Posts da tag "Empoderamento feminino"
Literatura

Para Educar Crianças Feministas – Um Manifesto | Chimamanda Ngozi Adichie

19.09.17

Para Educar Crianças Feministas é da autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Eu estou até agora impactada com este livro e tenho certeza de que será uma obra que eu levarei para a vida toda – literalmente, onde eu estiver, No Brasil ou na Turquia, esse livro vai comigo! Se um dia eu tiver um filho então, esse livro será exatamente meu manual. Ele é bem curtinho e pequeno e com uma escrita fluída e muito boa em formato de carta. Isso porquê a amiga de Chimamanda, a Ijeawele lhe pede orientação para criar sua filha, Chizalum Adaora, como feminista. Assim, com 15 sugestões para a criação, a autora trata desde as questões mais difundidas do feminismo até as mais específica, e digamos, novas. Eu li com tanto afinco que até me esqueci de marcar as partes que mais me fizeram refletir – algumas inclusive que eu gostaria de apresentar a vocês – por isso estou lendo o livro mais uma vez, na tentativa de colher as questões principais.

Algumas coisas nunca tinham passado pela minha cabeça, e esse livro me fez repensá-las. Uma das muitas questões é o fato de a mulher “esperar” que o homem a peça em casamento e não ter nunca o direito de tomar a iniciativa e fazê-lo. Segundo a autora, o ato de “pedir” em casamento carrega todo o poder da relação, pois antes que a mulher possa decidir se aceita ou não – e isso pode ser considerado um grande ato de poder (ironia tá) por algumas pessoas – o pedido precisa ser feito, certo? Chimamanda completa: “desejo de coração a Chizalum um mundo em que qualquer uma das duas pessoas possa pedir, em que uma relação se torne tão confortável e repleta de alegria, que a própria ideia de se casar seja motivo de conversa, ela mesma repleta de alegria.”

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Em voga

Os Tempos Mudaram SIM, entenda o porquê

15.09.17

Eis frases que eu ouço com muita frequência: “o mundo mudou” ou “os tempos mudaram” ou “o mundo está de cabeça para baixo”; normalmente carregadas de negativismo. Mas será mesmo? Talvez o que pensam estar “de cabeça para baixo” na verdade, esteja em sua correta posição! Talvez essa mudança seja uma das tantas necessárias nos tempos em que vivemos; nas evoluções que a nossa humanidade tende a passar.

Seria ridículo não olhar para a frente, não pensar em progresso, não lutar para uma mudança no mundo. E isso está em todos os aspectos da nossa vida, por mais mínimos que pareçam. Ainda me é recente os tempos em que eu andava na rua com a minha avó e sempre que aparecia alguém com cabelo black power ela exclamava algo como: “que coisa feia!” (e eu sei que não é por maldade, é apenas o modo como ela foi educada). Hoje, depois de tanta exposição na mídia sobre cabelos crespos (coisas as vezes criticada devido à comercialização da cultura), depois de atrizes e pessoas influentes aparecem com seus cabelos cacheados/crespos, minha avó emudou. E é essa a beleza da mídia, ela pode ser benéfica, a nossa sociedade de consumo e pode colaborar para a nossa evolução – não que eu seja uma amante do capitalismo, só estou tentando ver tudo sob um novo ângulo. Quando eu era criança, eu tinha um cabelo chamado carinhosamente de “bom bril” e de “vassoura”, não faço ideia de como ele ficou assim, mas era demonizado pela minha família. Todo dia um produto diferente para acabar com o volumão do cabelo da Samira (podia até virar páginas do facebook hehe), tanto que um dos meus maiores sonhos sempre foi ter o cabelo lisinho (bem ao estilo Barbie mesmo). Porém atualmente o meu modo de olhar é outro, o meu “padrão” de beleza ideal é praticamente inexistente, o meu gosto, o que meu cérebro considera bonito ou feio mudou pra caramba (e isso eu tenho que agradecer a mídia também). Refleti sobre isso em um dos passados dias em que eu tentava a todo custo deixar meus tímidos cachos mais aparentes e volumosos, chegando ao “cúmulo” de jogar a cabeça pra baixo (tipo a Joelma) e tentar fazer a raiz ficar cheia, pra ver se o cabelo ficava com mais movimento. Minha eu, padrãozinho, amante de cabelo liso, ficaria totalmente horrorizada!

