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Literatura

Amor à Moda Antiga – Fabrício Carpinejar | Livro de Poemas

11.09.17

Amor à Moda Antiga é editado pela Belas Letras e reúne poemas amorosos do escritor Fabrício Carpinejar. Todos escritos em uma máquina de escrever verde esmeralda (minha cor favorita, também quero uma!) Olivetti Lettera 82. Seus escritos foram publicados sem nenhuma alteração, mantendo até mesmo as anotações do autor – sem retoques ou correções. Carpinejar escreveu esta coletânea em seu apartamento no bairro Petrópolis – Porto Alegre, entre a primavera de 2015 e o verão de 2016.

Se o poeta se aliou ao homem de carne e osso, então essa obra é pós relacionamento. Nem para tanto, se a realidade não for essa na vida do homem, pode o ser na vida do poeta – certo? A maioria dos poemas carregam um sentimentalismo de quem se esforça para esquecer um amor. Como se pegasse do fundo do peito o sentimento, somasse a um pouco de lágrimas e produzisse esses poemas. Mas também senti um tom de saudade e de paixão; ao ler alguns poemas mais cinematográficos, imaginei casinhas de madeira no campo, arvores floridas e café quente. Este é um dos meus preferidos:

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Literatura

“Os 12 Signos de Valentina” – Ray Tavares| O romance astrológico do ano!

31.07.17
Livro: Os 12 Signos de Valentina
Série:
Autor(a): Raissa Tavares
Editora: Galera Record
Genero: romance
Páginas: 389
Classificacao:
Sinopse: Isadora é ariana e seu ex namorado pisciano… Inferno astral! Em busca da combinação astrológica perfeita, ela cria um blog para relatar suas experiências. Isadora descobriu da pior forma possível que o namorado a traíra. E com sua melhor amiga, ainda por cima! A estudante de jornalismo entra numa fossa sem fim. Sem nenhum estágio à vista, ela se afoga em filmes feitos para chorar, pizza e em sua mais nova obsessão: stalkear o perfil do ex namorado no Facebook. Até descobrir exatamente o que deu errado entre ela e Lucas: seus signos são incompatíveis. Basta encontrar um rapaz de libra e seu mundo entrará nos eixos novamente. Com a nova obsessão e a desculpa do trabalho final de jornalismo online, uma reportagem investigativa sob um pseudônimo, Isadora une o útil ao agradável e cria um blog para relatar a experiência: Os 12 signos de Valentina. Já que precisa encontrar o libriano perfeito, por que não aproveita e experimenta os outros signos do zodíaco para ter certeza mesmo?

"Os 12 Signos de Valentina" de Raissa Tavares pela editora Record| Resenha por Samira Oliveira para o DEZOITOEMPONTO.COM“Os 12 Signos de Valentina” da Raissa Tavares – publicado de Galera Record – foi o livro mais divertido e leve que li até hoje! E é por isso, e por ter conhecido essa linda Ray, que a resenha vai ser basicamente uma sucessão de elogios sinceros e muito amor!

Primeiríssima coisa; se você é a(o) louca(o) dos signos, se prepara, esse livro é o manual dos signos mais maravilhoso e baphonico do século! Segunda coisa: você vai querer ser amiga dessa pessoa linda depois que começar a ler o livro. Sério gente, não sei se foi a escrita mais informal e mais perto o possível da oralidade, ou se foi o carisma encantador que a Ray demostrou desde o dia em que a conheci (você pode conferir a entrevista que fiz com a Ray!), só sei que eu consegui (na minha cabeça doida de fã/leitora/escritora/crítica) misturar a Ray escritora e a personagem Isadora. De tal maneira que eu imaginava as cenas todas com a Ray, e também tive que me conter oitenta e sete vezes para não mandar uma mensagem dizendo algo do tipo: “menina, tu não vai pegar de novo o escorpiano?” ou “filha, sai dessa bad ai e se joga nos signos!” e bem…. a personagem “seguiu meu conselho” kkkkk.

