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Em voga

Como as bonecas Barbie influenciaram a imagem que eu tenho do meu corpo.

12.03.17

Como as bonecas Barbie influenciaram a imagem que eu tenho do meu corpo.Foi depois de tirar de casa os últimos vestígios da minha infância, depois que encontrei duas imaculadas bonecas Barbie e uma Susi intacta, foi que tive aquele lampejo. O que aquelas bonecas haviam feito comigo durante todo esse tempo? Muito se fala sobre o corpo padronizado da Barbie, mas pouco ainda se comenta sobre os reais efeitos que a boneca provoca. Falando assim, parece mais que estou te apresentando a descoberta de um veneno que mata lentamente, ano a ano, e bom, é exatamente isso do que se trata.

Não, eu não estou dizendo que as bonecas Barbie devam ser extintas, que não devemos comprar mais elas para nossas irmãs ou primas e muito menos estou declarando guerra a elas. Na verdade, muito pacificamente, eu queria relatar o que foi a minha vida no quesito aceitação do meu corpoe como a Barbie sempre dificultou essa tarefa.

Já percebeu a minúscula cintura da boneca? Esses dias eu estava distraidamente observando um livro das princesas e assustada me dei conta: a cintura da Ariel era, proporcionalmente ao desenho, do tamanho do fininho braço da sereia. Foi ai que notei, aterrorizada, como essa realidade nunca antes havia me parecido tão gritante. Resgatei em ninha memória toda a imagem de Barbies e de Princesas, e todas elas, vinha, inexoravelmente acompanhadas de uma cintura inumanamente impossível de ser conquistada, com um cabelo cumprido e sedoso que só a mais rica das celebridades poderiam sequer ousar chegar perto; um corpo milimetricamente bem feito e proporcional; nenhuma manchinha na pele, nenhuma acne no rosto, nem sinal da mínima descompostura na maquiagem – e muito menos uma estriazinha que fosse. E tudo não seria terrivelmente assustador se não fosse pelo fato de que: eu sempre havia aceitado isso sem nem mesmo questionar.

Agora, se eu, com meus quase 20 anos de idade só fui me ater a isso agora, imagine essas bebês que com 3 anos já tem nas princesas da Disney e nas bonecas Barbie um ideal inalcançável e mentiroso de beleza? Você deve estar resmungando ok, mas aonde exatamente você quer chegar com isso? Bem, para responder essa questão, vou ter que contar um pouquinho sobre mim. Eu sempre, sempre mesmo, fui a gordinha da escola; em uma cidade pequena em que uma das melhores escolas da cidade era relativamente de alto padrão, não seria de se estranhar que as alunas fossem, eu sua grande maioria, simplesmente perfeitas. Quando digo isso, não quero ser rude, afinal se trata de minhas amigas, mas quero dizer que, todas tinham ótimas possibilidades e encorajamentos para frequentar uma academia na adolescência (lembro até hoje de uma amiga reclamando que estava gorda e feia por ter ganhado 2 quilinhos em uma viagem internacional), todas tinham acesso aos melhores dermatologistas, shakes para emagrecer, atividades físicas, cremes dermatológicos, tratamentos capilares e toda sorte de coisas estéticas que o povo diz “para nos deixar mais bonitas” Não que eu as esteja julgando, eu mesma já frequentei academia, usei/uso cremes para o rosto e infinitos para o cabelo entre tantas outras coisas, a questão não é essa, a questão é a cultura no corpo perfeito. O corpo perfeito sempre fora o meu sonho, passei boa parte da minha vida imaginando como eu seria feliz se tivesse o meu grande sonho de corpo, na minha mente pequena eu montava uma Samira Frankestein com um pedaço de um cabelo perfeito aqui, uma perna torneada de uma amiga alí, uma cintura de uma Barbie aqui e uma pele de uma fulana alí. Na minha mente, eu fazia listas enormes de tratamentos que eu gostaria de fazer, antes mesmo de sequer cogitar a possibilidade de me relacionar com alguém (sim, o meu trauma era tão grande que eu sequer pensava na possibilidade de alguém “me querer”)Como as bonecas Barbie influenciaram a imagem que eu tenho do meu corpo.E quem sempre estava comigo em minha mente? Quem sempre me lembrava que eu deveria ter uma cintura fina e uma pele macia? Quem sempre me encorajava a mais uma vez, pensar em intervenções cirúrgicas ou caminhos que me levariam à doenças como bulimia? Lá estava a maldita boneca Barbie, como que zombando de mim e de todos os meus esforço para me igualar a ela. E não queira mentir, você sabe que todas sonham ser ela, você sabe, quando sua filha leva sua boneca para todo canto; sabe que para ela só existe a loira e branca Barbie, a perfeita e rica Barbie, a linda, a glamourosa, a perfeita boneca – que tem tantas profissões quanto seja possível mensurar, que tem tanto dinheiro quanto alguém poderia imaginar, que tem tudo o que ela, eu e você sempre quisemos. Então, o erro talvez não esteja no status que a boneca apresenta – isso pode ser até um estímulo para as meninas estudarem com mais afinco – mas sim no caráter irreal que ela nos apresenta. Hoje eu falei apenas do que me marcou, do que me tocou na minha infância, mas talvez outros males tenham sido alimentados a partir da figura icônica e inalcançável que a Barbie é.

