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Pessoal Textos

Lembranças do “quartinho do fundão”| Um texto sobre desatulhamento

10.10.17

Memórias advindas do "quartinho do fundão" um texto sobre infância, lembranças, arrumação e renovação!Recentemente, eu e minha avó tiramos férias para arrumar a casa. Na verdade, arrumar um determinado cômodo; o carinhosamente chamado, “quartinho da bagunça”, que, segundo dizem, “toda casa deve ter”. Mas na verdade, acho que eu não concordo muito com isso não…Vou explicar. Depois de tantas indas e vindas dentro da cachola, me toquei de uma coisa; a gente precisa viver a vida o mais leve possível. Não importa se a leveza significa morar perto do mar, andar descalço, pular de paraquedas ou tomar um suco refrescante no verão. Na verdade me refiro àquela leveza mais profunda, aquela de quando você tirou de sua vida todas as pessoas que te arrastavam para o fosso – aquelas que sempre te faziam desanimar antes do primeiro passo – Ou se afastou de quem parecia apenas te querer por partes – não por inteiro como você é. Ou apenas se você resolveu finalmente, mudar de cidade ou de emprego. O que importa é o quão leve você se tornou depois dessa experiência. Para nós, a nossa leveza do momento era arrumar o dito quartinho do fundão (outro apelido carinhoso para o bonito!) E lá fomos nós, depois de árduas semanas, inúmeros sacos de lixo de ração de cachorro (uns 15kg) jogados fora diariamente; dor nas costas, nos braços, nos joelhos; marteladas, pisadas de pé, subidas e pulos por sobre os papelões, reclamações, brigas, pensamentos de desistência e até mesmo gritos… Finalmente! O grande esquecido grande quartinho lindo! Ei-lo! Tão esperado, tão planejado por mim! – vai ficar pra ser o quartinho de costura da vó né? – E a lição de tudo isso, de todo esse afã para finalmente entrarmos para a lista dos adeptos ao estilo minimalista, foram dois: 1 a gente guarda muita coisa e 2 a gente precisa viver cada vez mais leve.

Memórias advindas do "quartinho do fundão" um texto sobre infância, lembranças, arrumação e renovação! Esse é minha família, meu desenho de infância.

Então vamos combinar né, que guardar muita coisa com viver mais leve não são duas coisas que se biquem muito bem. Mas uma coisa interessante foi notar a passagem do tempo pelas coisas e “quinquilharias” jogadas fora. Eu resmungava a todo instante “mas você não vai guardar isso né” ou “mais vó, certeza que ce vai precisar de 5 caixas de ferramentas?” ou “mas realmente, o que vamos fazer com essas prateleiras?” ou até mesmo “Você guarda pra quando precisar, SE precisar. Mas quando realmente precisar você não vai nem lembrar que tem, e se lembrar não vai achar e se não achar ou não lembrar vai comprar outro novamente. Ou até mesmo comprar dois – um pra pra usar quando precisa e outro pra guardar pra quando “precisar” ” Nos tornando assim uma bola de neve sem fim.

Memórias advindas do "quartinho do fundão" um texto sobre infância, lembranças, arrumação e renovação!

