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Literatura

Resenha: livro da Alexandra Gurgel – Pare de Se Odiar – porque amar o próprio corpo é um ato revolucionário!

10.12.18
Livro: Pare de Se Odiar
Série:
Autor(a): Alexandra Gurgel
Editora: Record
Genero: autoajuda
Páginas: 153
Classificacao:
Sinopse: O livro de estreia de Alexandra Gurgel, youtuber do canal Alexandrismos com mais de 300 mil inscritos. Alexandra Gurgel, criadora do canal Alexandrismos no Youtube, é conhecida por abordar em seus vídeos temas como autoaceitação, o movimento body positive, autoestima, relacionamentos e a luta contra a gordofobia. Em Pare de se odiar a autora tem como objetivo ajudar suas leitoras a trilharem o caminho do amor-próprio e o da construção de uma autoimagem mais positiva, entendendo como a sociedade em que vivemos interfere diretamente na relação que temos com o nosso corpo. Alexandra, que tem sido uma das vozes mais atuantes do movimento body positive no Brasil, traz no livro uma mensagem honesta e acolhedora, a partir de sua experiência pessoal para mostrar que amar o próprio corpo é, de fato, um dos atos mais revolucionários deste século.

Pare de Se Odiar – O que você busca está buscando por você!

Pare de Se Odiar é o primeiro livro de Alexandra Gurgel – também conhecida como Xanda – e pioneira no body positive no Brasil. Em seu canal ‘Alexandrismos‘ ela fala sobre corpo, aceitação, empoderamento feminino e feminismo. Além disso ela é uma inspiração para milhares de mulheres – inclusive pra mim, que queria muitíssimo fazer uma colab com ela (quem sabe né hehe).

Eu acompanho a Xanda há bastante tempo – bastante tempo mesmo, bem antes de ela ficar super famosa e de aparecer no comercial da Avon por exemplo (afe, que orgulho!). E fiquei impressionada pela quantidade de coisas que ainda não sabia sobre ela e sobre sua vida antes da sua ‘morte’. Calma ai, vou explicar. Quando era mais nova e com muitos transtornos de imagem, alimentares e com uma autoestima quase abaixo de zero, ela tentou se matar – é, temos algumas coisinhas em comum. Mas a diferença é que eu nunca cheguei tão longe, só pensava nisso com muita frequência e cheguei bem perto, várias vezes, de tentar. Ela chegou num ponto em que nada mais importava e que ela não via saída, curioso que isso foi logo depois que conseguiu ter um corpo ‘perfeito’ e bem perto do padrão a partir de intervenções cirúrgicas. O que nos faz perceber como depois de finalmente emagrecer, o mundo não se torna magicamente belo e perfeito.

Nossas histórias tem pontos em comum

Talvez você perceba alguns pontos em comum entre a minha história e a da Xanda. Eu também já fui magra – não tanto quanto eu gostaria, mas bem perto do padrão de beleza que eu tanto almejava alcançar. Nessa época eu estava profundamente desgraçada da cabeça. Se por um lado estava na transição para minha nova vida, me mudando pra São Paulo e passando na FUVEST, por outra, eu estava constantemente me regulando. Eu pensava no meu corpo com o máximo de ódio que eu podia, eu tinha aversão à comida e a via como a pior coisa da minha vida, cada outro mínimo detalhe do meu corpo eu detestava. No fim, eu me tornei uma maluca que ficava o dia todo sem comer, que fazia escola, cursinho e aulas extras á tarde e que quando tinha um tempinho livre corria pra academia. Na academia eu treinava até exaustão e me alimentava de uma barrinha de proteína e de água com muito gengibre. A noite, no cursinho, eu jantava alface com pimenta e essa era minha refeição do dia. Eu fazia de tudo para ter o corpo perfeito que sempre quis – tudo isso em meio ao stress e ansiedade de passar no vestibular.

