Literatura

Resenha do livro Graça & Maldição – Os Grace são piores que os Cullen ou Graça & Decepção

23.10.17

Livro: Graça e Maldição
Série:
Autor(a): Lauren Eve
Editora: Galera Record
Genero: romance
Páginas: 348
Classificacao:
Sinopse: Um thriller que mantém a magia ambígua até a narrativa ganhar asas e levar o leitor por uma viagem intensa, estranha e envolvente
Como todos os outros na pequena cidade, River é obcecada pelos Grace. Fenrin, Thalia e Summer Grace são carismáticos, charmosos e ricos — e há boatos de que sua influência se estende aos mais altos degraus da política mundial. Se você não ama um deles, quer ser exatamente como um deles. Especialmente River, a nova aluna da escola local… Que de repente é acolhida pela família que todos reverenciam e temem em igual medida. Ela é diferente. Mas o que os Grace não sabem é que a garota não está na cidade por acaso; ela sabe exatamente o que está fazendo. Ou não?

Graça e Maldição foi a minha maior decepção literária – e sem contar com nenhuma graça nesse momento! Mas vou explicar direitinho porquê não gostei, primeiro quero deixar claro que, gosto não se discute. Talvez você leia o livro e tenha amado, ou mesmo lendo essa crítica queira ler o livro e no fim, ache sensacional; para mim ele não deu certo e eu não compraria para um amigo de presente. Mas quem sabe você não queira um desafio? hehe De qualquer forma, me conte o que achou do livro e da resenha ein?

Se tem uma coisinha que eu gostei foi da personagem principal, a River e sua narração em 1ºpessoa. Ela falou bastante sobre bullying e sobre as reais motivações dos que praticam bullying; ela se abre nesse ponto e confessa sua frustração e raiva com essas pessoas. Para mim esse foi o ponto alto da personagem, onde ela pareceu mais concreta e profunda.

A história é bem cidade-do-interior-dos-states-com-segredos-obscuros, isso as vezes me faz ter vontade de morar nesse tipo de cidade, outras, acreditar que seja apenas um misticismo que as pessoas da “cidade grande” colocam em cidade pequena. Por um momento pensei estar lendo O Canto Mais Escuro da Floresta, esse sim, um livro muito bom, mas infelizmente eu não estava. Se por um lado gostei da abordagem do bullying, por outro, achei a narração bem confusa; as frases mal construídas e, em dado momento, a autora aparece e se sobressai à narradora em 1º pessoa River; isso seria incrível, um bom mecanismo de digressão – isso se ela tivesse utilizado – mas só aparece em um momento, revelando um erro bem feio.

Toda a história se passa em volta da família dos Grace, 3 irmãos; Fenrin e Thalia gêmeos de 17 anos e Summer, a caçula de 15. Eles são famosos na escola e na cidade, sua família é extremamente rica e poderosa, e eles andam juntos e se vestem de forma única. Nessa hora eu vi bem na minha frente, a família Cullen chegando na escola, sabe aquela exata hora que a Bela vê o Edward pela janela do refeitório?

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Perfumaria Phebo | Linha Temperos da Culinária – Folhas de Sálvia, tira o cheiro de alho das mãos

22.10.17
Perfumaria Phebo | Linha Temperos da Culinária - Folhas de Sálvia, tira o cheiro de alho das mãos

A Linha Temperos da Culinária da Perfumaria Phebo é perfeita pra quem ama cozinhar mas odeia aquele cheiro ruim de tempero que fica nas mãos e no ambiente. Para ajudar a gente a não ficar com cheirinho de alho nas mãos (que morte horrível né?) nasceram o Sabonete Mãos Antiodor, o Creme Mãos Antiodor e as Velas Perfumadas Folhas de Sálvia. Aproveite o prazer de cozinhar mantendo suas mãos limpas, hidratadas e levemente perfumadas.