Mas falemos do tempo, falemos desse terrível tempo que corrói os móveis de madeira e faz as paredes embolorarem e os livros se tornarem pó… Quando eu imaginaria que a letra da minha tia seria tão bonita mesmo quando ela estava na quarta série? Quando eu saberia que minha mãe era poeta como eu? Como eu poderia desconfiar um dia que duas pequenas pombinhas seriam os adornos do convite de casamento da minha avó. Ou que meu avó fora um fã de espiritismo? De qual outra maneira eu entenderia e profunda evolução pessoal da minha avó. Como eu desconfiaria que eles guardavam coisas sem nem mesmo pensar em jogar. Como eu entenderia, que o apego à matéria é algo que vai se desfazendo conforme vamos avançando a idade e avançando na evolução. Será que agora eu entendo que aquela folhinha de 1997 marcando os dias das trocas do botijão de gás seria importante porque foi no ano em que eu nasci? Será que agora eu sei que aqueles inúmeros brinquedos da geração passada, ainda guardados no fundão, seriam um dia aproveitados por meus primos? Como eu desconfiaria que, ao olhar uma boneca, ao tocar uma baleinha de plástico e uma boneca meio molenga, eu lembraria da minha infância ou que meus desenhos eram repletos de “Belinhas”? Como eu saberia que, ao desenhar minha família, não ficaram de fora nem meu tio e sua cachorrinha e nem meus avós e tia. Será que se eu fechar os olhos ainda vejo o cavalinho cavalgando pelo sofá, com uma ovelhinha atrás? Será que eu ainda consigo encontrar, nos recantos mais sombrios de mim, o meu velado ódio por aquela ovelhinha? E se a pessoa que sou hoje soubesse como eu lembraria com amor, daquela boneca reclamona ou do famoso “Yano” que eu levara na escola, será que ela teria brincado mais? Será que eu teria aproveitado mais aquela caixinha de música – que eu sempre pensei ser da Sandy & Junior, na verdade ser da Chiquititas – e ter feito-a pegar e cantar? Porque então, o Tigrão parece que dá uns saltos mais baixos? Por que minha boneca de cabelos encaracolados e ruiva ficou menor? Por que minhas fofoletes perderam o cheirinho de flor? Por que das minhas bonecas restaram apenas um rastro vago, de uma infância feliz – que eu já nem me lembrava e que tinha sido apagada pelos traumas sofridos na escola – por que raios não foram essas as lembranças que ficaram? Meu inconsciente insiste em se recordar de uma casinha da Polly que fora destruída – mas não se lembra da cozinha de madeira que eu tanto gostava. Se lembra da casa dos sonhos da Barbie que eu nunca tive – mas não lembra que eu tomava a cozinha inteira pra mim e fazia dela uma mansão enorme, com varais, moveis esparramados e inúmeros pratinhos de boneca. Por que minha cabeça de antes, assim como a de hoje, fecha os olhos para o que tem e se angustia pelo que não teve? Tá aí uma boa chance de eu me tornar mais leve.

Tá ai um bom momento para se libertar, mas será que um dia a gente consegue? Será que algum dia a gente consegue soltar da jaula os demônios de dentro de nós, sem que ainda eles aparecem aqui e alí em um rastro na escrita? Será que perdoar, esquecer, não nos torna menos nossos dos que já somos? Tá ai, um bom momento para arrumar a casa, desatulhar um cômodo, fazer algo com a sua mãe, pedir ajuda para o namorado, fazer algo de útil para a sua família. Quem sabe cuidando da casa, desejando mais renovação e amor, ela não acaba também por cuidar de você? Tá na hora então de… D E S A T U L H A R

Ecdise – Conto de Samira Oliveira +18
Amigo, ainda me sobraram dedos para te contar.
Mirando-se no espelho.
Conto Textos

Mirando-se no espelho.

27.11.16
Mirando-se no espelho conto de Samira Oliveira

De verdade, quem sou eu? Fixamente olhos mirando o espelho, puxo os cabelos para trás afim de prendê-los num rabo de cavalo. Assim fica claro a raiz escura nos fios vermelhos. Assim é possível também perceber meus olhos verdes se destacando na pele clara. Quem sou eu? A pessoa que saiu de sua cidade, que tinha um fio de esperança de conseguir alçar voo – e conseguiu? Quem sou eu? O ser que escreve, o ser que pensa e que reflete. Que ama e que deseja. Que sempre muda. Aquela que colocou um piercing na orelha, que gosta de ouvir a chuva, que escreveu um livro, que estuda o que ama e descobriu nisso uma vocação? Aquela que tinha muitos planos e anseios; que tinha promessas nunca feitas e sonhos de estrada. A pessoa que eu sou, que eu era, que eu serei.

A menina do espelho fixa seus olhos em mim.

– Quem você é? 