Agora pense na minha infância de criança gordinha e o meu corpo atual (gorda também); antigamente meu sonho era entrar na Lilica&Tigor e achar uma roupinha que service (mas essa marca nunca foi para crianças gordas). Acho que assim dá pra entender minha ultra emoção em ver lojas que fazem roupas sob medida, marcas que investem em tamanhos plus e em tamanhos que sejam realmente o do nosso corpo (não adianta nada ser número M se só uma pessoa PP consegue usar, né?). E muito mais que isso, várias modelos, blogueiras, atrizes, cantoras estão mostrando que ser gordo é uma qualidade tanto como é ser moreno ou loiro, ou seja, natural. Semana passada encontrei minha amiga de infância, gorda como eu, depois de muito tempos sem nos ver. Antigamente trocaríamos dicas sobre a última moda em emagrecimento, sobre o novo suco detox ou o mais maravilhoso treino “projeto verão” da academia. Mas não foi assim, nos pegamos na aceitação, no amor por nós – pelo nosso corpo e pelo nosso espírito – pela moda que conseguimos hoje vestir; mudamos completamente nossa visão sobre nós mesmas e isso é tão leve, é como se uma nação tivesse sido tirada de nossas costas. Percebemos assim, que há mais tempo para viver e se amar. (mas isso é outro post hehe).

No passado medicina alternativa seria considerada “coisa de gente velha e ignorante”, magia, religiões e crenças diferentes, receberiam o famoso “chuta que é macumba”. Sagrado feminino? Mas mulher não é do demônio? (parece absurda essa exclamação, não é mesmo? Pois é assim que pensava-se no passado). Mulher… quantas questões não estão sendo levantadas sobre nós, sobre o que é ser mulher, sobre o que nos faz ser mulher, o nosso papel social (que era claramente o de dona de casa), o nosso prazer descoberto (antigamente ele não existia) e a tão sonhada equivalência entre homens e mulheres.

Quando que o nosso passado iria sonhar que uma cantora drag queen teria tanta audiência? Quando íamos ver o início do fim (será que tô sendo muito otimista?) da ditadura do corpo magro e perfeito. Quando a gente iria poder sonhar que cabelo crespo, que cultura negra seria acolhida e respeitada como estamos (finalmente) começando a fazer? Caiu até uma lágrima aqui. Pois eu posso dizer que nós blogueiras/influenciadoras temos uma parcela de culpa nisso. O martelar diário de novas ideias, a discussão sempre crescente, as conversas mais claras e as pessoas mais abertas ao novo (que não verdade existe faz tempo mas algumas pessoas simplesmente não querem ver), tudo isso tem uma pitadinha do nosso glitter. Estamos abrindo a força os olhos de todos.

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Literatura

“Os 12 Signos de Valentina” – Ray Tavares| O romance astrológico do ano!

31.07.17
Livro: Os 12 Signos de Valentina
Série:
Autor(a): Raissa Tavares
Editora: Galera Record
Genero: romance
Páginas: 389
Classificacao:
Sinopse: Isadora é ariana e seu ex namorado pisciano… Inferno astral! Em busca da combinação astrológica perfeita, ela cria um blog para relatar suas experiências. Isadora descobriu da pior forma possível que o namorado a traíra. E com sua melhor amiga, ainda por cima! A estudante de jornalismo entra numa fossa sem fim. Sem nenhum estágio à vista, ela se afoga em filmes feitos para chorar, pizza e em sua mais nova obsessão: stalkear o perfil do ex namorado no Facebook. Até descobrir exatamente o que deu errado entre ela e Lucas: seus signos são incompatíveis. Basta encontrar um rapaz de libra e seu mundo entrará nos eixos novamente. Com a nova obsessão e a desculpa do trabalho final de jornalismo online, uma reportagem investigativa sob um pseudônimo, Isadora une o útil ao agradável e cria um blog para relatar a experiência: Os 12 signos de Valentina. Já que precisa encontrar o libriano perfeito, por que não aproveita e experimenta os outros signos do zodíaco para ter certeza mesmo?