Em contrapartida, a boneca Susi. Minha sábia vó sempre me disse essa boneca é muito mais bonita que a Barbie, mas eu, em meus sentidos cegos de criança, nunca acreditei. Hoje, quando avistei minha boneca novamente, fui obrigada a concordar com a minha avó; eu havia me visto na Susi. A Susi é mais torneada, musculosa, alta e senhora de si; sua cintura não é do tamanho de seu pulso, suas pernas não são dois cambitos por onde um boing poderia passar. Seus braços não são fininhos ao ponto de quebrar e nem seu cabelo parece ansiar ser a tremenda perfeição que a Barbie quer. Então porque será, que eu achava a Susi uma boneca tão feia? No fundo, eu sei a verdade, eu a odiava porque ela estava muito mais próxima a mim do que a minha ídola Barbie, ela poderia muito bem me representar, poderia muito bem ser um lampejo do meu futuro – e nada, absolutamente nada, que não fosse tremendamente magro e esquio, loiro e liso, claro e belo, eu queria para o meu futuro e para o meu presente. Isso porque eu sempre fui humilhada pelo meu peso, odiada pelo meu cabelo meio armado, desprezada por não ter uma pele perfeita, mas principalmente por não ter aquela cintura perfeita, aquele peso correto, aquele corpo escultural e sequinho. Nunca ninguém quis ser menos do que a Barbie – e nem pensaram em me apresentar firmemente, algo que fosse menos do que ela.

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Desculpa, mas não dá pra ser um “Feliz Dia” das Mulheres

08.03.17
Desculpa, mas não dá pra ser um "Feliz Dia" das MulheresEsse é um basta no meu dia, no dia delas e talvez no seu também.

Não será um “Feliz” Dia das Mulheres enquanto você deslegitimar nossa luta com ares de superioridade. Não tem sentido entregar algumas flores no dia 8 de março e continuar os outros 364 dias espancando sua esposa, humilhando sua ajudante doméstica e explorando a trabalhadora da sua empresa. Não adianta desejar um “Feliz Dia” se você não admite a existência de mulheres trans, se você não suporta ver uma mulher lésbica e se te ofende tanto as escolhas de uma outra mulher.

Enquanto os salários não forem justos, não será um “Feliz Dia”; enquanto a moça que passa na rua não puder caminhar em paz, não será um “Feliz Dia”. Enquanto a gente ainda tiver medo de andar na rua; enquanto ainda precisarmos nos manter perto de amigos, irmãos e pais para conseguir o mínimo de respeito, enquanto ainda tivermos que aguentar uma objetificação diária, enquanto ainda houver mulheres que se submetem à maus tratos por medo de denunciar o agressor, enquanto ainda houver um numero altíssimo de mortandade feminina, enquanto mortes sejam facilmente justificadas por “amor”, enquanto tantas outras mulheres ainda sejam consideradas menos, enquanto tudo isso acontecer, não tem como aceitar um “Feliz Dia das Mulheres”

Vejo pelas redes sociais mulheres reclamando que não receberam uma rosa sequer. Mas onde está o reconhecimento nos outros dias do ano? Não adianta implantar um dia que sirva apenas como uma trégua na vida, um dia em que “em tese” a mulher deva ser respeitada, admirada e recebida com beijos e palavras carinhosas. Nada disso fará diferença na vida das mulheres que você ama, se isso for ato exclusivo do dia 08 de março.