Não sei, como eu haveria de responder ao reflexo límpido de olhos que sonham? Para você, menina, sou seu futuro que você nem sonha – mas deseja ardentemente. Como mais posso explicar a um passado que eu sou a representação de coisas que você sequer entende? Como posso explicar que há mais do que angustias por não se encaixar, mais do que amores infantis, mais do que brincadeiras vagas. Mais do que você conhece?

Mais perto de mim, olhos mais velhos – de talvez um ano atrás, indagam:

–  Você é quem?

Como tais olhos podem ser tão ingênuos e fracos? Como pode se a diferença entre nós é de alguns meses? Resolvo não responder e os olhos somem pouco a pouco dando lugar à um borrão no espelho.

–  Ai está você, estive te procurando o dia todo!

– Eu te conheço? – pergunto aflita. O borrão não me é familiar.

O borrão abre uma boca incerta para argumentar.

– Não me lembro de ser tão convencida dessa forma, nem de ter essa força. Não me lembro de ter essa mente madura, para mim parece algo que está sempre em construção, como se minha mente sempre estivesse um passo atrás do que ela realmente pode ser.

Um arrepio me percorre o braço esquerdo. Acho que sei de quem se trata. Alguém que não conheço, ela eu nunca vi. Porque nunca fui.

Frente ao meu silêncio ela continua:

– Vi a menina também e vi os olhos ingênuos, agora vejo essa confiança. Só Deus sabe qual próxima eu verei. Será que quero vislumbrar o futuro como você? Será que sempre quis adivinhar quem eu me tornaria? Me responda você! Eu não tenho mais nenhuma pergunta a não ser esta: você está contente com o que é agora?

Sua voz me deixa insegura, tenho a impressão que essa pergunta é a decisão a se tomar entre um pedregulho e uma safira. Ela fala de coisas que eu não compreendo, ela tem uma certeza e uma coragem que eu desconheço. Ela tem uma elegância que nunca eu soube possuir – e que talvez não possua.

– Sim, eu me orgulho muito do que sou hoje, tenho medo do que fui e confio no que serei.

Ela deu um meio sorriso bárbaro e me respondeu:

-Quem te disse que será algo? Sou um borrão, desta vida eu não existo mais.

Lembranças do “quartinho do fundão”| Um texto sobre desatulhamento
Ecdise – Conto de Samira Oliveira +18
Amigo, ainda me sobraram dedos para te contar.
Em voga

O que NÃO escrever na redação do Enem – em hipótese alguma.

25.10.16

O que não escrever na redação do Enem em hipótese alguma Enem 2016 Enem 2017 como tirar nota 1000 mil na redação do Enem dicas redação perfeita enem direitos humanos competências EnemEu tive notas muito boas ano passado nas redações dos vestibulares, sendo a do Enem um pouco mais de 900, e a da Fuvest – valendo até 50 pontos – se não me engano fiquei entre 46 ou 47. E a da Vunesp 28, que é a nota máxima. Esse post é, mais especificamente sobre o que não deve ser dito na redação do Enem – e em nenhuma outra redação.

Não sei se você se recorda, mas o critério de avaliação da redação do Enem é baseado em competências que seriam, resumidamente: domínio da norma culta da língua escrita, compreensão da proposta e desenvolvimento do tema baseado em conhecimentos prévios do candidato, organização de  argumentos e ponto de vista, adequação do texto  à estrutura do gênero dissertativo-argumentativo e por fim elaboração de propostas de intervenção social respeitando os direitos humanos.

