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Wishilist de aniversário e Natal

06.11.16

Como vocês bem sabem, o aniversário dessa pessoinha que vos fala é este mês! E eu fico MUITO empolgada pro meu aniversário, muito mesmo! Eu amo o mês de novembro exatamente por isso, só de pensar que vou passar um dia com todos meus amigos e familiares reunidos eu já fico super contente – nível pulando de alegria. Outra coisa que me deixa super animada é a expectativa de ganhar presentes. Eu tenho que confessar, amo ganhar presentes – na minha família é bem comum a gente se presentear e isso é uma coisa muito importante pra nós. Só de pensar que a pessoa passou um tempo escolhendo o que te dar, o que mais combina com você, o que você iria gostar dá aquela aquecidinha no coração – aquela sensação de “poxa, ela realmente ficou pensando em mim”. Por isso e porquê nunca fiz uma Wishlist antes eu resolvi fazer duas, uma de aniversário e outra de Natal- hehehe privilégios de fazer aniversário perto do final do ano. Mas isso não significa que tem uma ordem no que quero antes ou depois não, foi só pra deixar organizadinho. Bom, sem mais delongas bora ver meus escolhidos?

1
  • 1 Charm Flor Orquídea da Pandora por R$215,00
  • Charm Estrela do Mar da Pandora – Não encontrei o preço pois esgotou no site mas acho que era uns R$215 quando vi na loja física (que graças a Deus ainda tem). É o charm que eu mais quero na vida!♥
  • Charm Cinderella’s Pumpkin Coach da Pandora por $95.00 – eu tô querendo comprar esse charm faz muito tempo, mas vejo o preço e desisto, pelo menos fica registrado em algum lugar – assim eu compro quando tiver coragem rs
  • Charm Poesia das Flores da Pandora por R$ 265,00
  • The Glam Clam Mermaid Dreams da Spectrum por £59.99  – sim, eles enviam para o Brasil! Mas sim, está em falta por enquanto (snif snif), será que até o Natal chega? Ah e sim, esse item tá na lista só pra a gente sonhar mesmo, olhem esse preço que triste!
  • Anel de pizza da Arte Vira Lata por R$ 20,00 – só falta os temperinhos verdes na pizza hehehe
  • Colar de câmera azul Instax da Arte Vira Lata por R$ 30,00 
  • Funko Pop Chapeleiro Maluco da Reino dos Geeks por R$ 109,90
  • Câmera Nikon d 5200 ou qualquer outra super boa, pra eu finalmente gravar vídeos pro YouTube e melhorar minhas fotos (yey!)
  • 10 The Complete Tales and Poems of Edgar Allan Poe da Barnes and Noble por $18.00 – e entrega no Brasil! (eu ouvi um amém?!)
  • 11 Grimm’s Complete Fairy Tales da Barnes and Noble por $18.00 
  • 12 Alice’s Adventures in Wonderland and Other Stories da Barnes and Noble por $18.00
  • 13 Chochet de Cacto com bracinho e olhinhos da Hey LadyBug por R$ 30,00  (a última vez que vi estava este preço, acho que no momento está esgotado, tomara que chegue logo!)
  • 14 Harry Potter Collectible Quidditch na Saraiva Online por R$104,40
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E ai mozãos? Gostaram dos meus escolhidos? Na verdade sei que boa parte desses eu não vou ganhar de jeito nenhum – mas fica pelo menos registrado e organizado (ai meu ascendente em virgem) para eu comprar assim que puder. Estou muito louca para encher minhas pulseiras então sim, foram muitos charms e pingentes (torçam para que eu consiga rs). Algumas coisas como os pincéis da Spectrum são humanamente impossíveis pelo preço, mas pelo menos fica a lembrança desse conjunto lindo pra maquiagem. Outras coisas como a câmera (e um notebook novo) são MUITO necessários mas acho que não vai rolar esse ano também hehe. Enfim, é isso ai, quais items mais gostaram da lista? Eu estou tão animada, tomara que dia 14 chegue rápido – ou não, pra eu poder aproveitar essa emoçãozinha mais um pouco. ♥

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Porque escolhi ser professora.