Isadora é estudante do terceiro ano de jornalismo da USP (minha amada e demonizada universidade) e namora um tal de Lucas há 6 anos – tudo lindo e bonito, poderia até ser um romance do Nicholas Sparks – até que o garoto resolve traí-la com uma das suas melhores amigas da faculdade – E MAIS… No. Aniversário. Dela…. Depois de meses sem por a cara pra fora da rua, sua prima – outra personagem quem eu queria ser amiga – a convence a ir até uma balada e afogar as mágoas na cachaça se distrair um pouco. É nessa noite que ela descobre o motivo pelo qual foi traída, enganada, chifrada e feita de boba: ela era de Áries e o ex boy não magia era de Peixes! inferno astral, era esse o grande motivo! Juntando a vontade de comer (seu trabalho final para sua matéria de jornalismo online) e a fome (a necessidade de se reinventar e sair do posso profundo que ela chama de cama + Netflix) surge o blog astrológico: Os 12 Signos de Valentina. Nele, Isa promete passar o rodo no zodíaco e contar tin tin por tin tin da experiência com cada um.

Agora, vamos que vamos. Apesar de uma narrativa leve e descontraída, Ray Tavares consegue adicionar assuntos sérios misturados à assuntos mais leves e fazer um incrível livro, que a primeira vista, parece ser um emocionante romance new adult, mas que carrega no meio, ideologias trabalhadas, ideais sociais e muita humanidade. Dava pra sentir em cada capítulo o empoderamento feminino que era transmitido, a sororidade, a igualdade, e sobretudo: o amor. Pois convenhamos, um término nunca será agradável – por mais necessário que seja à saúde mental de ambos- mas se você tem pessoas que jogam o bote salva vidas quando você vai se afogar, então, bem, você tem tudo! E o que dizer das cenas do encontros? Da curiosidade bem trabalhada e do íma com que pesca o leitor; a cada mensagem que a Isa recebia no celular ela se emocionava de alguma forma – e eu já surtava; a cada acontecimento importante ela se abalava – e eu arrancava os cabelos! E assim, foi impossível não consumir o livro como se fosse o brigadeiro mais gostoso e único do século! "Os 12 Signos de Valentina" de Raissa Tavares pela editora Record| Resenha por Samira Oliveira para o DEZOITOEMPONTO.COM

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Textos

Amigo, ainda me sobraram dedos para te contar.

23.07.17

Texto de dia do amigo - amigo ainda se conta nos dedos. Amigo, ainda me sobraram dedos para te contar - por Samira OliveiraQuem nunca ouviu aquela célebre frase: “Amigo se conta nos dedos” que atire a primeira pedra. Mas tanta repercussão desse tão estranho ditado, parece carregar uma certa tristeza e misticismo, quase como se ela fosse uma lenda. Mas hoje amigo, não é dia pra se se remoer ditados – hoje eu apenas queria que você soubesse de algumas coisas sobre a nossa amizade…

Mesmo com essas ruas cheias, com esse pão caro e com a liberdade pequena eu ainda guardo em mim as nossa mais lindas memórias. Mesmo com a tristeza diária e com o sufoco da vida, saiba, ainda há um espaço em mim para te guardar. Amigos? Tive vários, tive muitos, certamente não caberiam nos meus dedos – justamente porquê nunca fui muito de fazer contas e muito menos de controlar. Pra mim, essa famosa frase/ditado nunca dará certo, definitivamente eu não sei manter contato – e mesmo assim, mesmo com essa minha difícil lábia e essa minha mania estranha de deixar pra depois as mensagens de amigos, saiba, ainda guardo você no meu coração. E mesmo com o número limitado de dedos, eu ainda tenho os dedos dos pés e os do coração – esse que afinal, insiste em sair correndo sempre que eu me afasto de você, quer sair do peito e procurar outro dono, outro que saiba manter uma amizade.

Mas sabe amigo, mesmo com esse ar escasso, essa falta de cor, essa correria alucinógena; mesmo com esse cambaleante andar sozinho, esse respiro difícil, essa vida que teima eu não passar – mesmo assim amigo, mesmo assim eu ainda arranjo um tempo para te guardar. Não apenas no lugar onde – em tese – ficaria o coração, mas também na mente, nas pernas de correr para sua companhia, nos braços que saúdam os seus e nas lágrimas – por que não? – que um dia talvez chorássemos juntos.