"Os 12 Signos de Valentina" de Raissa Tavares pela editora Record| Resenha por Samira Oliveira para o DEZOITOEMPONTO.COM“Os 12 Signos de Valentina” da Raissa Tavares – publicado de Galera Record – foi o livro mais divertido e leve que li até hoje! E é por isso, e por ter conhecido essa linda Ray, que a resenha vai ser basicamente uma sucessão de elogios sinceros e muito amor!

Primeiríssima coisa; se você é a(o) louca(o) dos signos, se prepara, esse livro é o manual dos signos mais maravilhoso e baphonico do século! Segunda coisa: você vai querer ser amiga dessa pessoa linda depois que começar a ler o livro. Sério gente, não sei se foi a escrita mais informal e mais perto o possível da oralidade, ou se foi o carisma encantador que a Ray demostrou desde o dia em que a conheci (você pode conferir a entrevista que fiz com a Ray!), só sei que eu consegui (na minha cabeça doida de fã/leitora/escritora/crítica) misturar a Ray escritora e a personagem Isadora. De tal maneira que eu imaginava as cenas todas com a Ray, e também tive que me conter oitenta e sete vezes para não mandar uma mensagem dizendo algo do tipo: “menina, tu não vai pegar de novo o escorpiano?” ou “filha, sai dessa bad ai e se joga nos signos!” e bem…. a personagem “seguiu meu conselho” kkkkk.

Isadora é estudante do terceiro ano de jornalismo da USP (minha amada e demonizada universidade) e namora um tal de Lucas há 6 anos – tudo lindo e bonito, poderia até ser um romance do Nicholas Sparks – até que o garoto resolve traí-la com uma das suas melhores amigas da faculdade – E MAIS… No. Aniversário. Dela…. Depois de meses sem por a cara pra fora da rua, sua prima – outra personagem quem eu queria ser amiga – a convence a ir até uma balada e afogar as mágoas na cachaça se distrair um pouco. É nessa noite que ela descobre o motivo pelo qual foi traída, enganada, chifrada e feita de boba: ela era de Áries e o ex boy não magia era de Peixes! inferno astral, era esse o grande motivo! Juntando a vontade de comer (seu trabalho final para sua matéria de jornalismo online) e a fome (a necessidade de se reinventar e sair do posso profundo que ela chama de cama + Netflix) surge o blog astrológico: Os 12 Signos de Valentina. Nele, Isa promete passar o rodo no zodíaco e contar tin tin por tin tin da experiência com cada um.

Agora, vamos que vamos. Apesar de uma narrativa leve e descontraída, Ray Tavares consegue adicionar assuntos sérios misturados à assuntos mais leves e fazer um incrível livro, que a primeira vista, parece ser um emocionante romance new adult, mas que carrega no meio, ideologias trabalhadas, ideais sociais e muita humanidade. Dava pra sentir em cada capítulo o empoderamento feminino que era transmitido, a sororidade, a igualdade, e sobretudo: o amor. Pois convenhamos, um término nunca será agradável – por mais necessário que seja à saúde mental de ambos- mas se você tem pessoas que jogam o bote salva vidas quando você vai se afogar, então, bem, você tem tudo! E o que dizer das cenas do encontros? Da curiosidade bem trabalhada e do íma com que pesca o leitor; a cada mensagem que a Isa recebia no celular ela se emocionava de alguma forma – e eu já surtava; a cada acontecimento importante ela se abalava – e eu arrancava os cabelos! E assim, foi impossível não consumir o livro como se fosse o brigadeiro mais gostoso e único do século! "Os 12 Signos de Valentina" de Raissa Tavares pela editora Record| Resenha por Samira Oliveira para o DEZOITOEMPONTO.COM