16.10.16
Porque escolhi ser professora. Post agradecimento aos meus professores, letras usp

Quem me conhece e sabe pelo menos um cadinho da minha vida, sabe também que minha maior motivação em ir às aulas (além de passar na Fuvest) sempre foi pelos professores. Acredito que devo muita gratidão à escola onde estudei a vida inteira, por ter me possibilitado conhecer as pessoas lindas que foram os meus professores (e os funcionários aos quais tenho imensa admiração♥)

Desde que descobri que eu poderia – pro resto da vida – estudar o que eu amava, língua portuguesa, já tratei de descobrir afinal que curso seria esse. E então, quando finalmente soube que era Letras o que eu gostaria de fazer; que era ensinar a minha vocação, quando eu finalmente contei a todos que eu queria ser professora veio inevitavelmente uma nuvem pesada sobre a minha cabeça. Surgiram familiares – até os professores – me dizendo para escolher outra profissão, uma que fosse mais reconhecida, que ganhasse melhor, que eu não precisasse ter tanta paciência (algo que de fato, não tenho muito) e que eu não tivesse que, em algum momento, pensar seriamente em desistir.

Sei das partes tristes pelo que minha tia que é professora me conta, sei por alguns amigos que me relatam e pelas coisas que volta e meia ouvimos na TV. Porém, o que eles não sabem é que eu quero ser professora desde criança, quando colocava minhas cachorrinhas sentadas nas cadeiras – de frente pra lousa – e “ensinava” português e o pouco de matemática que eu sabia. Eles nunca entenderão o que é você se espelhar inteiramente em alguém, por sentir que essa pessoa trabalha como se o que ela faz, nunca fosse chato ou difícil. Por todos os professores que passaram na minha vida – desde o infantil 3 até hoje – por todos que mostraram um trabalho tão incrível e um amor tão verdadeiro pelo que faziam, que nenhuma ofensa iria os atingir, é por vocês que eu escolhi a minha profissão. Acredito que os admiro principalmente por isso, pela coragem de enfrentar pessoas que muitas vezes, pensam que são os donos da razão e que sabem muito – mas sempre esquecem que o mestre está lá na frente, ensinando. Acredito que quero seguir essa carreira, não apenas por alguma espécie de dom – visto que eu tremo que nem uma vara falando em público – mas por aquela energia que  sempre demonstraram ao ensinar. Pela determinação e vontade de explicar quantas vezes fossem possíveis até que entendêssemos. Pelo carinho demonstrado pelos alunos e pela profissão. Pelo sonho e determinação de mudar – um pouquinho de cada vez, aluno por aluno – o mundo.

Lembro-me até hoje de um professor de matemática me explicando o mesmo trajeto da fórmula, quantas vezes fossem necessárias até que eu soubesse fazer sozinha. De uma professora de literatura que se emocionava enquanto escrevia. De um mestre que nos ensinava um pouco de tudo o que sabia e tentava ser além de nosso professor, nosso psicólogo, nosso amigo, nosso colega de sala… Lembro de outra mestra que acordava os alunos cantando e andava pela sala  conversando animadamente com a gente. Na verdade, as melhores lembranças que tenho da minha vida escolar – e bom, da minha vida como um todo – são inteirinha deles. Porque enquanto eles davam aula eu me espelhava, enquanto eles explicavam eu me inspirava e anotava mentalmente cada característica que eu mais gostava em cada um – na esperança de lá na frente, poder ser um pouquinho de cada. Na verdade, eu acredito que sou um pouquinho de cada e que quando, de fato, for professora, terei-os sempre comigo em cada aula, em cada prova, em cada fala, em cara sorriso.

Por isso tudo, eu queria ontem – pois sou atrasada – e hoje e sempre, agradecer pessoalmente cada um. Como isso não é possível queria apenas dizer um muito obrigada. Queria também pedir para que jamais desistam, tem alguém se inspirando em vocês. Que vocês sempre se lembrem o que representam na vida de nós – alunos – que nunca se esqueçam que vamos lembrar de vocês pro resto de nossas vidas. Queria apenas pedir: continuem mudando o mundo. Essa é a única forma de realmente evoluirmos em algo, a única maneira de voltar a acreditar no ser humano é pela educação.

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Quando o adeus é o melhor do “Era uma vez”

29.08.16
QUANDO O ADEUS É O MELHOR DO -ERA UMA VEZ texto autora escritora Samira Oliveira

Hoje o dia todo percebi que não te disse coisas que eu deveria ter dito. Não disse. Bom, talvez tenha dito – usando outras palavras, ou talvez falando entre os dentes, mas disse. Simplesmente porquê, você sabe, eu não consigo não falar o que sinto, não me manifestar. Não posso ficar com a palavra entalada na garganta. E é por isso, e pelo bem de nós dois que eu preciso finalmente me despedir.

