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Literatura

Resenha: A Guerra Que Salvou A Minha Vida| Recomeço e Destruição

03.04.17

Resenha: A Guerra Que Salvou A Minha Vida| Recomeço e Destruição por Samira Oliveira Blog Dezoito em Ponto

Livro: A Guerra Que Salvou A Minha Vida
Série: DarkLove
Autor(a): Kimberly Brubaker Bradley
Editora: DarkSide
Genero: romance
Páginas: 240
Classificacao:
Sinopse: Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor.
Kimberly Brubaker Bradley consegue ir muito além do que se convencionou chamar “história de superação”. Seu livro é um registro emocional e historicamente preciso sobre a Segunda Guerra Mundial. E de como os grandes conflitos armados afetam a vida de milhões de inocentes, mesmo longe dos campos de batalha. No caso da pequena Ada, a guerra começou dentro de casa.

A Guerra Que Salvou A Minha Vida é um lançamento da DarkSide Books (DarkLove), que promete te emocionar do inicio ao fim. A história foi escrita por Kimberly Brubaker Bradley, sua obra foi vencedora do Newbery Honor Book, do Schneider Family Book Award e o Josette Frank Award, além de ter sido eleito entre os melhores livros de 2015 pelo Wall Street Journal, pela revista Publishers Weekly,  New York Public Library e pela Chicago Public Librardy. A Guerra Que Salvou a Minha Vida também foi primeiro lugar na lista do New York Times e adotado em diversas escolas nos Estados Unidos.Resenha: A Guerra Que Salvou A Minha Vida| Recomeço e Destruição por Samira Oliveira Blog Dezoito em PontoPrimeira coisa que você precisa saber: você vai se emocionar, e muito. Mas não é uma emoção depressiva como em “O Diário de Anne Frank”, está mais para uma emoção como de quando você pula num montinho de folhas secas, mas inevitavelmente torce o pé. Bem, logo você vai entender porquê…

A história se passa na Inglaterra, no início da Segunda Guerra Mundial, quando Hitler ameaça bombardear o país. Lá fora, uma Guerra se desenrolava, mas dentro da casa de Ada, ela já havia começado há muitos anos. Ada não tem muita certeza sobre sua idade, estimasse que ela tenha 10 anos, e seu irmão Jamie 6 anos. Nada parece comum, tudo parece fora do lugar, tal qual a guerra. Numa primeira cena vemos Ada sentada á janela cumprimentando um vizinho e logo é violentamente empurrada e espancada pela Mãe – que permanece sem nome do início ao fim. Ada tem um probleminha que é extremamente repugnante para a mãe, ela tem o pé direito torto. Por esse motivo, desde que nasceu, a Mãe nunca a deixou sair de casa e além disso, ela ainda a maltrata física e psicologicamente, deixando muitas vezes de dar o mínimo de comida á menina. Além disso, como se não bastasse tudo isso, ela ainda é responsável por cuidar do irmão pequeno desde que ele nasceu e cuidar do apartamento em que vivem – isso tudo, rastejando com os cotovelos e joelhos, pois Ada não consegue andar e nunca nem mesmo ficou de pé.Resenha: A Guerra Que Salvou A Minha Vida| Recomeço e Destruição por Samira Oliveira Blog Dezoito em PontoCom a ameaça de bombardeio á Londres, as crianças serão realocadas para o interior onde passarão um tempo com outras famílias até as bombas passarem. A Mãe já confirmou a ida de Jamie para a segurança, mas Ada não, ela não pode ficar segura, ela é uma vergonha para a mãe, “retardada”, “lixo”, “imprestável” e “nojenta” e por isso Ada deve ficar para aguentar as bombas – e se por sorte ela sobreviver, bom, será apenas uma questão de sorte mesmo.