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Filmes/Séries Outros

Finalmente uma heroína para nos representar: Mulher Maravilha

18.06.17

Representatividade e empoderamento feminino no filme da DC Mulher MaravilhaEu realmente tentei não falar nada sobre Mulher Maravilha – mesmo Eduardo tendo insistido para que eu fizesse uma resenha sobre o filme. Mesmo eu tendo amado e me emocionado com ele. Se você quer uma resenha, vá direto a esta: 7 Clichês e Estereótipos Subvertidos em Mulher-Maravilha (e outros 4 que nem tanto assim) pois neste post eu pretendo apenas contar tudo o que senti com o filme – e quem sabe você não se identifica também?

Contém Spoilers!

Se você não é muito nova com certeza esbarrou em uma tia, mãe ou avó dizendo algo como: herói é coisa de menino, essa violência, esses murros, não é pra menina. Menina tem que ser delicadinha! Por esse motivo eu sempre estive muito  meio longe de heróis, e só fui me aproximar um pouco mais por causa do Du (meu namorado) – e isso é extremamente lamentável. A divisão entre “coisas de menina” e “coisas de menino” era tão profundamente fincada nas crianças – e portanto em nós, atualmente – que eu mesma, as vezes me vejo sem saber como reagir, como ensinar minha priminha de 3 anos, o fato de que é perfeitamente comum ela querer um carrinho. E vejo com muita emoção, minha avó sem ofertar uma daquelas respostas que eu sempre ouvi, sem cortar a vontade da minha prima em brincar de futebol. Nessas pequenas coisinhas entre a educação que eu recebi e a que minha priminha está recebendo, que eu fico feliz, orgulhosa e esperançosa, de que as mulheres vão ganhando cada vez mais espaço e igualdade – dia após dia.

No filme, sem dúvidas, a minha cena preferida foi quando Diana atravessou um campo de batalha – que os homens não tinham conseguido avançar nem poucos metros em 1 ano – e deu cobertura para que os outros homens passassem. Aquela cena, encheu meus olhos de lágrimas e meu coração de esperança. Senti aquela pontada no peito, aquela vozinha dizendo – você está sendo representada, a sua força está sendo reconhecida. Porquê mesmo que nós, mulheres comuns não tenhamos poderes sobrenaturais como os de Diana e nem sejamos deusas como ela; nós temos, a força mágica da vida, do sentimento, do poder, da magia e da fortaleza. Temos sim, um poder enorme dentro de nós e muito mais do que a divindade de Diana, seu poder se deve sobretudo à sua feminilidade – sim, ao seu eu feminino, e eu vou sim, gritar pra quem quiser ouvir que ela é poderosa justamente por ser mulher, por buscar justiça, por ter bondade, por ter dentro de si verdades tão honrosas!

Se tem uma forma de reconhecer fielmente o que o feminismo busca, essa forma é observando a Ilha de Themyscira. É vendo que seu ideal de força é inteiro de uma mulher, que sua atenção e respeito são direcionados a mulheres – e não poderia ser diferente já que a sua sociedade não despreza mulheres, e também não despreza os homens. ba dum tss! Creio eu que esse seja o ponto, quando Steve chega à ilha seguido dos outros barcos, elas partem para a luta por estarem sendo invadidas. Após isso, no julgamento de Steve, não há um papo por exemplo: você nem deveria estar aqui, você é um homem! Como acontece em Londres na “vida real” com Diana. Para elas não há um inferior, há apenas o reconhecimento do diferente, mas o igual respeito. No link em que coloquei lá em cima há esta passagem que ilustra muito o que eu quero dizer:

