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Literatura

“The Kiss of Deception” – Mary E. Pearson | Força e Tradição

02.02.17

Resenha literária e crítica The Kiss of Deception - Mary E. Pearson - Força e TradiçãoSabe aquele livro que te invade e te consome? The Kiss of Deception fez isso comigo, e é por isso que hoje se faz necessária essa resenha crítica. Sobre amor, guerra, reinos distantes, tradição e aventuras; vem descobrir porquê essa obra não pode faltar na sua estante!

Livro: The Kiss of Deception
Série: Crônicas de Amor e Ódio
Autor(a): Mary E. Pearson
Editora: Dark Side
Genero: Fantasia
Páginas: 416
Classificacao:
Sinopse: Tudo parecia perfeito, um verdadeiro conto de fadas – menos para a protagonista dessa história. Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro?

Vocês já sabem que eu amo princesas – mas estava acostumada às princesas da Disney – então quando me apresentaram à princesa Lia eu já fiquei empolgada, é a segunda princesa empoderada que conheci esse ano (a primeira foi a Moana) e ela não deixou de me surpreender.

Aquele era o dia em que mil sonhos morreriam e um único sonho nasceria – Princesa Lia

A história já começa no meio de uma cena, sendo narrada pela protagonista, Lia. Por não contextualizar todo o mundo anteriormente – mas começar imerso no universo da obra – o livro nos faz mergulhar num mundo totalmente novo, e sem nenhuma expectativa de regresso. Mary nos faz adentrar seu mundo e questionar nossa própria mentalidade – conforme nos vai apresentando a cultura que ela mesma criou. A primeira cena já expõe uma tradição marcante da nossa sociedade: o casamento. E já mostra de cara, as adversidades e opiniões divergentes sobre ele. Nessa organização, o casamento da Primeira Filha do reino é baseado em negociações que beneficiem ambos lados – no caso, que una reinos amigos para que juntos possam lutar contra os bárbaros. Como já era de se esperar, nossa heroína não ficou nada satisfeita com isso, principalmente por terem tomado dela seu poder de voz e de escolha – essa é uma questão que acompanha todo o percurso desse herói, a divergência entre suas vontades e suas obrigações, entre sua vida e a dos outros, entre suas escolhas e as escolhas alheias. Parece que Lia está sempre atrás, sempre tentando conduzir sua vida, sempre tentando escolher, tentando resgatar para si a independência que lhe foi tirada desde muito cedo. Além do casamento, outras questões parecem ser tratadas com muito mais leveza do que nós costumamos tratar; por exemplo, a maternidade precoce (17 anos) é tratada com naturalidade, o que é perfeitamente normal tendo em vista a organização social e *quase* tradicional, em que as mulheres são responsáveis por afazeres mais domésticos (principalmente entre a realeza já que na plebe costumam todos trabalharem, inclusive as mulheres). Outro assunto mencionado sem grande alarde – e apontando para o avanço na sociedade dos reinos – é sobre o sexo antes do casamento (em nossa organização judaico-cristã, é considerado ainda algo estranho para os antigos) e nos fazendo refletir os contrastes ante o que vivemos e o que foi criado por Mary, ou seja, a tradição considerada conservadora dos reinos em contraste com o que nós consideramos conservador.

Esse contraste de valores também é algo que me chamou atenção. Em certo momento o adultério é mencionado como uma opção corriqueira – já que na lógica da realeza o casamento serve apenas para diplomacia e procriação. Em contrapartida, há muitos outros valores bem quistos por eles, e que também nós consideramos louváveis. Exemplo disso é a religião e os suas práticas devocionais; em nãos raros momentos, os deuses são apresentados como uma força poderosa que pode alterar o curso de nossas vidas. Interessante notar que toda a crença desse povo surgiu depois de um renascimento da humanidade, em que os poucos Remanescentes escolhidos e aptos foram dando luz aos povos da atualidade. É ai que entra uma qualidade peculiar e cercada de mistérios: o dom. O dom teria sido conquistado com a jornada dos Remanescentes pela terra devastada – que teriam sido ainda, comandados e ajudados pela jovem Morrighan – e passados por gerações de Primeiras Filhas do reino de Morrighan, um poder que permite que a portadora veja e sinta antes que todos, e que de acordo com a lenda, teria sido a principal fonte de conhecimento da jovem Morrighan no auxílio aos Remanescentes.