“Você não passa de uma desgraça! ” Ela gritava. “ Um monstro, com esse pé horrível! ” Acha que eu quero que o mundo todo vendo a minha vergonha? ”

A Mãe demostra ser o pior tipo de ser humano, o mais desprezível e o horrendo, e não, não há uma explicação plausível para sua falta de coração. Apesar de todo esse ódio para com Ada, a filha continua a ter um amor pela Mãe, ela quer andar para que a Mãe veja que ela não é imprestável, que ajudá-la no mercado, quer apenas andar na rua e conversar com os vizinhos. E isso talvez seja a parte que mais me tocou, apesar do abandono e da violência ela continua a amar a Mãe. Mas quando ela percebe que será separada de seu irmãozinho, ela resolve reunir suas forças e seu recém poder de andar – para orgulhar a Mãe, inicialmente – e mesmo com toda a dor foge com o irmão para o trem que os levará a uma nova vida. Resenha: A Guerra Que Salvou A Minha Vida| Recomeço e Destruição por Samira Oliveira Blog Dezoito em PontoO mais lindo desse livro é a delicadeza em ver coisas através da ótica de Ada, coisas que para nós são insignificantes – ela fica espantada quando vê grama ou árvores, pois ela nunca havia saído de dentro do apartamento. Ela acha incrível as folhas mudarem de cor no outono, e desconhece totalmente palavras como “lençol” e “banheira”, aliás, as crianças quase nunca tomavam banho, a Mãe simplesmente não se importava com isso. Acho que a beleza da obra também se encontra em uma importante lição de recomeço, acho que esse é o grande tema do livro, que está por trás de tudo. Ada recomeça sua vida com a guerra e aprendendo a andar, Jamie recomeça conhecendo o amor que ele não conhecia, Susan recomeça mesmo no inverno quando a dor da perda era mais sentida – e assim, outros personagens importantes terão decisivos recomeços e lições para nos passar. Mais que isso, A Guerra Que Salvou A Minha Vida, quer nos fazer olhar o outro, olhar o novo, e olhar para dentro de nós mesmos. Refletir nossa bondade e a forma como tratamos o outro, nossas relações e nossas emoções. Resenha: A Guerra Que Salvou A Minha Vida| Recomeço e Destruição por Samira Oliveira Blog Dezoito em Ponto

“Ele achou que eu estava mentindo, ou, na melhor das hipóteses, exagerando. Agora voltava a encarar o meu pé ruim. Senti uma onda de calor subir pelo meu pescoço. Pensei no que a Susan faria. Espichei o corpo, cravei os olhos no homem e disse, empertigada: ”Meu pé ruim fica muito longe do meu cérebro”.

Quando eles chegam no interior, são colocados enfileirados para que as famílias que vão abrigá-los escolha a criança que queria levar. Nesse momento eu quase tive um ataque de choro, eles estavam magricelos, desnutridos e anêmicos, além de extremamente sujos, quem os iria querer? Mas então há uma esperança quando Lady Thorton, membra do Serviço Voluntário Feminino leva as crianças até Susan Smith que os acolhe, mesmo nunca tendo cuidado de crianças, que diz se “má”, mas que os dá comida e banho, que luta para que eles vivam enquanto precisa ela mesma lutar contra as tristezas de seu passado e com a morte de Becky (que está explícito nas entrelinhas que foi esposa de Susan). Amo a relação de Ada com Susan, o carinho que a moça tem pela menina e como ela parece as vezes não perceber; é fato que Ada não conhece muito sobre sentimentos e sobre amor – nunca os recebeu da Mãe – mas é triste perceber como a sua vida moldou sua personalidade. Ada se mostra muitas vezes indigna de várias coisas, se julga “uma porcaria”, acha que todos estão rindo dela, que ninguém quer alguém defeituosa como ela – cicatrizes fundas causadas pela Mãe, que talvez tenham cura, talvez não se fechem nunca.Resenha: A Guerra Que Salvou A Minha Vida| Recomeço e Destruição por Samira Oliveira Blog Dezoito em PontoLi essa obra em 2h enquanto viajava de São Paulo até Piracicaba, tamanha a força com que me envolveu – é que normalmente eu durmo no caminho e dessa vez não consegui desviar os olhos da leitura por nem um segundo! A narração é toda feita por Ada e isso é muito bom, pois temos acesso á seus pensamentos e sua visão de mundo. Achei incrível poder ao menos sonhar, que em cada guerra tenha uma história de amor e de recomeço, se escrevendo. Lindo, emocionante e muito profundo, uma leitura fluída – como eu imaginava – e muito bonita.