Mas se você realmente quer homenagear sua mãe, irmã, esposa, amiga, funcionária, e todas as mulheres do mundo, comece nos ajudando a mudar o pensamento patriarcal e machista que está quase que fundido na nossa sociedade. Sabe aquele amigo que se orgulha em difamar a ex namorada? Sabe aquele outro que incomoda mulheres que andam na rua com roupas “curtas”? Sabe quando você começa um grande discurso reclamando da “desigualdade” do feminismo? Ou quando você chantageia emocionalmente sua namorada, quando diz que sem você ela não será feliz porque ninguém mais vai gostar dela. Ou quando você desrespeita sua professora; quando usa de palavras que remetem à sexualidade para “ofender” uma mulher, quando impõe à mulher que é obrigação dela estar sempre depilada e arrumada (afinal, somos apenas objetos decorativos, não é mesmo?), quando você diz que “o feminismo tá ficando chato ein, as feminazis estão atacando”, quando você discrimina outra mulher por ser negra, trans, gorda ou lésbica, quando você não deixa que sua namorada reclame, quando impede que a voz dela seja ouvida, e tantos outros atos, que você deve achar tão “pequeno” mas que são graozinhos de areia que constroem o muro que nos separa da igualdade, que nos separa da dignidade e da justiça – que aliás, vocês tanto nos desejam nesse dia de hoje.

Sem mais, deixo um pequeno poema meu, pois a melhor forma que encontrei de militar no feminismo foi com as minhas palavras. Espero que goste e reflita ;)

E agora Maria?
E agora que a realidade grita?
E agora que eles se foram?
E agora?
Como fica você?
Como ficarão seus filhos?
E agora? E agora que não tem dinheiro?
E agora que só tem tristeza?
– mas tristeza não alimenta os pequenos
E agora que só tens o pó?
Quem pagará para que você vá se tratar?
Quem te acalentará sendo tal missão possuída apenas por ti?
E agora Maria?
Sua dignidade como fica?
E agora que chorou e que pediu?
Em vão.
E agora Maria? Como voltará?
Suada pelo trabalho e pela corrida.
Em pânico, é mais um dia.
Com dor, já se acostumou
Ferida, humilhada como já foi.
E agora? Que dirá seu marido, Maria?
Como irá dormir com uma puta como você, Maria?
E agora?
Para ondes vai correr? Tem seus filhos para alimentar, para curar.
Suas lágrimas não serão secas por alguém.
E agora?
Vai a delegacia? Pra quê? – Humilhação por humilhação passo em casa.
E agora? Quem vai te proteger amanhã? E depois? Quem vai lutar por você?
Outro dia está nascendo e você nem pra casa foi.
Dorme e finge que amanhã estará tudo bem.
Vai passar – o que eles dizem.
Culpa sua – é o que vão dizer.

Samira Oliveira

Ilustração por: Negahamburguer

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Resenha e crítica| Moana – Um Mar de Aventuras – empoderamento e representatividade

09.01.17

Resenha e crítica| Moana - Um Mar de Aventuras. Empoderamento, família, representatividade e diversidade. A nova princesa da Disney se nega a esse título e se mostra a heroína que as meninas de hoje em dia precisavam.

Com o mundo se transformando, e ideais de empoderamento feminino finalmente ganhando corpo e voz, é de se imaginar que tais avanços chegariam aos cinemas – mas o que talvez não imaginássemos, era a tamanha força com que eles atingiriam as animações da Disney. Os filmes da empresa – principalmente as afetam diretamente as meninas (retratando princesas) – acabam tendo a função de formadoras de valores e de ideais. Portanto, a mudança nos paradigmas embutidos às costumeiras princesas Disney, acabam por mudar (assim esperamos) pouco a pouco, a mentalidade da nossa sociedade. De certa forma, a empresa já tinha avançado em animações como “Mulan” (1998) e “Valente” (2012), mas foi apenas em 2017 com o filme Moana – Um Mar de Aventuras que os estereótipos de princesa puderam finalmente se renovar. Moana, nega seu título de princesa, afirmando ser apenas a filha do líder de sua tribo, também não há nenhuma referência à príncipe ou a par amoroso – sendo o amor mais perfeitamente representado por sua ligação com a vó, sua tribo e com o restante de sua família.

