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Literatura

Resenha Fera – É o amor que nos salva e nos faz evoluir.

10.01.18

Livro: Fera
Série:
Autor(a): Brie Spangler
Editora: Seguinte
Genero: Romance YA
Páginas: 336
Classificacao:
Sinopse: Dylan não é como a maior parte dos garotos de quinze anos. Ele é corpulento, tem quase dois metros de altura e tantos pelos no corpo que acabou ganhando o apelido de Fera na escola. Quando ele conhece Jamie, em uma sessão de terapia em grupo para adolescentes, se apaixona quase instantaneamente. Ela é linda, engraçada, inteligente e, ao contrário de todas as pessoas de sua idade, parece não se importar nem um pouco com a aparência dele. O que Dylan não sabe de início, porém, é que Jamie também não é como a maioria das garotas de quinze anos: ela é transgênera, ou seja, se identifica com o gênero feminino, mas foi designada com o sexo masculino ao nascer. Agora Dylan vai ter que decidir entre esconder seus sentimentos por medo do que os outros podem pensar, ou enfrentar seus preconceitos e seguir seu coração.

Resenha de "Fera" escrito por Brie Spangler editado pela Seguinte (Cia das Letras) por Samira Oliveira dezoitoemponto.comFera, é um romance YA escrito por Brie Spangler e editado pela Seguinte. A história é uma releitura extremamente atual e moderna de A Bela e a Fera. Assim que vi esse livro nas livrarias já me apaixonei pela capa, e confesso, esperava uma releitura mais próxima da Bela a Fera que conhecemos. Porém, fiiquei até mais empolgada em perceber que o livro era diferente de tudo o que imaginei. A obra é perfeita por nos fazer ver o outro mais do que seu invólucro, sua aparência. E sobretudo, por mostrar a vida, os sentimentos e esclarecer quaisquer dúvidas que ainda possamos ter sobre uma pessoa transgênera.

Fera é o apelido nada carinhoso de Dylan, um garoto de apenas 15 anos mas com quase 2 metros de altura e tantos pelos quando um cobertor de inverno. Diariamente ele é atingido por olhares discriminadores e temerosos de pessoas na rua. Já os amigos de sua escola apenas o tratam com um pouco de consideração exclusivamente por sua amizade com o garoto mais popular da escola – e extremamente rico – JP. Entretanto essa amizade é pautada em interesse e em manipulação, que tornam este personagem muito ambíguo.Resenha de "Fera" escrito por Brie Spangler editado pela Seguinte (Cia das Letras) por Samira Oliveira dezoitoemponto.com



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Literatura

Chronos – Viajantes do Tempo (vol. 1)| Esperança e lealdade na luta contra o tempo

09.01.18

Tenho certeza absoluta de que, ao menos uma vez na sua vida, você desejou poder mudar o passado. É essencialmente esta temática que é trabalhada em Chronos – Viajantes do Tempo, uma obra escrita por Rysa Walker e editada no Brasil pela DarkSide. Vale lembrar que este é o volume 1, então ainda temos muito a se aventurar com nossa chave Chronos. Opa, quase me esqueci, você não sabe que eu voltei no tempo e já te vi lendo esta resenha, se apaixonando e comprando o livro o mais rápido que pode hihi, então vamos começar essa resenha!

Livro: Chronos
Série: Viajantes do Tempo
Autor(a): Rysa Walker
Editora: DarkSide
Genero: romance
Páginas: 317
Classificacao:
Sinopse: Na vida, tudo tem uma ordem certa para acontecer: os sapatos devem ser colocados depois das meias, a geléia deve ser passada no pão depois da manteiga — netos nascem depois dos avós. Kate Pierce-Keller nunca havia dado atenção a este último item, até sua avó surgir com revelações e um objeto que podem colocar sua existência em risco.