“Eristle me ajudou a aprender a ouvir, a me fechar para o ruído até mesmo quando os céus tremiam com o trovão, até mesmo quando meu coração tremia de medo, até mesmo quando os ruídos das coisas do dia a dia enchiam minha cabeça. Ela me ajudou a aprender a ficar em silência e ouvir o que o mundo queria compartilhar. Ela me ajudou a aprender a ficar imóvel e a saber. Deixe-me ver se consigo ajudar você”

Para se livrar do casamento, Lia planeja uma fuga com sua amiga e servente Pauline. Levando poucos pertences, vestida com um tradicional vestido de casamento e portando um kavah nas costas, Lia parte com sua fiel escudeira rumo à Terravin, um vilarejo litorâneo não muito distante de Morrighan – onde as casas são coloridas e o povo é trabalhador, onde as esposas esperam ansiosas por seus maridos que se entregaram às fúrias do mar para pescar. Depois de uma exaustiva viagem, em que a dupla tentar cobrir seus rastros para que não sejam seguidas, elas finalmente chegam ao destino, o vilarejo em que Pauline cresceu e onde pretende construir uma vida ao lado da amiga e do namorado que está lutando pelo rei, pai de Lia. Em Terravin, Lia abnega-se de todos os tratamentos reais e busca ao máximo se misturar e ser considerada alguém “comum”. Mostrando sua essência, ela finalmente fará o que é sente vontade e começa a trabalhar como garçonete na taverna de Berdi, a mulher responsável por ter criado Pauline.Resenha literária e crítica The Kiss of Deception - Mary E. Pearson - Força e TradiçãoO príncipe, deixado para trás é obrigado a partir em busca de sua noiva – assim como um assassino mandado para capturar e matar Lia. Como ambos tem nomes muito próximos e características físicas bem parecidas, eu fiquei um pouco perdida decidindo quem era quem – obtendo quase a mesma sensação tida por Lia, ela mesma não sabia qual dos jovens estonteantes seria o responsável por tirar sua vida e nem mesmo desconfiava de tal fato. Por esse motivo eu fiquei até a página 267 (praticamente o meio do livro) imaginando que, quando ela falava com um dos jovens ela falava com o Assassino, sendo que na verdade ela estava falando com o Príncipe – e vice versa. Por isso, depois de desfeito o embaralho dos dois eu resolvi anotar o nome de cada um seguido de sua qualificação – e usei para consulta sempre que um deles era mencionado, pelo menos até que eu pudesse associar o nome à pessoa correta sem mais precisar de ajuda.

Fiquei muito satisfeita e encantada com a narração. Ela é feita inicialmente apenas por Lia e depois é dividida entre o Assassino e o Príncipe – e eventualmente passada para outra personagem. Também gostei de terem mantido alguns aspectos da obra original; além evidentemente, do título, os diálogos são dados em forma de aspas e não de travessão. A perduração da forma anglófona de indicar diálogo deixou a história bem mais fluida – embora eu tenha lido poucos livros com esse formato eu gostei bastante, estou pensando até em aplicar a técnica ao meu livro. Ainda sobre os diálogos, é interessante notar como a autora consegue deixá-los profundos interessantes. As comparações feitas também são bem criativas e gostosas de ler, nos deixando com aquela sensação boa de estar lendo algo único; a comparação que achei mais inovadora e interessante foi: “… nossa conversa fluía com a facilidade de um xarope quentinho.”