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Em voga

Como as bonecas Barbie influenciaram a imagem que eu tenho do meu corpo.

12.03.17

Como as bonecas Barbie influenciaram a imagem que eu tenho do meu corpo.Foi depois de tirar de casa os últimos vestígios da minha infância, depois que encontrei duas imaculadas bonecas Barbie e uma Susi intacta, foi que tive aquele lampejo. O que aquelas bonecas haviam feito comigo durante todo esse tempo? Muito se fala sobre o corpo padronizado da Barbie, mas pouco ainda se comenta sobre os reais efeitos que a boneca provoca. Falando assim, parece mais que estou te apresentando a descoberta de um veneno que mata lentamente, ano a ano, e bom, é exatamente isso do que se trata.

Não, eu não estou dizendo que as bonecas Barbie devam ser extintas, que não devemos comprar mais elas para nossas irmãs ou primas e muito menos estou declarando guerra a elas. Na verdade, muito pacificamente, eu queria relatar o que foi a minha vida no quesito aceitação do meu corpoe como a Barbie sempre dificultou essa tarefa.

Já percebeu a minúscula cintura da boneca? Esses dias eu estava distraidamente observando um livro das princesas e assustada me dei conta: a cintura da Ariel era, proporcionalmente ao desenho, do tamanho do fininho braço da sereia. Foi ai que notei, aterrorizada, como essa realidade nunca antes havia me parecido tão gritante. Resgatei em ninha memória toda a imagem de Barbies e de Princesas, e todas elas, vinha, inexoravelmente acompanhadas de uma cintura inumanamente impossível de ser conquistada, com um cabelo cumprido e sedoso que só a mais rica das celebridades poderiam sequer ousar chegar perto; um corpo milimetricamente bem feito e proporcional; nenhuma manchinha na pele, nenhuma acne no rosto, nem sinal da mínima descompostura na maquiagem – e muito menos uma estriazinha que fosse. E tudo não seria terrivelmente assustador se não fosse pelo fato de que: eu sempre havia aceitado isso sem nem mesmo questionar.

Agora, se eu, com meus quase 20 anos de idade só fui me ater a isso agora, imagine essas bebês que com 3 anos já tem nas princesas da Disney e nas bonecas Barbie um ideal inalcançável e mentiroso de beleza? Você deve estar resmungando ok, mas aonde exatamente você quer chegar com isso? Bem, para responder essa questão, vou ter que contar um pouquinho sobre mim. Eu sempre, sempre mesmo, fui a gordinha da escola; em uma cidade pequena em que uma das melhores escolas da cidade era relativamente de alto padrão, não seria de se estranhar que as alunas fossem, eu sua grande maioria, simplesmente perfeitas. Quando digo isso, não quero ser rude, afinal se trata de minhas amigas, mas quero dizer que, todas tinham ótimas possibilidades e encorajamentos para frequentar uma academia na adolescência (lembro até hoje de uma amiga reclamando que estava gorda e feia por ter ganhado 2 quilinhos em uma viagem internacional), todas tinham acesso aos melhores dermatologistas, shakes para emagrecer, atividades físicas, cremes dermatológicos, tratamentos capilares e toda sorte de coisas estéticas que o povo diz “para nos deixar mais bonitas” Não que eu as esteja julgando, eu mesma já frequentei academia, usei/uso cremes para o rosto e infinitos para o cabelo entre tantas outras coisas, a questão não é essa, a questão é a cultura no corpo perfeito. O corpo perfeito sempre fora o meu sonho, passei boa parte da minha vida imaginando como eu seria feliz se tivesse o meu grande sonho de corpo, na minha mente pequena eu montava uma Samira Frankestein com um pedaço de um cabelo perfeito aqui, uma perna torneada de uma amiga alí, uma cintura de uma Barbie aqui e uma pele de uma fulana alí. Na minha mente, eu fazia listas enormes de tratamentos que eu gostaria de fazer, antes mesmo de sequer cogitar a possibilidade de me relacionar com alguém (sim, o meu trauma era tão grande que eu sequer pensava na possibilidade de alguém “me querer”)Como as bonecas Barbie influenciaram a imagem que eu tenho do meu corpo.E quem sempre estava comigo em minha mente? Quem sempre me lembrava que eu deveria ter uma cintura fina e uma pele macia? Quem sempre me encorajava a mais uma vez, pensar em intervenções cirúrgicas ou caminhos que me levariam à doenças como bulimia? Lá estava a maldita boneca Barbie, como que zombando de mim e de todos os meus esforço para me igualar a ela. E não queira mentir, você sabe que todas sonham ser ela, você sabe, quando sua filha leva sua boneca para todo canto; sabe que para ela só existe a loira e branca Barbie, a perfeita e rica Barbie, a linda, a glamourosa, a perfeita boneca – que tem tantas profissões quanto seja possível mensurar, que tem tanto dinheiro quanto alguém poderia imaginar, que tem tudo o que ela, eu e você sempre quisemos. Então, o erro talvez não esteja no status que a boneca apresenta – isso pode ser até um estímulo para as meninas estudarem com mais afinco – mas sim no caráter irreal que ela nos apresenta. Hoje eu falei apenas do que me marcou, do que me tocou na minha infância, mas talvez outros males tenham sido alimentados a partir da figura icônica e inalcançável que a Barbie é.