Bom, eu gostaria muito de chegar agora pra você e dizer que a sua opinião será valorizada independentemente de qual seja ela, pois afinal, estamos em tese em uma democracia. Mas infelizmente eu não posso afirmar isso. O Enem espera que você baseie suas ideias respeitando sempre os direitos humanos – portanto algumas frases de intolerância que circulam por ai não devem ser colocadas na dissertação, por mais claro e explicitado que seu texto esteja. Alguma frases e ideias só de estarem presentes no texto já farão com que sua redação seja zerada. Meus professores corrigem as redações dos vestibulares, e olhe, tenha certeza que eles estão loucos pra colocar um belo zero para aqueles que desrespeitarem essa ética. Lá na Letras, nós respeitamos bastante a opinião do outro, tanto é que sempre temos assembleias e grupos de discussão e estudo sobre alguns assuntos como estes, porém se vocês forem por esse lado de extremismo e infligir os direitos humanos, ninguém vai “respeitar” sua opinião. Principalmente no que tange minorias historicamente desfavorecidas como negros, homossexuais, transexuais e mulheres. Gostaria de salientar que não vou entrar muito no âmago das questões, meu intuito é apenas dar um pincelada em conceitos que algumas pessoas pensam em colocar nas redações – e que se o fizerem, estarão zerando esta.

“Bandido bom é bandido morto”

A pena de morte não está prevista no código penal brasileiro, e infelizmente o maior erro dessa frase não se encontra tanto na pena de morte, mas no fato de defender a ideia de que as pessoas que estão à margem da sociedade não devem ser- lhes dada uma nova chance. O Enem espera que você diga totalmente o contrário, espera que você busque reinserir este individuo ao convívio social – lançando mão de mecanismos sociais como alguma capacitação profissional, apoio psicológico, alguma ajuda financeira se for necessária… – todas essas ideias são coisas que você pode inserir no seu texto no que se refere à questões de presidiários e, digamos, seu destino.

“Ideais homofóbicos, por exemplo dizer que homossexualidade é  doença”

1973, a Associação Americana de Psiquiatria retirou a homossexualidade da lista de transtornos mentais. Portanto afirmar algo assim na redação já lhe garantirá um zero. É importante que esteja bem claro na sua mente a diferença entre Ideologia de gênero e orientação sexual e seus mais variados tipos (bissexual, homossexual, heterossexual, pansexual, assexual…)

Ideologia de gênero: o gênero ao qual a pessoa se identifica

Orientação sexual: diz mais respeito a por quem a pessoa se sente atraída sexualmente.

Na proposta do ano passado, tendo em vista o texto de Simone de Beauvoir seria interessante incluir esse tópico na redação – principalmente ao defender que “ninguém nasce mulher, torna-se mulher” fazendo um gancho entre a pressão social que forma o indivíduo e a ideologia de gênero

Machismo e castração química

A castração química é muito defendida na bancada evangélica, por não agir na raiz do problema que seria a busca de direitos iguais entre homens e mulheres, algo bem contornado por esse grupo – confesso que eu era adepta dessa ideia e depois de muita leitura que pude compreender e agora posso resumir o porque disso não dar certo.

O estupro é um ato de dominação do homem que se acha superior a mulher, sem a genital ele vai usar qualquer outra coisa para estuprá-la, não sei se você viu  até recentemente um caso de que um homem estuprou uma garota com um cabo de vassoura. Outra coisa que eu pessoalmente não defendo é sobre o estuprador ter um problema mental; na verdade acredita-se que todo homem é um potencial estuprador – porque quando estamos sozinhas em uma rua deserta à noite nós preferimos que seja até o demônio do que um homem, tamanho o medo de tal violência. Porém a ideia de doença mental nesses casos é bem difundida – partindo da premissa de que o estupro é tão absurdo que apenas alguém com problemas mentais seria capaz de praticá-lo. O problema de relacionar estupro com doença mental é que corre o risco de atenuar a culpa do estuprador, aliviando a pena e a culpa social pois – coitado, ele tem um problema mental. Sendo que nós queremos que ele arque com as consequências deste ato horrendo. Também é importante lembrar que o estupro e o assédio andam juntos – sabe aquele amigo que beija a garota na festa mesmo ela não querendo só porque ela está bêbada? Ou aquele cara que encosta nas mulheres no ônibus? Esses são apenas alguns degraus do estupro. Além disso; frases como “lugar de mulher é na cozinha” “mulher boa é recatada e do lar” e quaisquer outras frases que diminua a mulher e/ou justifique o estupro e o assédio também não devem nunca serem difundidos e defendidos. É importante também ressaltar a cultura do estupro (isso por si só já valeria um post inteiro, mas vou resumir) que é um dos argumentos para não classificar o estuprador como doente mental. A cultura do estupro diz respeito à sociedade que sempre acredita que a mulher é inferior e que – em linhas bem gerais – não deve ser valorizada, e seu corpo deve ser escondido ao máximo pois ela é a culpada dos posteriores abusos. Um outro exemplo da cultura do estupro é a difusão de mulheres seminuas em comerciais de televisão – buscando uma maior audiência. Ou o burburinho que se faz quando uma atriz compartilha suas fotos de nudez por livre e espontânea vontade – e não fotos “vazadas” como a maioria das vezes – defendendo que fotos assim devem ser exaltadas apenas se não tiverem o consentimento da mulher. Não vou me alongar muito neste tópico – creio que já deu para perceber onde eu quero chegar.