Conheça meu canal Samira Oliveira e principalmente os vídeos: Consegui Finalmente Amar Meu Corpo e Quando Eu Emagrecer Tudo Vai Mudar

Eu era refém de cada caloria que ingeria e contava cada uma delas – até mesmo a quantidade de água gelada eu contava, afinal não queria que a balança atestasse um grama a mais que fosse. Meu corpo estava lindo – eu ouvi muito isso nessa fase – mas só eu sabia o sofrimento que estava por trás, as muitas tentativas em vomitar e não conseguir. Nisso também me identifiquei com a Alexandra, ela também não conseguia ser bulímica ‘na prática’ e só muito depois entendeu que era sim bulímica – assim como eu – a chamada “bulimia nervosa”.

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Literatura

O Guia do Cavalheiro para o Vício e a Virtude | representatividade bi no século XVII

31.10.18
O Guia do Cavalheiro para o Vício e a Virtude | representatividade bi no século XVII literatura queer por Samira Oliveira dezoitoemponto.com
Livro: O Guia do Cavalheiro para o Vício e a Virtude
Série:
Autor(a): Mackenzi Lee
Editora: Galera Record
Genero: romance Queer
Páginas: 433
Classificacao:
Sinopse: Uma aventura romântica do século XVIII para a era moderna. Simon Versus a Agenda Homo Sapiens, encontra os anos 1700. Henry “Monty” Montague nasceu e foi criado para ser um cavalheiro, mas nunca foi domado. Os melhores internatos da Inglaterra e a constante desaprovação do pai não conseguiram conter nenhuma das suas paixões – jogos de azar, álcool e dividir a cama com mulheres e homens. Mas agora sua busca constante por uma vida cheia de prazeres e vícios está em risco. O pai quer que ele tome conta dos negócios da família. Mas antes Monty vai partir em seu Grand Tour pela Europa, com a irmã mais nova, Felicity, e o melhor amigo, Percy – por quem ele mantém uma paixão inconsequente e impossível. Monty decide fazer desta última escapada umafesta hedonista e flertar com Percy de Paris a Roma. Mas quando uma de suas decisões imprudentes transforma a viagem em uma angustiante caçada através da Europa, isso faz com que ele questione tudo o que conhece, incluindo sua relação com o garoto que ele adora.

Como você pode perceber o que mais me chamou a atenção nesse romance é a questão da representatividade bi. O livro é ambientado no século XVII e tem como personagem principal o jovem Henry Montague – também conhecido como Monty – principalmente pelo seu melhor amigo Percy. Monty é um jovem aristocrata e britânico que leva uma vida de libertino, viciado em jogos de azar e sexo com homens e mulheres (por isso o tema queer da bissexualidade é tão evidente), sua figura é cômica inicialmente e rasa mas aos poucos vai se complexificando e podemos ver o que há sob essa pose de irreverente e inconsequente.

Seu amigo Percy é outro personagem interessante e pelo qual eu me apaixonei. Ele é de uma família aristocrata também, porém fora criado pelos tios, ele é negro e num contexto histórico de recente abolição da escravatura, a sua cor é muitas vezes barrada e hostilizada nos eventos da alta sociedade. Achei importante retratar essa questão, mesmo que casos como o de Percy tivessem sido raros, deu-nos um vislumbre da sociedade racista da época. Ele é notável pela sua sensibilidade, todas as falas mais belas são de Percy, todos os atos mais poéticos também são deles – e talvez eu tenha me apegado tanto porque a narrativa é todinha em primeira pessoa, de modo que eu vejo Percy pelos olhos enamorados de Monty. Talvez esse filtro que aplicamos sobre a pessoa amada, também tenha feito a diferença e aumentado ainda mais meu carinho pelo personagem.

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O Diário de Myriam – Um relato fiel e puro da Guerra na Siria| Resenha DarkSide Books

07.08.18


Livro: O Diário de Myriam
Série:
Autor(a): Myriam Rawick
Editora: DarkSide
Genero: Diário
Páginas: 305
Classificacao:
Sinopse: De um lado, uma menina judia que passou anos escondida no Anexo Secreto tentando sobreviver à guerra de Hitler. De outro, uma garota síria que sonha ser astrônoma e vê seu mundo girar após a eclosão de um conflito que ela nem mesmo compreende.

