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Resenha e crítica| La La Land – Cantando Estações

31.01.17
Resenha crítica - Musical La La Land. Entenda porquê foi um sucesso e um marco no cinema.      O musical foi a grande estrela do Globo de Ouro, ganhador de mais de 7 prêmios como “Melhor atriz”, “Melhor Ator”, “Melhor Diretor” e “Melhor Filme” Estamos vivendo hoje a ascensão de uma obra que será um clássico no futuro. Estamos vendo musicais novamente às telonas, que fazem referência à importantes filmes do gênero. Estamos percebendo um enredo aparentemente fraco, mas com questões tão sérias que são postas à tona e nos fazem refletir. Um filme que vai te fazer querer sair dançando da sala do cinema, e repensando sobre os caminhos que você anda trilhando.
Filme: La La Land - Cantando Estações
Direção: Damien Chazelle
Duração: 128 minutos
Genero: Musical
Classificacao:
Sinopse: Ao chegar em Los Angeles o pianista de jazz Sebastian (Ryan Gosling) conhece a atriz iniciante Mia (Emma Stone) e os dois se apaixonam perdidamente. Em busca de oportunidades para suas carreiras na competitiva cidade, os jovens tentam fazer o relacionamento amoroso dar certo enquanto perseguem fama e sucesso.

Se você torce o nariz para musicais, espere mais um pouco e confira algumas informações sobre o filme La La Land e talvez, ao final, eu consiga lhe convencer a assistir. Simbora?

Um ponto que deve ser levado em consideração são os prêmios que o longa já conquistou. Ganhador de mais de 7 prêmios como “Melhor atriz”, “Melhor Ator”, “Melhor Diretor” e “Melhor Filme” foi a grande estrela do Globo de Ouro. Vocês já pensaram que estamos vivendo hoje a ascensão de um filme que se tornará um clássico no futuro? Imaginem como alguns filmes aclamados pela critica atual não foram açoitados – e continuam sendo – quando foram lançados? Pelo que andei lendo nas redes sociais, teve gente que achou o filme muito entediante e pacato, chegando até a dizer que teve que sair da sala nos primeiros 15 minutos. Eu, pessoalmente, não estou muito acostumada a assistir musicais, então no comecinho senti uma certa dificuldade em me concentrar – isso porque estou acostumada a mais diálogos e cenas do que a música propriamente dita. Mas, lá vai, se você tivesse ficado mais do 15 minutos no cinema teria percebido que ele não é apenas um cult passageiro.

Com a direção e roteiro de Damien Chazelle – que já havia estreado com “Whiplash” – o garoto prodígio nos traz um enredo raso, porém é necessários ler as entrelinhas e ir mais a fundo para perceber o que há de complexo no roteiro. De primeira já sabemos, se trata de uma história de amor. Mas mais que isso, se trata de uma história – que já foi trabalhada em “Whiplash” e que está virando um light motive do escritor – que fala sobre a colisão entre o que você espera da sua vida profissional e o que você espera da sua vida pessoal, e afinal, como é possível por em concordância aspectos tão diferentes da nossa vida. Mais até que isso, através das músicas e da conexão entre os dois personagens centrais, assim como através da mudança das estações, podemos pouco a pouco percebe o tamanho peso de nossas escolhas.

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Resenha “Madame Bovary” | Feminismo e Psicologia

16.01.17
Resenha Crítica Madame Bovary de Gustave Flaubert. Pioneiro da escola literária romantismo, importante obra para a literatura mundial.
Livro: Madame Bovary
Série: -
Autor(a): Gustave Flaubert
Editora: Martin Claret
Genero: Romance Realista
Páginas: 397
Classificacao:
Sinopse: “Texto de suma importância, “Madame Bovary” é uma leitura essencial, sendo considerado um dos melhores romances da literatura, sendo, provavelmente, o melhor dos livros do romance realista de caráter psicológico do século XIX. Para mostrar seu mundo, Flaubert põe em cena uma personagem em total desacordo com sua realidade, com sua posição social e com seu sexo. É nessa personagem que se centrarão as ações desenvolvidas na narrativa e os principais dilemas da obra.”