Contra cotas              

Se o tema for por esse lado você terá de ser a favor, vamos simplificar e vamos estabelecer que as cotas raciais devem ser defendidas mesmo que você embase muito bem sua argumentação dizendo por exemplo – deve haver alguma reforma no ensino que possibilite que essas pessoas possam entrar nas universidades sem nenhum tipo de ajuda – mas perceba que, mesmo assim, fica meio forçado. A cota racial diz respeito à representatividade do negro no ensino superior para assim derrubar algumas barreiras raciais que ainda temos na sociedade – olhe na sua sala de aula do cursinho (ou de uma escola particular) e responda: quantos negros você vê na sua sala? Quantos acha que verá nas universidades? Quanto as cotas sociais aí a historia é um pouco diferente e acredito mais polêmica e então talvez você possa tentar discordar e discorrer sobre isso, sobre ser uma forma que  o governo encontrou de esconder o problema e de não agir em sua raiz. Mas sempre lembrando que os alunos que precisam dessa cota são tão inteligentes e capazes quanto você, mas tiveram oportunidade de estar na universidade. Como você pode querer um país mais igualitário, mais capacitação profissional, mais estudiosos, mais universitários sendo que algumas crianças de baixa renda sabem que nunca terão tudo isso? Como você pode achar isso justo?

Ditadura militar

Acho esse tópico bem óbvio para não ser defendido, mas nunca se sabe. Deve-se tomar muito cuidado ao tentar defender a ditadura por motivos de ideologia política, como por exemplo, exaltando o Golpe Militar justificando que assim, a esquerda sucumbiu e a direita venceu. Vocês já devem ter ouvido muitos relatos de professores, e talvez até de parentes e avós que tenham vivido nessa época e sabem o horror que viveram; a impossibilidade de discordar do regime e  as torturas sofridas por aqueles que lutavam para ser ouvidos. Meu professor de linguística comentou que há um estudo mostrando que o Brasil até hoje não se recuperou culturalmente do buraco deixado pela ditadura. Já ouvi pessoas defendendo a ditadura por algum parente que viveu na época defender que os militares não foram corruptos e que todos viviam em paz (acredito que apenas os ignorantes viviam em paz) vale a pena pesquisar um pouco mais sobre “os militares não foram corruptos”.

Se você gostou desse post eu o oriento a pesquisar mais sobre esses tópicos e ler um pouco mais sobre o assunto – aproveite esse tempo para dar uma “relaxada” lendo sobre essas questões. Esse post veio de um roteiro que fiz para me ajudar em uma palestra que fiz na escola em que estudei (a minha primeira palestra da vida e ainda por cima no dia do professor, super presente adiantado hehe) – os alunos estavam tendo dificuldades com essa parte do direitos humanos e bom, ás vezes eles não são tão óbvios para alguns (infelizmente). Eu tenho um post mostrando tudo o que descobri sobre Bolsonaro (fonte principal dos tópicos explicitados acima) para lê-lo basta clicar aqui.

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Pessoal Textos

Porque escolhi ser professora.