Mais tarde, vemos que fora de Themyscira Diana é tão atenciosa e respeitosa com outras mulheres como dentro. Ela ouve Etta da mesma forma que Steve e é a única do grupo a não dar as costas para uma mulher que pede sua ajuda nas trincheiras. Isso é muito coerente, afinal, Diana foi criada por mulheres, viveu entre mulheres, e todos os seus heróis e exemplos de vida são mulheres. E isso se reflete na forma como ela se porta no mundo fora de Themyscira. Não faria sentido ela sentir rivalidade ou desprezar mulheres, assim como não faria sentido ela se sentir intimidada ou acuada por homens (ou mesmo sentir medo ou culpa por dormir ao lado de um deles em um barco). Diana não foi criada em uma cultura de estupro e de inferiorização da mulher e o resultado disso vemos nas telas: uma heroína segura de si, que confia na própria força (e na de outras mulheres), e que até escuta os homens, mas no fim toma suas próprias decisões.

E a diretora, Patty Jenkins completa, em entrevista ao Omelete:

Ela não é feminista, pois nunca ocorreu a ela que alguém seria tratado diferente, o que por si só é uma declaração poderosa. Fico aborrecida quando ela se torna o centro de controvérsias sobre ser ou não um ícone feminista. Ela é. Ela tem sido por muito tempo, ninguém pode decidir se ela deveria ser ou não. Ela é, para muitas mulheres e homens que se identificam com ela.

Todas as vezes que ela entrou no “lugar dos homens” com toda a naturalidade do mundo, eu soltava internamente, um gritinho de emoção. Retratar um pensamento tão machista – e infelizmente contemporâneo – como o da época e acrescentar a isso a Mulher Maravilha, ilustrou perfeitamente a igualdade que queremos. Ficou mais claro do que um desenho, o ideal feminista que ela quer mostrar, o contraste gritante da nossa sociedade tão sexista e o que lutamos para mudar.

Outro ponto louvável foi a vestimenta das amazonas, nada de hipersexualização, nada mostrando mais do que o necessário, nada de silicone se agarrando aos peitos. A roupa delas foi feita para lutar, e isso fica muito claro quando Diana está em Londres comprando “roupas adequadas” quando ela pergunta “como as mulheres conseguem lutar vestindo isso?” e em seguida rasga uma calça, levanta um vestido ou cai de um salto. A roupa que elas usavam eram práticas, armaduras que possibilitam uma boa mobilidade e proteção e acessórios que demonstrassem sua função na Ilha.

Essa foi a minha humilde opinião – cheia de emoção sim – sobre o filme da Mulher Maravilha. E você, já foi assistir? Me conte tudinho nos comentários ;)

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Literatura

“The Beauty of Darkness” – Mary E. Pearson | Lealdade e Transformação.

02.05.17
"The Beauty of Darkness" - Mary E. Pearson | Lealdade e Transformação. Resenha por Samira Oliveira Blog Dezoito em Ponto

Finalmente a resenha de The Beauty of Darkness, terceiro e último volume da série “Crônicas de Amor e Ódio” escrito pela incrível Mary E. Pearson. 

♥ Resenhas de “The Kiss os Deception” e de “The Heart of Betrayal” ♥

Livro: The Beauty of Darkness
Série: Crônicas de Amor e Ódio
Autor(a): Mary E. Pearson
Editora: DarkSide - DarkLove
Genero: Fantasia
Páginas: 569
Classificacao:
Sinopse: Enquanto luta para chegar a Morrighan a tempo de salvar seu povo, ela precisa cuidar do seu coração e seus sentimentos conflituosos em relação a Rafe e as suspeitas contra Kaden, que a tem perseguido. Nesta conclusão de tirar o fôlego, os traidores devem ser aniquilados, sacrifícios precisam ser feitos e conflitos que pareciam insolúveis terão que ser superados enquanto o futuro de todos os reinos está por um fio e nas mãos dessa determinada e inigualável mulher.

