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Finalmente uma heroína para nos representar: Mulher Maravilha

18.06.17

Representatividade e empoderamento feminino no filme da DC Mulher MaravilhaEu realmente tentei não falar nada sobre Mulher Maravilha – mesmo Eduardo tendo insistido para que eu fizesse uma resenha sobre o filme. Mesmo eu tendo amado e me emocionado com ele. Se você quer uma resenha, vá direto a esta: 7 Clichês e Estereótipos Subvertidos em Mulher-Maravilha (e outros 4 que nem tanto assim) pois neste post eu pretendo apenas contar tudo o que senti com o filme – e quem sabe você não se identifica também?

Contém Spoilers!

Se você não é muito nova com certeza esbarrou em uma tia, mãe ou avó dizendo algo como: herói é coisa de menino, essa violência, esses murros, não é pra menina. Menina tem que ser delicadinha! Por esse motivo eu sempre estive muito  meio longe de heróis, e só fui me aproximar um pouco mais por causa do Du (meu namorado) – e isso é extremamente lamentável. A divisão entre “coisas de menina” e “coisas de menino” era tão profundamente fincada nas crianças – e portanto em nós, atualmente – que eu mesma, as vezes me vejo sem saber como reagir, como ensinar minha priminha de 3 anos, o fato de que é perfeitamente comum ela querer um carrinho. E vejo com muita emoção, minha avó sem ofertar uma daquelas respostas que eu sempre ouvi, sem cortar a vontade da minha prima em brincar de futebol. Nessas pequenas coisinhas entre a educação que eu recebi e a que minha priminha está recebendo, que eu fico feliz, orgulhosa e esperançosa, de que as mulheres vão ganhando cada vez mais espaço e igualdade – dia após dia.

No filme, sem dúvidas, a minha cena preferida foi quando Diana atravessou um campo de batalha – que os homens não tinham conseguido avançar nem poucos metros em 1 ano – e deu cobertura para que os outros homens passassem. Aquela cena, encheu meus olhos de lágrimas e meu coração de esperança. Senti aquela pontada no peito, aquela vozinha dizendo – você está sendo representada, a sua força está sendo reconhecida. Porquê mesmo que nós, mulheres comuns não tenhamos poderes sobrenaturais como os de Diana e nem sejamos deusas como ela; nós temos, a força mágica da vida, do sentimento, do poder, da magia e da fortaleza. Temos sim, um poder enorme dentro de nós e muito mais do que a divindade de Diana, seu poder se deve sobretudo à sua feminilidade – sim, ao seu eu feminino, e eu vou sim, gritar pra quem quiser ouvir que ela é poderosa justamente por ser mulher, por buscar justiça, por ter bondade, por ter dentro de si verdades tão honrosas!

Se tem uma forma de reconhecer fielmente o que o feminismo busca, essa forma é observando a Ilha de Themyscira. É vendo que seu ideal de força é inteiro de uma mulher, que sua atenção e respeito são direcionados a mulheres – e não poderia ser diferente já que a sua sociedade não despreza mulheres, e também não despreza os homens. ba dum tss! Creio eu que esse seja o ponto, quando Steve chega à ilha seguido dos outros barcos, elas partem para a luta por estarem sendo invadidas. Após isso, no julgamento de Steve, não há um papo por exemplo: você nem deveria estar aqui, você é um homem! Como acontece em Londres na “vida real” com Diana. Para elas não há um inferior, há apenas o reconhecimento do diferente, mas o igual respeito. No link em que coloquei lá em cima há esta passagem que ilustra muito o que eu quero dizer:

Mais tarde, vemos que fora de Themyscira Diana é tão atenciosa e respeitosa com outras mulheres como dentro. Ela ouve Etta da mesma forma que Steve e é a única do grupo a não dar as costas para uma mulher que pede sua ajuda nas trincheiras. Isso é muito coerente, afinal, Diana foi criada por mulheres, viveu entre mulheres, e todos os seus heróis e exemplos de vida são mulheres. E isso se reflete na forma como ela se porta no mundo fora de Themyscira. Não faria sentido ela sentir rivalidade ou desprezar mulheres, assim como não faria sentido ela se sentir intimidada ou acuada por homens (ou mesmo sentir medo ou culpa por dormir ao lado de um deles em um barco). Diana não foi criada em uma cultura de estupro e de inferiorização da mulher e o resultado disso vemos nas telas: uma heroína segura de si, que confia na própria força (e na de outras mulheres), e que até escuta os homens, mas no fim toma suas próprias decisões.