Eu e meus muitos dotes culinários odiamos e ao mesmo tempo amamos, fazer comida – o pouco que eu sei fazer. Eu coloco alho em absolutamente tudo (exemplo: pra fazer uns 4 bifes vão uns 4 dentes de alho, um pra cada um sim senhora hehe) e vocês sabem como isso deixa a mão bem nojinho – e quem tem unha cumprida como eu sofre em dobro! Então depois de fazer um refogado (Aliás, você precisa ver minha Receita de Chuchu Refogado!) com bastante tempero, fui testar o sabonete. Fiquei bem espantada em como ele tirou todo o cheiro das mãos – e olha que eu usei bem pouquinho mesmo! Logo depois enxuguei e usei o Creme Mãos Antiodor que deixou aquele perfume de Sálvia bem levinho e gostoso. Sálvia tem um perfume bem diferente, é um matinho simpático, fresco e lembra um pouco hortelã. Ele neutralizou o cheiro dos alimentos e deixou as mãos levemente perfumadas e desodorizadas.

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Henna Para Sobrancelhas e Sérum para Crescimento de Cílios e Sobrancelhas | Niraj Indian

19.10.17
Henna Para Sobrancelhas e Sérum para Crescimento de Cílios e Sobrancelhas | Niraj Indian Dezoito em Ponto dezoitoemponto.com

Eu nunca tinha usado Henna Para Sobrancelhas e nem Sérum para crescimento de cílios e sobrancelhas, mas olha, eu amei! A Niraj Indian se superou, acho que foram as coisas que mais gostei deles – se bem que tudo é de muita qualidade, eita, agora não sei mais escolher hahaha. Adorei a fixação da Henna na sobrancelha então ela é a primeira que vou mostrar nesse post. Vamos lá?!

Henna Para Sobrancelhas e Sérum para Crescimento de Cílios e Sobrancelhas | Niraj Indian Dezoito em Ponto dezoitoemponto.com Henna Para Sobrancelhas e Sérum para Crescimento de Cílios e Sobrancelhas | Niraj Indian Dezoito em Ponto dezoitoemponto.com

Dentro da caixinha da Henna para Sobrancelhas da Niraj Indian vem 1 fixador de 20ml e 3,5g de Henna, parece pouco mas não é! Para preparar você mistura uma tampinha do dosador que vem junto e de 7 a 9 gotinhas do fixador, ou seja, isso ai vai durar pro resto da vida! hahaha Só desse fato a Henna já ganhou umas 3 estrelinhas! Para fazer a mistura usei uma tampinha de CocaCola – se usasse um prato ia ficar tudo espalhado e eu quis concentrar a sujeira sabe? Já tenho experiência com Henna e sei como ela é pigmentada hehe. Como pincel usei um pequeno para artesanato (que vergonha admitir isso kkkk) porque meus pincéis de make estavam em Piracicaba :/ mas ficou muuuito bom esse pincel, ele não é chanfrado mas funciona quase do mesmo jeito. Antes de aplicar é necessário limpar a sobrancelha com algodão e um pouco do fixador. Aí é só deixar agir por 20 minutinhos – eu deixei 30 porquê esqueci kkkk – e retirar com algodão embebido em água mineral (filtrada). Quando estava fazendo o formato da sobrancelha, dei uma erradinha e eu já limpei com o lado do dedo (tá, isso foi burrice) e a henna ficou nele até no outro dia (2 banhos depois ela saiu!)

Você sabe como ser ruiva sem precisar retocar? Use Henna Iara! É assim que deixo meus cabelos ruivos naturalmente!

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Literatura

Resenha do Livro Mulheres Incríveis da Astral Cultural

18.10.17
Resenha do Livro Mulheres Incríveis da Astral Cultural Blog Dezoito em Ponto, por Samira Oliveira dezoitoemponto.com

O livro Mulheres Incríveis da Astral Cultural é – no mínimo – feminista e maravilhoso! Aquele tipo de livro que você pode presentear alguém sem erro! (olha o natal chegando ai gente!)

As almofadas que aparecem na foto são da Ursolina, aqui no meu instagram tem mais fotos delas e o insta da loja pra você comprar.