16.10.16
Porque escolhi ser professora. Post agradecimento aos meus professores, letras usp

Quem me conhece e sabe pelo menos um cadinho da minha vida, sabe também que minha maior motivação em ir às aulas (além de passar na Fuvest) sempre foi pelos professores. Acredito que devo muita gratidão à escola onde estudei a vida inteira, por ter me possibilitado conhecer as pessoas lindas que foram os meus professores (e os funcionários aos quais tenho imensa admiração♥)

Desde que descobri que eu poderia – pro resto da vida – estudar o que eu amava, língua portuguesa, já tratei de descobrir afinal que curso seria esse. E então, quando finalmente soube que era Letras o que eu gostaria de fazer; que era ensinar a minha vocação, quando eu finalmente contei a todos que eu queria ser professora veio inevitavelmente uma nuvem pesada sobre a minha cabeça. Surgiram familiares – até os professores – me dizendo para escolher outra profissão, uma que fosse mais reconhecida, que ganhasse melhor, que eu não precisasse ter tanta paciência (algo que de fato, não tenho muito) e que eu não tivesse que, em algum momento, pensar seriamente em desistir.

Sei das partes tristes pelo que minha tia que é professora me conta, sei por alguns amigos que me relatam e pelas coisas que volta e meia ouvimos na TV. Porém, o que eles não sabem é que eu quero ser professora desde criança, quando colocava minhas cachorrinhas sentadas nas cadeiras – de frente pra lousa – e “ensinava” português e o pouco de matemática que eu sabia. Eles nunca entenderão o que é você se espelhar inteiramente em alguém, por sentir que essa pessoa trabalha como se o que ela faz, nunca fosse chato ou difícil. Por todos os professores que passaram na minha vida – desde o infantil 3 até hoje – por todos que mostraram um trabalho tão incrível e um amor tão verdadeiro pelo que faziam, que nenhuma ofensa iria os atingir, é por vocês que eu escolhi a minha profissão. Acredito que os admiro principalmente por isso, pela coragem de enfrentar pessoas que muitas vezes, pensam que são os donos da razão e que sabem muito – mas sempre esquecem que o mestre está lá na frente, ensinando. Acredito que quero seguir essa carreira, não apenas por alguma espécie de dom – visto que eu tremo que nem uma vara falando em público – mas por aquela energia que  sempre demonstraram ao ensinar. Pela determinação e vontade de explicar quantas vezes fossem possíveis até que entendêssemos. Pelo carinho demonstrado pelos alunos e pela profissão. Pelo sonho e determinação de mudar – um pouquinho de cada vez, aluno por aluno – o mundo.

Lembro-me até hoje de um professor de matemática me explicando o mesmo trajeto da fórmula, quantas vezes fossem necessárias até que eu soubesse fazer sozinha. De uma professora de literatura que se emocionava enquanto escrevia. De um mestre que nos ensinava um pouco de tudo o que sabia e tentava ser além de nosso professor, nosso psicólogo, nosso amigo, nosso colega de sala… Lembro de outra mestra que acordava os alunos cantando e andava pela sala  conversando animadamente com a gente. Na verdade, as melhores lembranças que tenho da minha vida escolar – e bom, da minha vida como um todo – são inteirinha deles. Porque enquanto eles davam aula eu me espelhava, enquanto eles explicavam eu me inspirava e anotava mentalmente cada característica que eu mais gostava em cada um – na esperança de lá na frente, poder ser um pouquinho de cada. Na verdade, eu acredito que sou um pouquinho de cada e que quando, de fato, for professora, terei-os sempre comigo em cada aula, em cada prova, em cada fala, em cara sorriso.

Por isso tudo, eu queria ontem – pois sou atrasada – e hoje e sempre, agradecer pessoalmente cada um. Como isso não é possível queria apenas dizer um muito obrigada. Queria também pedir para que jamais desistam, tem alguém se inspirando em vocês. Que vocês sempre se lembrem o que representam na vida de nós – alunos – que nunca se esqueçam que vamos lembrar de vocês pro resto de nossas vidas. Queria apenas pedir: continuem mudando o mundo. Essa é a única forma de realmente evoluirmos em algo, a única maneira de voltar a acreditar no ser humano é pela educação.