E a diretora, Patty Jenkins completa, em entrevista ao Omelete:

Ela não é feminista, pois nunca ocorreu a ela que alguém seria tratado diferente, o que por si só é uma declaração poderosa. Fico aborrecida quando ela se torna o centro de controvérsias sobre ser ou não um ícone feminista. Ela é. Ela tem sido por muito tempo, ninguém pode decidir se ela deveria ser ou não. Ela é, para muitas mulheres e homens que se identificam com ela.

Todas as vezes que ela entrou no “lugar dos homens” com toda a naturalidade do mundo, eu soltava internamente, um gritinho de emoção. Retratar um pensamento tão machista – e infelizmente contemporâneo – como o da época e acrescentar a isso a Mulher Maravilha, ilustrou perfeitamente a igualdade que queremos. Ficou mais claro do que um desenho, o ideal feminista que ela quer mostrar, o contraste gritante da nossa sociedade tão sexista e o que lutamos para mudar.

Outro ponto louvável foi a vestimenta das amazonas, nada de hipersexualização, nada mostrando mais do que o necessário, nada de silicone se agarrando aos peitos. A roupa delas foi feita para lutar, e isso fica muito claro quando Diana está em Londres comprando “roupas adequadas” quando ela pergunta “como as mulheres conseguem lutar vestindo isso?” e em seguida rasga uma calça, levanta um vestido ou cai de um salto. A roupa que elas usavam eram práticas, armaduras que possibilitam uma boa mobilidade e proteção e acessórios que demonstrassem sua função na Ilha.

Essa foi a minha humilde opinião – cheia de emoção sim – sobre o filme da Mulher Maravilha. E você, já foi assistir? Me conte tudinho nos comentários ;)

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Kit Noblesse K. Com Óleo de Coco e Vitaminas Essenciais, 12 em 1 da Magic Color

04.06.17

Kit Noblesse K. Com Óleo de Coco e Vitaminas Essenciais, 12 em 1 da Magic Color - Resenha por Samira Oliveira do Blog Dezoito em Ponto

O Kit Noblesse K. da Magic Color surgiu a partir da máscara CC Cream Capilar 12 em 1, muito famosa para usar na diluição dos matizadores da Magic Color. A função principal é a de hidratação, coisa que meu cabelo ruivo sempre precisa – e nunca é demais hidratação, certo? Estou usando o kit há 2 semanas e estou adorando os resultados. Noblesse K. é devido à alta concentração de vitamina K que confere força aos cabelos; e 12 em 1 por ter 12 benefícios em 1 só produto: Ação Antioxidante, Fortalecimento, Não agride os fios, Nutrição, Prevenção de pontas duplas, Proteção da cor, Crescimento saudável, Redução do Frizz, Limpeza Suave, Baixo pH, Prevenção de envelhecimentos do fio. Ah, e também é livre de corantes e de parabenos!


Kit Noblesse K. Com Óleo de Coco e Vitaminas Essenciais, 12 em 1 da Magic Color - Resenha por Samira Oliveira do Blog Dezoito em Ponto

  •  Shampoo Nutritivo Noblesse K.: seu principal componente – e que caracteriza o produto pelo cheirinho gostoso – é o óleo de coco, muito usado ultimamente para umectações, porém muito trabalhoso. E o que as marcas fizeram? Pegaram os benefícios do óleo de coco e o adicionaram aos nossos produtos diários, deixando nossa vida mais pratica. Como não amar né? Ele é composto proteína hidrolisada, vitamina K e E e Ferro, que conferem força, resistência e nutrição aos fios. Eu gostei do poder de limpeza dele e achei que tirou bem a oleosidade, o único problema é que ele é muito líquido – talvez devido ao óleo de coco. E isso também foi um pouquinho ruim pra minha raiz que é oleosa – acabou ficando “limpo” por menos tempo.
  • CC Cream Capilar Noblesse K. Máscara Restauradora: Adorei essa máscara, ela é bem consistente e rende bastante, ela contém óleo de Coco, Ojon e Jojoba que são muito nutritivos e hidratantes. Seu pH ácido ajuda na selagem do fio, retendo a água reposta através dos óleos e ajudando da reposição de massa capilar. Ela tem um cheiro delicioso de perfume – do tipo em que a gente nem precisa passar perfume pra sair de casa, só a máscara do cabelo já está perfeito.
  • Condicionador Nutritivo Noblesse K.: Promete reduzir o frizz e as pontas duplas além de hidratar e finalizar o tratamento começado com a Máscara Restauradora. Ele também tem cheirinho de coco (assim como o Shampoo e o Finalizador) e também rende bastante e tem uma textura de um creme oleoso porém leve.
  • Leave-in Reparador Noblesse K.: Eu realmente tenho algum problema com os finalizadores da Magic Color – eu amo todos eles! O meu grande amor eu citei neste post – ele é Antiemborrachamento – e agora este outro queridinho para meus cachos. Eu senti que ele acaba hidratando mais o cabelo mesmo depois de seco, como se ao final de tudo ainda tivesse o Leave-in lá, firme e forte, ajudando os fios a ficarem sem frizz e sem aquelas pontas duplas horrorosas. Simplesmente maravilhoso!
Kit Noblesse K. Com Óleo de Coco e Vitaminas Essenciais, 12 em 1 da Magic Color - Resenha por Samira Oliveira do Blog Dezoito em Ponto

