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Pessoal Textos

Da Fuvest até a matricula na USP

05.04.16
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Sobre o dia mágico da minha vida. O início de tudo:

Primeira fase da Fuvest: No segundo ano muitas pessoas (quase a sala toda) da minha sala prestaram letras como treineiro porque “é fácil”, mas o resultado foi que apenas um passou. Nesse ponto, comecei a ficar levemente preocupada. Na minha segunda fase eu lembrava desse acontecimento como se fosse eu mesma que tivesse não passado; por esse motivo fui fazer a prova tremendo. Se não me engano a última primeira fase que fiz foi a Fuvest então estava menos neurótica, mas muitíssimo mais nervosa. Comida? Okay, chocolate amargo, paçoquita, halls preto, chá de hibisco…Caneta? Estojo? Camiseta do cursinho para assustar concorrentes? RG? Um pedaço do fígado?… Ok, ok, ok, ok, quase ok. Sento na cadeira e faço minhas meditações, na tentativa -quase- falha de não ficar histérica. No fim deu tudo certo, só tive alguns pesadelos com as provas. Fui muito bem obrigada – a não ser pelas exatas, o que já é de praxe. Prefiro não lembrar exatamente tudo o que senti e muito menos sobre aquela prova “horrorível”

Na segunda fase da Fuvest: Muito bem, passei na segunda fase da Fufu e da Unesp também, ótimo. Novamente a Fufu foi a última prova a ser feita. Comida estava ai, amigas na sala também, banheiro era uma constante para não passar mal, chocolate amargo um tablete por dia e mais chás. Primeira questão da prova especifica (humanas): monte um gráfico… Quase cai da cadeira. Enfim, tudo isso me rendeu uns três meses sem comer chocolate amargo e sem tomar meus chás.

Depois, o pior, a grande espera. A atordoante espera. Todos os dias eu acordava e pensava cada hora de um jeito; haviam duas opções: “Claro que passei, eu estudei muito e passei, já estou lá” e “Eu não passei, sou uma inútil, vou ficar mais um ano no cursinho e tudo por causa daquela maldita questão do avião…” Ah! E também tinha: “Tenho certeza que os corretores vão me passar por dó, vão ver que não sou de exatas mesmo, tudo por causa daquelas questões que eu apenas anotei os dados…”

Lembro que eu ouvia a música “nova”

Pedra Murano, olho de tigre
Moldura brilhante em ouro amarelo
Que isso te proteja, te dê segurança
Em todos os momentos que faltar esperança
Renove sua força, te dê felicidade
Traga um amor, amor de verdade
Espante os inimigos como um dragão
Te proteja como um leão

A qual eu cantava como um mantra, para respirar, para me acalmar, para ter certeza de que eu iria passar, iria ter proteção (meus colares de Nossa Senhora que o digam) e que teria minhas forças renovadas, afinal tudo iria valer a pena.

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Mas então, finalmente O GRANDE DIA.

Sabia mais ou menos o horário que sairia a lista – no maravilhoso dia 5 de fevereiro. Bem nesse ano a Fufu não liberou dois dias antes como manda a boa tradição. Não sabia se sairia primeiro só a lista ou sairia o desempenho junto (o que você entra para conferir no sistema). Ainda por cima, dois dias antes um veterano fez uma brincadeira muito de mal gosto de dizer que anteciparam a lista e colocar a lista da primeira chamada. Conclusão? A tonta aqui foi conferir, estava quase chorando de emoção quando meu tio viu que tinha algo errado. Mas então, finalmente, depois de tanta espera, eis que me pula uma janelinha no facebook da Jacque (uma das amigas que moro atualmente) me dando os parabéns – as duas já haviam visto a novidade, pois eu só esperava a confirmação para me mudar. Primeiro: só li e já fiquei pensando “ue, que que houve?” atônita, pasma, assutada, porque mesmo que eu tivesse a certeza que iria passar (com cada átomo do meu ser) eu ainda não acreditava. Nem a respondi – desculpa Jacque – é que eu precisava ter certeza, então lá fui eu conferir e…Pimba! Meu nome lindo estava lá. Nunca fiquei tão feliz em ver meu nome em algum lugar. Minhas reações foram de choque até a extrema felicidade (ao menos até minha avó começar a chorar) então como o povo ficou muito triste, a felicidade se resumiu a eu e Bianca (minha priminha pequena) dançando na sala – só porque ela repetia “Eu passei na USP” sem entender que eu estava indo embora.

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Do grande dia até o segundo grande dia.