Lembranças do “quartinho do fundão”| Um texto sobre desatulhamento
Ecdise – Conto de Samira Oliveira +18
Amigo, ainda me sobraram dedos para te contar.
Pessoal Textos

Quando o adeus é o melhor do “Era uma vez”

29.08.16
QUANDO O ADEUS É O MELHOR DO -ERA UMA VEZ texto autora escritora Samira Oliveira

Hoje o dia todo percebi que não te disse coisas que eu deveria ter dito. Não disse. Bom, talvez tenha dito – usando outras palavras, ou talvez falando entre os dentes, mas disse. Simplesmente porquê, você sabe, eu não consigo não falar o que sinto, não me manifestar. Não posso ficar com a palavra entalada na garganta. E é por isso, e pelo bem de nós dois que eu preciso finalmente me despedir.

Finalmente eu não estou chorando – o que é um milagre, visto que desde que você chegou e me ensinou a chorar eu não parei mais – derramando águas por todas as minhas forte emoções, seja de uma batida no dedinho do pé até o casamento dos meus professores. Não estou chorando, porquê demorei muito para chegar a este consenso entre os meus sentimentos mistos por você – hey, não se assuste, não é o que está pensando.

Hoje mesmo um amigo me disse que temos que fazer com que o infinito caiba no tempo limitado que você tem ao lado de quem ama. Porque se Deus te permitiu que encontrasse aquela pessoa e que você ficasse com ela por aquele determinado período de tempo, poxa, você é um homem de sorte. Se conseguiu encontrar o amor – entre tantas pessoas – e passar um tempo ao lado dele é porque esse tempo deve – Precisa – ser, valorizado. Precisa fazer caber todo um infinito de amor e de sentimentos naquele pequeno tempo limitado. Precisa fazer com que todos o filmes assistidos agarradinhos no sofá – com os pés frios enrolados nas pernas do outro – valham a pena. Tem que fazer com que aquele giro inesperado no meio de alguma loja do Shopping – com um monte de gente olhando feio ou rindo – valha a pena. Fazer com que todo o tempo que gastaram decorando o nome de cada parente distante, guardando a localização exata de cada pintinha no braço do outro, de cada caracol do cabelo, de cada marca de perfume que outro usa – tenha valido a pena. Temos que fazer isso tudo valer a pena. Afinal, essa deveria ser a maior lei de todo relacionamento: vamos fazer valer. Se não for para fazer valer então nem comecem; se não for para chorar sem motivo à noite – imaginando como seria sua vida se Deus o pedisse de volta – então não fique. Se não for para me escrever cartinhas dizendo o quanto você mudou e agora até canta no chuveiro porquê eu trouxe luz à sua vida – então não fique. Se não for para parar a sua vida, e adiar o seu mundo – então…não fique…Não! Não adie o seu mundo por mim! É por esse meu pensamento egoísta que eu tenho medo de nós dois. Tenho medo porquê minhas asas são enormes e as suas são para voar rente ao chão. Tenho medo porque você é fiel com cada célula do seu corpo – e eu não tenho a mesma certeza sobre mim. Você quer a segurança – eu quero o pulo de asa delta. Você quer morar numa mansão – eu quero nós dois fazendo brigadeiro e jogando bola pros nossos cachorros numa casinha de madeira. Você quer o mundo – eu só quero você. Eu sou do mundo, eu tenho mundo – mas eu não tenho você. Eu quero me entregar – você tem medo. Eu te conto até sobre as minhas dúvidas existências, eu abro meu coração, eu desnivelo o que sou, desenrolo meus pensamento, abro e estendo a você cada milímetro da minha essência – porque cada ato meu é um resumo de tudo que eu já passei e vivi – mas você se fecha e não me deixa sequer bater. E nesse jogo todo você não me deixa atingir a sua essência. Você não me mostra o que você é.