Desde que terminei de ler The Beauty of Darkness, não consigo parar de pensar no final dado por Mary. Não que eu tivesse feito melhor, nem que eu preferisse um outro final. Na verdade o que eu quero é mais. As páginas das “Crônicas de Amor e Ódio” são como uma taça de vinho extraordinário, você aceita um gole após o outro, uma página seguida de outra – sem ver o tempo correr, sem mal perceber a história passar. Como numa espécie de magia, você se sente como que preso no próprio dom de Lia, preso em uma visão, preso na história arrebatadora da série. E foi por isso, que após ler a última página, eu tentei ao máximo perpetuar a sensação que essa história me provocava. Mas eu simplesmente precisei fechá-lo, porém tendo Lia para sempre dentro de mim.

Até que apareça aquela que é mais poderosa,/Aquela nascida do infortúnio,/Aquela que era fraca,/Aquela que era caçada./Aquela marcada com a garra e a vinha,/Aquela nomeada em segre,/Aquela chamada Jezelia.

Nesse desfecho, Lia sobrevive à sua fuga de Venda. Deixando para trás um Komizar agonizante, Aster morta e povoados proclamando-a como rainha, clamando pela esperança oferecida por ela. Mas Lia precisa fugir, precisa alertar Morrighan do perigo que eles correm, do exército de crianças soldados, do sangue que se escorrerá pela vinhas. Precisa alertar que Morrighan é a primeira de toda a devastação, de todo o plano do Komizar, que é o dragão movido pelo poder e pela desgraça. Rafe e seus mais fiéis amigos e companheiros, ajudaram Lia a fugir de Venda e a permanecer viva; ele arriscou seu Reino, sua família e seu poder apenas para ajudar aquela que o abandonou no altar. E essa talvez seja a maior prova do seu amor, o contraste gritante entre a segurança aprisionante e a liberdade que afasta o amor, mas que é a vontade dele. Interessante o amor dos dois, Rafe quer que finalmente Lia possa descansar e curar suas dores em paz – mas a guerra não acabou – ainda não há tempo para descanso. Ele quer que todo o seu esforço realmente falha a pena e eles possam ter a vida que sempre sonharam – mas Lia nunca será submissa, nunca aceitará não lutar pelo acredita, não batalhar nas guerras. Em seu Reino, Lia é mais do que nunca um soldado do reino de seu pai, ela é uma verdadeira Líder ao descobrir traições, revelações de décadas, histórias de sua família e lendas sussurradas através de gerações de Primeiras Filhas. Nunca a lealdade foi tão posta às claras, nunca foi tão valiosa – mais contraditória dos que flores de tannis, mais pungentes do que a morte.

Além de Rafe, da segurança de seu reino e do reino de Dalbreck, nossa heroína ainda precisa lidar com Kaden – que a persegue durante sua fuga – e descobrir a quem ele é leal. Em “The Beauty of Darkness” outros personagens terão seus desfechos e suas purgações, sem que nenhum detalhe seja esquecido. Esse foi um ponto muito bom, Mary amarrou muito bem todas as histórias, entrelaçando algumas que eu já havia desconfiado, e desfazendo outros nós, dando as respostas que todos procuramos. Ao fim, estamos mais amarrados à “Crônicas de Amor e Ódio” do que a garra e a vinha no kavah de Lia. Outro ponto interessante foram os diálogos de Lia, notei que eles ficaram mais profundos e extensos do que nos outros volumes, creio eu, para que todos os detalhes pudessem ser explicitados e dando mais voz ao herói, para podermos entender melhor seus sentimentos e motivações. As vezes os diálogos falam mais sobre o personagem do que sua própria narração em 1º pessoa. Gostei bastante de como Mary foi intercalando os textos dos Antigos com a narração do presente, de modo que vamos percebendo a aproximação entre Lia e as personagens de outros tempos.  Afinal, “Tinha de ser alguém”

Não importa quantos universos vão e vêm, sempre me lembrarei de quem éramos juntos.

