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Fotografia

Amizade retratada em Alice no País das Maravilhas – Projeto Ângulo Literário

23.02.17

Projeto Fotográfico Ângulo Literário - A amizade no livro Alice no País das Maravilhas. Fotografia e edição por Samira Oliveira. Técnicas de composição de fotos (flat lay), iluminação e edição. Alice no País das Maravilhas é o clássicos mais atemporal – permita-me dizer – do mundo! E busquei trazer para o Projeto Fotográfico Ângulo Literário a amizade retratada nos livros, com a delicadeza e cuidado que o País das Maravilhas merece! Os biscoitinhos “eat me” e o vidrinho “drink me” eu ensinei a fazer nesse post ( te aconselho a ir abrindo os links e ir conferindo-os quando terminar a leitura desse post, tem muuuuita coisa bacana pra você!). E o Funko do Chapeleiro Maluco foi comprado nesse grupo do Facebook. Os bichinhos de pelúcia são do AliExpress, e nesse post eu deixei tudo explicadinho sobre os vendedores e sobre como comprar no Ali. O chapéu do Chapeleiro foi cordialmente emprestado pela minha parceira Thais Fantasias, para o meu Photoshoot temático – que logo sairá aqui no blog, e prometo, vocês nunca mais irão se esquecer dele! Ah e a cachorrinha é a Belinha, a minha Belinha ♥Projeto Fotográfico Ângulo Literário - A amizade no livro Alice no País das Maravilhas. Fotografia e edição por Samira Oliveira. Técnicas de composição de fotos (flat lay), iluminação e edição. Eu adoro fundo branquinho em fotos – principalmente quando estão postadas no Instagram, adoro a organização do feed todo cheio de luz e coisas fofinhas! Para meu querido fundo clarinho, eu precisava de um edredom ou um lençol branco, mas como eu não tenho nem um nem outro, fui salva pela minha avó. Ela encontrou um tecido branco e lindo – com alguns furinhos – de algodão, sendo que seu único problema era estar com as marcas de dobrado. Eu utilizo iluminação natural – estendo o tecido nas escadarias do jardim da minha casa, de modo que a luz do sol não bata diretamente mas deixe uma boa iluminação.Projeto Fotográfico Ângulo Literário - A amizade no livro Alice no País das Maravilhas. Fotografia e edição por Samira Oliveira. Técnicas de composição de fotos (flat lay), iluminação e edição. Tirei as fotos com o modo HDR do meu celular e editei-as no aplicativo Meitu – é um aplicativo chinês muito bom com uns filtros com uma carinha meio candy mas não tão pesada como o Candy Camera. Uma coisa que não gostei muito é o óbvio: a edição tira muito da definição e da qualidade da imagem – mas no Instagram ela continua bonita!Projeto Fotográfico Ângulo Literário - A amizade no livro Alice no País das Maravilhas. Fotografia e edição por Samira Oliveira. Técnicas de composição de fotos (flat lay), iluminação e edição.

Alice: Chapeleiro, você me acha louca?
Chapeleiro: Louca, louquinha ! Mas vou te contar um segredo: as melhores pessoas são assim!

Gostaria de usar essas fotos para falar sobre amizade; principalmente a amizade mais visível para mim – e mais explorada nos live actions atuais – entre Alice e o Chapeleiro. Para mim, sua loucura transmite uma calma e serena proteção envolta da menina, suas diversões na mesa do chá servem como que para tirá-la de seu estupor e de sua incessante busca pelo coelho branco. Alice: Chapeleiro, você me acha louca? Chapeleiro: Louca, louquinha ! Mas vou te contar um segredo: as melhores pessoas são .Gostaria de lembrar também, a amizade entre Alice e o gato Cheshire, que com seus enigmáticos olhos e assombrosas frases, fazem Alice refletir sobre o mundo a sua volta e sobre o mundo “real”

“Aonde fica a saída?”, Perguntou Alice ao gato que ria.
”Depende”, respondeu o gato.
”De quê?”, replicou Alice;
”Depende de para onde você quer ir…”
Projeto Fotográfico Ângulo Literário - A amizade no livro Alice no País das Maravilhas. Fotografia e edição por Samira Oliveira. Técnicas de composição de fotos (flat lay), iluminação e edição.
“Entenda os seus medos, mas jamais deixe que eles sufoquem os seus sonhos.”

Alice foi e sempre será uma história muito importante para mim. Foi a partir dela, quando me vesti de Chapeleiro que apreendi meu amor por Cosplays e por caracterização. Além disso, foi com a Alice que consolidei importantes amizades, em uma fase em que eu não tinha mais ninguém. Sempre gostei de acreditar nessa magia, de acreditar no que há por trás de cada mensagem, na força que ela pode ter. Acho que algumas, como essa de cima, são tão reais que me parecem quase tangíveis ao toque – o medo pode nos sufocar.