O Diário de Myriam, é um livro relato da guerra na Síria, mais precisamente dos conflitos de 2011 até 2017. Nele podemos ver toda a sensibilidade e pureza nos olhos da menina Myriam frente à destruição que acontecia. É tocante perceber como ela vai evoluindo ao longo dos anos, visto que começara a escrever seu diário com apenas 6 anos – quando a guerra começava. Suas ideias e vivências eram tão poucas mas já precisava estar atenta para a guerra, para ter sua infância em meio a ela. É triste perceber que com tão pouca idade ela já estava sendo exposta a mortes, sangue, bombas e tristeza. Que tão nova ela já soube o que era uma Ak-47, já tinha que conviver com a fome e com a falta de água, com a possibilidade de ter sua vida acabada a qualquer instante.

Esse livro me comoveu muito. Principalmente porque eu mesma sou descendente de sírios, então de alguma forma são minhas raízes que sofrem, são meu povo que morre. E mais interessante, é que a guerra naquela região vem de tempos tão remotos, é um campo de batalha praticamente, onde conflitos sempre eclodem. É até confuso de se entender o que e porquê eles acontecem. No final dele há fotografias da guerra, e elas me trouxeram á memoria inúmeros sonhos cinza, vazio e destruído que eu tenho de vez em quando. Nesse livro, na ultima parte, há notas de Philippe Loubjois, o repórter que cobriu a guerra na Síria, que conheceu Myriam e fez sua história vir à publico. Philippe também cobriu o Conflito Karen, em Myanmar (Birmânia), a Guerra do Kosovo e a Guerra do Afeganistão.

Achei muito bonito como as pessoas se unem para ajudar umas ás outras. Em dado momento, não há mais pão para comprar, muito menos carne, então cada pessoa cozinha algo com o que tem em casa e distribui ás famílias dos arredores. Outra coisa que é interessante de se notar, é que Myriam é cristã, e sua melhor amiga Judi, é muçulmana, e mesmo com os conflitos polarizados devido às diferenças religiosas, ambas não conseguem enxergar rivalidade entre elas, elas apenas vêem o que nós vemos: amor.

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Jack O Estripador – Rastro de Sangue | protofeminismo na Londres Vitoriana, suspense e cadáveres
Literatura

Jack O Estripador – Rastro de Sangue | protofeminismo na Londres Vitoriana, suspense e cadáveres

15.05.18
Jack O Estripador - Rastro de Sangue | protofeminismo na Londres Vitoriana, suspense e cadáveres Resenha por Samira Olliveira dezoitoemponto.com

Audrey Rose, a personagem principal de Jack O Estripador – Rastro de Sangue, tem descendência indiana e tem uma postura protofeminista que me deixou orgulhosa. Ao contrário das damas de alta classe de sua época, Audrey não se deleita em chás e bordados, ela encontra prazer dissecando cadáveres e fazendo autópsias junto de seu tio. Em meio à violência da Londres vitoriana, alguns assassinatos chamam a atenção de todos e desperta o medo mais profundo dentro das mulheres. Há um criminoso a solta que mata mulheres e as estripa, levando consigo pedaços de seus corpos e promovendo mortes lentas e dolorosas. Como a única moça empoderada de sua época, ela se junta ao cavalheiro de também alta classe, Thomas, para iniciar as investigações do caso. Thomas é audacioso, cínico, petulante e extremamente charmoso; além de também estudar junto a Rose a arte forence, ele é brilhante em suas anotações e conclusões, sendo claramente o melhor aluno do tio de Rose. Um romance com a dose exata de suspense e investigação. É como ler um pouco de Agatha Christie e Edgar Alan Poe juntos.