Em contrapartida, a boneca Susi. Minha sábia vó sempre me disse essa boneca é muito mais bonita que a Barbie, mas eu, em meus sentidos cegos de criança, nunca acreditei. Hoje, quando avistei minha boneca novamente, fui obrigada a concordar com a minha avó; eu havia me visto na Susi. A Susi é mais torneada, musculosa, alta e senhora de si; sua cintura não é do tamanho de seu pulso, suas pernas não são dois cambitos por onde um boing poderia passar. Seus braços não são fininhos ao ponto de quebrar e nem seu cabelo parece ansiar ser a tremenda perfeição que a Barbie quer. Então porque será, que eu achava a Susi uma boneca tão feia? No fundo, eu sei a verdade, eu a odiava porque ela estava muito mais próxima a mim do que a minha ídola Barbie, ela poderia muito bem me representar, poderia muito bem ser um lampejo do meu futuro – e nada, absolutamente nada, que não fosse tremendamente magro e esquio, loiro e liso, claro e belo, eu queria para o meu futuro e para o meu presente. Isso porque eu sempre fui humilhada pelo meu peso, odiada pelo meu cabelo meio armado, desprezada por não ter uma pele perfeita, mas principalmente por não ter aquela cintura perfeita, aquele peso correto, aquele corpo escultural e sequinho. Nunca ninguém quis ser menos do que a Barbie – e nem pensaram em me apresentar firmemente, algo que fosse menos do que ela.

Este é um post da Blogagem Coletiva Coletivando. Para conferir os pots das outras participantes, clique no nome do Blog de cada uma: Blog Notável LeituraBlog Garota IndependenteBlog Dá um ZoomBlog Eu RandômicaBlog Quero ser MirandaBlog A Menina da Janela
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#RetrospectivaEmPonto 2016

22.12.16

A vocês que me seguem, sei que vocês são poucos e, eu teria até como dar um unicórnio de presente de Natal pra cada um – cof cof o Papai Noel esqueceu de criar eles durante o ano – sei que vocês gastam um tempo precioso pra vir até aqui distribuir carinho pra mim – sou grata a cada um e desejo que o ano de vocês seja tão especial quanto foi o meu ♥.