Finalmente eu não estou chorando – o que é um milagre, visto que desde que você chegou e me ensinou a chorar eu não parei mais – derramando águas por todas as minhas forte emoções, seja de uma batida no dedinho do pé até o casamento dos meus professores. Não estou chorando, porquê demorei muito para chegar a este consenso entre os meus sentimentos mistos por você – hey, não se assuste, não é o que está pensando.

Hoje mesmo um amigo me disse que temos que fazer com que o infinito caiba no tempo limitado que você tem ao lado de quem ama. Porque se Deus te permitiu que encontrasse aquela pessoa e que você ficasse com ela por aquele determinado período de tempo, poxa, você é um homem de sorte. Se conseguiu encontrar o amor – entre tantas pessoas – e passar um tempo ao lado dele é porque esse tempo deve – Precisa – ser, valorizado. Precisa fazer caber todo um infinito de amor e de sentimentos naquele pequeno tempo limitado. Precisa fazer com que todos o filmes assistidos agarradinhos no sofá – com os pés frios enrolados nas pernas do outro – valham a pena. Tem que fazer com que aquele giro inesperado no meio de alguma loja do Shopping – com um monte de gente olhando feio ou rindo – valha a pena. Fazer com que todo o tempo que gastaram decorando o nome de cada parente distante, guardando a localização exata de cada pintinha no braço do outro, de cada caracol do cabelo, de cada marca de perfume que outro usa – tenha valido a pena. Temos que fazer isso tudo valer a pena. Afinal, essa deveria ser a maior lei de todo relacionamento: vamos fazer valer. Se não for para fazer valer então nem comecem; se não for para chorar sem motivo à noite – imaginando como seria sua vida se Deus o pedisse de volta – então não fique. Se não for para me escrever cartinhas dizendo o quanto você mudou e agora até canta no chuveiro porquê eu trouxe luz à sua vida – então não fique. Se não for para parar a sua vida, e adiar o seu mundo – então…não fique…Não! Não adie o seu mundo por mim! É por esse meu pensamento egoísta que eu tenho medo de nós dois. Tenho medo porquê minhas asas são enormes e as suas são para voar rente ao chão. Tenho medo porque você é fiel com cada célula do seu corpo – e eu não tenho a mesma certeza sobre mim. Você quer a segurança – eu quero o pulo de asa delta. Você quer morar numa mansão – eu quero nós dois fazendo brigadeiro e jogando bola pros nossos cachorros numa casinha de madeira. Você quer o mundo – eu só quero você. Eu sou do mundo, eu tenho mundo – mas eu não tenho você. Eu quero me entregar – você tem medo. Eu te conto até sobre as minhas dúvidas existências, eu abro meu coração, eu desnivelo o que sou, desenrolo meus pensamento, abro e estendo a você cada milímetro da minha essência – porque cada ato meu é um resumo de tudo que eu já passei e vivi – mas você se fecha e não me deixa sequer bater. E nesse jogo todo você não me deixa atingir a sua essência. Você não me mostra o que você é.