Sabe, mesmo com a solidão fria eu ainda lembro de como costumávamos rir e aquecer nossas tardes. Mesmo com o espaço diminuto de caracteres e com o contato reduzido aos chats – mesmo assim, eu ainda sinto sua falta, ainda quero sua voz, ainda preciso te ouvir. Preciso e tenho aquela necessidade meio dramática, de me sentar frente à frente, e te ouvir sobre a moça que te deixou, sobre as rasteiras que você levou e sobre a ressaca que te apagou. Ainda hoje, tanto tempo depois, ainda hoje, ainda consigo lembrar de você amigo que estudou comigo – que deixou o meu inferno pessoal menos insuportável – e que me deixou fazer parte da sua pequena história de vida. Amigo de escola: eu ainda gostaria, de talvez um dia mais, conversar com você entre os intervalos das aulas – e jogar aquela conversa fácil e fora, aquela sobre sonhos e sobre coisas supérfluas aquelas mesmas onde o beliscão da vida ainda não tinha nos fisgado – onde a realidade ainda não tinha vindo para nos gritar e nem a vida para nos agarrar.

Amigo de vida, de faculdade, de rua, de cursinho, de trabalho, de academia. Amigo de ontem, amigo de hoje (ainda tem?), amigo que virá. Eu só queria poder dar um stop na carreira para poder te ajudar com a sua; fazer meu computador pifar para poder te ajudar com o seu; fazer minha vida acabar para te salvar da sua agonia. Amigo, amigo, eu sempre sentirei saudades tuas. Hoje mais que nunca, hoje mais que ontem, eu queria apenas estar contigo. Já que não posso, que fiquei um singelo e amável “parabéns”: ainda me sobraram dedos para te contar. 

Ecdise – Conto de Samira Oliveira +18
Mirando-se no espelho.
Porque escolhi ser professora.
Outros

Mãe, a gente não aguenta mais ouvir essas coisas. Mas a gente ama, tá?

14.05.17

Desde a clássica “Você Não É Todo Mundo” até “JUÍZO EIN?!” Confira as mais célebres frases ditas pelas mães dos leitores do Dezoito em Ponto. Algumas frases que a gente num guenta mais ouvir, e outras que a gente ama! Manda pra mamis, ein? Senão: “OLHA O CHINELO”

  • “Não esperava que você fosse ficar assim, preferia que não tivesse crescido”
Mãe, a gente não aguenta mais ouvir essas coisas. Mas a gente ama, tá? - Blog Dezoito em Ponto Homenagem ao Dias das Mães

Então mãe, como explicar? Eu tinha que crescer pra virar essa sereia linda que cê ama.


  • “Você não come nada! Vai cair dura aí. Saco vazio não para em pé!”
Mãe, a gente não aguenta mais ouvir essas coisas. Mas a gente ama, tá? - Blog Dezoito em Ponto Homenagem ao Dias das Mães

Cê não consegue entender como é isso é possível já que a coisa que você mais faz quando tá com ela é justamente, comer.


  • “Filha, juízo vale muito e não custa dinheiro!”

Mal sabia ela que eu ia ficar rica!!


  • Você não é todo mundo!”
Mãe, a gente não aguenta mais ouvir essas coisas. Mas a gente ama, tá? - Blog Dezoito em Ponto Homenagem ao Dias das Mães

Oxi mãe, mas de novo???


  • E JUIZÓ, TÁ?”
Mãe, a gente não aguenta mais ouvir essas coisas. Mas a gente ama, tá? - Blog Dezoito em Ponto Homenagem ao Dias das Mães

Qual o problema de vocês, mães, com a palavra “juízo”? É medo de a gente perder o dente do ciso é?”


  • “Só fica nesse celular O-D-I-A-I-N-T-E-R-O! Não sai desse celular, só fica lá, nos dedinhos”

My precious…


  • “Isso fica andando com esse celular na rua, fica, não vou comprar outro ein? Comprei só daquela vez, não sei o que eu tava na cabeça. Tomara que quebre. Vou fazer força pra ele quebrar”
Mãe, a gente não aguenta mais ouvir essas coisas. Mas a gente ama, tá? - Blog Dezoito em Ponto Homenagem ao Dias das Mães

Mais nossa, como que pode caber tanto ódio numa pessoa tão pequena? kkkk


  • Mande noticias! Olha lá com quem cê tá falando!
Mãe, a gente não aguenta mais ouvir essas coisas. Mas a gente ama, tá? - Blog Dezoito em Ponto Homenagem ao Dias das Mães

A gente tá sempre em perigo iminente! Até mesmo se estivesse no reino dos unicórnios.