Filme: Moana - Um Mar de Aventuras
Direção: Ron Clements e
John Musker
Duração: 1h53m
Genero: Musical e aventura
Classificacao:
Sinopse: Moana Waialiki é uma corajosa jovem, filha do chefe de uma tribo na Oceania, vinda de uma longa linhagem de navegadores. Querendo descobrir mais sobre seu passado e ajudar a família, ela resolve partir em busca de seus ancestrais, habitantes de uma ilha mítica que ninguém sabe onde é. Acompanhada pelo lendário semideus Maui, Moana começa sua jornada em mar aberto, onde enfrenta terríveis criaturas marinhas e descobre histórias do submundo.


“Desde pequena ela foi a escolhida pelo Mar para restaurar o equilíbrio da natureza e salvar seu povo Motu Nui, da destruição. Para isso ela precisa encontrar o semideus Maui e levá-lo até a ilha onde ele roubara o coração da deusa Te Fiti e assim, cessar a onda de destruição que vem assolando a Polinésia. Mais do que a jornada de uma jovem heroína, a história traz uma mensagem mais ousada. A de uma jovem que decide a própria vida mesmo quando o pai tenta impedir; que é destemida mesmo com o medo que seu povo tem do mar e que é a responsável por levar o semideus até a deusa (mais ativa impossível), enfim, Moana é maior representação de girl power e de empoderamento que podemos enfim, ofertar às meninas de hoje em dia (eu ouvi um amém?)

“Você é uma princesa. É a filha do ‘rei’ e tem um animalzinho, é uma princesa” – Maui

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Calma cara, ela só tá Menstruada.

30.10.16

Menstruação post photoshoot empoderamento feminino girl power feminismo periods fotógrafa Rupi Kaur

Foto por Rupi Kaur 

Menstruação, um assunto tão tabu e escondido nessa sociedade falocêntrica que a simples palavra já é evitada seja na escrita, seja na pronúncia, “estamos naqueles dias”, “alerta vermelho” e “vai vir pra mim” são alguns dos apelidos dados à menstruação. Por isso, eu a ginecologista JS da página Ginecologista Sincera e algumas amigas resolvemos explicar certinho tudo o que você homem precisa saber quando estamos menstruadas.

Primeiro: não é algo de outro planeta e não vamos morrer, calma

  • Sabe quando você se corta e sai sangue? Então você chupa o sangue e já enrola um papel ou um pano para que ele pare de sangrar? Então! É o mesmo sangue, e você já viu algo de nojento em sangue? Se já, bom, isso é estranho. Desde a primeira menstruação somos ensinadas a esconder ao máximo esse período, a nem mesmo deixar que os outros vejam a embalagem de absorventes. A menstruação é vista como algo ruim e indigno de ser comentado, como se tudo que fosse relacionado a “mulher” e “vagina” fosse algo sujo e na maioria das vezes sexualizado.