Choro, lágrimas, água dos olhos, mais lágrimas, mais choro, mais nervoso, mais água dos olhos. Esse é o resumo do meu calvário que começou no dia da primeira chamada e terminou no dia da matricula (quase terminou). Claro que eu não estava abandonando minha família, mesmo porquê volto na quinta pois não tenho aula na sexta! Não se trata de liberdade – se liberdade for andar de circular já posso devolvê-la – é uma questão de satisfação pessoal, de lutar e conseguir, de esforço, de realização, de futuro profissional. E tudo que eles não entendiam (ou não queriam entender) é a grandiosidade de estudar nessa faculdade – ou nas federais ou Unesp ou Unicamp – mas eu expliquei, atestei, comprovei e no fim, quando estava a ponto de me jogar na frente de um carro, CONSEGUI!

Esse milagre aconteceu também depois que eu li o livro O Segredo, que em breve farei uma resenha. Ele diz basicamente que devemos pedir ao Universo e pensar positivo que teremos o que desejamos. E isso, era o que eu sempre quis, sempre pensei ansiei e pedi a Deus. Eu sempre fui excessivamente protegida pela minha família – excesso de amor, amo todos vocês – e quem me conhece pessoalmente sabe como seria impossível e inacreditável eu estar aqui. Quanto eu rezei, fiz promessa, acreditei, chorei, negociei… Me renderia um livro apenas sobre estes dias.

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Sobre a matrícula na Hogwarts brasileira

Deveria levar o histórico do ensino fundamental e do médio  (originais e cópias e para não ter nenhum imprevisto levei todas as cópias autenticadas), certificado de conclusão do ensino médio, foto 3×4, RG, CPF – levei até certidão de Nascimento e comprovante de residência, tudo com suas cópias devidamente autenticadas – Houveram dois dias para a matrícula (dia 11 e 12 de fevereiro), eu como sou do matutino deveria ter ido no primeiro dia (mas não deu e favor pedido para a tia a gente não olha os dentes) então fui no segundo – tremendo pois, em tese era dia do noturno e dos atrasados do matutino; tremendo pois no dia anterior alguns alunos do noturno não puderam se matricular e tiveram de esperar até o outro dia, mas pedi Socorro às pessoas do CAELL (alunos que ajudam-nos nas questões políticas e burocráticas) e me asseguraram que eu só sairia de lá matriculada. Então finalmente fui, imaginem a cena: eu, minha vó, tia, primos pequenos adentrando o santuário das humanas. Minha avó achou estranho os prédios da História e Geografia pichados – ficou levemente horrorizada – mas no fim entramos na fila para o auditório da Geografia. Tiraram fotos nossas – minha vó com a plaquinha: minha filha passou na USP. E todos bem sorridentes (inclusive meus primos, afinal um dia a USP será o santuário deles também). Então entrei no auditório da Geografia, primeiro me colocaram na fileira mais perto da porta para assinar um questionário com informações básicas – imagine que minha mão tremia e a letra ficou horrível e subitamente eu esqueci meu CPF e RG e – graças a Deus – eu entrei com o celular em mãos. Lembrei dos grupos do facebook que eu participava desde antes de efetivamente passar – o conselho era de conversar com o coleguinha do lado, mas os coleguinhas não queriam muito conversar e eu, eu estava muito nervosa até mesmo para piscar – Logo depois de tudo preenchido entreguei a folha à uma das várias pessoas dispostas numa banca e sentei numa fileira de cadeiras mais para frente. Então começou a adorável dança das cadeiras, a primeira fileira ia entregando os documentos e as fileiras seguintes iam passando para a frente. Quando finalmente chegou minha vez uma das moças estava desesperada – era da sociais e só foi descobrir que estava na sala de matrícula errada de pois de quase chorar, e eu também – entreguei então os documentos todos lindos, fiquei com os originais pois haviam as copias autenticadas e colocaram minha foto 3×4 linda junto à todos os documentos e formulários. Então, hasta la vista baby um moço na porta da saída me desejou boa sorte – eu tinha um sorriso de orelha a orelha que tenho certeza deve tê-lo contagiado, mal eu sabia o que iria me esperar – e me entregou uma sacolinha com folders da letras e de toda a USP. Logo que sai do auditório já haviam pessoas fofas para conversar, e então a pergunta – que eu aprendi só depois ser algo muito importante e quase como que sua marca na Letras – qual seria minha habilitação. Hãn? Habilitação? Ainda bem que eu soube disso pelo grupo do face, habilitação são os idiomas que você se forma ou linguística <3 . Como tinha acabado de chegar, respondi o que sempre achei que queria (e talvez ainda queira): francês. Então conversaram comigo sobre os auxílios de permanência e sobre o povo do curso. Então uma veterana linda escreveu um USP enorme na minha testa e deixou meus priminhos me pintarem (resultou em alguns riscos da Bianca e um “passei na usp” meio escrito errado pelo Daniel – mas a gente perdoa porque pichar a Samira não é um negócio fácil). Logo depois: aquele deslumbramento maior ainda, em ver o que hoje sei que é o Aquário (salinhas de xerox, da Atlética, de comida, de descanso) e barracas (da Atlética- o que me encantou pois eu realmente queria muito fazer parte do time da FFLCH, de uma organização cristã – que tiraram fotos muito legais e foram muito atenciosos com a minha família, e de mais gente pintando e conversando) havia também uns grupinhos com um pouco de música e os famosos e normais cartazes espalhados. A recepção cheia e super animada foi no dia anterior (matutino) pois o noturno além de ter mais adulto – portanto talvez mais quieta – ainda foi o dia com menos gente, já que a maioria foi no primeiro mesmo. Logo encontrei minha “mãe” que me adotou, minha veterana atenciosa e linda que me ajudou com todas as dúvidas e sonhos – e me ajuda até hoje – Ela nos mostrou um pouco do campus e da Letras, e comemos todos juntos na cantina – ou melhor dizendo na Itália. Depois nos encontramos na frente do prédio com uma galera do curso, e a Tai resolveu que seria ótimo me pintar mais um pouco e me deixar com glitter até a alma (o que eu adorei) – porém íamos no shopping depois, então imagine uma Samira se lavando no banheiro da história e tentando tirar glitter do coração e do pulmão. No banheiro estava escrito perto do teto “você é linda” sendo que só seria possível de ler olhando-se no espelho. Haviam cadeiras empilhadas na História pois tinha tido uma paralisação (piquete – barrar a passagem para que não haja aula e ninguém saia prejudicado).