Lembrei-me agora de que não trouxe um feedback sobre meu cronograma capilar usando o Kit Antiemborrachamento da Magic Color. É que gente, eu tava muito ocupada ouvindo elogios sobre o meus cabelos (ba dum dis) -brincadeiras á parte – há uma parte real, realmente uma especialista chegou a elogiar que meus cabelos não estavam emborrachados ou quebradiços, porém bem fortes – e eu estava dando pulinhos e gritando “yes” inúmeras vezes! Então Antiemborrachamento para Cronograma Capilar está mais do que super aprovado, só aliar a uma boa hidratação – que pode ser o kit Noblesse K que os cabelos vão ficar de outro mundo!

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Kit Noblesse K. Com Óleo de Coco e Vitaminas Essenciais, 12 em 1 da Magic Color - Resenha por Samira Oliveira do Blog Dezoito em Ponto

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“The Beauty of Darkness” – Mary E. Pearson | Lealdade e Transformação.

02.05.17
"The Beauty of Darkness" - Mary E. Pearson | Lealdade e Transformação. Resenha por Samira Oliveira Blog Dezoito em Ponto

Finalmente a resenha de The Beauty of Darkness, terceiro e último volume da série “Crônicas de Amor e Ódio” escrito pela incrível Mary E. Pearson. 

♥ Resenhas de “The Kiss os Deception” e de “The Heart of Betrayal” ♥

Livro: The Beauty of Darkness
Série: Crônicas de Amor e Ódio
Autor(a): Mary E. Pearson
Editora: DarkSide - DarkLove
Genero: Fantasia
Páginas: 569
Classificacao:
Sinopse: Enquanto luta para chegar a Morrighan a tempo de salvar seu povo, ela precisa cuidar do seu coração e seus sentimentos conflituosos em relação a Rafe e as suspeitas contra Kaden, que a tem perseguido. Nesta conclusão de tirar o fôlego, os traidores devem ser aniquilados, sacrifícios precisam ser feitos e conflitos que pareciam insolúveis terão que ser superados enquanto o futuro de todos os reinos está por um fio e nas mãos dessa determinada e inigualável mulher.

Desde que terminei de ler The Beauty of Darkness, não consigo parar de pensar no final dado por Mary. Não que eu tivesse feito melhor, nem que eu preferisse um outro final. Na verdade o que eu quero é mais. As páginas das “Crônicas de Amor e Ódio” são como uma taça de vinho extraordinário, você aceita um gole após o outro, uma página seguida de outra – sem ver o tempo correr, sem mal perceber a história passar. Como numa espécie de magia, você se sente como que preso no próprio dom de Lia, preso em uma visão, preso na história arrebatadora da série. E foi por isso, que após ler a última página, eu tentei ao máximo perpetuar a sensação que essa história me provocava. Mas eu simplesmente precisei fechá-lo, porém tendo Lia para sempre dentro de mim.

Até que apareça aquela que é mais poderosa,/Aquela nascida do infortúnio,/Aquela que era fraca,/Aquela que era caçada./Aquela marcada com a garra e a vinha,/Aquela nomeada em segre,/Aquela chamada Jezelia.

Nesse desfecho, Lia sobrevive à sua fuga de Venda. Deixando para trás um Komizar agonizante, Aster morta e povoados proclamando-a como rainha, clamando pela esperança oferecida por ela. Mas Lia precisa fugir, precisa alertar Morrighan do perigo que eles correm, do exército de crianças soldados, do sangue que se escorrerá pela vinhas. Precisa alertar que Morrighan é a primeira de toda a devastação, de todo o plano do Komizar, que é o dragão movido pelo poder e pela desgraça. Rafe e seus mais fiéis amigos e companheiros, ajudaram Lia a fugir de Venda e a permanecer viva; ele arriscou seu Reino, sua família e seu poder apenas para ajudar aquela que o abandonou no altar. E essa talvez seja a maior prova do seu amor, o contraste gritante entre a segurança aprisionante e a liberdade que afasta o amor, mas que é a vontade dele. Interessante o amor dos dois, Rafe quer que finalmente Lia possa descansar e curar suas dores em paz – mas a guerra não acabou – ainda não há tempo para descanso. Ele quer que todo o seu esforço realmente falha a pena e eles possam ter a vida que sempre sonharam – mas Lia nunca será submissa, nunca aceitará não lutar pelo acredita, não batalhar nas guerras. Em seu Reino, Lia é mais do que nunca um soldado do reino de seu pai, ela é uma verdadeira Líder ao descobrir traições, revelações de décadas, histórias de sua família e lendas sussurradas através de gerações de Primeiras Filhas. Nunca a lealdade foi tão posta às claras, nunca foi tão valiosa – mais contraditória dos que flores de tannis, mais pungentes do que a morte.