Se você fugiu das aulas de biologia a ginecologista explica – JS

  • Menstruamos para que o endométrio que não foi usado para nutrir o hipotético feto possa ser eliminado. E no mês posterior outro óvulo e outro endométrio venha ocupar seus lugares em nosso útero. Dessa forma a vida se renova – pois o que poderia ter sido gerado não foi, e, portanto é descartado, possibilitando que talvez uma vida seja gerada no próximo mês. Isso é bem bonito mas na prática ela incomoda grande parte das mulheres (nem todas, vale lembrar que algumas amam menstruar, se sentem mais bonitas e até com mais tesão) pois em nenhum mundo as mulheres têm filhos todo mês, certo? Por conter elementos nutritivos próprios do sangue, ele é muito bom para adubar a terra e por isso algumas mulheres o reutilizam em suas plantas –aiii que nojo sangue!– Bom, se pra você é ok esterco mas não é ok sangue então é necessário uma desconstrução ai. O sangue da menstruação é exatamente igual ao sangue que espirra no MMA – no máximo, um pouco mais proteico se conter restos de endométrio. O uso do sangue como um espécie de adubo está ligado mais ao valor energético desse sangue. Pela medicina chinesa, perder líquido é uma forma de perder energia; por ser um líquido repleto de energia, seria mais poderoso do que a água. Também é uma forma de enterrar energeticamente e deixar que a terra transforme tudo de “ruim” que a mulher quer se livrar, em algo “bom”. Importante lembrar também que quem usa pílula na verdade não menstrua, pois inibe o eixo e não ocorre o ciclo menstrual, logo ocorre um sangramento – uma privação hormonal, artificial e desnecessária. Porém do ponto de vista energético, ter essa perda sanguínea talvez seja necessária para perder a energia que ela precisaria perder – e que não conseguiu por outros meios como: atividade física, sexo, manifestação artística… Já com o anticoncepcional Mirena, há uma menstruação na maioria, só que muito menor, isso porque o hormônio do Mirena (que está dentro do útero) faz uma atrofia no proliferamento do endométrio (endométrio se prolifera pela ação do estrogênio na primeira fase do ciclo, a fase folicular para se preparar para receber um óvulo fecundado) isso por causa da ação do levonorgestrel. Mas a maioria das pacientes vai ovular na presença do Mirena (principalmente após o primeiro ano). Depois de um tempo com o Mirena ela vai ovular, fazer o ciclo menstrual e ter uma menstruação ou não (dependendo da capacidade do levonorgestrel inibir a proliferação do endométrio ou não). Sobre a TPM: tem pesquisas que dizem que as alterações de humor podem acontecer sem ter algo a ver com a ciclo menstrual – ou seja, não é uma verdade absoluta. Para o sagrado feminino, na frase proliferativa (predomínio de estrogênio) é a nossa fase de expansão – quando estamos mais alegres, mais receptivas, com mais tesão, mais curiosas, mais falantes – e depois da ovulação, quando predomina a progesterona seria a fase de introspecção, recolhimento, isolamento, reflexão, sobre a própria vida, reflexão sobre os caminhos. O ginecologista Eliezer Berenstein no seu livro A inteligência hormonal da mulher explica que, por termos essa oscilação, (sobe estrogênio, desce estrogênio, sobre progesterona, desce progesterona) a gente seria mais adaptável, mais multi tarefa, teríamos mais capacidade de reagir; diferente do homem em que a testosterona é por toda a vida. E o anticoncepcional tiraria essa capacidade da mulher, então por isso talvez ele está tão associado a uma alteração negativa de humor – falta de libido, depressão, suicídio entre outros.

Coletor menstrual: uma alternativa – Laura Nolasco 

  • Você já parou pra pensar em quantos absorventes uma mulher gasta durante sua vida? Vamos supor que ela menstrue dos 12 aos 50 anos – são 38 anos menstruando uma vez por mês, ou seja, 456 ciclos. Em média, a menstruação dura entre 3 e 7 dias… Se supormos que em cada um desses 456 meses ela passar 5 dias menstruada, são 2.280 dias. Seguindo os conselhos das embalagens de absorvente, que nos orienta a trocar o absorvente cada 8 horas, são 9.120 absorventes durante toda a vida. Quanto lixo é isso? Quanto dinheiro não será gasto? Pensando nisso e em seu conforto, muitas mulheres tem optado pelo coletor menstrual: um copinho de silicone medicinal que é inserido no canal vaginal, coleta o sangue e, se devidamente higienizado, pode durar até 10 anos! E não adianta ficar com nojinho não: além de muito mais confortável, ecológico e barato, o coletor é super higiênico pois dentro dele o sangue não tem contato com o ar, evitando a proliferação de bacterias. “Mas o coletor não vai alargar a mulher?” NÃO! O coletor é maleável e o canal vaginal é “elástico” (lembra que é por ali que os bebês passam?), essa ideia de que a mulher “alarga” já é bastante antiga e machista, né? Leia mais sobre como funciona o coletor aqui e aqui

Existem N’s absorventes e são muito diferentes.