Outro elemento importante nesse mini ensaio fotográfico, é a Belinha; Ela não pode ir no, digamos, ensaio oficial, então acabei fazendo um exclusivo só pra ela, pois ela não poderia ficar de fora de toda essa atmosfera mágica. Ela não gosta muito de fotos mas até que ficou quietinha – principalmente depois que coloquei a gravatinha em seu pescoço, ela ficou se sentindo toda toda!

Projeto Fotográfico Ângulo Literário - A amizade no livro Alice no País das Maravilhas. Fotografia e edição por Samira Oliveira. Técnicas de composição de fotos (flat lay), iluminação e edição. Projeto Fotográfico Ângulo Literário - A amizade no livro Alice no País das Maravilhas. Fotografia e edição por Samira Oliveira. Técnicas de composição de fotos (flat lay), iluminação e edição. Projeto Fotográfico Ângulo Literário - A amizade no livro Alice no País das Maravilhas. Fotografia e edição por Samira Oliveira. Técnicas de composição de fotos (flat lay), iluminação e edição. Projeto Fotográfico Ângulo Literário - A amizade no livro Alice no País das Maravilhas. Fotografia e edição por Samira Oliveira. Técnicas de composição de fotos (flat lay), iluminação e edição. Projeto Fotográfico Ângulo Literário - A amizade no livro Alice no País das Maravilhas. Fotografia e edição por Samira Oliveira. Técnicas de composição de fotos (flat lay), iluminação e edição. Projeto Fotográfico Ângulo Literário - A amizade no livro Alice no País das Maravilhas. Fotografia e edição por Samira Oliveira. Técnicas de composição de fotos (flat lay), iluminação e edição. Projeto Fotográfico Ângulo Literário - A amizade no livro Alice no País das Maravilhas. Fotografia e edição por Samira Oliveira. Técnicas de composição de fotos (flat lay), iluminação e edição. Projeto Fotográfico Ângulo Literário - A amizade no livro Alice no País das Maravilhas. Fotografia e edição por Samira Oliveira. Técnicas de composição de fotos (flat lay), iluminação e edição. Projeto Fotográfico Ângulo Literário - A amizade no livro Alice no País das Maravilhas. Fotografia e edição por Samira Oliveira. Técnicas de composição de fotos (flat lay), iluminação e edição. Projeto Fotográfico Ângulo Literário - A amizade no livro Alice no País das Maravilhas. Fotografia e edição por Samira Oliveira. Técnicas de composição de fotos (flat lay), iluminação e edição. Projeto Fotográfico Ângulo Literário - A amizade no livro Alice no País das Maravilhas. Fotografia e edição por Samira Oliveira. Técnicas de composição de fotos (flat lay), iluminação e edição. Projeto Fotográfico Ângulo Literário - A amizade no livro Alice no País das Maravilhas. Fotografia e edição por Samira Oliveira. Técnicas de composição de fotos (flat lay), iluminação e edição. Projeto Fotográfico Ângulo Literário - A amizade no livro Alice no País das Maravilhas. Fotografia e edição por Samira Oliveira. Técnicas de composição de fotos (flat lay), iluminação e edição.

Projeto Fotográfico Ângulo Literário - A amizade no livro Alice no País das Maravilhas. Fotografia e edição por Samira Oliveira. Técnicas de composição de fotos (flat lay), iluminação e edição.

Atenção: Todas as imagens do post são de propriedade minha, portanto, se for usar alguma dê-lhe seus devidos créditos. Entretanto, sinta-se a vontade de piná-la no Pinterest se gostar – assim você ajuda mais gente a se inspirar e se encantar com a magia de Alice.


Agora me conte, o que você achou desse mini ensaio com a minha poodle? Gostou da edição? O que você espera para o próximo desafio? Ah e não se esqueça de me seguir no Instagram ein? E se tentar fazer os biscoitinhos e a poção da Alice, mande foto deles pra mim pela FanPage

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DIY – Biscoito “eat me” e “drink me” Alice no País das Maravilhas

20.02.17

DIY biscoito "eat me" e "drink me" da Alice no País das Maravilhas feito em biscuit. DIY cookie "eat me" and potion "drink me"Quem não gosta dos biscoitinhos “eat me” e da poção “drink me” de Alice no País das Maravilhas? Essa DIY com biscuit e outros materiais baratinhos surgiram por causa do Photoshoot da Alice que fiz com a minha priminha Bianca. Eu tentei ser o mais fiel possível ao filme de 1951 e portanto, utilizei uma imagem dos cookies e fui tentando copiar e ao mesmo tempo dar o meu toque pessoal. Aqui nesse post eu expliquei um pouco sobre o biscuit pra quem ainda é iniciante e também contei como foi minha primeira experiência com a massa, então se você ainda está meio perdido e não sabe qual caminho tomar, comece por esse ;) Outro post muito importante é a Entrevista com Bruna Nóbrega do Arte Vira-Lata onde ela ensinou alguns truques de moldagem e de pintura – que eu utilizei nos biscoitinhos, ah, e pra conferir os acessórios em biscuit da Bru, clique aqui. Sem mais delongas, bora cozinhar?