  • ”Vê se tá tudo na bolsa” ”Se cuida, bom trabalho, te amo”
Mãe, a gente não aguenta mais ouvir essas coisas. Mas a gente ama, tá? - Blog Dezoito em Ponto Homenagem ao Dias das Mães

Não consigo nem comentar esse, apenas sentir <3


  • “Qual é o meu nome?? Não é ciclana?? Então você sabe que eu não sou mãe da fulana, sou SUA mãe”
"Qual é o meu nome?? Não é ciclana?? Então vc sabe que eu não sou mãe da fulana, sou SUA mãe"

CREIEMDEUSPAI CORRE


  • “O próximo bicho que você trouxer pra casa, vai você e ele pra rua”
"O próximo bicho que você trouxer pra casa, vai você e ele pra rua"

Mais mãe, essa capivarinha é diferente! E aquele lagarto da semana passada quase nem dá trabalho!


  • “Quando você for mãe, você vai entender”
"O próximo bicho que você trouxer pra casa, vai você e ele pra rua"

É, talvez nessa a senhora tenha razão…


  • “Eu tenho três tesouros vivos. Só tenho a agradecer a Deus.”
"O próximo bicho que você trouxer pra casa, vai você e ele pra rua"

Um minuto de silêncio pra a gente abraçar essa mãe!


  • “Anda, levanta, arruma essa bagunça. Tá pensando que mora num chiqueiro?”
Mãe, a gente não aguenta mais ouvir essas coisas. Mas a gente ama, tá? - Blog Dezoito em Ponto Homenagem ao Dias das Mães

Mas eu acabei de lavar o banheiro!


  • “Não faça nada que vá se arrepender depois”
Mãe, a gente não aguenta mais ouvir essas coisas. Mas a gente ama, tá? - Blog Dezoito em Ponto Homenagem ao Dias das Mães

Pior que esse conselho vale ouro!


  • “Leva uma blusa que tá frio lá fora!”
Mãe, a gente não aguenta mais ouvir essas coisas. Mas a gente ama, tá? - Blog Dezoito em Ponto Homenagem ao Dias das Mães

Tá não, mãe. Eu tô bem, olha o calor que tá fazendo…


  • “Puxou a mãe, né”
Mãe, a gente não aguenta mais ouvir essas coisas. Mas a gente ama, tá? - Blog Dezoito em Ponto Homenagem ao Dias das Mães

Aquele momento em que você fica sem jeito e feliz ao mesmo tempo, por “puxar” a pessoa que você mais ama no mundo!


  • “Queria poder te guardar num potinho, não queria que você crescesse e eu não pudesse mais te proteger de tudo. Queria que você tivesse ficado pequenininha.”
Mãe, a gente não aguenta mais ouvir essas coisas. Mas a gente ama, tá? - Blog Dezoito em Ponto Homenagem ao Dias das Mães

Será que eu consegui resumir a fofura dessa mãe? Talvez. Não dá pra alcançar o amor delas <3


  • “Eu daria a minha vida por você”

Essa é da minha avó-mãe e eu acho que já disse pra ela tudo o que ela precisava saber no dia de hoje (e todos os outros dias). Eu te amo, minha vida!


Essa foi uma pequena homenagem do Blog Dezoito em Ponto à todas as mães. Feliz Dia das Mães! E filhos… Não esquece de compartilhar com os amigos e com mamis ein? E com a tia, prima, irmã, quem tiver filhinhos… Ah e as mães de bichinhos também,  porquê não? Certeza que mães e filhos vão se identificar com a nossa lista!Esse post faz parte da tag 18 Coisas do Blog.

 

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Literatura

“The Heart of Betrayal” – Mary E. Pearson | Ódio e Poder

27.02.17

Resenha crítica de "The Heart of Betrayal" de Mary E. Pearson, por Samira Oliveira no Blog Dezoito em PontoQuando um livro te estabelece um padrão, é difícil vir uma continuação que aumente esse padrão. The Heart of Betrayal conseguiu elevar até mesmo os critérios de qualidade, que estabeleci na resenha anterior, de  The Kiss of Deception.