Além de Rafe, da segurança de seu reino e do reino de Dalbreck, nossa heroína ainda precisa lidar com Kaden – que a persegue durante sua fuga – e descobrir a quem ele é leal. Em “The Beauty of Darkness” outros personagens terão seus desfechos e suas purgações, sem que nenhum detalhe seja esquecido. Esse foi um ponto muito bom, Mary amarrou muito bem todas as histórias, entrelaçando algumas que eu já havia desconfiado, e desfazendo outros nós, dando as respostas que todos procuramos. Ao fim, estamos mais amarrados à “Crônicas de Amor e Ódio” do que a garra e a vinha no kavah de Lia. Outro ponto interessante foram os diálogos de Lia, notei que eles ficaram mais profundos e extensos do que nos outros volumes, creio eu, para que todos os detalhes pudessem ser explicitados e dando mais voz ao herói, para podermos entender melhor seus sentimentos e motivações. As vezes os diálogos falam mais sobre o personagem do que sua própria narração em 1º pessoa. Gostei bastante de como Mary foi intercalando os textos dos Antigos com a narração do presente, de modo que vamos percebendo a aproximação entre Lia e as personagens de outros tempos.  Afinal, “Tinha de ser alguém”

Não importa quantos universos vão e vêm, sempre me lembrarei de quem éramos juntos.

Lia é uma das personagens mais fortes que eu conheço. Essa é a mais bela história feminista e empoderadora, sem entretanto, citar tais termos e muito menos deixar explícito. Lia, vai abrindo caminhos para tomar seu lugar como mulher e guerreira. Ela vai mostrando a fortaleza que se tornou, o poder que adquiriu e a certeza que a guia. Continuando com um coração de carne, ela sabe que precisa matar – ela sabe que precisa de um mínimo de vingança para se alcançar a esperança. Ela coloca cada um em seu lugar e mostra quem ela realmente é; forte, humana, e um verdadeiro soldado.


Toda a trilogia me lembrou o processo Bildungsroman, definido pelo filólogo Karl Morgenstern em 1810. Resumidamente, o Romance de Formação seria: “uma forma de romance que representa a formação do protagonista em seu início e trajetória até alcançar um determinado grau de perfectibilidade” (1999, p.18) Tal processo de formação, envolve resumidamente, a mudança da herói (Lia), seu autoconhecimento e sua orientação no mundo (conhecendo-se como Jezelia, presente nos Testemunhos), processo de amadurecimento do herói (sua vida e fuga de um simples casamento, para a volta como um soldado), a separação em relação à casa paterna (fuga de Morrighan), atuação de mentores (Dihara), experiências intelectuais eróticas (bem… Rafe e Kaden) e finalmente, contato com a vida pública e política (povo de Venda). Infelizmente não tenho espaço para uma análise acadêmica como eu faria, mas acho que com esse pequeno resumo vocês já puderam entender o que seria o Bildungsroman e como “Crônicas de Amor e Ódio” se encaixa nessa teoria.

Como eu já havia comentado com vocês nas resenhas de The Kiss of Deception e de The Heart of Betrayal as minhas teorias sobre Gaudrel, Venda e Morrighan estavam quase que completamente certos. Deixei um excerto que explica bem bonitinho tudo isso, e o coloquei porquê já ficou explícito no segundo livro. Só fiquei em dúvidas quando aos escritos de Aster. Alguém tem uma boa teoria pra me emprestar? Eu poderia ficar páginas falando sobre como “Crônicas de Amor e Ódio” me marcaram, mas passo a vez para vocês, leiam, se emocionem e chorem – quando terminar poderão enfim, respirar fundo e descansar – esse mundo ele, nos inspira… ele nos partilha. "The Beauty of Darkness" - Mary E. Pearson | Lealdade e Transformação. Resenha por Samira Oliveira Blog Dezoito em Ponto

“Existem outras verdades, Pauline. Verdades que você precisa saber”. E contei a ela sobre Gaudrel, Venda e a menina Morrighan, que foi roubada de sua família e vendida a Aldrid, o abutre, por um saco de grãos. Contei a ela sobre as histórias das quais nunca antes tivemos conhecimento e sobre os ladrões e os abutres que eram os fundamentos do nosso reino, e não um Remanescente escolhido. Os Guardiões Sagrados não eram nem um pouco sagrados.”

