uns braços abertos e viram as costas por medo de eventuais espinhos que encontre lá.

Uma geração enorme de covardes no amor e profissionais no cálculo e na exatidão das coisas. Somos seres que veem a luz e a recusam, que conhecem quem sempre buscou mas fogem por medo de dar amor. Que já trancafiaram o coração com tantas chaves, que hoje já não sabe mais como é que se abre.

Queremos a liberdade noturna dos copos que se levantam e do álcool que nos altera. por que nós sabemos a necessidade do torpor e da embriaguez para atravessar essa nossa tão solitária e amargurada vida. E sabemos que esse excesso é necessário, porque a noite, quando voltar para casa, a gente vai tomar banho, vai se deitar e chorar, e vai imaginar ao menos por um instante ter alguém para telefonar,. E vai ansiar ao menos por um segundo ter uns braços pra voltar, mesmo que eles eventualmente produzissem espinhos, seu perfume deveria ser o suficiente para faze-lo ficar e florescer.

E digo que serei verdade, que falarei o que sinto mas a cada vez que chego próximo de dizer, sinto e lembro da primeira vez que o meu mais sincero amor não foi correspondido. Vi nos olhos dele um afeto e um carinho, até ouvi bem baixinho ele exclamar “que bonitinho”, e sorrir e me beijar. pra logo em seguida, sem mal calçar os sapatos nos pés, sair pela janela mesmo e  nunca mais voltar. Então hoje, antes de mais nada, eu trancafio o coração.

E eu não posso dizer, eu não posso nem imaginar dizer o que sinto, pois tudo volta, o trauma de sentir, o vício em fugir. E mais que isso eu tenho medo de que fujas pela minha forçada indiferença e descaso. Tenho medo que se sinta tão feliz e confortável que deseje buscar abrigo em outros braços ou um modo de sozinho se satisfazer. Tenho medo de te ver morrer dentro de mim pois não fui forte o bastante para te dizer tudo o que eu queria, para te pedir, te implorar pra ficar. E talvez isso não seja um problema, eu sei como amas a liberdade e tu sabes como meu desejo de ser livre e sem amarras é poderoso. Não quero te assistir escorrer por entre meus dedos, não quero te apertar e te ver sufocar dentro de mim.

Mas também nunca te direi, nunca confessarei, que aqui dentro tu já fez morada.

Então não me venha com essa liquidez, sei que tu podes ser matéria, ser consciência, ser como um cheiro de flor, que tu sentes, que tu sabe que te prende e que não se esvai. Sei que tu podes começar por ti mesma, ser constância, sem aparência, ser amor e ser crença.

Quer vier, encontrará uma verdade vinda de nascença,e ele poderá – usando o coração – ponderar se deseja ir ou deseja ficar. Mas tu mesma não mais mentirá pra si e pro mundo, não mais fingirá desamor. E quem sabe assim, com esse manifesto contra nossos amores líquidos, eu converta um por um à minha tão conhecida intensidade e perdurar.

Permita-me eu apresentar novamente, e me veja como mulher, não como uma irmã.
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