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Literatura

O tedioso fantástico de Murilo Rubião| Resenha Obra Completa de Murilo Rubião

07.01.18

O tedioso fantástico de Murilo Rubião| Resenha Obra Completa de Murilo Rubião por Samira Oliveira dezoitoemponto.comMurilo Rubião não se cola a nenhum modelo anterior, estreante em 1947 com 15 contos que compunham “O Ex-Mágico”, o autor mineiro foi recebido sem alarde mas com seu devido reconhecimento, no entanto, tido ainda com certo receio por Mário de Andrade. Em 60 e 70 quando o Boom latino-americano apresentava nomes como Julio Cortázar, Mario Vargas Llosa e Gabriel García Marques e a acentuação do fantástico nessa literatura, entra em choque com a “ave rara” de nossa literatura fantástica, Murilo Rubião. Ao morrer em 1991, nos deixava em torno de 32 contos várias vezes reescritos, mas que são como jóias para nós. Davi Arigucci Jr. sobre Murilo Rubião diz: o fantástico é ainda uma dimensão do real, carregada de verdade humana e histórica, afinal de que matéria se apoia a dita “realidade” se, a partir do momento que tomamos uma realidade tida como “certa” excluímos outra que talvez seja ainda mais “certa” sob outro ponto de vista. Com a realidade mutável, Murilo apresenta a sua realidade e faz com que o leitor se afunde em seu mundo e aceite como “real” uma mulher que seja do tamanho de um navio e um edifício que cresce sem parar.O tedioso fantástico de Murilo Rubião| Resenha Obra Completa de Murilo Rubião por Samira Oliveira dezoitoemponto.comOs personagens de Murilo Rubião são sombrios, tediosos, arrogantes e quase sempre chatos; como o narrador de “Teleco o coelhinho” e  o jornalista de “Marina a Intangível”. O personagem fantástico do passado, como Drácula, detinham a magia e tinham o propósito de assombrar; já o personagem do século 20 em diante se fixa na sombra da mesmice; o personagem de Kafka abre mão da exuberância do fantástico e busca uma realização mais discreta. Em Rubião, o personagem é arredio ao fantástico, ou como diz Arigucci: há nos contos o sequestro da surpresa.

Leia também resenhas de outros livros da Companhia das Letras: Um útero é do tamanho de um punho, A Sereia, A Insustentável Leveza do Ser, Para Educar Crianças Feministas, Ondjaki,

Por ter trabalho como funcionário público, Rubião problematiza a sujeição do funcionário; o sujeito como máquina de repetição, como tédio, como o exercício cotidiano da microfísica do poder, quase como se o sistema que devora o funcionalismo público fosse uma identidade elevada; assim é o jornalista de “Marina a Intangível”.

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Literatura

Criaturas & Criadores – O terror mais antigo pode estar mais perto do que você imagina

30.12.17

 

Criaturas & Criadores - O terror mais antigo pode estar mais perto do que você imagina Resenha livro de contos Galera Record por Samira OliveiraCriaturas & Criadores – Histórias para noites de terror, é editado pela Galera Record e reúne quatro contos de escritores nacionais; Raphael Draccon, Carolina Munhóz, Frini  Geogakopoulos e Raphael Montes. Eu como escritora, levanto a bandeira dos livros nacionais, e assim que soube da publicação de Criaturas & Criadores tive certeza que ele seria incrível – porém ele superou meus anseios. Uma das histórias, a última, me fez ficar noites refletindo sobre o que ela representa, outra me fez reconhecer na personagem um pedaço de mim, já outros me fizeram questionar a profundida do humano e de sua mente. Uma obra que precisa estar na estante de todo bom amante de Edgar Alan Poe e de boa literatura. Obras que comprovam a mímeses literária, e no entanto, completamente renovada.

Criaturas & Criadores - O terror mais antigo pode estar mais perto do que você imagina Resenha livro de contos Galera Record por Samira Oliveira dezoitoemponto.com

  • A CRIATURA

“Toda morte acontece por estágios” e a morte de tudo o que consideramos humano e sensível, também. Nesse conto Frankestein é criado para proteger bandidos perigosos da periferia do Rio de Janeiro. Adicione a esse horror, um médico em busca da imortalidade e uma youtuber jornalista que clama por glória e pelo elixir da fama. Ambos se envolvem perigosamente nessa história de criação, fidelidade e terror. O recurso da peripécia é vertiginosamente bem aproveitado e nos faz ter a sensação de estar lendo algo extremamente único e elaborado – e de fato estamos.