Por essa razão eu digo: chega. Sabe quando a Linha Azul se encontra com a Verde nas Estações Ana Rosa e Paraíso? Foi aquele momento – aquele importante momento – em que elas se encontraram. Por isso, se me foi permitido que eu te encontrasse nessa momento, e que nossas linhas se cruzassem. Se nos foi permitido termos um ao outro até esse momento. Não podemos ter medo de dizer adeus. Talvez nossas linhas tenham outros pontos para cumprir, tenham outras vidas para transformar. Talvez, bem talvez você consiga dormir à noite pensando em outra – agarrado à foto de outra. E talvez, bem talvez, algum outro alguém consiga curar meus medos como você curou – e que você rasgará novamente se se for. Talvez alguém me ensine novamente como é ser forte, como é ser bela, como é me sentir linda. Talvez um outro alguém seque minhas lágrimas exatamente como você fez. Talvez outro alguém me abrace forte enquanto eu conto sobre o meu avô sob um céu estrelado. E talvez você finalmente encontre as palavras necessárias para escrever uma música para outra – palavras que você nunca encontrou para mim. Talvez um dia ela também te dê forças para continuar a sonhar – até mais do que eu. Talvez ela entenda o sorriso da sua mãe – mais do que eu. E seja até mais agradável para com o seu irmão. Talvez com ela seus pais digam como gostariam de tê-la em sua família – e ai eu sei , você vai sorrir (dar aquele sorriso que eu tanto amava) e dizer que esse dia está próximo, o dia que vocês serão uma só família. E eu? Eu serei apenas a linha que prosseguiu. Alguém que precisou partir porquê não foi forte o suficiente, porque não lutou o suficiente. Ou apenas porquê foi forte de mais – verdadeiro de mais. E as nossas linhas se encontraram exatamente naquele tempona intensidade daquele momentoque foram o bastante para transformarem a vida dos dois. Talvez, bem talvez um dia eu aprenda que eu também queria morar numa casa grande – e você também gostaria de móveis em madeira. Talvez a gente perceba que as nossas linhas eram para terem continuado – que apenas não seguiram juntas por causa de uma pedra no meio dos trilhos. Então quem sabe, suas asas terão crescido e você terá voltado para aquela cidade. E eu? Bom, você sabe onde eu moro! Afinal fui eu quem quis assim não é mesmo? E os caminhos que tanto deveriam ter se separado – terão finalmente encontrado o caminho de volta.

Precisamos apenas fazer com que o seu caminho e o meu se encontrem eté o fim do trilho Que não sejam talvez o mesmo –mas que sejam parecidos. Que os nossos caminhos possam – quem sabe um dia – se tornar o mesmo. Assim como os meus pensamentos – que se emarranham tanto que eu não sei mais onde começam os sentimentos sobre mim e os sentimentos sobre você . Como eu poderia algum dia sequer tentar separá-los sem arrancar metade da essência do que eu sou? Sem portanto, finalmente alegar um grande arrependimento? – justo eu que julgo que cada ação é um resumo do que sou! Precisamos fazer com que nunca nossas linhas sejam tão diferentes uma das outras para que seja necessário partir. Precisamos – da janelinha do trem – gritar com todo os ar dos nossos pulmões: Adeus! Adeus para que possamos recomeçar. Adeus para que não tenhamos medo do fim – do desconhecido. Para que possamos continuar seja em outra vida, seja em outro trem. Adeus para que sempre nos lembremos de que nossas linhas podem se reencontrar – seja nessa vida, seja em outra. Adeus porquê eu sei exatamente, que meus olhos só vão brilhar quando for você quem me levantar no colo. Adeus pois apenas eu sei o jeito exato de mexer nos seus cabelos – sei exatamente como te fazer se sentir único. Adeus pois o nosso fim chegará apenas quando Deus quiser. Adeus pois quero sempre recomeçar com você. Adeus porque eu não aguento mais chorar – eu não quero você longe mas eu quero que siga o seu caminho. Adeus pois a gente vai se reencontrar.

Lembranças do “quartinho do fundão”| Um texto sobre desatulhamento
Ecdise – Conto de Samira Oliveira +18
Amigo, ainda me sobraram dedos para te contar.
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