Ingredientes Maravilhosos dos Biscoitos:

  • Massa de biscuit branca
  • Tintas PVA (de artesanato, a mesma que usei nesse post)
  • Pincel pequeno
  • Estilete
  • Verniz líquido
  • Palito de madeira grande (aqueles de fazer unha)
  • e imaginação!

DIY biscoito "eat me" e "drink me" da Alice no País das Maravilhas feito em biscuit. DIY cookie "eat me" and potion "drink me"Como eu expliquei melhor nesse post, eu estou meio que me divorciando dos rolinhos de massa, então para deixar a massa na espessura do biscoitinho eu abri levemente com o rolinho e fui achatando delicadamente entre as palmas das mãos e com os dedos. Tendo a massa esticada em cima de um plástico (eu aconselho você a prender uma sacola resistente e plástica na mesa com alguns pedacinhos de fita adesiva) eu marquei com a ponta do palito o formato que eu queria (eu não tenho moldes mas se você tiver pode usar, eu acho mais bonitinho sem, fica mais real hehe). Depois é só cortar com o estilete aonde você marcou. Quando cortado ele não fica muito lisinho nas extremidades então é necessário alisar as bordas e todo o resto com um pouco de água. Em seguida deixe secar, espere secar beeeem para seguir o próximo passo – o biscuit encolhe um pouco quando seca então se você passar a tinta antes de secar ele vai rachar e ficar feio – guenta aí que você vai ter seus biscoitinhos logo hehe. Eu esperei 1 dia para que todos secassem, mas você pode esperar mais – para se assegurar que todos estão prontinhos para serem pintados.DIY biscoito "eat me" e "drink me" da Alice no País das Maravilhas feito em biscuit. DIY cookie "eat me" and potion "drink me"Depois de secos chegou a hora mais divertida: colorir! Como vocês podem ver na imagem abaixo, eu tentei aproximar meus biscoitos da “realidade” mas você pode usar qual cor de “cobertura” que quiser! Afinal, é você mesmo quem vai ficar grandão hehehe. Eu passei 2 mãos de tinta para a cobertura e tomei cuidado em não pintar as laterais (essa parte é massa) e nem em baixo (onde também tem massa de biscoito, e portanto, vai receber uma corzinha mais de biscoitinho).

Para as letrinhas eu pequei um pouco de biscuit – uma bolota pequenina – e fui acrescentando pingos de tinta (para tingir a massa, fica mais fácil do que pintar por cima como fiz com o biscoito – eu não tingi a massa do biscoito pois ele tem cores diferentes em cima e em baixo) e dobrando e misturando a massa até que ela ficasse com uma cor homogênea. Você pode ir adicionando mais tinta para chegar no tom desejado ;) Depois de tingida, fui deixando-a em formato de cobrinha, bem fininha mesmo, pois quando colocá-la no biscoito você deve dar umas apertadinhas e deixá-la mais achatada – e se ficar muito grossa você não vai conseguir ler o escrito e talvez nem caiba todas as letras, então trate de afinar a cobrinha de massa. Cobrinha pronta é só ir cortando em partes com a ajuda do estilete. Para não cortar errado eu fui fazendo um pouco por vez, o “E” foi feito com 2 cortes de cobrinha, uma contínua para os dois bracinhos da letra e uma pequena para o bracinho do meio – não sei se deu pra entender a explicação hehe acho que vendo pela foto fica mais fácil. Mas você também pode fazer do jeitinho que achar mais bonito, inclusive usando letra cursiva.DIY biscoito "eat me" e "drink me" da Alice no País das Maravilhas feito em biscuit. DIY cookie "eat me" and potion "drink me"Aconselho a ir fazendo as letrinhas e já ir colocando sob o biscoito para saber mais ou menos como terá de ser o tamanho delas para que todas caibam. Depois de prontas é só arrumá-las e pressionar um pouco para fixar no biscoito. Enquanto espera secar você pode ir pintando a massa do biscoito, usando tinta bege claro (marrom + branco) em toda a área da massa (em baixo e nas bordinhas) e depois, para dar a ideia de um biscoito assado, você pode ir dando leves batidinhas de tinta marrom com o pincel (ou com uma esponja de artesanato, se você tiver) e também pode fazer com diversos tons de marrom – para deixar com mais cara de real, vá dando batidinhas com um pouco de amarelo também, vai ficar bem bonito!DIY biscoito "eat me" e "drink me" da Alice no País das Maravilhas feito em biscuit. DIY cookie "eat me" and potion "drink me"Depois é só deixar tudo secar bem (cuidado para não apoiar na mesa a parte que está com tinta) e depois aplicar o verniz. Eu passei 2 mãos de verniz, caprichando bem na parte das letrinhas (para dar aquela impressão de doce de padaria, sabe?) e prontinho! Espere secar bem por mais uns 2 dias e ai está, já pode sair dando mordidinhas (ops, num pode não) e entrando no seu País das Maravilhas (como um gigantão, é claro).