A obra reúne 44 perfis de mulheres extraordinárias; com histórias que começam em 430 antes de Cristo e se estendem até os dias de hoje, mostrando a diversidade de mulheres que mudaram o mundo com seu talento, garra, sonhos e poder.

A história do mundo é ampla, incrível e fascinante. Mas muitas vezes as histórias que ouvimos e as lições que aprendemos se concentram nas contribuições e ações de homens. Neste livro, você vai aprender sobre mulheres e eventos sobre os quais talvez nunca tenha ouvido, e sobre lugares onde talvez nunca tenha ido. Aprender o que acontece além das nossas fronteiras aumenta nossa compreensão do mundo todo e pode nos ajudar a aprender mais sobre nós mesmos.

Com uma linguagem jornalística, o livro é bem leve e vai contando a história de cada mulher de uma forma bem confortável – aquele livro que a gente lê no ônibus, sabe? Sem mal perceber a história de uma das mulheres já acabou e você já sabe muuuita coisa sobre ela! Aconselho você a pesquisar mais sobre as suas preferidas, mesmo porquê se fosse contar todos os pormenores de cada uma, o livro seria infinito! Mas o panorama geral já é muito rico e formador. Quero que a minha priminha Bianca leia esse livro quando ela ficar mais grandinha; assim ela terá vários bons exemplos femininos e verá que o mundo não foi construído por homens – como todos parecem querer nos mostrar. “Para cada história que você ler, tem centenas (milhares!) mais a serem contadas” – e não é assim todos os dias? Quantas mulheres guerreiras não passam pela nossa vida e pela história do mundo, à espera de seu reconhecimento?! Ativistas, revolucionárias, políticas, militantes; tantas mulheres e tantos nomes que mal conhecemos, que mal são ensinadas nas escolas.

Vocês sabem como eu gosto da Frida Kahlo, e o meu namorado, o Eduardo, também. E ele levantou a questão: por que a Frida ficou tão conhecida recentemente? E fico muito contente em ver esse reconhecimento na cultura, mas triste em ter certeza de que a maioria das pessoas não sabem quem realmente foi Frida Kahlo. Isso é quase que a história se repetindo, visto que quando viva, ela ficou por muito tempo no anonimato e encoberta pela sombra de seu marido, sendo apenas “a esposa de Diego Rivera”. Hoje o mesmo acontece, Frida Kahlo “é apenas um desenho, um personagem qualquer”. Eduardo aprendeu sobre ela na escola, já eu não. Aprendi sozinha e fui lendo sobre ela, fui vendo tantas imagens da pintora e ouvindo tanto seu nome que passei a pesquisar cada vez mais e a admirar cada dia mais essa mulher.

Resenha do Livro Mulheres Incríveis da Astral Cultural Blog Dezoito em Ponto, por Samira Oliveira dezoitoemponto.com

Esse livro quer tirar essas mulheres do anonimato, mostrar às meninas que elas podem ser cientistas, pesquisadoras, escaladoras (do Everest), astronauta, presidente, pirata, jogadora de futebol… Podem ser humanas, sem rótulos, sem “lugar de mulher é no fogão”, sem “tem que ser delicada que nem princesa”, “se portar como moça”. Quer mostrar aos meninos que as meninas são uma igual. Mostrar à sociedade, ao mundo, que podemos exatamente tudo o que quisermos.

A edição é maravilhosa, com capa em brochura e ilustrações em auto relevo (de recorte de papel) criadas por Miriam Stahl usando papel, lápis e um estilete X-Acto. A autora Kate Schatz é norte americana, ela e a ilustradora moram na Bay Area e são artistas, educadoras, ativistas e mães. A brasileira Jules de Faria escreveu quatro perfis de mulheres: Debora Diniz, Elza Soares, Maria da Penha e Sonia Bone Guajajara. Jules é fundadora da ONG brasileira Think Olga, lançou as campanhas Chega de Fiu Fiu e Primeiro Assédio e foi eleita uma das oito mulheres inspiradoras do mundo pela Clinton Foundation e pela revista Cosmopolitan.