Por essa razão eu digo: chega. Sabe quando a Linha Azul se encontra com a Verde nas Estações Ana Rosa e Paraíso? Foi aquele momento – aquele importante momento – em que elas se encontraram. Por isso, se me foi permitido que eu te encontrasse nessa momento, e que nossas linhas se cruzassem. Se nos foi permitido termos um ao outro até esse momento. Não podemos ter medo de dizer adeus. Talvez nossas linhas tenham outros pontos para cumprir, tenham outras vidas para transformar. Talvez, bem talvez você consiga dormir à noite pensando em outra – agarrado à foto de outra. E talvez, bem talvez, algum outro alguém consiga curar meus medos como você curou – e que você rasgará novamente se se for. Talvez alguém me ensine novamente como é ser forte, como é ser bela, como é me sentir linda. Talvez um outro alguém seque minhas lágrimas exatamente como você fez. Talvez outro alguém me abrace forte enquanto eu conto sobre o meu avô sob um céu estrelado. E talvez você finalmente encontre as palavras necessárias para escrever uma música para outra – palavras que você nunca encontrou para mim. Talvez um dia ela também te dê forças para continuar a sonhar – até mais do que eu. Talvez ela entenda o sorriso da sua mãe – mais do que eu. E seja até mais agradável para com o seu irmão. Talvez com ela seus pais digam como gostariam de tê-la em sua família – e ai eu sei , você vai sorrir (dar aquele sorriso que eu tanto amava) e dizer que esse dia está próximo, o dia que vocês serão uma só família. E eu? Eu serei apenas a linha que prosseguiu. Alguém que precisou partir porquê não foi forte o suficiente, porque não lutou o suficiente. Ou apenas porquê foi forte de mais – verdadeiro de mais. E as nossas linhas se encontraram exatamente naquele tempona intensidade daquele momentoque foram o bastante para transformarem a vida dos dois. Talvez, bem talvez um dia eu aprenda que eu também queria morar numa casa grande – e você também gostaria de móveis em madeira. Talvez a gente perceba que as nossas linhas eram para terem continuado – que apenas não seguiram juntas por causa de uma pedra no meio dos trilhos. Então quem sabe, suas asas terão crescido e você terá voltado para aquela cidade. E eu? Bom, você sabe onde eu moro! Afinal fui eu quem quis assim não é mesmo? E os caminhos que tanto deveriam ter se separado – terão finalmente encontrado o caminho de volta.

Precisamos apenas fazer com que o seu caminho e o meu se encontrem eté o fim do trilho Que não sejam talvez o mesmo –mas que sejam parecidos. Que os nossos caminhos possam – quem sabe um dia – se tornar o mesmo. Assim como os meus pensamentos – que se emarranham tanto que eu não sei mais onde começam os sentimentos sobre mim e os sentimentos sobre você . Como eu poderia algum dia sequer tentar separá-los sem arrancar metade da essência do que eu sou? Sem portanto, finalmente alegar um grande arrependimento? – justo eu que julgo que cada ação é um resumo do que sou! Precisamos fazer com que nunca nossas linhas sejam tão diferentes uma das outras para que seja necessário partir. Precisamos – da janelinha do trem – gritar com todo os ar dos nossos pulmões: Adeus! Adeus para que possamos recomeçar. Adeus para que não tenhamos medo do fim – do desconhecido. Para que possamos continuar seja em outra vida, seja em outro trem. Adeus para que sempre nos lembremos de que nossas linhas podem se reencontrar – seja nessa vida, seja em outra. Adeus porquê eu sei exatamente, que meus olhos só vão brilhar quando for você quem me levantar no colo. Adeus pois apenas eu sei o jeito exato de mexer nos seus cabelos – sei exatamente como te fazer se sentir único. Adeus pois o nosso fim chegará apenas quando Deus quiser. Adeus pois quero sempre recomeçar com você. Adeus porque eu não aguento mais chorar – eu não quero você longe mas eu quero que siga o seu caminho. Adeus pois a gente vai se reencontrar.

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Minha experiência com Piercing – Helix

20.07.16
Como cuidar do piercing Hélix. Cuidados, dói, body piercing. DEZOITOEMPONTO.COM

Faz um pouco mais de um mês que fiz os outros furos na orelha – inclusive o do piercing Helix. Entre alguns acertos e outras burradas aprendi muita coisa e achei muito oportuno ensinar a vocês como cuidar dos nossos lindos furinhos e contar um pouco como foi essa primeira experiência. Na orelha esquerda fiz o segundo e o terceiro furo – e o mais querido, o furo Helix na cartilagem. E na orelha direita fiz o segundo, o terceiro e o quarto furo. Esse último pegou um pedacinho da cartilagem mas a maior parte foi na área molinha mesmo.

Sobre a dor

Eu furei todos com aquela arminhasim até o da cartilagem – que pelo que a body piercing me disse depois, nem é mais permitido furar dessa forma, ou seja, todos devem ser furados com aquela agulha (levemente amendrotadora e por isso quis furar com a arminha mesmo – não façam isso tá? Furem com o body piercing).

O segundo furo não doeu quase nada. Mas como foi o primeiro que furei foi aquele susto né. Fui com o Eduardo, e enquanto o enfermeiro preparava e esterilizava as coisas eu olhava fixamente para a tomada e respirava fundo. O lado esquerdo ficou muito bom, mas o direito ficou muito próximo ao brinco do primeiro furo. Para  segundo furo é importante ir furar já tendo um brinco no primeiro furo – um brinco que você use com frequência – para não correr o risco de que os furos fiquem muito próximos e um brinco encoste no outro. Então para o lado direito que ficou torto, tirei o brinco e esperei mais um mês que ele fechasse completamente.