Ingredientes para a Poção “Drink Me”

  • Vidrinho com tampa
  • Água
  • Tinta azul claro PVA
  • Barbante
  • Papel sulfite branco ou rosa
  • Caneta marca texto rosa (se estiver usando papel rosa não precisa)
  • Caneta Nanquim ou qualquer outra de tinta (como Stabilo)

DIY biscoito "eat me" e "drink me" da Alice no País das Maravilhas feito em biscuit. DIY cookie "eat me" and potion "drink me"Para minha poção eu usei um recipiente de vidro com detalhes e troquei a tampa original “de plástico” por uma de rolha de cortiça (para dar esse ar mais de coisa antiga). De início eu tinha tentado fazer o líquido de cola de isopor – é uma cola transparente e viscosa (e cara) – e glitter – mas não deu certo, o glitter (que desceu tudo para o fundo do frasco) deveria ter sido trocado por purpurina e a cola de isopor ficou bem estranha, além disso eu tinha tingido a cola com anilina e subestimei o poder colorido dessa danada (usei muita anilina e ficou azul escuro). Por essas razões eu acabei tirando toda a cola – foi bem difícil pois a boca do vidrinho é pequena – mas com um palito e muita determinação, deu certo. Com a água é bem simples, é só adicionar água até onde você quer e ir colocando um pouco de tinta (dessa vez usei azul claro pra não ter erro), aconselho a usar bastante tinta azul claro para não ficar uma “água suja” e sim, uma poção de verdade! O único ponto chato é que não dá pra por glitter, coloquei um pouco e nem apareceu – mas tudo bem né, no filme a poção não tem glitter mesmo! :lol: DIY biscoito "eat me" e "drink me" da Alice no País das Maravilhas feito em biscuit. DIY cookie "eat me" and potion "drink me"Em seguida feche o vidro (pode até usar um pouco de cola Super Bonder para não ter risco de vazar um pouco de água) e enrole o barbante sobre a tampa. Para fazer a tag com a instrução, eu fui copiando a mesma letra presente no vidrinho do filme. Primeiro pintei o papel com a marca texto rosa até ficar uniforme (fazendo traços ondulantes como se estivesse grifando algo mesmo) e depois passando um pouco mais de marca texto nas extremidades. Depois, escrevi com nanquim a instrução e, ei-la nossa poção!

 Se você gostou dessa DIY, compartilhe-a com seus amigos! E quando fizer, poste no Instagram com a hashtag #DezoitoEmPonto , eu quero ver como ficou, ein? ♥



E se você ama Alice e ama fotos, fique ligadinho no meu Instagram – lá vou postar muitas fotos inspiradas no clássico, e logo logo postarei as fotos do meu Photoshoot da Alice ♥  E se você é iniciante no biscuit, não se esqueça de conferir esse post e esse.;)

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Literatura

“Pornô Chic” – Hilda Hilst | Inteligência e Sexualidade

16.02.17

Resenha e crítica obra Pornô Chic de Hilda Hilst por Samira Oliveira

ATENÇÃO: A resenha a seguir é sobre um livro indicado para maiores de 18 anos.

Livro: Pornô Chic
Série: -
Autor(a): Hilda Hilst
Editora: Biblioteca Azul
Genero: Ficção erótica
Páginas: 276
Classificacao:
Sinopse: Se “O caderno rosa de Lori Lamby” parece obsceno ao apresentar uma menina de oito anos relatando suas experiências sexuais, a autora surpreende os leitores com seu desfecho. “Cartas de um Sedutor” narra o cotidiano de um homem rico, amoral e culto, que diante de sua incompreensão da vida recorre ao sexo em busca de respostas. “Contos d’escárnio” é uma reunião de textos satíricos, em que a sexualidade é matéria de reflexões imprevisíveis. “Bufólicas” é um livro de “fábulas safadas” concluídas com uma “moral da estória”.
A “Fortuna Crítica” apresenta um texto inédito do professor de História da Arte e da História da Cultura da Unicamp Jorge Coli, e inclui textos de especialistas na obra de Hilst, como a professora do departamento de Literatura Brasileira da FFLCH-USP Eliane Robert de Moraes, e o professor de Teoria Literária da Unicamp Alcir Pécora – que organizou as obras completas de Hilst para a Globo Livros. Além disso, a edição recupera textos publicados na imprensa nos anos 1990, como um perfil da autora feito pelo jornalista Humberto Werneck e uma entrevista da poeta ao amigo e escritor Caio Fernando Abreu.