“Será que ele sabia o que era amor? A propósito, será que eu sabia? Até mesmo os meus pais pareciam não saber. Cruzei os braços atrás da minha cabeça, como se fossem um travesseiro. Talvez não houvesse nenhuma forma de definir o sentimento. Talvez houvesse tantos tons de amor quanto existissem tons de azul no céu.

Já no início nos são apresentadas 3 mecanismos que irão nos ajudar a entender a obra e serão os responsáveis em ir nos preparando para cada desenrolar da história. Esses mecanismos fazem com que a gente comece a tecer teses e suposições sobre cada acontecimento, sendo-nos possibilitado assim, ir fazendo as devidas conexões e juntando uma peça com a outra. Com a habilidade de quem tece uma rede de pesca, Mary E. Person vai nos dando mais linha, nos prendendo em sua história, nos dando pistas para que nós mesmo possamos construir o que virá a seguir. E 0 final desse caprichoso trabalho de artesã, você já pode desconfiar, estamos tão imóveis em sua trama que não podemos mais largar, não podemos mais abnegar de respostas. Dessa forma, a leitura pode ir facilmente da noite até o raiar do dia, e daí até a tarde, num afã infindável por saber o que virá a seguir. Para isso, nossa lã é denominada como “Os Últimos Testemunhos de Gaudrel”,”Livro dos Textos Sagrados de Morrighan” e “Canção de Venda” e nossa roca de fiar como o mapa do reino, por fim temos nossa própria linha, onde, com a ajuda de Mary podemos fazer a história, juntamente com os personagens.Resenha literária e crítica The Kiss of Deception - Mary E. Pearson - Força e Tradição

  • Agora, deixa eu comentar um SPOILER? Preciso contar minhas ideias a respeito do livro 2!

Se você já leu o livro, quero que se atente para minhas suposições e me diga se chegou ao mesmo lugar que eu, se usou a sua linha como eu usei ;) Percebi que há uma conexão entre “Os Últimos Testemunhos de Gaudrel” e “Canção de Venda” isso porquê eu percebi que Lia *Jezelia* é descendente direta de Morrighan “Dos quadris de Morrighan…” esse trecho foi retirado da “Canção de Venda”, as histórias contadas pela mulher ensandecida de um rei. Também notei que Gaudrel é a mãe de Morrighan ou no mínimo a responsável por criá-la: “Que todos saibram:/ Eles a roubaram,/A minha pequena./Ela tentou me alcançar, gritando,/Ama./Ela é uma jovem mulher agora,/E esta velha não os conseguiu parar,/ Que os deuses e as gerações saibam,/Que eles roubaram da Remanescente./Herik, o ladrão, ele roubou a minha Morrighan,/E depois a vendeu por um saco de grãos,/Para Aldrid, o abutre.” 

A partir desse poema é possível conectar com os versos: “Venha, minha criança. Está na hora de partir./Antes que venham os abutres./As coisas que duram. As coisas que permanecem. As coisas que não me atrevo a dizer a ela./Contarei mais a você enquanto caminhamos. Sobre outrora./Era uma vez…” 

Mas então minha teoria cai por terra, já que no começo do verso anterior (que eu não coloquei inteiro) há uma parte, um detalhe, que me passara despercebido:

“Fim da jornada. A promessa. A esperança” e ainda “Busco em minhas memórias. Um sonho. Uma história. Uma lembrança indistinta./Eu era menor do que você, criança” Esses dois trechos assomado ao último: “Era uma vez, minha criança, uma princesa que não era maior que você. Ela tinha o mundo ao alcance de seus dedos. Ela ordenava, e a luz obedecia…” Com todos esses trechos em mente é possível ver por outro ângulo, talvez Gaudrel não seja a cuidadora de Morrighan pois “eu não era maior que você” e ela não esteja contando essa história para Morrighan mas sim para qualquer outra criança. Mas porque então o poema e a garotinha teriam tamanho destaque? Você também conseguiu pensar nessas hipóteses de conexão entre as lendas? E quanto aos “Textos Sagrados de Morrighan” você notou que eles contam a história antes dos deuses castigarem os que povoavam a Terra?Resenha literária e crítica The Kiss of Deception - Mary E. Pearson - Força e Tradição