“Vocês definem uma espada pelos termos que lhes são familiares em todas as formas como veem, sentem e tocam. Contudo, e se houvesse um mundo que falasse de outras maneiras? E se houvesse outra forma de ver, ouvir e sentir? Nunca sentiram alguma coisa bem lá no fundo de vocês? Não tiveram um vislumbre disso brincando atrás dos seus olhos? Já ouviram uma voz em algum lugar nas suas cabeças? Mesmo que não estivessem certos disso, esse conhecimento fez com qque os seus corações batessem um pouco mais rápido? Agora multipliquem isso por dez. Talvez alguns de nós saibramos das coisas mais profundamente do que outros

"The Beauty of Darkness" - Mary E. Pearson | Lealdade e Transformação. Resenha por Samira Oliveira Blog Dezoito em Ponto

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Literatura

Resenha: O Canto Mais Escuro da Floresta – Holly Black| O encanto cruel das fadas

17.04.17

O Canto Mais Escuro da Floresta de Holly Black| O Encanto Cruel das Fadas editora Galera Record resenha por Samira Oliveira do Blog Dezoito em Ponto

Livro: O Canto Mais Escuro da Floresta
Série: -
Autor(a): Holly Black
Editora: Galera Record
Genero: Young Adult
Páginas: 293
Classificacao:
Sinopse: Hazel e seu irmão, Ben, moram em uma cidade onde humanos e fadas convivem. A magia aparentemente inofensiva desses seres atrai turistas de todas as partes, que querem ver de perto as maravilhas do lugar e, principalmente, o garoto de chifres e orelhas pontudas que descansa em um caixão de vidro. Hazel e Ben eram fascinados pelo garoto quando crianças. Mas, à medida que crescem, as histórias e teorias que inventavam perdem o encanto. Eles sabem que o garoto de chifres nunca acordará… Até que um dia ele acorda. Agora, os irmãos precisam se tornar os heróis que fingiam ser em suas brincadeiras e desvendar os mistérios que envolvem aquele príncipe com chifres.

Quando “O Canto Mais Escuro da Floresta” chegou aqui em casa, eu já sabia que iria amar fazer resenha dele. Já sabia que ia ser imersa num mundo encantador, já sabia que sentiria um inebriante perfume de seres mágicos muito bonitos e de bebidas de fadas. E eu estava certa.

Nas primeiras páginas, eu comecei a achar que todo o castelo mitológico que eu havia construído e esperado para esse livro, não se realizariam. Comecei a lamentar que o livro fosse apenas um romance romântico adolescente, sem o encanto que eu imaginava. Mas ainda bem, eu me equivoquei. Minha primeira impressão estava certa, e depois de algumas páginas aparentemente “normais” descrevendo a vida de uma adolescente “normal”, a diversão começou a acontecer. No começo do livro, Hazel é uma garota que, segundo seu irmão, tem uma áurea de mistério e garra em volta de si que atrai as pessoas – mas além disso, ou por isso mesmo – ela também é famosa por quebrar corações. Isso significa que ela ilude todos os garotos do colégio, ela beija todos por beijar, se divertindo com a situação, e brincando com os corações. Mas será que essa brincadeira é apenas uma busca por atenção ou há algo mais? Há uma necessidade urgente em viver ao máximo e em aproveitar ao máximo o tempo que ainda lhe resta? Descubra um mundo de perigos, segredos e cavaleiros; descubra o canto mais escuro da floresta.

O Canto Mais Escuro da Floresta de Holly Black| O Encanto Cruel das Fadas editora Galera Record resenha por Samira Oliveira do Blog Dezoito em Ponto

Depois desse começo, e da apresentação de nossa personagem principal por um narrador onisciente, a magia vai sendo apresentada. No início, tudo gira em volta do garoto de chifres que dorme num caixão de vidro no meio da floresta. Calminha, eu vou explicar. A cidade em que moram é Fairfold, famosa por seus acontecimentos “sobrenaturais” para os turistas e pelo seu menino de chifres. Mas os moradores sabem os segredos da cidade, sabem os perigos de andar pela floresta em noites de lua cheia – antes, durante e após ela. Eles sabem que devem ser cautelosos com as Fadas – não agradecer, não beber ou comer nada que oferecerem, mas principalmente: não fazer nenhum acordo com elas. Isso porque as fadas tendem a ser seres cruéis, que dão algo apenas para roubar outra coisa mais valiosa em troca. Que não se deixa atender nenhum pedido se não for por um preço alto. E que mata humanos como se fosse tão natural quanto uma refeição. Os moradores sabem, que devem manter a relação entre humanos e fadas a mais pacífica possível; sabem que devem colocar aveia nos bolsos ao sair de casa e vestir as meias ao contrário, sabem que as Fadas tem sentimentos diferentes dos nossos, talvez principalmente por serem imortais.