Conheci Hilda Hilst por meio de um poema na aula de linguística. Me lembro bem de como fiquei encantada com a “pornoticidade” (essa palavra existe?) tão bem camuflada – a qual só fomos perceber depois que o professor explicou. Logo depois, ele já falava um pouco sobre as verdadeiras escritoras, que, segundo ele, não recebiam seu devido valor. A seguir comentou sobre o livro rosa de Hilda, o Pornô Chic – e seja porque o título me pareceu tão curioso, seja porquê a edição não parecia denunciar seu conteúdo, a obra passou a ser um grande anseio de ter um exemplar na minha estante.Resenha e crítica obra Pornô Chic de Hilda Hilst por Samira OliveiraHilda Hilst (1930-2004) foi considerada pela crítica uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século 20. Passeou entre vários gêneros literários, como romance, crônica, drama, poesia e ficção. Sua produção literária iniciou-se em São Paulo com a obra Presságio (1950), mas foi em  1965 que a escritora se muda para Campinas e começa a construção da Casa do Sol, um lugar de retiro para a sua criação – algo que deu bastante certo, pois foi na Casa do Sol que Hilda realizou mais de 80% de sua obra, já que se dedicava integralmente à produção literária. Em 1967, ela estreia na dramaturgia e em 1970, na ficção, com Fluxo floema. O acervo pessoal deixado pela escritora se divide, hoje, entre a Sala de Memória Casa do Sol — onde há, inclusive, produções inéditas — e o Centro de Documentação Cultural Alexandre Eulálio da Universidade Estadual de Campinas (Cedae-Unicamp). Para saber mais visite: Instituto Hilda Hilst Leia mais

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Literatura

“The Kiss of Deception” – Mary E. Pearson | Força e Tradição

02.02.17

Resenha literária e crítica The Kiss of Deception - Mary E. Pearson - Força e TradiçãoSabe aquele livro que te invade e te consome? The Kiss of Deception fez isso comigo, e é por isso que hoje se faz necessária essa resenha crítica. Sobre amor, guerra, reinos distantes, tradição e aventuras; vem descobrir porquê essa obra não pode faltar na sua estante!

Livro: The Kiss of Deception
Série: Crônicas de Amor e Ódio
Autor(a): Mary E. Pearson
Editora: Dark Side
Genero: Fantasia
Páginas: 416
Classificacao:
Sinopse: Tudo parecia perfeito, um verdadeiro conto de fadas – menos para a protagonista dessa história. Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro?

Vocês já sabem que eu amo princesas – mas estava acostumada às princesas da Disney – então quando me apresentaram à princesa Lia eu já fiquei empolgada, é a segunda princesa empoderada que conheci esse ano (a primeira foi a Moana) e ela não deixou de me surpreender.

Aquele era o dia em que mil sonhos morreriam e um único sonho nasceria – Princesa Lia

A história já começa no meio de uma cena, sendo narrada pela protagonista, Lia. Por não contextualizar todo o mundo anteriormente – mas começar imerso no universo da obra – o livro nos faz mergulhar num mundo totalmente novo, e sem nenhuma expectativa de regresso. Mary nos faz adentrar seu mundo e questionar nossa própria mentalidade – conforme nos vai apresentando a cultura que ela mesma criou. A primeira cena já expõe uma tradição marcante da nossa sociedade: o casamento. E já mostra de cara, as adversidades e opiniões divergentes sobre ele. Nessa organização, o casamento da Primeira Filha do reino é baseado em negociações que beneficiem ambos lados – no caso, que una reinos amigos para que juntos possam lutar contra os bárbaros. Como já era de se esperar, nossa heroína não ficou nada satisfeita com isso, principalmente por terem tomado dela seu poder de voz e de escolha – essa é uma questão que acompanha todo o percurso desse herói, a divergência entre suas vontades e suas obrigações, entre sua vida e a dos outros, entre suas escolhas e as escolhas alheias. Parece que Lia está sempre atrás, sempre tentando conduzir sua vida, sempre tentando escolher, tentando resgatar para si a independência que lhe foi tirada desde muito cedo. Além do casamento, outras questões parecem ser tratadas com muito mais leveza do que nós costumamos tratar; por exemplo, a maternidade precoce (17 anos) é tratada com naturalidade, o que é perfeitamente normal tendo em vista a organização social e *quase* tradicional, em que as mulheres são responsáveis por afazeres mais domésticos (principalmente entre a realeza já que na plebe costumam todos trabalharem, inclusive as mulheres). Outro assunto mencionado sem grande alarde – e apontando para o avanço na sociedade dos reinos – é sobre o sexo antes do casamento (em nossa organização judaico-cristã, é considerado ainda algo estranho para os antigos) e nos fazendo refletir os contrastes ante o que vivemos e o que foi criado por Mary, ou seja, a tradição considerada conservadora dos reinos em contraste com o que nós consideramos conservador.

Esse contraste de valores também é algo que me chamou atenção. Em certo momento o adultério é mencionado como uma opção corriqueira – já que na lógica da realeza o casamento serve apenas para diplomacia e procriação. Em contrapartida, há muitos outros valores bem quistos por eles, e que também nós consideramos louváveis. Exemplo disso é a religião e os suas práticas devocionais; em nãos raros momentos, os deuses são apresentados como uma força poderosa que pode alterar o curso de nossas vidas. Interessante notar que toda a crença desse povo surgiu depois de um renascimento da humanidade, em que os poucos Remanescentes escolhidos e aptos foram dando luz aos povos da atualidade. É ai que entra uma qualidade peculiar e cercada de mistérios: o dom. O dom teria sido conquistado com a jornada dos Remanescentes pela terra devastada – que teriam sido ainda, comandados e ajudados pela jovem Morrighan – e passados por gerações de Primeiras Filhas do reino de Morrighan, um poder que permite que a portadora veja e sinta antes que todos, e que de acordo com a lenda, teria sido a principal fonte de conhecimento da jovem Morrighan no auxílio aos Remanescentes.