  • Então não se admire se passarmos horas na frente das prateleiras de absorvente procurando o ideal. Sem contar que também usamos tipos diferentes para dias diferentes, por exemplo, um diário com abas quando está no comecinho, um mais grosso (com abas também, lógico) para o dia, um noturno para a noite (porque acredite, quando acordarmos vai ser uma corrida digna de filme até o banheiro) e por fim, o diário mais fininho para o fim. Como sabemos quando é o fim e o começo e quando vamos precisar de cada um? Bom, nós procuramos entender nosso corpo, e depois de tantos anos de amizade de nós conosco mesmas é evidente que vamos saber né?

Nós queremos abraços, chocolate (ou doces ou comer muito, enfim…), dormir e fica na cama ainda mais se estivermos com dor.

  • Uma vez vi uma conversa de WhatsApp super bonitinha do namorado/marido levando chocolate pra namorara/esposa e ainda perguntando se ela precisaria de algum remédio pra dor ou mais absorvente. Nesse dias nós estamos com dor, muita dor (próximo à dor do parto em algumas vezes) então se você puder ser 1 zilhão de vezes mais fofinho (solícito) que o normal, nós iremos agradecer – nada absurdo de se pedir para quem diz nos amar, certo?

Como fazer para amenizar a dor da menstruação? Isis Tomie Iga 

  • Uma massagem é muito bem-vinda ou uma bolsa de água quente para aliviar as cólicas (cobertores também podem ajudar). E que tal você sugerir a prática de exercícios? Calma lá, não é sair correndo uma meia-maratona, podem ser exercícios mais leves, para liberar endorfina e aliviar as dores ou até mesmo exercícios próprios para o útero, como por exemplo, o pompoarismo. O pompoarismo inicial diz sobre contrair e expandir o músculo do útero, dessa forma, ao estimular o útero, é possível diminuir as cólicas e até mesmo eliminá-las. O exemplo dessa contração é de quando começa a fazer xixi e tenta segurar antes de sair totalmente. (Pompoarismo tem outros benefícios além desses, dê uma olhada no google aqui ;) ).

Nem todas sentem cólicas, então, nós vamos querer sexo sim! E se você tem nojinho do sangue mas não tem nojinho do seu sêmen, você precisa repensar algumas coisas… – Isis Tomie Iga

  • Na verdade, esse tópico é mais para quando o cara tem N ideias loucas para a transa, mas na hora do sexo na menstruação ele foge tal qual o demônio da cruz. Portanto, esse tópico varia de casal para casal; mesmo porquê nem sempre gostamos de sexo nesses dias então é melhor conversar. Vai fazer sujeira? Com certeza, mas nada que um banho depois não resolva ou se a preguiça estiver grande, coloque uma toalha por baixo, ou a mulher fica por baixo, existem várias formas, só testar. E não, não vai parecer que você assassinou umas 10 pessoas no filme de XXX. Se a ideia da sujeira te acanha, que tal um sexo oral? A mulher pode estar com o copinho ou absorvente interno, então, nada de sangue “espirrando” em você. (Super recomendo rs). Outra opção é transar no banho, mas vai gastar muita água, né não?! (Consumo consciente, gente!). PS: sempre se previnam, transar na menstruação pode engravidar também, viu?!

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Em voga

O que NÃO escrever na redação do Enem – em hipótese alguma.

25.10.16

O que não escrever na redação do Enem em hipótese alguma Enem 2016 Enem 2017 como tirar nota 1000 mil na redação do Enem dicas redação perfeita enem direitos humanos competências EnemEu tive notas muito boas ano passado nas redações dos vestibulares, sendo a do Enem um pouco mais de 900, e a da Fuvest – valendo até 50 pontos – se não me engano fiquei entre 46 ou 47. E a da Vunesp 28, que é a nota máxima. Esse post é, mais especificamente sobre o que não deve ser dito na redação do Enem – e em nenhuma outra redação.

Não sei se você se recorda, mas o critério de avaliação da redação do Enem é baseado em competências que seriam, resumidamente: domínio da norma culta da língua escrita, compreensão da proposta e desenvolvimento do tema baseado em conhecimentos prévios do candidato, organização de  argumentos e ponto de vista, adequação do texto  à estrutura do gênero dissertativo-argumentativo e por fim elaboração de propostas de intervenção social respeitando os direitos humanos.