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Quando escrever um diário

17.06.16
Escrevendo um diário.

Essa página em branco me assusta por alguns motivos, entre eles o mais relevante: não estou acostumada a deixá-la intacta. Na verdade, a página em branco me incomoda profundamente – por mais que isso possa parecer bizarro.

Com uns 9 anos ganhei um diário da minha tia, e comecei a me incomodar com suas páginas vazias. Então comecei a escrevê-lo. Ele não foi o único, vieram diários de viagem à praia – ele era verde e repleto de figurinhas – vieram canetas mágicas que prometiam não deixar que outros lessem meus escritos – e com elas vieram a percepção que os demais poderiam ler sim. Claro que eu fazia tudo errado, escrevia até sobre o meu café da manhã e qual rua exata eu morava. Mas só percebo hoje o que aprendi disso tudo, o que apreendi para mim. A lembrança mais forte que tenho sobre isso é de escrever sobre o menino que eu gostava, e, tenho que admitir, meu extinto de escorpião começava a gritar – e lembrar disso não me deixa mais constrangida como antes. Eu falava sobre as pessoas que eu amava e sobre aquelas que eu preferia manter distância; falava o que eu pensava, falava apenas porquê sabia que aquele pedaço de papel não iria me julgar como qualquer outro faria. Falava tudo e escrevia freneticamente – fazendo meus garranchos serem riscos incompreensíveis – escrevia para não desabar; para olhar para todas aquelas coisas e pensar melhor sobre elas – sim sempre refletindo sobre tudo – já que elas estavam escritas. Eu precisava de um local que ouvisse tudo detalhadamente, mas não uma pessoa – hoje em dia eu tenho uma pessoa assim – mas algo que eu pudesse amassar e jogar fora se eu não gostasse mais dos meus segredos – mesmo tendo dúvidas sobre isso, acho que eu sempre os amei e cultivei. Queria algo inanimado e que pudesse carregar todas as minhas palavras mesmo que eu não existisse mais. Queria algo que nunca me questionasse: Por que desistiu de dar um simples selinho em quem você gostava e talvez esperasse por isso? Por que resolveu não comer a cenoura que tinha no almoço? Por que continua achando que o problema é você e não eles? Por que não aceita de vez que não deve tão jovemente sofrer por quem não gosta de você? Aliás, por que se importar?

Ele talvez não tenha me dado todas as respostas, mesmo eu ainda esperando por elas. Talvez ele tenha sido bem mais que uma fuga. Talvez ele não tenha feito diferença nos meus atos – mas com toda a certeza fez diferença na pessoa que eu sou. Ele me fez ver as coisas por outro ângulo e a pensar antes de agir – talvez pensar até mais que o necessário me fazendo fantasiar coisas que nunca iriam acontecer, pelo menos não com quem eu gostaria que acontecesse. Me fez questionar sobre os caminhos que eu tomava e sobre por quem eu buscava viver: por mim ou por aqueles que queriam definir o que eu era? Escrevia, como eu sempre digo: para um desafogar. Para lembrar-me que eu estava íntegra apesar de tudo – no sentindo mais intrínseco da palavra. Era algo que eu necessitava, um amor, um vício, um alívio. Escrever sempre foi algo ao qual eu me dediquei exatamente para viver e, quando eu esqueço deste meu alimento tudo em mim para de funcionar. Muito mais que um combustível para o que sou, mas até mesmo um óleo para as engrenagens disso tudo. Não posso me enganar, escrevo para viver. E foi essa escrita que me salvou de ser o que eu poderia ser; que me mostrou em quem eu me tornava – e por isso pude regredir quando a rota estava errada ou prosseguir decididamente. Por esses motivos eu acredito que você deve escrever um diário, talvez só precise do aconchego das folhas quentes e de uma boa caneta. Não tenha vergonha, nem coloque cadeados. O que você é deve ser exposto à você e talvez a mais ninguém – mais isso quem deve resolver é você. Está na hora de estender seu ser para o entender; ele está a tempos ansioso por isso. Desafogue-se.

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