“Eristle me ajudou a aprender a ouvir, a me fechar para o ruído até mesmo quando os céus tremiam com o trovão, até mesmo quando meu coração tremia de medo, até mesmo quando os ruídos das coisas do dia a dia enchiam minha cabeça. Ela me ajudou a aprender a ficar em silência e ouvir o que o mundo queria compartilhar. Ela me ajudou a aprender a ficar imóvel e a saber. Deixe-me ver se consigo ajudar você”

Para se livrar do casamento, Lia planeja uma fuga com sua amiga e servente Pauline. Levando poucos pertences, vestida com um tradicional vestido de casamento e portando um kavah nas costas, Lia parte com sua fiel escudeira rumo à Terravin, um vilarejo litorâneo não muito distante de Morrighan – onde as casas são coloridas e o povo é trabalhador, onde as esposas esperam ansiosas por seus maridos que se entregaram às fúrias do mar para pescar. Depois de uma exaustiva viagem, em que a dupla tentar cobrir seus rastros para que não sejam seguidas, elas finalmente chegam ao destino, o vilarejo em que Pauline cresceu e onde pretende construir uma vida ao lado da amiga e do namorado que está lutando pelo rei, pai de Lia. Em Terravin, Lia abnega-se de todos os tratamentos reais e busca ao máximo se misturar e ser considerada alguém “comum”. Mostrando sua essência, ela finalmente fará o que é sente vontade e começa a trabalhar como garçonete na taverna de Berdi, a mulher responsável por ter criado Pauline.Resenha literária e crítica The Kiss of Deception - Mary E. Pearson - Força e TradiçãoO príncipe, deixado para trás é obrigado a partir em busca de sua noiva – assim como um assassino mandado para capturar e matar Lia. Como ambos tem nomes muito próximos e características físicas bem parecidas, eu fiquei um pouco perdida decidindo quem era quem – obtendo quase a mesma sensação tida por Lia, ela mesma não sabia qual dos jovens estonteantes seria o responsável por tirar sua vida e nem mesmo desconfiava de tal fato. Por esse motivo eu fiquei até a página 267 (praticamente o meio do livro) imaginando que, quando ela falava com um dos jovens ela falava com o Assassino, sendo que na verdade ela estava falando com o Príncipe – e vice versa. Por isso, depois de desfeito o embaralho dos dois eu resolvi anotar o nome de cada um seguido de sua qualificação – e usei para consulta sempre que um deles era mencionado, pelo menos até que eu pudesse associar o nome à pessoa correta sem mais precisar de ajuda.

Fiquei muito satisfeita e encantada com a narração. Ela é feita inicialmente apenas por Lia e depois é dividida entre o Assassino e o Príncipe – e eventualmente passada para outra personagem. Também gostei de terem mantido alguns aspectos da obra original; além evidentemente, do título, os diálogos são dados em forma de aspas e não de travessão. A perduração da forma anglófona de indicar diálogo deixou a história bem mais fluida – embora eu tenha lido poucos livros com esse formato eu gostei bastante, estou pensando até em aplicar a técnica ao meu livro. Ainda sobre os diálogos, é interessante notar como a autora consegue deixá-los profundos interessantes. As comparações feitas também são bem criativas e gostosas de ler, nos deixando com aquela sensação boa de estar lendo algo único; a comparação que achei mais inovadora e interessante foi: “… nossa conversa fluía com a facilidade de um xarope quentinho.”

“Será que ele sabia o que era amor? A propósito, será que eu sabia? Até mesmo os meus pais pareciam não saber. Cruzei os braços atrás da minha cabeça, como se fossem um travesseiro. Talvez não houvesse nenhuma forma de definir o sentimento. Talvez houvesse tantos tons de amor quanto existissem tons de azul no céu.

Já no início nos são apresentadas 3 mecanismos que irão nos ajudar a entender a obra e serão os responsáveis em ir nos preparando para cada desenrolar da história. Esses mecanismos fazem com que a gente comece a tecer teses e suposições sobre cada acontecimento, sendo-nos possibilitado assim, ir fazendo as devidas conexões e juntando uma peça com a outra. Com a habilidade de quem tece uma rede de pesca, Mary E. Person vai nos dando mais linha, nos prendendo em sua história, nos dando pistas para que nós mesmo possamos construir o que virá a seguir. E 0 final desse caprichoso trabalho de artesã, você já pode desconfiar, estamos tão imóveis em sua trama que não podemos mais largar, não podemos mais abnegar de respostas. Dessa forma, a leitura pode ir facilmente da noite até o raiar do dia, e daí até a tarde, num afã infindável por saber o que virá a seguir. Para isso, nossa lã é denominada como “Os Últimos Testemunhos de Gaudrel”,”Livro dos Textos Sagrados de Morrighan” e “Canção de Venda” e nossa roca de fiar como o mapa do reino, por fim temos nossa própria linha, onde, com a ajuda de Mary podemos fazer a história, juntamente com os personagens.Resenha literária e crítica The Kiss of Deception - Mary E. Pearson - Força e Tradição

  • Agora, deixa eu comentar um SPOILER? Preciso contar minhas ideias a respeito do livro 2!