Bom, eu gostaria muito de chegar agora pra você e dizer que a sua opinião será valorizada independentemente de qual seja ela, pois afinal, estamos em tese em uma democracia. Mas infelizmente eu não posso afirmar isso. O Enem espera que você baseie suas ideias respeitando sempre os direitos humanos – portanto algumas frases de intolerância que circulam por ai não devem ser colocadas na dissertação, por mais claro e explicitado que seu texto esteja. Alguma frases e ideias só de estarem presentes no texto já farão com que sua redação seja zerada. Meus professores corrigem as redações dos vestibulares, e olhe, tenha certeza que eles estão loucos pra colocar um belo zero para aqueles que desrespeitarem essa ética. Lá na Letras, nós respeitamos bastante a opinião do outro, tanto é que sempre temos assembleias e grupos de discussão e estudo sobre alguns assuntos como estes, porém se vocês forem por esse lado de extremismo e infligir os direitos humanos, ninguém vai “respeitar” sua opinião. Principalmente no que tange minorias historicamente desfavorecidas como negros, homossexuais, transexuais e mulheres. Gostaria de salientar que não vou entrar muito no âmago das questões, meu intuito é apenas dar um pincelada em conceitos que algumas pessoas pensam em colocar nas redações – e que se o fizerem, estarão zerando esta.

“Bandido bom é bandido morto”

A pena de morte não está prevista no código penal brasileiro, e infelizmente o maior erro dessa frase não se encontra tanto na pena de morte, mas no fato de defender a ideia de que as pessoas que estão à margem da sociedade não devem ser- lhes dada uma nova chance. O Enem espera que você diga totalmente o contrário, espera que você busque reinserir este individuo ao convívio social – lançando mão de mecanismos sociais como alguma capacitação profissional, apoio psicológico, alguma ajuda financeira se for necessária… – todas essas ideias são coisas que você pode inserir no seu texto no que se refere à questões de presidiários e, digamos, seu destino.

“Ideais homofóbicos, por exemplo dizer que homossexualidade é  doença”

1973, a Associação Americana de Psiquiatria retirou a homossexualidade da lista de transtornos mentais. Portanto afirmar algo assim na redação já lhe garantirá um zero. É importante que esteja bem claro na sua mente a diferença entre Ideologia de gênero e orientação sexual e seus mais variados tipos (bissexual, homossexual, heterossexual, pansexual, assexual…)

Ideologia de gênero: o gênero ao qual a pessoa se identifica

Orientação sexual: diz mais respeito a por quem a pessoa se sente atraída sexualmente.

Na proposta do ano passado, tendo em vista o texto de Simone de Beauvoir seria interessante incluir esse tópico na redação – principalmente ao defender que “ninguém nasce mulher, torna-se mulher” fazendo um gancho entre a pressão social que forma o indivíduo e a ideologia de gênero

Machismo e castração química

A castração química é muito defendida na bancada evangélica, por não agir na raiz do problema que seria a busca de direitos iguais entre homens e mulheres, algo bem contornado por esse grupo – confesso que eu era adepta dessa ideia e depois de muita leitura que pude compreender e agora posso resumir o porque disso não dar certo.