Retrospectiva 2016, Retrospectiva Dezoito em Ponto. Ensaio fotográfico conceitual - conceptual photoshoot
Foto por: Samuel Ducca | Acessórios: Arte Vira Lata

O que dizer de 2016? Por um bom tempo fiquei pensando em tudo o que este ano representou para mim e simplesmente não encontrei maneiras boas para representá-lo. Por isso resolvi resumir tudo o que este ano foi para mim. Uma vez um amigo me disse que chegaria um dia em que várias “picuinhas” seriam resolvidas dentro de mim. Um dia em que qualquer mágoa ou rancor guardado estariam livres para sumir de dentro de mim, levando consigo tantos outros demônios. Um dia em que eu poderia sanar aquelas questões existenciais que me atormentaram por tantos anos; inseguranças, dúvidas, ideologias ultrapassadas e pensamentos fixos em coisas sem importância.

Bom, esse dia finalmente chegou, não apenas por São Paulo nem exatamente pela USP. Mas principalmente por eu ter entendido que eu poderia conseguir. Principalmente por entender que eu era capaz o suficiente de passar em uma das melhores faculdades do mundo! Passei a acreditar mais ainda no meu potencial, a por alguns sonhos em vias de acontecer, a perceber  que – poxa – aquilo realmente estava acontecendo! Cada segundo na expectativa em conferir a lista de aprovados; cada dia acordando naquela incerteza, cada lágrima de desespero em desejar arduamente esse sonhos – e puf – lá estava ele! Registrei o dia da matrícula – o conhecimento daquele mundo que eu tanto sonhei – num post com todos os detalhes

Quanto ao Blog – ele nasceu esse ano  :wink: – no dia 29 de fevereiro  – é um dos meus maiores sonhos que começou há muitos anos quando os blogs começaram a surgir. Eu tinha um bloguinho chamado L’Amour Mon Ange – nossa parece até que foi em outra vida! Mas ele já foi devidamente morto e enterrado há uns bons séculos hehe.  Porém a vontade em voltar a ser blogueira – e dessa vez num formato mais sério – surgiu e nunca me abandonou. Foi desse sonho, dessa necessidade de quem tem céu em gêmeos de compartilhar e de comunicar, que o Dezoito em Ponto veio ao mundo! Desde então aprendi coisas boas e ruins, conheci mais a fundo esse mundo da blogosfera e dos recentes – digital influencers – e conheci blogueiras amigas incríveis (assim como seus respectivos blogs). Ainda há MUITO para aprender e conhecer, ainda tenho um longo caminho para percorrer, e assim, espero ter vocês comigo até o final – seja ele qual for.

No geral nunca me senti com tantos amigos mas ao mesmo tempo tão sozinha. O Facebook e o Instagram – assim como os respectivos grupos – nos aproximam e nos fazem conhecer pessoas novas, mas pessoalmente a Letras é tão cheia de gente e tão vazia! Pelo fato de as aulas do Ciclo Básico não terem uma turma fixa para todas as 4 aulas, as amizades ficam meio esparsadas. Mas mesmo assim eu sei que esse ano foi importante nesse campo, que as amizades podem ser mantidas mesmo que não nos vejamos constantemente – e na verdade a saudade é um grande tempero da amizade!

Foram tantos livros novos, pensamentos novos, novas filosofias e aprendizados que eu me sinto uma pessoa revitalizada. Me sinto mais ligada á minha família – em especial á minha avó que fez todos os meus sonhos acontecerem e á minha tia que me ajudou tanto esse ano! A saudade fez com que eu amasse cada um – um tantão mais! Todas as conquistas no blog e no resto na vida. Os amigos e os desencontros; as lições que eu aprendi esse ano. As pessoas que eu conheci – até mesmo aquelas eu eu preferia não ter conhecido – me ensinaram algo, me deram um pedaço delas de presente. A vocês que me seguem, sei que vocês são poucos e, eu teria até como dar um unicórnio de presente de Natal pra cada um – cof cof o Papai Noel esqueceu de criar eles durante o ano – sei que vocês gastam um tempo precioso pra vir até aqui distribuir carinho pra mim – sou grata a cada um e desejo que o ano de vocês seja tão especial quanto foi o meu.