Esse foi o meu primeiro livro da editora DarkSide e eu já fiquei encantada. Todo cuidado e capricho com a obra a deixam com o valor estético que ela merece. Gostei bastante da capa fosca com as letras em relevo e fiquei bem contente em descobrir, assim que abri o livro, que eu ainda havia ganhado um marca páginas da obra e um pôster. Outra coisa que gostei bastante foi o mapa, como eu disse ele é um instrumento importante para a fluidez da história e para conferência da distância e aparência dos reinos – como eu disse, ele é minha roca de fiar. As margens são grandes e deixam a leitura mais confortável – assim como as folhas amareladinhas. Também fiquei encantada com a lettering e os adornos do número da página e do começo de cada “capítulo”. As páginas pretas do começo e do fim – apresentando o título, mostrando o símbolo da editora (a caveira) e no final, com os agradecimentos da autora e uma breve biografia desta – são um charme a mais. Essa editora está me conquistando cada vez mais, no começo eu achava que eles editariam apenas livros de terror (algo que eu fujo um pouquinho), mas depois que descobri The Kiss of Deception (que inicialmente eu me sentia atraída pela capa mas fugia por pensar que era terror) já virei fã de carteirinha! Não que eu não goste de terror, mas eu tenho um sincero medo do terror moderno hehehe. Já tenho uma lista de obras da editora (que eu estou babando); como Edgar Allan Poe – Medo Clássico (cêis sabem que eu amo Poe né? Quase escolhi inglês na habilitação só por ele hehehe), “Frankenstein, ou o Prometeu Moderno”, “Menina Má”, “Em Algum Lugar nas Estrelas”, “A Noiva Fantasma”, “A Menina Submersa”, “O Circo Mecânico”, “Labirinto” (siiim, do filme!) e “Os Pássaros” sim, eu gosto de suspense  :mrgreen:

E você? Qual seu queridinho da editora? O que achou da resenha? Já leu ou ficou com aquela vontade mágica de ler o livro? Conta pra mim nos comentários! Eu leio tudo com muito amor ♥Resenha literária e crítica The Kiss of Deception - Mary E. Pearson - Força e Tradição

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Literatura

Resenha “Madame Bovary” | Feminismo e Psicologia

16.01.17
Resenha Crítica Madame Bovary de Gustave Flaubert. Pioneiro da escola literária romantismo, importante obra para a literatura mundial.
Livro: Madame Bovary
Série: -
Autor(a): Gustave Flaubert
Editora: Martin Claret
Genero: Romance Realista
Páginas: 397
Classificacao:
Sinopse: “Texto de suma importância, “Madame Bovary” é uma leitura essencial, sendo considerado um dos melhores romances da literatura, sendo, provavelmente, o melhor dos livros do romance realista de caráter psicológico do século XIX. Para mostrar seu mundo, Flaubert põe em cena uma personagem em total desacordo com sua realidade, com sua posição social e com seu sexo. É nessa personagem que se centrarão as ações desenvolvidas na narrativa e os principais dilemas da obra.”