Com um tema tão forte e polêmico, o livro é atormentador em qualquer época ainda mais em 1857, quando a sociedade e a religião oprimiam e sufocavam as mulheres. Considerado o pioneiro entre os romances realistas e famoso pela sua originalidade, gerou posteriormente o termo psicológico “bovarismo” em referência ao comportamento da protagonista. Foi impossível não recordar da obra “Primo Basílio” de Eça de Queirós, principalmente nas cenas de luxúria entre Emma e Léon e  na descrição sobre toda a decoração do quarto, sobre o Champagne que tomavam e os queijos que comiam. Pelo teor de sua obra e pelas críticas ao clero e à burguesia, Gustave Flaubert foi condenado pela Sexta Corte Correcional do Tribunal de Sena e se esquivou das acusações com a célebre alegação “Emma Bovary c’est moi” (Emma Bovary sou eu), ao fim, o autor foi absolvido porém continuou a ser acusado de ofensa moral à religião e aos bons costumes pelos críticos literários puritanos da época. O traço da escola Realismo (inaugurada pela obra) é interessante, principalmente ao ter como personagem principal uma mulher romântica. Apesar do adultério, Emma é inteiramente uma personagem romântica, e como no realismo é costume criticar a escola anterior, é de se imaginar que a personagem teria um fim trágico – uma quase conversa com os costumeiros fins do Romantismo, em que, ou os amantes morriam ou se convertiam para o celibato. O aspecto sombrio e “corrompido” de Emma, anteciparam por quase um século o movimento feminista e libertário de emancipação da mulher. Dessa forma, a obra preparou o terreno para o que seriam os ideais da luta pela igualdade de direitos civis e da ascensão da mulher ao mercado de trabalho – propostas que iam muito além do radicalismo proposto por  Glória Stein, o da “queima de sutiãs”. É interessante notar que a anti-heroína de Flaubert foi criada à imagem de um fato real ocorrido no sul da França.  Segundo a biografia do autor, Alfred Le Pottevin foi um importante personagem em sua vida, o filósofo compartilhava das atitudes negativas do jovem autor e foi o responsável por fazê-lo se aprofundar em seus sentimentos sombrios. Assomado à esse fato, a morte precoce do pai, a epilepsia e a influência de autores marcados pela melancolia como Lord Byron e Rousseau, formaram a psique de Falubert – um homem antissocial e introspectivo.

“Felicidade, paixão e embriaguez não faziam, como já destacamos anteriormente, parte do repertório feminino daquele tempo. Prazer e satisfação sexual definitivamente não eram coisas de “moças de família”. Os estereótipos femininos são construídos sob a base do coração, centro de toda a vida da mulher, e que a psicanálise viria mais tarde, a definir e a reduzir pelo útero. Basta ver que o termo histeria, vem etimologicamente do grego hustéra, cujo significado é útero. O termo passa então a ser adotado para designar distúrbios de origem mental que afligem as mulheres: sua condição feminina é, para a Ciência, positivamente patológica.” – Haroldo Cesar Michiles,  2012

Atenção, essa crítica contem spoilers, então se você não conhece a obra e não gosta de saber alguns detalhes, melhor pular essa parte :wink:



Resenha Crítica Madame Bovary de Gustave Flaubert. Pioneiro da escola literária romantismo, importante obra para a literatura mundial.

Acredito ser impossível se manter imune aos encantos e pensamentos de Emma, por essa maneira, achei apropriado fazer muito mais que uma resenha, mas comentar os pontos mais chamativos da obra. Também porquê durante toda a sua leitura não consegui passar um dia sem que me envergonhasse por Charles ou odiasse as extravagâncias de Madame – ou talvez porque, agora depois de tê-lo terminado, é impossível não comentar algumas partes. Portanto se você ainda não conhece o livro e não gosta de spoilers, pare por aqui, mas se já conhece essa obra prima, pode continuar e depois me conte quais foram as suas impressões sobre nossos personagens. O livro é dividido em 3 partes, uma para cada amante de Emma, o primeiro pelo Visconde (o inicial traço de seus sentimentos de adultério se acumulam nessa figura), o segundo inicialmente por Léon e finalmente por Rodolphe e o terceiro inteiramente por seu amor com Léon.

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