Que em 2017 a gente possa ser melhor que o que fomos esse ano, que a gente possa ser cada vez mais – mais! Mais amor, mais irmão, mais saudade e mais paciência, mais esperança e mais amizade! Esse ano também foi o de maior amadurecimento da minha fé, onde a minha gratidão e amor por Ele ficaram maiores ainda! Então independentemente do que você acredite eu desejo que o seu próximo ano seja abençoado e feliz. Que você seja melhor do que nunca foi, que você seja a melhor versão de você, pois é aquela velha e verdadeira frase: “o ano novo só será novo assim que nós formos capazes de mudar”.


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Mirando-se no espelho.

27.11.16
Mirando-se no espelho conto de Samira Oliveira

De verdade, quem sou eu? Fixamente olhos mirando o espelho, puxo os cabelos para trás afim de prendê-los num rabo de cavalo. Assim fica claro a raiz escura nos fios vermelhos. Assim é possível também perceber meus olhos verdes se destacando na pele clara. Quem sou eu? A pessoa que saiu de sua cidade, que tinha um fio de esperança de conseguir alçar voo – e conseguiu? Quem sou eu? O ser que escreve, o ser que pensa e que reflete. Que ama e que deseja. Que sempre muda. Aquela que colocou um piercing na orelha, que gosta de ouvir a chuva, que escreveu um livro, que estuda o que ama e descobriu nisso uma vocação? Aquela que tinha muitos planos e anseios; que tinha promessas nunca feitas e sonhos de estrada. A pessoa que eu sou, que eu era, que eu serei.

A menina do espelho fixa seus olhos em mim.

– Quem você é? 

Não sei, como eu haveria de responder ao reflexo límpido de olhos que sonham? Para você, menina, sou seu futuro que você nem sonha – mas deseja ardentemente. Como mais posso explicar a um passado que eu sou a representação de coisas que você sequer entende? Como posso explicar que há mais do que angustias por não se encaixar, mais do que amores infantis, mais do que brincadeiras vagas. Mais do que você conhece?

Mais perto de mim, olhos mais velhos – de talvez um ano atrás, indagam:

–  Você é quem?

Como tais olhos podem ser tão ingênuos e fracos? Como pode se a diferença entre nós é de alguns meses? Resolvo não responder e os olhos somem pouco a pouco dando lugar à um borrão no espelho.

–  Ai está você, estive te procurando o dia todo!

– Eu te conheço? – pergunto aflita. O borrão não me é familiar.

O borrão abre uma boca incerta para argumentar.

– Não me lembro de ser tão convencida dessa forma, nem de ter essa força. Não me lembro de ter essa mente madura, para mim parece algo que está sempre em construção, como se minha mente sempre estivesse um passo atrás do que ela realmente pode ser.

Um arrepio me percorre o braço esquerdo. Acho que sei de quem se trata. Alguém que não conheço, ela eu nunca vi. Porque nunca fui.

Frente ao meu silêncio ela continua:

– Vi a menina também e vi os olhos ingênuos, agora vejo essa confiança. Só Deus sabe qual próxima eu verei. Será que quero vislumbrar o futuro como você? Será que sempre quis adivinhar quem eu me tornaria? Me responda você! Eu não tenho mais nenhuma pergunta a não ser esta: você está contente com o que é agora?

Sua voz me deixa insegura, tenho a impressão que essa pergunta é a decisão a se tomar entre um pedregulho e uma safira. Ela fala de coisas que eu não compreendo, ela tem uma certeza e uma coragem que eu desconheço. Ela tem uma elegância que nunca eu soube possuir – e que talvez não possua.

– Sim, eu me orgulho muito do que sou hoje, tenho medo do que fui e confio no que serei.

Ela deu um meio sorriso bárbaro e me respondeu:

-Quem te disse que será algo? Sou um borrão, desta vida eu não existo mais.

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Pessoal Textos

Porque escolhi ser professora.