Sobre a primeira mudança

Antes de me mudar permanentemente (na primeira semana, a calourada, a semana de recepção) nós fomos visitar o apartamento em questão. O encontrei no grupo do Facebook Repúblicas da USP. Se não me engano, sem fotos, apenas uma descrição da menina que estava saindo. Clicar para falar com ela foi o mais importante clique que já fiz na minha vida. Costumo pensar duas coisas que me regem: nada acontece por acaso, sempre há Deus guiando de algum jeito o seu caminho e as coisas só acontecem porquê devem acontecer e na hora certa, portanto não são perdas, mas livramentos. Eu tinha conversando um ou dois meses antes com umas meninas bem legais que tinha uma casa vaga, cachorros, meninas de cabelo pintado e jardim, bem legal, mas era bem longe em relação ao que estou e no fim elas não esperaram as chamadas e alugaram para outra. Foi sapiência de Deus porquê minha casa de agora é pertíssimo da USP (tanto que vou a pé) e na outra casa eu teria que tomar conduções e me perder nos ônibus e metrôs. Essa casa tem a Monique que me ajudou a me adaptar a São Paulo e a perder (ou ao menos deixar um pouco) a inocência do interior – e ficar mais atenta e esperta com as coisas. Tem a Jacqueline – minha deusa da fofura, companheira de quarto (confesso que me sentia em um acampamento no início) a pessoa que me atura e que me entende. Mas voltando à questão da primeira visita, é engraçado perceber como o cérebro processa os lugares novos; olhando agora no quarto ele era completamente diferente de quando o vi pela primeira vez; agora ele é um lar, ele tem espaço, ele é grande! Antes ele parecia apenas uma imagem nebulosa, um sonho grande de alguém pequeno que sabia que nunca conseguiria. No dia em questão conheci a família das meninas e percebi – tão diferentemente como elas eram – e foi de uma maneira tão profunda que me identifiquei com ambas, mas a que eu pensava que seria mais próxima acabei não sendo, e isso se inverteu absurdamente. Minha avó, meu anjo, meu porto seguro, minha vida, preocupada que estava/está resolveu comprar comidas suficientes para um refugiado de guerra viver com a família e parentes pelo resto da vida. No começo comi comida congelada de janta e almoço no bandejão – as vezes dividia a comida com as meninas pois era muita. Mas atualmente eu almoço “marmitinhas” de comidas que a minha avó traz e eu coloco em um potinho alface e no outro uma carne (geralmente frango) mas essas conversas pormenorizadas ficam para um próximo post.

Espero que tenham gostado, deixem seus comentários que eu irei responder o mais breve possível! Tem alguma pergunta? Pode me mandar que eu farei de tudo para saná-la. Até o próximo post!

Ecdise – Conto de Samira Oliveira +18
Amigo, ainda me sobraram dedos para te contar.
Mirando-se no espelho.