Algo muito interessante que notei são as cenas em que a misoginia e a repressão feminina são muito fortes. Eu nunca tinha tomado consciência do tanto que as mulheres sofriam nessa época, como o machismo era bem visto e bem quisto por todos. A medicina e o estudo de cadáveres era praticamente proibido para mulheres, Audrey teve de ir às aulas de seu tio vestida de homem e atuando como um para ser aceita. Seu pai era extremamente contra e chegava a proibi-la de sair de casa em certas situações. É quase atordoante fatos como: mulher não podia sair na rua desacompanhada e muito menos receber um homem dentro de casa. E foi vendo essas situações que enxerguei o machismo de hoje em dia e como houve uma evolução e suavização deles – mas que analisando tais cenas do passado podemos entender o pensamento da época e como ele nos moldou. As mulheres eram incentivadas a não pensar e estudar, e caso pensassem, que fosse apenas o suficiente para atender ás tarefas domésticas. Elas eram impedidas de emitir opinião em várias situações sendo consideradas literalmente inferiores.

Jack O Estripador - Rastro de Sangue | protofeminismo na Londres Vitoriana, suspense e cadáveres Resenha por Samira Olliveira dezoitoemponto.com

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Literatura

Esse livro me salvou – A Guerra Que Me Ensinou a Viver da DarkSide Books

21.03.18

Esse livro me salvou - Resenha A Guerra Que Me Ensinou a Viver da DarkSide Books "A Guerra que salvou a minha vida" por Samira Oliveira dezoitoemponto.comA Guerra Que Me Ensinou a Viver de Kimberly Brubaker Bradley é aquele tipo de texto que você lê e se redime dos próprios pecados. É tão profundo, tão belo e tão sincero que chega a doer. O continuação – e pelo visto último livro – de A Guerra Que Salvou A Minha Vida volta com a história da jovem refugiada da Segunda Guerra Mundial, Ada, junto de sua guardiã Susan. Ela assume a guarda dela e de seu irmão depois da morte da mãe biológica de ambos. Fato que já instaura uma tensão que percorre o livro todo; isso porquê a mãe de Ada tratava os filhos com ódio e os maltratava, então no frigir dos ovos, a morte dela não foi – ou ao menos deveria – ser tão sentida aos filhos. Porém, assim como o amor deixa marcas, o ódio e a indiferença deixam cicatrizes mais imperceptíveis e enterradas em nosso âmago – tais cicatrizes deixam tudo mais difícil de digerir e de prosseguir. Mais ainda para uma criança.

É singular tratar da Segunda Guerra sob o olhar de uma criança não judia – como normalmente vemos nas obras. Acabamos sem querer nos esquecendo que todas as crianças sofreram, que seus pais lutaram na guerra, mães morreram nas fábricas e irmãos; parentes e amigos se dispersaram pelo mundo – ou pelo céu. Também não é comum vez retratado, crianças alemãs que, no entanto, eram judias. Sempre me perguntei como ficava a situação delas, como elas se sentiam com tudo isso e como eram recebidas nos outros países. Esse livro trata sobre todas essas questões. E é tão belo por ser todo narrado pela Ada, uma criança que passou a sua tão curta vida sendo cruelmente maltratada e trancafiada pela mãe; mas que consegue se salvar de seu cárcere justamente pela guerra. Que passa a aprender um porção de palavras novas todos os dias – e a nomear e entender cada um dos seus conflituosos sentimentos. Para uma linguista, isso é ainda mais mágico. Acho incrível quando a menina aprende uma palavra nova (e boa) mas a liga a um significado extremamente negativo que foi estabelecido por ela e pela situação em que ela se encontrava no momento em que ouviu tal palavra. Ada não entende o significado da palavra “mãe” e associa essa palavra à coisas negativas – porquê sua mãe era perversa. Por vezes ela não aceita o amor pois acha que ele machuca; não admite para si o medo que sente – pois acredita que se tiver medo, será espancada.Esse livro me salvou - Resenha A Guerra Que Me Ensinou a Viver da DarkSide Books "A Guerra que salvou a minha vida" por Samira Oliveira dezoitoemponto.com

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