O Canto Mais Escuro da Floresta de Holly Black| O Encanto Cruel das Fadas editora Galera Record resenha por Samira Oliveira do Blog Dezoito em Ponto

No enredo temos os irmãos Ben e Hazel Evans; ele, com um tremendo dom para a música, ela com uma vida completamente normal. Fato que horas a deixa desesperada, horas a faz imaginar-se vivendo longe da cidadezinha, do Povo, e de todas as anormalidades que acompanham a sua vida social. Os irmãos sempre foram bem unidos, brincando juntos e se inserindo na mágica de Fairfold, juntamente da sua atração principal: o  garoto de chifres. Juntos, eles contavam histórias sobre o menino, a quem chamavam amorosamente de Príncipe. Sem notar, construiriam um universo à parte e mais mágico do que já era, onde tinham o garoto de chifres como seu mais fiel amigo, a quem podiam confiar seus segredos mais profundos – afinal, ele nunca acordaria.

Mas um dia ele acorda.

E tudo o que lhe foi confiado pode ser usado contra os irmãos. Toda a certeza de um dia ter uma vida normal, toda a angustia adolescente, todas as festas ao redor do caixão do menino, tudo – poderá acarretar uma consequência para a cidade. Quantos segredos é possível guardar? Quanta coragem é possível portar? Mas acima de tudo: quanto conhecimento sobre nós mesmos é possível estimar?

A escrita de Holly Black é leve e nos faz implorar por mais uma linha. Com uma narração acelerada, é impossível largar o livro na cabeceira – pelo menos até o sol raiar. Holly é norte americana e mora em Nova Inglaterra e ficou mundialmente famosa pela série de livros As Crônicas de Spiderwick. Em suas histórias, folclore, fantasia e demais elementos no imaginário, se fundem e formam a mixagem de suas histórias. Ela também escreveu a série literária Magisterium juntamente com sua amiga, Cassandra Clare. Ganhou prêmios importantes da literatura inglesa como: Andre Norton Award, Mythopoeic Award e Newbery Honor. Saiba mais sobre a autora clicando aqui.

Há um monstro em nossa floresta. E ela irá te pegar se você não se comportar. Irá te arrastar por folhas e galhos. Te castigar por todos os malhos. Partidos teus ossos e cortadas tuas asas. Você nunca, nunca mais voltará para…
O Canto Mais Escuro da Floresta de Holly Black| O Encanto Cruel das Fadas editora Galera Record resenha por Samira Oliveira do Blog Dezoito em Ponto
Hazel piscou. Tinha ficado tão boa em reprimir as memórias que não gostava, tão boa em trancá-las bem guardadas. Nada do que ele dissesse devia tê-la surpreendido; eram apenas fatos sobre a sua vida, afinal. Mas ela se viu surpreendida mesmo assim. Tudo aquilo tinha acontecido há tanto tempo que ela achava que não importava mais.
O Canto Mais Escuro da Floresta de Holly Black| O Encanto Cruel das Fadas editora Galera Record resenha por Samira Oliveira do Blog Dezoito em Ponto
Não importava que ele estivesse vestido com roupas comuns; ele não era comum. Era a personificação do que as Fadas deveriam ser, o sonho que ninara aquelas pessoas a Fairfold e o sonho que as convencera a ficar, apesar de todos os perigos.

Para as fotos eu busquei trazer toda a impressão que eu tive com o livro, colocando você no universo de Fairfold, como se estivesse mesmo láe, pisando o chão da floresta coberta de folhas. Como se estivesse pronto para sair de casa – com aveia e frutas vermelhas nos bolsos, meias vestidas ao contrário e deixando uma vasilha de leite na porta de casa. Tenha cuidado com a magia, não faça acordos, talvez você nunca mais volte para…

Ah, e não beije estranhos, combinado?O Canto Mais Escuro da Floresta de Holly Black| O Encanto Cruel das Fadas editora Galera Record resenha por Samira Oliveira do Blog Dezoito em Ponto

O Canto Mais Escuro da Floresta de Holly Black editora Galera Record resenha por Samira Oliveira do Blog Dezoito em Ponto

O Canto Mais Escuro da Floresta de Holly Black| O Encanto Cruel das Fadas editora Galera Record resenha por Samira Oliveira do Blog Dezoito em Ponto

Se você gostou das minhas fotos, dê um pulinho da categoria “Fotografia” e se encante mais um pouco. Mas se o seu amor é só por livros, veja a categoria “Literatura” – será mais doce do que bebida de Fadas! Ah e para aprender a fazer aquela caneca de cacto (onde coloquei aveia) clique aqui.