Com um tema tão forte e polêmico, o livro é atormentador em qualquer época ainda mais em 1857, quando a sociedade e a religião oprimiam e sufocavam as mulheres. Considerado o pioneiro entre os romances realistas e famoso pela sua originalidade, gerou posteriormente o termo psicológico “bovarismo” em referência ao comportamento da protagonista. Foi impossível não recordar da obra “Primo Basílio” de Eça de Queirós, principalmente nas cenas de luxúria entre Emma e Léon e  na descrição sobre toda a decoração do quarto, sobre o Champagne que tomavam e os queijos que comiam. Pelo teor de sua obra e pelas críticas ao clero e à burguesia, Gustave Flaubert foi condenado pela Sexta Corte Correcional do Tribunal de Sena e se esquivou das acusações com a célebre alegação “Emma Bovary c’est moi” (Emma Bovary sou eu), ao fim, o autor foi absolvido porém continuou a ser acusado de ofensa moral à religião e aos bons costumes pelos críticos literários puritanos da época. O traço da escola Realismo (inaugurada pela obra) é interessante, principalmente ao ter como personagem principal uma mulher romântica. Apesar do adultério, Emma é inteiramente uma personagem romântica, e como no realismo é costume criticar a escola anterior, é de se imaginar que a personagem teria um fim trágico – uma quase conversa com os costumeiros fins do Romantismo, em que, ou os amantes morriam ou se convertiam para o celibato. O aspecto sombrio e “corrompido” de Emma, anteciparam por quase um século o movimento feminista e libertário de emancipação da mulher. Dessa forma, a obra preparou o terreno para o que seriam os ideais da luta pela igualdade de direitos civis e da ascensão da mulher ao mercado de trabalho – propostas que iam muito além do radicalismo proposto por  Glória Stein, o da “queima de sutiãs”. É interessante notar que a anti-heroína de Flaubert foi criada à imagem de um fato real ocorrido no sul da França.  Segundo a biografia do autor, Alfred Le Pottevin foi um importante personagem em sua vida, o filósofo compartilhava das atitudes negativas do jovem autor e foi o responsável por fazê-lo se aprofundar em seus sentimentos sombrios. Assomado à esse fato, a morte precoce do pai, a epilepsia e a influência de autores marcados pela melancolia como Lord Byron e Rousseau, formaram a psique de Falubert – um homem antissocial e introspectivo.

“Felicidade, paixão e embriaguez não faziam, como já destacamos anteriormente, parte do repertório feminino daquele tempo. Prazer e satisfação sexual definitivamente não eram coisas de “moças de família”. Os estereótipos femininos são construídos sob a base do coração, centro de toda a vida da mulher, e que a psicanálise viria mais tarde, a definir e a reduzir pelo útero. Basta ver que o termo histeria, vem etimologicamente do grego hustéra, cujo significado é útero. O termo passa então a ser adotado para designar distúrbios de origem mental que afligem as mulheres: sua condição feminina é, para a Ciência, positivamente patológica.” – Haroldo Cesar Michiles,  2012

Atenção, essa crítica contem spoilers, então se você não conhece a obra e não gosta de saber alguns detalhes, melhor pular essa parte :wink:



Resenha Crítica Madame Bovary de Gustave Flaubert. Pioneiro da escola literária romantismo, importante obra para a literatura mundial.

Acredito ser impossível se manter imune aos encantos e pensamentos de Emma, por essa maneira, achei apropriado fazer muito mais que uma resenha, mas comentar os pontos mais chamativos da obra. Também porquê durante toda a sua leitura não consegui passar um dia sem que me envergonhasse por Charles ou odiasse as extravagâncias de Madame – ou talvez porque, agora depois de tê-lo terminado, é impossível não comentar algumas partes. Portanto se você ainda não conhece o livro e não gosta de spoilers, pare por aqui, mas se já conhece essa obra prima, pode continuar e depois me conte quais foram as suas impressões sobre nossos personagens. O livro é dividido em 3 partes, uma para cada amante de Emma, o primeiro pelo Visconde (o inicial traço de seus sentimentos de adultério se acumulam nessa figura), o segundo inicialmente por Léon e finalmente por Rodolphe e o terceiro inteiramente por seu amor com Léon.