Livro: The Heart of Betrayal
Série: Crônicas de Amor e Ódio
Autor(a): Mary E. Pearson
Editora: DarkSide
Genero: Fantasia
Páginas: 395
Classificacao:
Sinopse: Lia e Rafe estão presos no reino barbárico de Venda e têm poucas chances de escapar. Desesperado para salvar a vida da princesa, Kaden revelou ao vendano Komizar que Lia tem um dom poderoso, fazendo crescer o interesse do Komizar por ela. Enquanto isso, as linhas de amor e ódio vão se definindo. Todos mentiram. Rafe, Kaden e Lia esconderam segredos, mas a bondade ainda habita o coração até dos personagens mais sombrios. E os vendanos, que Lia sempre pensou serem selvagens, desconstroem os preconceitos da princesa, que agora cria uma aliança inesperada com eles. Lutando com sua alta educação, seu dom e sua percepção sobre si mesma, Lia precisa fazer escolhas poderosas que vão afetar profundamente sua família… E seu próprio destino.

Se você caiu de uma muralha até aqui, te aconselho a ler primeiro a resenha The Kiss of Deception antes de prosseguir. ATENÇÃO: contém spoilers referentes ao livro anterior.

Após a firme decisão de Kaden em salvar a vida de Lia e o mortífero caminho que ele e os demais soldados vendanos seguiram de Terravin até Venda, Lia ainda guarda dentro de si, trechos da maior relevação de sua vida. A partir de seu dom com traduções, Lia finalmente compreende o que os a “Canção de Venda” quer revelar para seu caminho. “Crônicas de Amor e Ódio” nunca se mostrara um subtítulo tão exato para a trilogia; se na obra anterior, o que prevalecia era o amor, a esperança e os sonhos – inclusive intimamente conectado com o título, quase gentil, frente ao do volume II – nessa continuação o que emerge é o ódio, sendo o amor e a bondade traços escassos e raros durante o decorrer da história.Resenha crítica de "The Heart of Betrayal" de Mary E. Pearson, por Samira Oliveira no Blog Dezoito em PontoA atmosfera da narração foi inteiramente atingida pelo característico “ódio” apresentado por Mary; se antes podíamos sentir a leveza da esperança, do jogo de amor, das pequenas intrigas e da calorosa amizade; agora só podemos ver o ardor da raiva, a sede por vingança e desejo mudo de libertação. A paisagem, passou de amigáveis casinhas coloridas e pastos infindáveis, para construções sobre ossos dos Antigos, que se amontoam uns sobre os outros, conforme a necessidade de se expandir. Pedra sobre pedra, destroços sobre esperança, névoa, sombras, caminhos que terminam abruptamente e, finalmente, o horror da fome e da morte. Esse é o cenário inicial que nossa Primeira Filha de Morrighan se encontra – e sem quase nenhuma centelha de sair viva de seu cativeiro. Venda lhe parece o perfeito inferno na Terra, justo ela que fugiu de um simples casamento para tentar ser livre de todas as formas, agora estava presa em um reino distante, mantida como prisioneira contra sua vontade, humilhada de todas as formas possíveis, e sempre com um martelar longínquo de preocupação: “Venda não faz prisioneiros”.

Mas como descobrimos no livro anterior, Rafe estava em seu encalço – diversas vezes cheguei a pensar que talvez ele não chegasse vivo, para ser sincera, cheguei a desejar que tal fato acontecesse, e hoje sei: ele estaria mais seguro morto.

“Meunter ijotande. Enade nay, sher Komizar, te mias wei etor azen urato chokabre.”