Resenha do Livro Mulheres Incríveis da Astral Cultural Blog Dezoito em Ponto, por Samira Oliveira dezoitoemponto.com

Eu acho que a mulher do fim do mundo é aquela que busca. É aquela que grita, que reivindica, que sempre fica de pé. No fim, eu sou essa mulher. – Elza Soares

Agora, meu coração se revira, enquanto penso no que as -pessoas vão dizer. Os que vão ver meus monumentos nods anos que virão e os que vão falar do que eu fiz – Hatshepsut (faraó do Egito Antigo)

Acredito que, se você der ao mundo o melhor que pode, o melhor vai voltar para você. – Fe Del Mundo

Resenha do Livro Mulheres Incríveis da Astral Cultural Blog Dezoito em Ponto, por Samira Oliveira dezoitoemponto.com
Leia também Para Educar Crianças Feministas de Chimamanda Ngozi Adichie (essa escritora também tem um perfil em “Mulheres Incríveis”. Você vai gostar da Tag Empoderamento Feminino e da Categoria Literatura aqui do Dezoito em Ponto.
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Resenha Fera – É o amor que nos salva e nos faz evoluir.
Chronos – Viajantes do Tempo (vol. 1)| Esperança e lealdade na luta contra o tempo
Pessoal Textos

Lembranças do “quartinho do fundão”| Um texto sobre desatulhamento

10.10.17

Memórias advindas do "quartinho do fundão" um texto sobre infância, lembranças, arrumação e renovação!Recentemente, eu e minha avó tiramos férias para arrumar a casa. Na verdade, arrumar um determinado cômodo; o carinhosamente chamado, “quartinho da bagunça”, que, segundo dizem, “toda casa deve ter”. Mas na verdade, acho que eu não concordo muito com isso não…Vou explicar. Depois de tantas indas e vindas dentro da cachola, me toquei de uma coisa; a gente precisa viver a vida o mais leve possível. Não importa se a leveza significa morar perto do mar, andar descalço, pular de paraquedas ou tomar um suco refrescante no verão. Na verdade me refiro àquela leveza mais profunda, aquela de quando você tirou de sua vida todas as pessoas que te arrastavam para o fosso – aquelas que sempre te faziam desanimar antes do primeiro passo – Ou se afastou de quem parecia apenas te querer por partes – não por inteiro como você é. Ou apenas se você resolveu finalmente, mudar de cidade ou de emprego. O que importa é o quão leve você se tornou depois dessa experiência. Para nós, a nossa leveza do momento era arrumar o dito quartinho do fundão (outro apelido carinhoso para o bonito!) E lá fomos nós, depois de árduas semanas, inúmeros sacos de lixo de ração de cachorro (uns 15kg) jogados fora diariamente; dor nas costas, nos braços, nos joelhos; marteladas, pisadas de pé, subidas e pulos por sobre os papelões, reclamações, brigas, pensamentos de desistência e até mesmo gritos… Finalmente! O grande esquecido grande quartinho lindo! Ei-lo! Tão esperado, tão planejado por mim! – vai ficar pra ser o quartinho de costura da vó né? – E a lição de tudo isso, de todo esse afã para finalmente entrarmos para a lista dos adeptos ao estilo minimalista, foram dois: 1 a gente guarda muita coisa e 2 a gente precisa viver cada vez mais leve.

Memórias advindas do "quartinho do fundão" um texto sobre infância, lembranças, arrumação e renovação! Esse é minha família, meu desenho de infância.

Então vamos combinar né, que guardar muita coisa com viver mais leve não são duas coisas que se biquem muito bem. Mas uma coisa interessante foi notar a passagem do tempo pelas coisas e “quinquilharias” jogadas fora. Eu resmungava a todo instante “mas você não vai guardar isso né” ou “mais vó, certeza que ce vai precisar de 5 caixas de ferramentas?” ou “mas realmente, o que vamos fazer com essas prateleiras?” ou até mesmo “Você guarda pra quando precisar, SE precisar. Mas quando realmente precisar você não vai nem lembrar que tem, e se lembrar não vai achar e se não achar ou não lembrar vai comprar outro novamente. Ou até mesmo comprar dois – um pra pra usar quando precisa e outro pra guardar pra quando “precisar” ” Nos tornando assim uma bola de neve sem fim.