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Análise crítica do filme “A Chegada” sob a ótica linguística da teoria Sapir-Whorf

08.04.17

Análise crítica do filme A Chegada sob a ótica linguística da teoria Sapir-WhorfEssa análise crítica de “A Chegada” vai ser um pouco diferente, será feita sob uma ótica linguística, seguindo a teoria de Sapir-Whorf – assim como a personagem principal, uma linguista – e jogar uma luz nos acontecimentos – que para alguns deve ter ficado um tanto nebulosos. Para isso vou me basear na discussão do filme feita pelos professores da USP Ana Müller e Paulo Chagas. Como vocês bem sabem, eu faço letras na FFLCH, mais precisamente Letras – Linguística e estou cada dia mais apaixonada pela minha habilitação – para saber mais sobre o que eu estou falando, acesse esse post.

Primeiro ponto que já deve ser deixado claro; os heptápodes querem nos dar um presente, a sua própria língua, para nos ajudar – e até certo ponto não sabemos como uma língua pode ser útil para nossa terrível humanidade – e com a a mensagem de que no futuro nós deveremos ajudá-los em troca. No ponto em que eles chegam à Terra, a raça humana está dividida (será que vai ser esse ano?) e começa mais ainda a se dividir e a ensaiar uma guerra – e é ai que o Heptápodes nos salvam, nos unindo por meio de sua linguagem.

O filme possui uma estrutura circular, começando onde termina, assim como o “registro escrito” da linguagem dos heptápodes. A escrita circular deles nos remete muito à essa ideia de ciclo, de looping eterno, tanto é que, para ler o que o simbolo transmite, não faz diferença começar de um lado ou de outro, de cima ou de baixo; em qualquer lugar que você entrar para começar a ler, é possível entender.

Análise crítica do filme A Chegada sob a ótica linguística da teoria Sapir-Whorf 1Outros pontos devem ser levados em consideração para reconhecer a importância desse filme e sua indicação ao Oscar de 2017. Denis Villeneuve (O Homem Duplicado) é o diretor da obra, o que por si só já trataria de deixar o filme um espetáculo. “The Arrival” é baseado em um conto do escritor Ted Chiang chamado História da Sua Vida que constrói uma excelente ficção científica que nos prende na emoção por querer saber mais (se eu gostei é bom hahaha, brincadeira, é que eu passo bem longe de ficção cientifica). Outro ponto bem legal são as combinações das cenas, quando a câmera começa a filmar a casa de Louise executa o mesmo movimento feito, ao filmar a abertura da nave dos heptápodes – nos fazendo pouco a pouco colher pistas sobre o porvir. Também é interessante a questão das cores, no começo, com uma atmosfera triste, o filme está todo em tons azuis e acinzentados, nos passando que aquelas cenas são de tensão e tristeza, e que vão mudando conforme o único elemento feliz da vida de Louise vai sendo apresentado: sua filha. Análise crítica do filme A Chegada sob a ótica linguística da teoria Sapir-Whorf 2

  • Começo dos spoilers

Um ponto bastante delicado do filme, é a questão das perdas e de como o ser humano lida com elas. É interessante notar que as cenas do inicio do filme, são na verdade, vislumbres do futuro, que Louise Banks (Amy Adams) estava vendo – de modo que ele mostra o que ela terá no futuro enquanto o filme está no presente, reforçando mais ainda essa ideia de circularidade. A ideia que está por trás é tão forte que faz com que a linguista aceite seu futuro mesmo sabendo que ele terá muitas dores; ela o aceita mesmo sabendo das perdas e das quedas, pela simples beleza da nossa vida: a de viver os momentos.

Ela aceita o futuro com tudo o que há nele, pois não faz muita diferença entre saber ou não saber, o futuro está lá, ele já existe, ele talvez seja inevitável, e você pode apenas aproveitar os momentos dele ao máximo. Louise transpõe a nossa concepção linear de tempo ao aprender a língua dos heptápodes e passar a ter uma visão circular do tempo.
Análise crítica do filme A Chegada sob a ótica linguística da teoria Sapir-Whorf gifTodo o filme está ancorado à teoria Sapir-Worf, de determinismo da língua, defendendo a ideia de que cada povo tem sua alma refletida em sua língua, e portanto o aprendizado de uma nova língua inclui o aluno nessa sociedade e nessa forma de pensamento, de modo que ele passa a pensar de um jeito diferente. E isso é uma ideia que eu julgo plausível porém não absoluta, e que foi melhor explicada pelo professor Paulo. Aplicando essa teoria ao significante, é importante notar que, quando nascemos, o nosso ouvido está extremamente sensível a diferença dos sons, de modo que tanto faz para um recém nascido, aprender finlandês (uma das línguas mais transparentes) quanto inglês (uma língua opaca). Assim, aplicando Sapir-Worf ao significado, podemos observar que, em cada língua há por exemplo, um modo novo de classificar as cores; em algumas línguas podem existir determinada cor que não exista em outras. Isso também ocorre no grau de parentesco, por exemplo, em turco, “tia” pode ser “hala”= tia paterna, “teyze”=tia materna, “yenge”=esposa do tio e cunhada do irmão de seu esposo. Isso nos mostra como cada povo tem um jeito próprio de encarar o mundo a partir de sua língua; utilizando novamente o turco é interessante notar a inexistência de distinções entre feminino e masculino para pronomes de sujeitos, de modo que – essa é uma tese minha – reflete na língua a sua “cultura” patriarcal e machista (infelizmente até hoje). Mas se você não sabe nada de turco, não precisa de preocupar, não precisamos ir tão longe; basta notar no inglês verbos específicos de movimentos, como por exemplo “stride”= andar a passos largos, que não há no português; de modo que eles criaram um verbo para a ação, diferente de nós, que colocamos o adjunto adnominal para este fim.