Se você já leu o livro, quero que se atente para minhas suposições e me diga se chegou ao mesmo lugar que eu, se usou a sua linha como eu usei ;) Percebi que há uma conexão entre “Os Últimos Testemunhos de Gaudrel” e “Canção de Venda” isso porquê eu percebi que Lia *Jezelia* é descendente direta de Morrighan “Dos quadris de Morrighan…” esse trecho foi retirado da “Canção de Venda”, as histórias contadas pela mulher ensandecida de um rei. Também notei que Gaudrel é a mãe de Morrighan ou no mínimo a responsável por criá-la: “Que todos saibram:/ Eles a roubaram,/A minha pequena./Ela tentou me alcançar, gritando,/Ama./Ela é uma jovem mulher agora,/E esta velha não os conseguiu parar,/ Que os deuses e as gerações saibam,/Que eles roubaram da Remanescente./Herik, o ladrão, ele roubou a minha Morrighan,/E depois a vendeu por um saco de grãos,/Para Aldrid, o abutre.” 

A partir desse poema é possível conectar com os versos: “Venha, minha criança. Está na hora de partir./Antes que venham os abutres./As coisas que duram. As coisas que permanecem. As coisas que não me atrevo a dizer a ela./Contarei mais a você enquanto caminhamos. Sobre outrora./Era uma vez…” 

Mas então minha teoria cai por terra, já que no começo do verso anterior (que eu não coloquei inteiro) há uma parte, um detalhe, que me passara despercebido:

“Fim da jornada. A promessa. A esperança” e ainda “Busco em minhas memórias. Um sonho. Uma história. Uma lembrança indistinta./Eu era menor do que você, criança” Esses dois trechos assomado ao último: “Era uma vez, minha criança, uma princesa que não era maior que você. Ela tinha o mundo ao alcance de seus dedos. Ela ordenava, e a luz obedecia…” Com todos esses trechos em mente é possível ver por outro ângulo, talvez Gaudrel não seja a cuidadora de Morrighan pois “eu não era maior que você” e ela não esteja contando essa história para Morrighan mas sim para qualquer outra criança. Mas porque então o poema e a garotinha teriam tamanho destaque? Você também conseguiu pensar nessas hipóteses de conexão entre as lendas? E quanto aos “Textos Sagrados de Morrighan” você notou que eles contam a história antes dos deuses castigarem os que povoavam a Terra?Resenha literária e crítica The Kiss of Deception - Mary E. Pearson - Força e Tradição


Esse foi o meu primeiro livro da editora DarkSide e eu já fiquei encantada. Todo cuidado e capricho com a obra a deixam com o valor estético que ela merece. Gostei bastante da capa fosca com as letras em relevo e fiquei bem contente em descobrir, assim que abri o livro, que eu ainda havia ganhado um marca páginas da obra e um pôster. Outra coisa que gostei bastante foi o mapa, como eu disse ele é um instrumento importante para a fluidez da história e para conferência da distância e aparência dos reinos – como eu disse, ele é minha roca de fiar. As margens são grandes e deixam a leitura mais confortável – assim como as folhas amareladinhas. Também fiquei encantada com a lettering e os adornos do número da página e do começo de cada “capítulo”. As páginas pretas do começo e do fim – apresentando o título, mostrando o símbolo da editora (a caveira) e no final, com os agradecimentos da autora e uma breve biografia desta – são um charme a mais. Essa editora está me conquistando cada vez mais, no começo eu achava que eles editariam apenas livros de terror (algo que eu fujo um pouquinho), mas depois que descobri The Kiss of Deception (que inicialmente eu me sentia atraída pela capa mas fugia por pensar que era terror) já virei fã de carteirinha! Não que eu não goste de terror, mas eu tenho um sincero medo do terror moderno hehehe. Já tenho uma lista de obras da editora (que eu estou babando); como Edgar Allan Poe – Medo Clássico (cêis sabem que eu amo Poe né? Quase escolhi inglês na habilitação só por ele hehehe), “Frankenstein, ou o Prometeu Moderno”, “Menina Má”, “Em Algum Lugar nas Estrelas”, “A Noiva Fantasma”, “A Menina Submersa”, “O Circo Mecânico”, “Labirinto” (siiim, do filme!) e “Os Pássaros” sim, eu gosto de suspense  :mrgreen:

E você? Qual seu queridinho da editora? O que achou da resenha? Já leu ou ficou com aquela vontade mágica de ler o livro? Conta pra mim nos comentários! Eu leio tudo com muito amor ♥Resenha literária e crítica The Kiss of Deception - Mary E. Pearson - Força e Tradição