Memórias advindas do "quartinho do fundão" um texto sobre infância, lembranças, arrumação e renovação!

Mas falemos do tempo, falemos desse terrível tempo que corrói os móveis de madeira e faz as paredes embolorarem e os livros se tornarem pó… Quando eu imaginaria que a letra da minha tia seria tão bonita mesmo quando ela estava na quarta série? Quando eu saberia que minha mãe era poeta como eu? Como eu poderia desconfiar um dia que duas pequenas pombinhas seriam os adornos do convite de casamento da minha avó. Ou que meu avó fora um fã de espiritismo? De qual outra maneira eu entenderia e profunda evolução pessoal da minha avó. Como eu desconfiaria que eles guardavam coisas sem nem mesmo pensar em jogar. Como eu entenderia, que o apego à matéria é algo que vai se desfazendo conforme vamos avançando a idade e avançando na evolução. Será que agora eu entendo que aquela folhinha de 1997 marcando os dias das trocas do botijão de gás seria importante porque foi no ano em que eu nasci? Será que agora eu sei que aqueles inúmeros brinquedos da geração passada, ainda guardados no fundão, seriam um dia aproveitados por meus primos? Como eu desconfiaria que, ao olhar uma boneca, ao tocar uma baleinha de plástico e uma boneca meio molenga, eu lembraria da minha infância ou que meus desenhos eram repletos de “Belinhas”? Como eu saberia que, ao desenhar minha família, não ficaram de fora nem meu tio e sua cachorrinha e nem meus avós e tia. Será que se eu fechar os olhos ainda vejo o cavalinho cavalgando pelo sofá, com uma ovelhinha atrás? Será que eu ainda consigo encontrar, nos recantos mais sombrios de mim, o meu velado ódio por aquela ovelhinha? E se a pessoa que sou hoje soubesse como eu lembraria com amor, daquela boneca reclamona ou do famoso “Yano” que eu levara na escola, será que ela teria brincado mais? Será que eu teria aproveitado mais aquela caixinha de música – que eu sempre pensei ser da Sandy & Junior, na verdade ser da Chiquititas – e ter feito-a pegar e cantar? Porque então, o Tigrão parece que dá uns saltos mais baixos? Por que minha boneca de cabelos encaracolados e ruiva ficou menor? Por que minhas fofoletes perderam o cheirinho de flor? Por que das minhas bonecas restaram apenas um rastro vago, de uma infância feliz – que eu já nem me lembrava e que tinha sido apagada pelos traumas sofridos na escola – por que raios não foram essas as lembranças que ficaram? Meu inconsciente insiste em se recordar de uma casinha da Polly que fora destruída – mas não se lembra da cozinha de madeira que eu tanto gostava. Se lembra da casa dos sonhos da Barbie que eu nunca tive – mas não lembra que eu tomava a cozinha inteira pra mim e fazia dela uma mansão enorme, com varais, moveis esparramados e inúmeros pratinhos de boneca. Por que minha cabeça de antes, assim como a de hoje, fecha os olhos para o que tem e se angustia pelo que não teve? Tá aí uma boa chance de eu me tornar mais leve.

Tá ai um bom momento para se libertar, mas será que um dia a gente consegue? Será que algum dia a gente consegue soltar da jaula os demônios de dentro de nós, sem que ainda eles aparecem aqui e alí em um rastro na escrita? Será que perdoar, esquecer, não nos torna menos nossos dos que já somos? Tá ai, um bom momento para arrumar a casa, desatulhar um cômodo, fazer algo com a sua mãe, pedir ajuda para o namorado, fazer algo de útil para a sua família. Quem sabe cuidando da casa, desejando mais renovação e amor, ela não acaba também por cuidar de você? Tá na hora então de… D E S A T U L H A R

Animal terrestre e animal de céu
Ecdise – Conto de Samira Oliveira +18
Amigo, ainda me sobraram dedos para te contar.
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