16.10.16
Porque escolhi ser professora. Post agradecimento aos meus professores, letras usp

Quem me conhece e sabe pelo menos um cadinho da minha vida, sabe também que minha maior motivação em ir às aulas (além de passar na Fuvest) sempre foi pelos professores. Acredito que devo muita gratidão à escola onde estudei a vida inteira, por ter me possibilitado conhecer as pessoas lindas que foram os meus professores (e os funcionários aos quais tenho imensa admiração♥)

Desde que descobri que eu poderia – pro resto da vida – estudar o que eu amava, língua portuguesa, já tratei de descobrir afinal que curso seria esse. E então, quando finalmente soube que era Letras o que eu gostaria de fazer; que era ensinar a minha vocação, quando eu finalmente contei a todos que eu queria ser professora veio inevitavelmente uma nuvem pesada sobre a minha cabeça. Surgiram familiares – até os professores – me dizendo para escolher outra profissão, uma que fosse mais reconhecida, que ganhasse melhor, que eu não precisasse ter tanta paciência (algo que de fato, não tenho muito) e que eu não tivesse que, em algum momento, pensar seriamente em desistir.

Sei das partes tristes pelo que minha tia que é professora me conta, sei por alguns amigos que me relatam e pelas coisas que volta e meia ouvimos na TV. Porém, o que eles não sabem é que eu quero ser professora desde criança, quando colocava minhas cachorrinhas sentadas nas cadeiras – de frente pra lousa – e “ensinava” português e o pouco de matemática que eu sabia. Eles nunca entenderão o que é você se espelhar inteiramente em alguém, por sentir que essa pessoa trabalha como se o que ela faz, nunca fosse chato ou difícil. Por todos os professores que passaram na minha vida – desde o infantil 3 até hoje – por todos que mostraram um trabalho tão incrível e um amor tão verdadeiro pelo que faziam, que nenhuma ofensa iria os atingir, é por vocês que eu escolhi a minha profissão. Acredito que os admiro principalmente por isso, pela coragem de enfrentar pessoas que muitas vezes, pensam que são os donos da razão e que sabem muito – mas sempre esquecem que o mestre está lá na frente, ensinando. Acredito que quero seguir essa carreira, não apenas por alguma espécie de dom – visto que eu tremo que nem uma vara falando em público – mas por aquela energia que  sempre demonstraram ao ensinar. Pela determinação e vontade de explicar quantas vezes fossem possíveis até que entendêssemos. Pelo carinho demonstrado pelos alunos e pela profissão. Pelo sonho e determinação de mudar – um pouquinho de cada vez, aluno por aluno – o mundo.

Lembro-me até hoje de um professor de matemática me explicando o mesmo trajeto da fórmula, quantas vezes fossem necessárias até que eu soubesse fazer sozinha. De uma professora de literatura que se emocionava enquanto escrevia. De um mestre que nos ensinava um pouco de tudo o que sabia e tentava ser além de nosso professor, nosso psicólogo, nosso amigo, nosso colega de sala… Lembro de outra mestra que acordava os alunos cantando e andava pela sala  conversando animadamente com a gente. Na verdade, as melhores lembranças que tenho da minha vida escolar – e bom, da minha vida como um todo – são inteirinha deles. Porque enquanto eles davam aula eu me espelhava, enquanto eles explicavam eu me inspirava e anotava mentalmente cada característica que eu mais gostava em cada um – na esperança de lá na frente, poder ser um pouquinho de cada. Na verdade, eu acredito que sou um pouquinho de cada e que quando, de fato, for professora, terei-os sempre comigo em cada aula, em cada prova, em cada fala, em cara sorriso.

Por isso tudo, eu queria ontem – pois sou atrasada – e hoje e sempre, agradecer pessoalmente cada um. Como isso não é possível queria apenas dizer um muito obrigada. Queria também pedir para que jamais desistam, tem alguém se inspirando em vocês. Que vocês sempre se lembrem o que representam na vida de nós – alunos – que nunca se esqueçam que vamos lembrar de vocês pro resto de nossas vidas. Queria apenas pedir: continuem mudando o mundo. Essa é a única forma de realmente evoluirmos em algo, a única maneira de voltar a acreditar no ser humano é pela educação.

Permita-me eu apresentar novamente, e me veja como mulher, não como uma irmã.
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