Criaturas & Criadores - O terror mais antigo pode estar mais perto do que você imagina Resenha livro de contos Galera Record por Samira Oliveira dezoitoemponto.com

  • CONDE DE VILLE

Quando li este conto, estava ironicamente aguardando minha orientadora de pesquisa literária, e estava tão envolvida na narrativa que mal percebi que nossa reunião estava atrasada. Selecionei o conceito de reconhecimento presente no conto e aplicando Todorov podemos entender a grandiosidade do conto. Na literatura fantástica, um dos conceitos mais primordiais é o da ambiguidade. Inicialmente ambientado em nosso mundo, a narrativa passa a acumular experiências que, separadas, não atestam para nenhum acontecimentos sobrenatural, mas quando vistas em sua totalidade nos incomoda. Os acontecimentos não saem das leis da natureza como a conhecemos. No conto, a escritora e blogueira Elis sente-se com frio mesmo em um calor de quase 40º graus – mas todos nós podemos sentir isso, afinal podemos estar doentes. Ela também encontra-se com o dono da mais badalada boate local e o acha irresistivelmente atraente, tão atraente que começa a questionar seus sentimentos pelo namorado e quase  noivo Jonathas. Mas quem entre nós, meros mortais, não podemos passar por uma situação semelhante? Os voos de morcegos que Elis sempre vê podem ser apenas sombras de inofensivas borboletas. E a misteriosa doença de sua amiga deve ser apenas mais um novo vírus transmitido pelo famosos aedes. A criatividade infindável de Elis ae escrever contos de suspense e terror, poderiam perfeitamente, serem resquícios de várias vidas passadas na busca de seu amor imortal. O leitor assim lê e se entrega sem arma alguma, vai aos poucos sendo fisgado para dentro de uma história que sequer existe (ou não) e que nos faz segurar o ar e quase morrer. Tzvetan Todorov tem a frase perfeita que define com maestria o fantástico: ” “Quase cheguei a acreditar”: eis a fórmula que melhor resume o espírito do fantástico. A fé absoluta, como a incredulidade total, nos levam para fora do fantástico; é a hesitação que lhe dá vida.” É assim que o leitor é forçado a escolher um lado,e uma história para acreditar, mas é no entanto, constantemente desencorajado a ela.

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Literatura

Resenha: Crônicas de Morrighan – A Origem do Amor | Darkside

18.12.17
Resenha: Crônicas de Morrighan - A Origem do Amor | editora Darkside por Samira Oliveira dezoitoemponto.com

Livro: Crônicas de Morrighan - A Origem do Amor
Série: Crônicas de Amor e Ódio
Autor(a): Mary E. Pearson
Editora: Darkside
Genero: novela
Páginas: 126
Classificacao:
Sinopse: Mas antes que fronteiras tivessem sido traçadas, antes que tratados fossem assinados e batalhas fossem travadas novamente, antes que os grandes reinos dos Remanescentes tivessem até mesmo nascido, uma menina chamada Morrighan e sua família lutavam para sobreviver em meio à guerra.

Começo hoje essa resenha de Crônicas de Morrighan – A Origem do Amor com um excerto que anexei à resenha de The Beauty of Darkness, o último livro da trilogia mais apaixonante de todas:

“Existem outras verdades, Pauline. Verdades que você precisa saber”. E contei a ela sobre Gaudrel, Venda e a menina Morrighan, que foi roubada de sua família e vendida a Aldrid, o abutre, por um saco de grãos. Contei a ela sobre as histórias das quais nunca antes tivemos conhecimento e sobre os ladrões e os abutres que eram os fundamentos do nosso reino, e não um Remanescente escolhido. Os Guardiões Sagrados não eram nem um pouco sagrados.

Resenha: Crônicas de Morrighan - A Origem do Amor | editora Darkside por Samira Oliveira dezoitoemponto.com

É a partir dessa premissa, desse resumo de toda a história, que agora me recordo após terminar Crônicas de Morrighan. Lembro-me de várias teorias que montei sobre as histórias de Morrighan e de Gaudrel ainda na resenha de The Kiss of Deception e hoje vejo como a história toda é ainda mais grandiosa do que eu sonhava. Toda a força que ouvimos sobre a garota que deu início ao reino de Morrighan é acertada e desvendada nessa obra incrível. Se você ainda não leu “Crônicas de Amor e Ódio” esse livro é um bom começo para que você sinta o gostinho dessa história que nos encantou por tanto tempo. Mas se você já conhece toda a trilogia, esse último livro é um delicioso adeus, é uma obra que nos lembra e nos reconecta à guerreira Lia.

Amo a narrativa poética de Mary E. Pearson e apesar de uma novela curta, a história é narrada com uma delicadeza incrível – como todas as histórias da Mary. A história é ancorada no romance do improvável entre o abutre Jafir, membro do grupo bárbaro e a Remanescente e possuidora do dom, Morrighan. Os momentos entre os dois são únicos e de uma pureza e brilho louváveis.

Parecia que sentir medo era algo que estava no meu sangue. Isso me mantinha sempre ciente das coisas, mas, até mesmo com meus dez anos de idade, eu estava cansada disso.


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