O estupro é um ato de dominação do homem que se acha superior a mulher, sem a genital ele vai usar qualquer outra coisa para estuprá-la, não sei se você viu  até recentemente um caso de que um homem estuprou uma garota com um cabo de vassoura. Outra coisa que eu pessoalmente não defendo é sobre o estuprador ter um problema mental; na verdade acredita-se que todo homem é um potencial estuprador – porque quando estamos sozinhas em uma rua deserta à noite nós preferimos que seja até o demônio do que um homem, tamanho o medo de tal violência. Porém a ideia de doença mental nesses casos é bem difundida – partindo da premissa de que o estupro é tão absurdo que apenas alguém com problemas mentais seria capaz de praticá-lo. O problema de relacionar estupro com doença mental é que corre o risco de atenuar a culpa do estuprador, aliviando a pena e a culpa social pois – coitado, ele tem um problema mental. Sendo que nós queremos que ele arque com as consequências deste ato horrendo. Também é importante lembrar que o estupro e o assédio andam juntos – sabe aquele amigo que beija a garota na festa mesmo ela não querendo só porque ela está bêbada? Ou aquele cara que encosta nas mulheres no ônibus? Esses são apenas alguns degraus do estupro. Além disso; frases como “lugar de mulher é na cozinha” “mulher boa é recatada e do lar” e quaisquer outras frases que diminua a mulher e/ou justifique o estupro e o assédio também não devem nunca serem difundidos e defendidos. É importante também ressaltar a cultura do estupro (isso por si só já valeria um post inteiro, mas vou resumir) que é um dos argumentos para não classificar o estuprador como doente mental. A cultura do estupro diz respeito à sociedade que sempre acredita que a mulher é inferior e que – em linhas bem gerais – não deve ser valorizada, e seu corpo deve ser escondido ao máximo pois ela é a culpada dos posteriores abusos. Um outro exemplo da cultura do estupro é a difusão de mulheres seminuas em comerciais de televisão – buscando uma maior audiência. Ou o burburinho que se faz quando uma atriz compartilha suas fotos de nudez por livre e espontânea vontade – e não fotos “vazadas” como a maioria das vezes – defendendo que fotos assim devem ser exaltadas apenas se não tiverem o consentimento da mulher. Não vou me alongar muito neste tópico – creio que já deu para perceber onde eu quero chegar.

Contra cotas              

Se o tema for por esse lado você terá de ser a favor, vamos simplificar e vamos estabelecer que as cotas raciais devem ser defendidas mesmo que você embase muito bem sua argumentação dizendo por exemplo – deve haver alguma reforma no ensino que possibilite que essas pessoas possam entrar nas universidades sem nenhum tipo de ajuda – mas perceba que, mesmo assim, fica meio forçado. A cota racial diz respeito à representatividade do negro no ensino superior para assim derrubar algumas barreiras raciais que ainda temos na sociedade – olhe na sua sala de aula do cursinho (ou de uma escola particular) e responda: quantos negros você vê na sua sala? Quantos acha que verá nas universidades? Quanto as cotas sociais aí a historia é um pouco diferente e acredito mais polêmica e então talvez você possa tentar discordar e discorrer sobre isso, sobre ser uma forma que  o governo encontrou de esconder o problema e de não agir em sua raiz. Mas sempre lembrando que os alunos que precisam dessa cota são tão inteligentes e capazes quanto você, mas tiveram oportunidade de estar na universidade. Como você pode querer um país mais igualitário, mais capacitação profissional, mais estudiosos, mais universitários sendo que algumas crianças de baixa renda sabem que nunca terão tudo isso? Como você pode achar isso justo?

Ditadura militar

Acho esse tópico bem óbvio para não ser defendido, mas nunca se sabe. Deve-se tomar muito cuidado ao tentar defender a ditadura por motivos de ideologia política, como por exemplo, exaltando o Golpe Militar justificando que assim, a esquerda sucumbiu e a direita venceu. Vocês já devem ter ouvido muitos relatos de professores, e talvez até de parentes e avós que tenham vivido nessa época e sabem o horror que viveram; a impossibilidade de discordar do regime e  as torturas sofridas por aqueles que lutavam para ser ouvidos. Meu professor de linguística comentou que há um estudo mostrando que o Brasil até hoje não se recuperou culturalmente do buraco deixado pela ditadura. Já ouvi pessoas defendendo a ditadura por algum parente que viveu na época defender que os militares não foram corruptos e que todos viviam em paz (acredito que apenas os ignorantes viviam em paz) vale a pena pesquisar um pouco mais sobre “os militares não foram corruptos”.

Se você gostou desse post eu o oriento a pesquisar mais sobre esses tópicos e ler um pouco mais sobre o assunto – aproveite esse tempo para dar uma “relaxada” lendo sobre essas questões. Esse post veio de um roteiro que fiz para me ajudar em uma palestra que fiz na escola em que estudei (a minha primeira palestra da vida e ainda por cima no dia do professor, super presente adiantado hehe) – os alunos estavam tendo dificuldades com essa parte do direitos humanos e bom, ás vezes eles não são tão óbvios para alguns (infelizmente). Eu tenho um post mostrando tudo o que descobri sobre Bolsonaro (fonte principal dos tópicos explicitados acima) para lê-lo basta clicar aqui.

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