O temido Komizar é um personagem muito único e marcante, sua forma de governar ecoa um pouco em todos os países – seja pela corrupção com que é feito, seja com a bem quista proximidade com seu povo – enquanto, por um lado, ele visita todos os povoados do seu Reino, por outro, ele parece comprar seu poder – alimentando a crença que eles tem no dom, e buscando sanar a fome física com a religião quase cega. Com poucos grãos e uma nova isca, o Komizar é o dragão que rouba almas, que não tem limites, que parece nunca ter conhecido sentimento diferente do que a sede de poder e vingança.Resenha crítica de "The Heart of Betrayal" de Mary E. Pearson, por Samira Oliveira no Blog Dezoito em PontoOs enxertos que nos acompanham por toda a leitura da narrativa, se mostram mais conectados e importantes do que nunca. Suas palavras gritam umas com as outras, suas histórias saltam aos nossos olhos bem na hora em que buscamos uma mísera resposta – sem mais palavras adicionais, Mary nos dá pequenas folhas de tannis para que possamos sobreviver à essa mortal viagem. Essas histórias todas fizeram-me lembrar de como os contos de fadas viajaram gerações e épocas, de como cada avó passava a história para seus netos em volta de um fogueira. Como cada um que contava mudava algo da história, sendo hoje, praticamente impossível ter certeza sobre qual realmente é a história original. Isso porque elas foram se amontoando umas às outras, se criando e recriando, até que os Irmãos Grimm coletaram e modificaram as histórias contadas. Assim também acontece com os 3 mecanismos de entendimento: “Os Últimos Testemunhos de Gaudrel”,”Livro dos Textos Sagrados de Morrighan” e “Canção de Venda”. Ao fim, veremos um inesperado final, onde as histórias serão recontadas e os pontos de vista duvidados. Onde tudo o que sempre se acreditou talvez fosse tremendamente falso, tudo o que foi ensinado talvez esteja tremendamente errado – onde demônios se tornam anjos e mocinhos se mostram vilões, na história e na atualidade da obra.

As regras da razão constroem torres que vão além das copas das árvores. As regras da confiança constroem torres que alcançam além das estrelas. – Venda

Confiança, amizade, lealdade e poder se confundem. Ódio, vingança, ressentimento, raiva e humilhação são tantos outros temperos nos apresentado. Com mais batalhas, sangue derramado, dom e amizade, The Heart of Betrayal te promete deixar com os olhos grudados desde a capa maravilhosa feita pela sempre impecável editora DarkSide, até sua narrativa fantástica. Se antes tínhamos detalhes em dourado – como a fitinha de marca páginas e a contracapa – agora a editora nos apresenta detalhes que não são nem exatamente bordô nem exatamente vermelho, nos dando a dica de que seus detalhes é mais parecido com a pungente cor de sangue – que pode representar tanto a devoção quanto a traição. Para proteger as contracapas, essa edição ainda conta com dois plásticos transparentes que me atrapalharam um pouco na leitura – e que eu só recoloquei no livro ao final da leitura – e um marca página com a capa maravilhosa do livro.Resenha crítica de "The Heart of Betrayal" de Mary E. Pearson, por Samira Oliveira no Blog Dezoito em Ponto

  • SPOILERS necessários para a minha boa saúde mental.

Agora, você que já leu ambos livros, se lembra quando eu comentei na outra resenha, sobre minhas suposições acerca dos textos que nos eram apresentados? Pois bem, acho que eu estava quase certa. Afinal, Gaudrel fora no fim, irmã de Venda – que foi empurrada da muralha em que declamava e considerada “louca”, por seu marido.  O livro de Gaudrel foi escrito em nômade, por isso Lis conseguiu traduzi-lo (ela tinha o livro que lhe foi dado pelo Sacristão de Terravin). Além disso, Morrighan era quem escutava as histórias de Gaudrel, sendo portanto ela uma Antiga sobrevivente já que seus pais eram como deuses (uma qualidade apresentada negativamente nos registros de Morrighan). Também descobrimos que Morrighan foi roubada de sua ama, Gaudrel, pelos abutres, e foi utilizada por eles para que guiasse os Remanescentes – graças ao seu dom. Descobrimos na verdade, que não se tratava de Nobres Remanescentes escolhidos, mas sim, de pessoas tão miseráveis quanto abutres, que foram capazes de sequestrar a menina. Mas nos resta ainda saber, qual o papel do anjo Astes, minha teoria é de que o anjo é mãe de Gaudel e Venda, mas ainda estou bem confusa quando a isso. O que você acha sobre esses parentescos da história, e sobre o destino de Lia?

Morrighan ergueu sua voz,/Aos céus,/Beijando dois dedos,/Um para os perdidos,/E um para aqueles ainda por vir,/Pois a separação entre os bons e ruins/ainda não estava acabada. -Livro dos Textos Sagrados de Morrighan, vol IV-
Resenha crítica de "The Heart of Betrayal" de Mary E. Pearson, por Samira Oliveira no Blog Dezoito em Ponto

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