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Literatura

Resenha “Madame Bovary” | Feminismo e Psicologia

16.01.17
Resenha Crítica Madame Bovary de Gustave Flaubert. Pioneiro da escola literária romantismo, importante obra para a literatura mundial.
Livro: Madame Bovary
Série: -
Autor(a): Gustave Flaubert
Editora: Martin Claret
Genero: Romance Realista
Páginas: 397
Classificacao:
Sinopse: “Texto de suma importância, “Madame Bovary” é uma leitura essencial, sendo considerado um dos melhores romances da literatura, sendo, provavelmente, o melhor dos livros do romance realista de caráter psicológico do século XIX. Para mostrar seu mundo, Flaubert põe em cena uma personagem em total desacordo com sua realidade, com sua posição social e com seu sexo. É nessa personagem que se centrarão as ações desenvolvidas na narrativa e os principais dilemas da obra.”

Com um tema tão forte e polêmico, o livro é atormentador em qualquer época ainda mais em 1857, quando a sociedade e a religião oprimiam e sufocavam as mulheres. Considerado o pioneiro entre os romances realistas e famoso pela sua originalidade, gerou posteriormente o termo psicológico “bovarismo” em referência ao comportamento da protagonista. Foi impossível não recordar da obra “Primo Basílio” de Eça de Queirós, principalmente nas cenas de luxúria entre Emma e Léon e  na descrição sobre toda a decoração do quarto, sobre o Champagne que tomavam e os queijos que comiam. Pelo teor de sua obra e pelas críticas ao clero e à burguesia, Gustave Flaubert foi condenado pela Sexta Corte Correcional do Tribunal de Sena e se esquivou das acusações com a célebre alegação “Emma Bovary c’est moi” (Emma Bovary sou eu), ao fim, o autor foi absolvido porém continuou a ser acusado de ofensa moral à religião e aos bons costumes pelos críticos literários puritanos da época. O traço da escola Realismo (inaugurada pela obra) é interessante, principalmente ao ter como personagem principal uma mulher romântica. Apesar do adultério, Emma é inteiramente uma personagem romântica, e como no realismo é costume criticar a escola anterior, é de se imaginar que a personagem teria um fim trágico – uma quase conversa com os costumeiros fins do Romantismo, em que, ou os amantes morriam ou se convertiam para o celibato. O aspecto sombrio e “corrompido” de Emma, anteciparam por quase um século o movimento feminista e libertário de emancipação da mulher. Dessa forma, a obra preparou o terreno para o que seriam os ideais da luta pela igualdade de direitos civis e da ascensão da mulher ao mercado de trabalho – propostas que iam muito além do radicalismo proposto por  Glória Stein, o da “queima de sutiãs”. É interessante notar que a anti-heroína de Flaubert foi criada à imagem de um fato real ocorrido no sul da França.  Segundo a biografia do autor, Alfred Le Pottevin foi um importante personagem em sua vida, o filósofo compartilhava das atitudes negativas do jovem autor e foi o responsável por fazê-lo se aprofundar em seus sentimentos sombrios. Assomado à esse fato, a morte precoce do pai, a epilepsia e a influência de autores marcados pela melancolia como Lord Byron e Rousseau, formaram a psique de Falubert – um homem antissocial e introspectivo.

“Felicidade, paixão e embriaguez não faziam, como já destacamos anteriormente, parte do repertório feminino daquele tempo. Prazer e satisfação sexual definitivamente não eram coisas de “moças de família”. Os estereótipos femininos são construídos sob a base do coração, centro de toda a vida da mulher, e que a psicanálise viria mais tarde, a definir e a reduzir pelo útero. Basta ver que o termo histeria, vem etimologicamente do grego hustéra, cujo significado é útero. O termo passa então a ser adotado para designar distúrbios de origem mental que afligem as mulheres: sua condição feminina é, para a Ciência, positivamente patológica.” – Haroldo Cesar Michiles,  2012

Atenção, essa crítica contem spoilers, então se você não conhece a obra e não gosta de saber alguns detalhes, melhor pular essa parte :wink:



Resenha Crítica Madame Bovary de Gustave Flaubert. Pioneiro da escola literária romantismo, importante obra para a literatura mundial.

Acredito ser impossível se manter imune aos encantos e pensamentos de Emma, por essa maneira, achei apropriado fazer muito mais que uma resenha, mas comentar os pontos mais chamativos da obra. Também porquê durante toda a sua leitura não consegui passar um dia sem que me envergonhasse por Charles ou odiasse as extravagâncias de Madame – ou talvez porque, agora depois de tê-lo terminado, é impossível não comentar algumas partes. Portanto se você ainda não conhece o livro e não gosta de spoilers, pare por aqui, mas se já conhece essa obra prima, pode continuar e depois me conte quais foram as suas impressões sobre nossos personagens. O livro é dividido em 3 partes, uma para cada amante de Emma, o primeiro pelo Visconde (o inicial traço de seus sentimentos de adultério se acumulam nessa figura), o segundo inicialmente por Léon e finalmente por Rodolphe e o terceiro inteiramente por seu amor com Léon.

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