Análise crítica do filme A Chegada sob a ótica linguística da teoria Sapir-Whorf 3Quanto à metodologia de pesquisar e softwares por Louise usados, eu ainda não tenho muito conhecimento – apenas sei do PRAAT. Mas a professora Ana explicou que o mapeamento de uma nova língua é exatamente como descrito no filme – só que muito mais vagaroso – o processo é o de um levantamento de um vocabulário básico que seja praticamente imutável e bem essencial (boca, mãe, pai, nome próprio). E depois que compreendido esse vocabulário é necessário juntá-lo a uma ação – no filme, Louise pega o nome “Ian” e atrela ao verbo “andar”: “Ian anda”, o que é compreendido pelo heptápode ao imitar a ação de Ian. Depois é necessário apresentar os tempos verbais, o que no caso do heptápodes é um conceito muito mais sofisticado do que o nosso.

Algumas outras dicas servem para irem nos dando pistas sobre o que há por trás de tudo, entre eles, o nome de “Hannah” que é um palíndromo e pode ser lido tanto de trás para frente como de frente para trás, assim como a concepção de mundo e de tempo adquirida por Louise.Análise crítica do filme A Chegada sob a ótica linguística da teoria Sapir-Whorf gif 1Quanto ao final do filme e à cena envolvendo o general chinês Shang, é possível deduzir que os chineses receberam a mesma mensagem sobre “oferecer arma” e por isso inclusive, resolveram iniciar uma guerra. O fato de o general ter dado seu número pessoal no dia do lançamento do livro de Louise no futuro, pode ser explicada de formas bem enroladas: ou quando Louise estava falando com Shang ela pediu para que no futuro ele desse essa informação a ela, que foi portanto resgatada novamente no “presente” apresentado no filme. Ou Shang também consegue viajar psicologicamente no tempo, mas ai fica a pergunta: Se ele sabia o futuro e viu que a guerra não iria acontecer, porque ele a iniciou? É aqui que entra a frase dita por Louise no final: “Se você soubesse sua vida inteira, você a viveria do mesmo jeito ou a mudaria?” De modo que todos, mesmo sabendo seu final, resolveram optar pelo caminho que haveria de ser perseguido – Louise e o abandono do marido atrelado à morte da filha; do mesmo modo que Costello viveu a morte do Abbott mesmo sabendo que ele morreria, ou melhor dizendo “estaria em processo de morte”. Ou Sheng estava enfurecido com a oferta de arma dos heptápodes e resolveu mesmo assim tentar uma guerra contra eles – mesmo sabendo que seria detido. Também pode ser que no futuro, depois que Louise escreveu seu livro sobre a linguagem dos heptápodes, Sheng a tenha aprendido também, e resolveu dar a informação necessária para a resolução do conflito. Outra teoria é de que Sheng já sabia o futuro (havia aprendido com os aliens) mas sua mulher ainda estava viva, portanto quando Louise chegou e disse as últimas palavras de sua esposa a partir do que ele tinha lhe contado no futuro, ele já sabia que sua mulher iria morrer e que iria dizer aquelas preciosas palavras: “Guerra não gera vencedores, somente viúvas”. Na verdade, essa cena e seus afluentes me lembraram muito de “Efeito Borboleta”(2004) e na correspondência entre os atos do futuro e do presente, e que alterando um acaba por alterar outro, só que de uma forma mais profunda. É como se Louise não somente visse seu futuro, mas como se ela o revivesse – e talvez por isso ela, e todos os posteriores “falantes” de heptapodês não hesitem em escolher seguir o caminho do futuro, pela ânsia em realmente viver o momento inteiro no que antes só era possível experimentar por flashes incompletos.

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