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Literatura

Livros imperdíveis da Cosac & Naify disponíveis na Amazon

05.01.17
Livros imperdíveis da editora extinta Cosac & Naify ainda disponíveis na Amazon. Uma seleção incrível de livros de literatura, de nomes como, Murilo Mendes, Dino Buzzati, Virginia Woolf, Moby Dick entre muitos outros. As melhores edições, as melhores traduções (da língua original para o português) em acabamentos maravilhosos e impecáveis.

Fundada em 1997 por Charles Cosac e seu cunhado Michael Naify, a decisão de criar uma editora nasceu com o propósito de divulgar a produção artística brasileira. A primeira obra publicada foi Barrocos de lírio, do artista pernambucano Tunga, e exemplifica os projetos gráficos arrojados que transformariam os livros da Cosac Naify em artigos de luxo. O livro era composto por dez tipos de papel e mais de 200 ilustrações. Uma delas, a fotografia de uma trança, chegava a um metro de comprimento quando desdobrada. As edições elaboradas e caprichadas juntamente à traduções de excelente qualidade – geralmente traduzidas diretamente da língua original para o português – fizeram dos livros da Cosac verdadeiras obras de arte. Em 1999 Augusto Massi – professor de literatura da Universidade de São Paulo assumiu a direção da editora e começou a diversificar seu catálogo de livros, que passou a publicar literatura, antropologia, cinema e até livros infanto-juvenis. Massi investiu na edição luxuosa de clássicos da literatura que já estavam em domínio público, como as obras de Liev Tolstói, uma manobra que visava trazer dinheiro para o caixa da editora, que sempre foi deficitária. Tempos depois Massi deixou a editora depois de uma discussão com o fundador. Cosac afirmou que o fim da editora não é resultado da crise econômica. “Não estou culpando ninguém, nem a Dilma, nem a alta do dólar”, disse. A decisão de colocar um ponto final na história da Cosac Naify se deu por acreditar que a editora estava cada vez mais distante de sua missão original e perdia sua identidade. “Ao meu ver, uma editora deve existir exclusivamente para alimentar um projeto cultural e quando eu senti o projeto Cosac Naify ameaçado, eu julguei que seria o momento correto para cessarmos nossas atividades”, escreveu em carta publicada no blog da editora. Alguns livros que estavam impossibilitados de serem vendidos devido à questões legais – quando o autor vende os direitos de publicação para outra editora, a anterior não pode mais comercializá-los – e por isso foram destinados à destruição. Outros – a grande maioria- foi comprado por uma editora criada pelor funcionários da Cosac & Naify, outros, foram comprados pela Amazon. Infelizmente, títulos maravilhosos já estão esgotados, mas ainda restam tantos outros títulos incríveis esperando para serem comprados – e são esses que eu organizei neste post.


  • MEUS FAVORITOS

Poema em Quadeditar17rinhos – Dino Buzzati

R$ 23,90

A Cosac Naify, que já publicou artistas clássicos do cartum como Sempé, Shel Silverstein e Charles M. Schulz, além de ilustrações de quadrinistas renomados como Jan Limpens e Guazzelli, lança seu primeiro título de quadrinhos para adultos: Poema em quadrinhos, do escritor e artista plástico italiano Dino Buzzati (1906-1972), autor do romance O deserto dos tártaros. Escrito na década de 1960, o livro reconta o antigo mito de Orfeu e Eurídice, em uma fusão entre literatura experimental e imagens surrealistas, expressionistas e pop.

Na versão de Buzzati, ambientada em Milão, um cantor pop chamado Orfi fa
z o luto de sua amada, Eura, e a segue no pós-vida. Para o ensaísta Claudio Toscani, “Poema em quadrinhos (…) se apresenta como um rápido inventário de ‘baixezas’ e de ‘nobrezas’, aquelas que se abrigam no coração de todos, do fantástico ao real, ao trivial, e, inversamente, do erótico e do sádico ao ético.”

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