Lia é uma das personagens mais fortes que eu conheço. Essa é a mais bela história feminista e empoderadora, sem entretanto, citar tais termos e muito menos deixar explícito. Lia, vai abrindo caminhos para tomar seu lugar como mulher e guerreira. Ela vai mostrando a fortaleza que se tornou, o poder que adquiriu e a certeza que a guia. Continuando com um coração de carne, ela sabe que precisa matar – ela sabe que precisa de um mínimo de vingança para se alcançar a esperança. Ela coloca cada um em seu lugar e mostra quem ela realmente é; forte, humana, e um verdadeiro soldado.


Toda a trilogia me lembrou o processo Bildungsroman, definido pelo filólogo Karl Morgenstern em 1810. Resumidamente, o Romance de Formação seria: “uma forma de romance que representa a formação do protagonista em seu início e trajetória até alcançar um determinado grau de perfectibilidade” (1999, p.18) Tal processo de formação, envolve resumidamente, a mudança da herói (Lia), seu autoconhecimento e sua orientação no mundo (conhecendo-se como Jezelia, presente nos Testemunhos), processo de amadurecimento do herói (sua vida e fuga de um simples casamento, para a volta como um soldado), a separação em relação à casa paterna (fuga de Morrighan), atuação de mentores (Dihara), experiências intelectuais eróticas (bem… Rafe e Kaden) e finalmente, contato com a vida pública e política (povo de Venda). Infelizmente não tenho espaço para uma análise acadêmica como eu faria, mas acho que com esse pequeno resumo vocês já puderam entender o que seria o Bildungsroman e como “Crônicas de Amor e Ódio” se encaixa nessa teoria.

Como eu já havia comentado com vocês nas resenhas de The Kiss of Deception e de The Heart of Betrayal as minhas teorias sobre Gaudrel, Venda e Morrighan estavam quase que completamente certos. Deixei um excerto que explica bem bonitinho tudo isso, e o coloquei porquê já ficou explícito no segundo livro. Só fiquei em dúvidas quando aos escritos de Aster. Alguém tem uma boa teoria pra me emprestar? Eu poderia ficar páginas falando sobre como “Crônicas de Amor e Ódio” me marcaram, mas passo a vez para vocês, leiam, se emocionem e chorem – quando terminar poderão enfim, respirar fundo e descansar – esse mundo ele, nos inspira… ele nos partilha. "The Beauty of Darkness" - Mary E. Pearson | Lealdade e Transformação. Resenha por Samira Oliveira Blog Dezoito em Ponto

“Existem outras verdades, Pauline. Verdades que você precisa saber”. E contei a ela sobre Gaudrel, Venda e a menina Morrighan, que foi roubada de sua família e vendida a Aldrid, o abutre, por um saco de grãos. Contei a ela sobre as histórias das quais nunca antes tivemos conhecimento e sobre os ladrões e os abutres que eram os fundamentos do nosso reino, e não um Remanescente escolhido. Os Guardiões Sagrados não eram nem um pouco sagrados.”

“Vocês definem uma espada pelos termos que lhes são familiares em todas as formas como veem, sentem e tocam. Contudo, e se houvesse um mundo que falasse de outras maneiras? E se houvesse outra forma de ver, ouvir e sentir? Nunca sentiram alguma coisa bem lá no fundo de vocês? Não tiveram um vislumbre disso brincando atrás dos seus olhos? Já ouviram uma voz em algum lugar nas suas cabeças? Mesmo que não estivessem certos disso, esse conhecimento fez com qque os seus corações batessem um pouco mais rápido? Agora multipliquem isso por dez. Talvez alguns de nós saibramos das coisas mais profundamente do que outros

"The Beauty of Darkness" - Mary E. Pearson | Lealdade e Transformação. Resenha por Samira Oliveira Blog Dezoito em Ponto

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